Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Liberdade na internet versus 1984

por beatriz j a, em 29.11.18

 

 

 

O Artigo 13 proposto no Parlamento Europeu, cuja consequência será uma monitorização permanente dos conteúdos que cada europeu colocar online, é o caso flagrante daquilo que resulta ter burocratas a legislar assuntos dos quais nada percebem.

Mas isso só é possível porque lhes foi concedido tal poder. E portanto, um punhado de oligarcas, não-eleitos por vocês, votam a favor de medidas forçadas no vosso país; neste caso, medidas de censura.

O Artigo 13 consiste num conjunto de leis generalizadas que responsabiliza empresas privadas por possíveis violações de direitos de autor dos seus utilizadores. Isto significa que os criadores de conteúdo baseado em conteúdo já feito: como a samplagem, os memes, os reviews, os remixes, os vídeos com música por cima, os pequenos canais que usem imagens de notícias publicadas nos sites, screenshots de programas de TV, posts vossos com imagens do Google Images terão os seus conteúdos banidos e serão impedidos sequer de fazer novos uploads.

Em semelhança ao que se faz na China e na Coreia do Norte, o conteúdo online que colocarem (as fotos das vossas férias, dos vossos filhos, alguma imagem que foram buscar ao google images) serão avaliadas, primeiro, por robôs de inteligência artificial que vão comparar a imagem a resultados que encontre numa base de dados central, comunicar com API’s de outras aplicações a quem vocês não deram qualquer acesso, e depois, em caso de dúvida, por uma equipa de centenas de pessoas que farão o aval final do filtro.

Mas os conteúdos referidos no artigo não se baseiam apenas a musicas ou imagens. Estendem-se à possível cópia de Tweets de outros, código partilhado (GitHub), da Wikipédia, blogs (Wordpress, Wix), imagens do Pinterest ou do Flickr ou do Google Images, documentos PDF e Google Docs. O artigo diz explicitamente “todos os tipos de conteúdo”.

A caça ao internauta é então acompanhada da imobilização das redes sociais perante algo que lhes é virtualmente impossível controlar: limitando, assim, os conteúdos, por defeito (pelo que à mínima semelhança com algo já existente, o conteúdo será banido automaticamente).

Quem beneficia disto são, obviamente, os grandes criadores: grandes estúdios, equipas de grandes recursos, indústria de entretenimento, indústria mediática, enquanto se limita o poder dos pequenos criadores (os miúdos vloggers que fazem vídeos no quarto, os pequenos músicos que fazem Covers para chamar a atenção de visualizações, reviewers que conseguem exposição dando a sua opinião sobre conteúdos, DJs que ficaram limitado a na samplagem de musicas. Etc.

Perante a relativa liberdade de internet que hoje ainda temos, os burocratas do parlamento europeu, muitos dos quais nunca tiveram um emprego na vida, nunca lidaram com a criação de uma empresa, e, por si só, de uma empresa tecnológica, perceberam que qualquer pessoa poderia transformar-se numa influência grande demais para as narrativas da comunicação social, o que se verifica essencialmente com Youtubers. Assim, corta-se-lhes as asas. Como acontece com o PewdiePie, o YouTuber mais subscrito de sempre no YouTube, que, admirem-se, é um sueco de direita que faz conteúdos para miúdos.

Isto põe em causa as grandes redes sociais como o Facebook e YouTube e Twitter mas também file-hosters e web servers, que armazenam ficheiros e serão responsabilizados por vocês fazerem upload de conteúdos de outros nos seus servidores. Isto é especialmente perigoso porque impede que pequenas empresas, sem recursos para programar máquinas de inteligencia artificial ou machine learning/contratar pessoal que faça eficazmente essa filtragem, se expandam ou sequer nasçam, deixando assim para aquelas com tal capacidade um monopólio que poderá ser conveniente na centralização de informação.

Estas medidas que a União Soviét... desculpem, Europeia (a certa altura confundi-me sobre quem estávamos a falar), propõe viola obviamente a Directiva de E-Comerce e a Charter of Fundamental Rights. Começa a ser altura de pensarmos seriamente se cá devemos ficar.

O Gato Politico

 

publicado às 07:09

 

 

Muito bom.

 

 

publicado às 05:04


bullying no colégio militar

por beatriz j a, em 22.10.09

 

 

jornal i

 

Punidos internamente, os oito arguidos acusados de maus tratos, com idades entre os 20 e os 25 anos, aguardam agora o exame final. O que é indiciado por mais crimes, R., assegurou aos investigadores que os castigos são "hábito normal" do Colégio Militar. Não constam do regulamento, mas estão escritos nas entrelinhas. Ser graduado é ser responsável pelos mais novos, no seu caso 111. E quando os da sua companhia faziam erros, os oficiais chamavam-no a si e aos outros graduados à atenção, "para tentarem disciplinar os alunos".

O dicionário interno explica os castigos "instituídos". Completas: sucessão de flexões, pulo de galo (saltos de cócoras) e abdominais. Firmezas: exercício físico em simultâneo por todos os colegas. Apresentações: vestir e despir num curto espaço de tempo. E um dos mais graves, substantivo feminino escrito em letras gordas: chapada de luva castanha.

Os excessos que envergonham um colégio com 206 anos de história são minimizados pelo Exército, mas o porta-voz, Helder Perdigão, admite que a falta de vigilantes adultos é um problema. "É público que o Exército tem vindo a reduzir o seu pessoal civil, não é exclusivo do Colégio Militar. Muitos funcionários reformaram-se e não foram substituídos." O problema, garante, "já foi transmitido à tutela, a quem caberá resolver".

Garcia Pereira, que representa os dois irmãos agredidos, diz que hoje existem menos de 20 vigilantes, quando há duas décadas eram 200. Os alunos ficam "completamente sozinhos e entregues aos mais velhos, os graduados", lamenta. O advogado critica ainda a direcção, que responsabiliza pelo "grande clima de impunidade" vivido na escola.

Tal qual o que se passa na escola pública: falta de funcionários; clima de impunidade - na escola pública favorecido pela legislação da ministra Lurdes Rodrigues, com grande destaque para o estatuto do aluno.

O bullying não é um problema novo, é um problema recorrente. Todos os que frequentaram colégios internos o sabem muito bem. Centenas de adolescentes (rapazes, neste caso) fechados numa espécie de quartel às ordens de meia dúzia que, por falta de controlo, agem como reizinhos absolutos. Rapidamente despem a farda da civilização e assumem comportamentos tribais.

Nunca leram/viram 'O senhor das Moscas'?

 

 

publicado às 07:03


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D



Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Edicoespqp.blogs.sapo.pt statistics