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Uma entrevista de José M. Júdice mostra-nos a triste realidade das elites portuguesas. Quando digo elites não estou a referir-me a uma certa aristocracia intelectual mas a este pessoal político e satélites -advogados, banqueiros- que vivem de privilégios derivados do exercício do poder político ou proximidade dele.

Pelo que lemos Júdice foi amigo, ou é, de toda essa gente que governou e governa. Era tudo gente fantástica, essa que governou, do Cavaco ao Sócrates, passando pelo Sampaio e pelo Cunhal que ele apelida de romântico, no que mostra que, ou nunca percebeu Cunhal ou ignora o que significa ser romântico. Admirou-os a todos, enfim, excepto a Manuela Ferreira Leite que adora mas não é adequada a cargos de poder (machista), ao contrário do Socas... 

Ficamos a saber que leu muita coisa (para além da formação em Direito) aparentemente ao acaso, ou melhor, o que estava então na berra ler, nunca se tendo interessado por formar um pensamento político próprio. Era mais do género de ficar à espera de um salvador e foi oscilando entre uma coisa e outra sem convicções de coisa alguma em particular no sentido do que seria melhor para o país. É mais do género, quero é ser amigo deles.

O PSD, diz, nunca teve pensamento político. O PCP, que ele admira, sim. Não se percebe se ele nunca ouviu falar dos crimes dos regimes soviéticos que o Cunhal tanto admirava e tentou trazer para cá.

O que fica patente é, sobretudo, a falta de qualidade dos seus juízos sobre os acontecimentos e as pessoas e, pela maneira como fala dos amigos, ficamos com a ideia que os outros do seu círculo, o Barroso, o Sampaio (que ele diz ter sido o melhor Presidente, embora não diga porquê...) e outros são mais ou menos como ele. Leram muita coisa daqui e dali mas não conseguiram transformar nada do que leram em sabedoria. 

No entanto, ele acha-se um teórico... vá-se lá saber porquê...

Quando penso que tivemos políticos como o Fontes Pereira de Melo, o José Braancamp, o Bernardino Machado, o Guerra Junqueiro, o Hintze Ribeiro, o Teófilo Braga, o Teixeira Gomes, o eng. Duarte Pacheco... para não ir mais longe... e agora temos estas pessoas...

 

 

 

publicado às 17:48


17 comentários

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De Sarin a 29.07.2019 às 02:45

Não percebi a sua crítica à questão de JMJ achar que o PCP tem pensamento político e o PSD não... Acaso ter pensamento político, i.e, ideologia, depende de se considerar bom ou mau? Reconhecer uma matriz vincada exige, ou significa, concordância com a mesma?
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De beatriz j a a 29.07.2019 às 07:55

Ele refere o PSD não ter pensamento político como uma das razões da decadência do partido nunca considerando que fala de si mesmo, dos seus amigos e correligionários de partido. Ele foi aliado de Marcelo Rebelo de Sousa, Durão Barroso e Pedro Santana Lopes e pôs o Cavaco Silva no poder. Apoiou para presidente. Logo a seguir foi mandatário da candidatura de Costa. Ele é o típico político português no mau sentido da palavra. Não fez nada de útil para o país, no entanto, foi condecorado pelos amigos da política: é Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.
Depois admira o PCP por ter um pensamento político mas não considera o que é essa ideologia, a comunista, fez por esse mundo fora durante todo o século XX. Como se o comunismo ideologia e os partidos comunistas não tivessem nada a ver uns com os outros.
É uma pessoa que tem um pensamento errático e inconsequente que foi navegando umas vezes a favor do vento, outras à bolina, que tanto defende uma coisa como o seu contrário.
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De Sarin a 29.07.2019 às 10:01

Já percebi que despreza Júdice, também não me é especialmente simpático.
Mas continua a não refutar a afirmação feita por ele.
O PSD não tem uma ideologia definida - chamar-se social-democrata é um pormenor, a social-democracia é ou não defendida conforme o seu líder é mais ou menos liberal, e por liberal falamos da economia, não dos costumes (onde esteve a social-democracia no tempo do cavaquistão? nem falo do passismo-relvismo, condicionado pela actuação da troika mas sempre a ir além desta no que a cortes sociais dizia respeito). Um partido ter no nome social-democracia (sabe certamente que, quando fundado, não tinha. Que apenas o ganhou por querer um seu dirigente fundador aderir à Internacional Socialista. E que o PSD esteve no grupo europeu S&D até o passismo o colocar no PP)


Por acaso, o comunismo de Lenine, de Trotsky, de Estaline, de Mao ou de Allende diferem, e muito, na actuação, não deixando de ser a mesma ideologia. Dizer que Cunhal faria de Portugal um soviete é um mito tão interessante como dizer que Sá Carneiro faria de Portugal uma democracia nórdica - ambos os mitos olvidam as outras forças políticas e colam as hipotéticas futuras actuações ao nome do partido e, por este, às actuações de partidos semelhantes. Que não foram tão semelhantes assim.


