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Um passo à frente, dois atrás...

por beatriz j a, em 20.02.17

 

 

Study finds that mothers are increasingly staying in part-time jobs instead of returning to full-time work.

 

 

publicado às 04:22

 

 

 

Noam Chomsky explica muito bem o que se passa, como começou  (porque esta decadência começou nos EUA de modo intencional e deliberado e, como começa a ser costume, os europeus, em vez de liderarem nas ideias, vão a reboque dos EUA, por razões de ganância e medo) e como a ideia foi assumida, publicamente, por Alan Greenspan, quando prestava depoimento no Congresso americano onde afirmou que uma das bases para o seu sucesso económico era impôr insegurança no trabalho, tendo, de seguida, desfiado aqueles argumentos do tempo da Revolução Industrial segundo os quais os trabalhadores no limiar da sobrevivência não pedem aumentos nem reivindincam; em suma, trabalham, não chateiam e enchem o patrão de lucros... ora, é isso exactamente o que se fez nas escolas e nas universidades. Hoje em dia um professor universitário assistente é um escravoAté que ponto isso influencia, negativamente, o próprio ensino e, de uma assentada, todos os que dele deveriam beneficiar?

Estes e outros assuntos é que deviam ser reflectidos com cuidado antes que seja tarde e não, 'como despedir mais pessoas e tornar os outros todos precários para podermos distribuir aos accionistas mais lucros e aos políticos mais luvas'?

 

Chomsky: How America's Great University System Is Being Destroyed
Faculty are increasingly hired on the Walmart model as temps.

 

 

publicado às 05:55


Um cancro que vai alastrando. Cá chegará...

por beatriz j a, em 19.05.15

 

 

 

Contratos Zero Horas, um cancro que vai alastrando nos países anglófonos

 

 

 

Contratos zero horas, o sonho de todos os empregadores: quando há trabalho o empregado tem de estar disponível, quando não há não há qualquer vínculo. Totalmente flexivel para o empregador e totalmente inflexível para o empregado, o contrato zero horas transfere todos os riscos da atividade económica para os trabalhadores.

Só recebes as horas que trabalhas, mas tens de estar totalmente disponível para trabalhar quando o patrão chamar.

 

Começaram como sempre começam estas ideias, com o apoio dos empregadores ingleses que se queixavam de um mercado de trabalho pouco flexível e que diziam serem uma óptima solução para os jovens estudantes ou para os reformados poderem levar mais algum dinheiro para casa. Poucos anos depois e com o empurrão da crise financeira representam já uma enorme fatia do trabalho em Inglaterra.

 

Em 2011 no setor hoteleiro já ocupavam 19% dos postos de trabalho, 13% no setor da saúde e 10% na educação. Cerca de 17% dos empregadores em Inglaterra usa este tipo de contratos. As estatísticas do Governo estimam que em 2014 quase 2,7 milhões de pessoas tenham estado a trabalhar com contratos zero-horas.

 

Em média estes trabalhadores levam para casa menos 5,772 libras por ano, comparando com outros trabalhadores e não recebem subsídio de desemprego, nem descontam para a pensão. Não há TSU.

 

De cada vez que nos falam em Portugal de baixar a contribuição para a Segurança Social (TSU) ou em flexibilizar mais as leis do trabalho para favorecer o emprego, é preciso termos memória e olharmos para o que isso quer dizer noutros países.

A precariedade é uma armadilha para ursos.

 

via precários.net

 

 

publicado às 17:38


Mais uma professora agredida

por beatriz j a, em 23.10.14

 

 

 

Uma professora da Escola Básica e Secundária do Cerco, no Porto, foi agredida pelos familiares de uma aluna. A docente, de 43 anos, sofreu vários hematomas ao ser agredida a murros e pontapés.

 

Tudo ocorreu por volta das 15h00 de ontem. A professora, que estava a dar aulas de Matemática a uma turma do 6º ano, confiscou um telemóvel a uma aluna, de 12 anos, na sala de aula.

 

No final da aula, a jovem foi tentar reaver o telemóvel, mas a professora disse que o ia entregar à direção da escola. Depois da situação, a aluna telefonou aos pais, através de um telefone de um amigo, e afirmou que a professora a tinha agredido.

 

Ao saber do incidente, os pais da aluna deslocaram-se à escola e agrediram a professora dentro de uma sala reservada aos docentes, situada no segundo andar de um dos edifícios escolares. Apenas a intervenção de um outro professor evitou que as agressões se prolongassem.

