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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Todos os anos digo aos alunos que têm que ter um plano de estudo. Resulta mesmo, não só quanto à capacidade de estar sempre em cima das matérias que têm que estudar e de progredir nas notas mas também no benefício de ficarem com tempo livre para o resto das actividades de lazer pois a vida não é só estudar. Mesmo os alunos que chegam ao 10º ano muito mal preparados conseguem recuperar se tiverem um bom plano de estudo e o seguirem. Explico-lhes como se faz e como se adapta às necessidades de cada um. Também explico aos pais da minha DT. É certo que muitos alunos não o seguem e os pais não se importam mas isso já não é comigo...
Seja como for, às vezes, porque já dou aulas há muito anos, porque tenho planos de trabalho mentais interiorizados e sei que consigo trabalhar 10 ou 12 horas de seguida quando é preciso para classificar testes e trabalhos, esqueço-me que também eu tenho benefícios em fazer um plano rigoroso. Este ano, no entanto, com os tratamentos frequentes e o cansaço que daí resulta, sei que não consigo trabalhar 10 ou 12 horas de enfiada a classificar testes... quer dizer, conseguir consigo mas sei que é um trabalho mal feito, a sacrificar a objectividade, de modo que tenho feito um plano pormenorizado do trabalho em cada período.
Mais ainda porque comecei o 1º período a dar a matéria do 10º ano que ficou por dar no ano passado quando adoeci e só aí gastei um mês e meio, de Setembro até fim de Outubro. Depois, este período é muito pequeno -um mês e meio- e tenho que ter tudo bem programado, inclusivé, os momentos de classificar testes, para não deixar acumular trabalho e ter que ver tudo a correr. E, mesmo sendo o 3º período muito pequeno, não queria ter apenas um elemento de avaliação. Por essa razão, desde ontem que estou nisto de planear o 3º período ao pormenor.
Resolvi acabar o 11º ano com o tema do sentido da existência, a fechar o 'curso de filosofia' que começou no 10º ano, apesar de não ser, eu mesma, uma existencialista, no geral. Mas sei que é um tema que os alunos gostam porque estão mesmo na idade em que todas as questões do sentido, do vazio, da orientação, da liberdade, da angústia, das escolhas e das responsabilidades, da incerteza e do medo e do projecto de vida, ressoam fundo na vivência deles e dá para pensar e induzir à introspecção e à consciência. É um tema óptimo para fechar, com proveito e sentido, os dois anos de filosofia.
Só que não gosto da maneira como os manuais tratam o tema - os poucos que o tratam- e quero mudar o que costumo fazer com o tema -não tudo porque há estratégias que sei que resultam sempre positivamente, mas quero introduzir outras perspectivas. O problema é que tenho pouca coisa em português e tenho que estar a traduzir textos. Mas é fun :) uma pessoa vai descobrindo coisas que já não via/lia há uma data de tempo.
Isto está a ficar um bocadinho um caos mas é um caos que há-de transformar-se num cosmos 🙂

* esqueci-me de lanchar :))
Hoje é Domingo. Dia de trabalho que amanhã começam as aulas e há muita coisa para preparar, planificar e fazer. É claro que o ME me vai pagar estas horas extraordinárias a peso de ouro e, é assim que os professores do básico e do secundário ficam ricos. Já tinha perdido este hábito de trabalhar aos fins de semana... o dinheiro que andei a perder...
Ah! E como há muito professores contratados que ficaram colocados a centenas de quilómetros de casa, esses passam o dia a viajar e recebem subvenções, claro. Como os políticos e outros destituidos da vida, gente licenciada mas que não ganha, nem de perto nem de longe os nossos salários altíssimos.

... enquanto o diabo esfrega um olho.


Estou de castigo todo o dia a elaborar e corrigir testes e trabalhos, trabalhos, trabalhos...
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