Não aprecio Júdice, e este pode ser tudo aquilo que lhe chamou; mas não deixa de ter razão na afirmação que fez, segundo a Beatriz, sobre estes dois partidos políticos: Um tem ideologia e o outro não. Tal constatação não implica concordância com os respectivos projectos - uma análise lógica não compreende simpatias.
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De beatriz j a a 29.07.2019 às 10:25

Em primeiro lugar eu não desprezo o Júdice nem outros. Só acho que temos sido governados por políticos muito pequenos que se acham muito grandes.

Em segundo lugar o post não é sobre as ideologias em si nem eu tive intenção de criticar a critica dele à suposta falta de ideologia do PSD, nem isso me interessa aqui para o caso. O que critico é a hipocrisia, inconsequência e falta de juízo crítico dele ao adjudicar aos outros aquilo que ele próprio é.
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De Sarin a 29.07.2019 às 10:59

Não teve intenção de criticar ideologias nem a crítica de JMJ à ausência de ideologia do PSD?
Cito:

"O PSD, diz, nunca teve pensamento político. O PCP, que ele admira, sim. Não se percebe se ele nunca ouviu falar dos crimes dos regimes soviéticos que o Cunhal tanto admirava e tentou trazer para cá."


Desculpe se percebi que criticava a crítica e confundia as coisas - vejo agora que escrever um parágrafo inteiro dedicado ao assunto, portanto assim o destacando, pode não pretender dizer nada, que é apenas incoerência.
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De beatriz j a a 29.07.2019 às 11:31

Mas eu no que escrevo alguma vez digo que é falso o que ele disse acerca do PCP ter uma ideologia e o PSD não? Eu critico a inconsequência do pensamento dele. Admira o PCP porque tem uma ideologia, pese embora nunca, pelos vistos, lhe tenha passado pela cabeça investigar as consequências dessa ideologia como se fosse tudo igual. E admira o Cunhal, uma pessoa que admirava essa ideologia que esteve na base de tantos crimes em todos os países onde foi implementada. Ora, se isto não é uma inconsequência e falta de juízo crítico, é o quê?

Portanto, mais uma vez, este post não é sobre quem tem ideologias ou não ou sobre as próprias ideologias, é sobre as inconsequência e hipocrisias deste político que quanto a mim é um bocadinho representativo de muito políticos que temos. E não é pelo facto de ele ser um ser humano que tem contradições, que faz erros. Não. É por ele parecer não ter a mínima noção da sua falta de coerência, da sua ausência de juízo crítico sobre as suas acções e opções políticas.
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De Sarin a 29.07.2019 às 14:42

Explicitamente não o diz, mas leia o parágrafo desapaixonadamente e encontrará a formulação ambígua - daí a minha dúvida sobre o que pretendia dizer.

Inconsequência, admirar uma personalidade? Admirar não significa estimar nem concordar com todas ou com parte das características ou valores de uma personalidade. Conforme comentei anteriormente. Mas Beatriz parece confundir admiração com concordância, e daí saca uma inconsequência que, pelo argumento, apenas existe pela confusão.


O postal teria apenas o intuito de expor a opinião sobre Júdice. Fez mais do que isso - por vezes acontece.
E os meus comentário são a prova de que se pode concordar com os fins sem concordar com todos os meios.
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De beatriz j a a 29.07.2019 às 16:35

A admiração só existe onde se reconhecem qualidades dignas de admiração, isto é, qualidades positivas como por exemplo, honestidade, bravura, o serviço ao público, etc. Júdice admira Cunhal porque admira, como ele diz, homens fortes. É pela mesma razão que admira Sócrates, Cavaco e Costa como ele diz.
No entanto, Cunhal representa tudo aquilo contra o qual ele diz ter lutado, o que é uma inconsequência, quer dizer, ele admirar uma pessoa que tenta implementar no país um regime que ele considera nocivo. É só isto. E a entrevista está cheia desta falta de juízo crítico sobre as coisas.

O post tem o intuito que eu quero que tenha, pese embora possa não agradar a toda a gente o que escrevo. Aceito isso perfeitamente.
Agora não entendo porque está sempre a dizer que eu não percebo o que é a admiração ou a concordância ou que eu quis dizer uma coisa implicitamente, ou que tenho desprezo pelas pessoas... eu quis dizer o que disse.
Que as pessoas interpretem à sua maneira, é outro assunto. Eu estou aqui a dizer a razão e intenção de escrever o que escrevi, bem como explicar o que se calhar deixei menos claro no post mas não vou dizer que escrevi o que não quis escrever nem está lá escrito, só para agradar.