 

A situação gerou preocupação nos outros docentes da escola. "Estamos preocupados com a nossa segurança, pela forma como os pais conseguiram entrar na escola sem que ninguém os impedisse", disse um professor, que não quis ser identificado. As aulas foram canceladas da parte da tarde, devido a este episódio de violência. Os professores estiveram reunidos e exigiram que fossem tomadas medidas de segurança. Foi aberto um processo disciplinar à aluna, que pode agora vir a ser suspensa.

 

Cá para mim estes pais deviam ser proibidos de voltar a entrar na escola. Querem falar sobre a filha? Falem ao portão da escola. A aluna devia ser expulsa. A escola não pode ter um ambiente de pátio de prisão com ameaças e pancadarias.

Os pais conseguem entrar assim nas escolas porque as escolas têm uma dramática falta de funcionários de modo que não há maneira de vigiar nem um décimo do espaço escolar... e a maioria dos funcionários são contratados que passam uma parte do ano a aprender o trabalho para serem mandados embora no fim do ano e recomeçar tudo outra vez. Às vezes admiro-me que não haja mais casos destes...

 

Choca-me sempre estes pais que mandam os filhos para a escola para que os professores os eduquem enquanto eles os deseducam pelo exemplo que dão. E estes pais acreditam sempre nas coisas que os filhos dizem como se não vivessem com eles e não soubessem que os miúdos são miúdos e têm comportamentos de miúdos...  a quantidade deles que se volta para nós e diz, ' o meu filho/a não mente' com ar categórico... mas qual é a criança ou adolescente que nunca mentiu...? Qual é a família onde os pais nunca apanharam os filhos a dizer mentiras idiotas para escapar a castigos...? Mas as pessoas são parvas? E nem se dão ao trabalho de averiguar, vão logo bater nas pessoas e armar confusão.

Em vez de controlarem o estudo dos filhos e lhes exigirem respeito pelos adultos em geral e os professores em particular, dão-lhes telemóveis e PSPs para os calar e não terem que se chatear.

 Ainda ontem uma aluna me dizia que a irmã, que tem 8 anos, estava viciada na PSP... os pais começam desde cedo a treinar os filhos para serem viciados em jogos alienantes, maus estudantes, mentirosos e por aí fora.

 

Eu sei que estes que fazem estas coisas de agredir são uma pequena minoria mas não podia haver nem um a fazer isto. Isto devia ser considerado um acto gravíssimo com consequências muito pesadas. As escolas estão cheias de crianças e adolescentes, não podem ser espaços de tolerância de violência.

 

Também não ajuda a profissão ter sido degradada pela Rodrigues e por este Crato, que tratam os professores com a maior desconsideração (na minha opinião o que a outra fez durante anos foi bullying) e abuso de poder sempre que lhes dá para isso. É evidente que aquilo que fazem os maiores responsáveis pelos serviços aparece aos outros como um modelo do que é permitido e até desejável, fazer. Implicitamente é uma autorização para que outros os imitem.

 

É como dizia a crónica da mulher empoleirada no banco: as empresas e, acrescento eu, os serviços públicos da educação (não falo da saúde porque não estou por dentro dos assuntos) estão tão precarizados e degradados, os funcionários tão isolados, expostos às arbitrariedades e abusos dos que mandam, entrincheirados nos cargos anos a fio sem de lá saírem nem em face da incompetência mais gritante que tornam-se presa fácil para todos os mal formados sem escrúpulos, todos os predadores que por aí andam camuflados de pessoas normais que se queiram aproveitar da sua situação de exposição, precaridade e isolamento.

 

A cobardia que os governantes têm mostrado em todos os assuntos da educação, a maneira como se aproveitam da educação para fins políticos e não hesitam em degradar a vida de milhares de pessoas, enoja-me. Enoja-me que pessoas que falam do desgaste da profissão, das condições e pressões abusivas a que estão sujeitos os professores, mudem de discurso e de prática assim que se apanham num cargo. Enojam-me todos os que compactuam com este sistema e aproveitam-se dele para seu benefício pessoal. Enojam-me todos os que assobiam e olham para o lado face a estes casos, alguns dos quais, em anos recentes, já acabaram em suicídios.

 

 

publicado às 03:58

 

 

 

Se as empresas são corporações multi-nacionais que causam problemas globais, as organizações de trabalhadores têm que o ser também: multi-nacionais para uma acção global de modo que uma empresa america ou de outra nacionalidade não possa deslocar-se para um outro país com o intuito de fazer a exploração que o seu não permite.

 

 

 

publicado às 14:37


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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