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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Uma entrevista de José M. Júdice mostra-nos a triste realidade das elites portuguesas. Quando digo elites não estou a referir-me a uma certa aristocracia intelectual mas a este pessoal político e satélites -advogados, banqueiros- que vivem de privilégios derivados do exercício do poder político ou proximidade dele.
Pelo que lemos Júdice foi amigo, ou é, de toda essa gente que governou e governa. Era tudo gente fantástica, essa que governou, do Cavaco ao Sócrates, passando pelo Sampaio e pelo Cunhal que ele apelida de romântico, no que mostra que, ou nunca percebeu Cunhal ou ignora o que significa ser romântico. Admirou-os a todos, enfim, excepto a Manuela Ferreira Leite que adora mas não é adequada a cargos de poder (machista), ao contrário do Socas...
Ficamos a saber que leu muita coisa (para além da formação em Direito) aparentemente ao acaso, ou melhor, o que estava então na berra ler, nunca se tendo interessado por formar um pensamento político próprio. Era mais do género de ficar à espera de um salvador e foi oscilando entre uma coisa e outra sem convicções de coisa alguma em particular no sentido do que seria melhor para o país. É mais do género, quero é ser amigo deles.
O PSD, diz, nunca teve pensamento político. O PCP, que ele admira, sim. Não se percebe se ele nunca ouviu falar dos crimes dos regimes soviéticos que o Cunhal tanto admirava e tentou trazer para cá.
O que fica patente é, sobretudo, a falta de qualidade dos seus juízos sobre os acontecimentos e as pessoas e, pela maneira como fala dos amigos, ficamos com a ideia que os outros do seu círculo, o Barroso, o Sampaio (que ele diz ter sido o melhor Presidente, embora não diga porquê...) e outros são mais ou menos como ele. Leram muita coisa daqui e dali mas não conseguiram transformar nada do que leram em sabedoria.
No entanto, ele acha-se um teórico... vá-se lá saber porquê...
Quando penso que tivemos políticos como o Fontes Pereira de Melo, o José Braancamp, o Bernardino Machado, o Guerra Junqueiro, o Hintze Ribeiro, o Teófilo Braga, o Teixeira Gomes, o eng. Duarte Pacheco... para não ir mais longe... e agora temos estas pessoas...

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