Júdice dá uma grande entrevista sobre a sua vida em que fala de muitos acontecimentos e pessoas. Naturalmente, ao falar dessa entrevista e do que considero critico sobre as suas opções acerca dos acontecimento e pessoas que ele refere, tenho que falar também, alguma coisa, dessas pessoas ou acontecimentos, pois doutra maneira era impossível explicar porque é que as críticas o são ou alguém perceber o que estou a dizer.

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De Sarin a 29.07.2019 às 17:23

A Beatriz insiste em associar admiração a concordância genérica, e é aqui que está o busílis: pode-se admirar uma ou várias capacidades da pessoa sem admirar os valores que defende, e vice-versa. Não há inconsequência nem contradição. Pode admirar o raciocínio sem aceitar as conclusões, pode admirar o esforço sem concordar com os objectivos, pode admirar a dedicação sem admirar a causa.

Disse uma vez, no segundo comentário, que a Beatriz tinha desprezo por Júdice. Corrigiu-me, disse que não desprezava ninguém. Não tornei a falar no assunto - e vem dizer que eu "estou sempre a dizer"? A hipérbole está deslocada.
Mas não a indicação de confusão: não tem a ver com gostar ou não do que escreve, mas de discordar logicamente dos argumentos usados. Cf primeiro parágrafo.


Percebi o que pretendia transmitir. Apenas lhe indiquei que algumas das inferências que faz não são sustentáveis, independentemente de opiniões sobre as pessoas causa.
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De beatriz j a a 29.07.2019 às 18:26

A admiração das pessoas não se faz no vazio. Quer dizer, a fortaleza é uma virtude se for orientada para o bem, senão como admirá-la? O Hitler era forte, o Sócrates era forte. Não que os compare, foi um exemplo. Não admiro a fortaleza dessas pessoas e mais valia que fossem fracos e incapazes porque a fortaleza neles foi um recurso para fazer mal.

Não estou de acordo a não ser que a admiração se ligue a algo admirável.
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De Sarin a 29.07.2019 às 18:53

Claro que "a admiração se liga a algo admirável", sempre. Nome e predicado. O problema é o conceito. Pode não estar de acordo com o objecto da admiração, mas não pode exigir que a admiração seja tão restritiva como pretende. Para Descartes, a admiração "é uma súbita surpresa da alma levando-a a considerar com atenção os objetos que lhe parecem raros e extraordinários", não necessariamente por serem bons. Mas por serem raros ou extraordinários, invulgares.

Foi e é este o meu ponto. Apenas isso :)
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De beatriz j a a 29.07.2019 às 19:00

Não estamos a falar no vazio, estamos a falar do Cunhal.

Nunca disse que não se pode admirar com o que não se concorda. Não concordo com as ideias da Madre Teresa de Calcutá mas admiro o sacrifício dela em ir viver para o meios dos pobres e ajudá-los. Mas já não a admirava se ela orientasse a mesma capacidade de sacrifício para fazer mal.
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De Sarin a 29.07.2019 às 19:32

Mais uma vez, a questão prende-se afinal com o objecto de admiração.

A Beatriz entende que Cunhal orientou as acções dele para o mal. É um direito que lhe assiste, ter tal opinião. Mas a sua afirmação apenas reforça os meus argumentos - um argumento logicamente formulado é válido no vazio ou aplicado a um objecto. A Beatriz quer forçosamente validar a sua inferência de inconsequência, demonstro-lhe que é inconsistente e que o é por causa da premissa: o conceito de admiração. Recuse os meus argumentos, aceite-os, ou deixe para ponderar outro dia; não vou continuar este diálogo pois está a ser redundante.

Até breve.
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De beatriz j a a 29.07.2019 às 10:50

Deixe-me explicitar melhor para o caso de não ter sido muito clara: Júdice foi um teórico (nas suas palavras) do PSD durante muitos anos. Pelo menos, desde o Sá Carneiro até à segunda eleição de Cavaco para Presidente, altura em que pulou para o PS de Costa.
Durante todos esses anos, que contributo deu para o enquadramento teórico, isto é, ideologia, do PSD? Nenhum, pois ele mesmo diz que o partido não a tem. No entanto, ele admira o PCP por tê-la e criticar o PSD por não tê-la como se ele mesmo nada tivesse a ver com essa falha que aponta ao PSD, ele que foi um teórico do partido durante tantos anos. Se isto não é hipocrisia, falta de juízo crítico e inconsequência, é o quê??
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De Sarin a 29.07.2019 às 11:03

Mas isso percebi perfeitamente no seu texto. O que não percebi, pelo que lhe pedi esclarecimento e não obtive, foi pelo parágrafo sobre o qual há minutos lhe respondi.

Reitero que identificar matrizes não significa defender posições; mas, e no âmbito das ideologias, convém ser claro e lógico.
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De Cosmo Kramer a 30.07.2019 às 03:40

O Júdice é um catavento, sempr3 orientado no sentido do vento favorável a si.

Por isso, digo que Júdice é um imprestável, porque não presta.
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De beatriz j a a 30.07.2019 às 07:43

cata-vento :))

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