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Totally missing de point

por beatriz j a, em 02.03.19

 

Só estou bem com a cidade que não tenho

Vejo cada vez mais pessoas preocupadas com algumas consequências do turismo. Consequências que antes de existirem eram referidas nas mesmas conversas de café como situações desejáveis: centro das principais cidades cheio, uma remodelação do parque imobiliário e novas formas de circular – transportes individuais baratos e amigos do ambiente.

 

Ninguém está contra o turismo. As pessoas estão contra a edilidade e o governo que na pressa de contar as notas esquecem-se que há portugueses que precisam de viver agora já, e depois, quando os turistas se cansarem do país.

 

É que de cada vez que entra dinheiro no país, em vez de se aproveitar para melhorar as condições de vida das pessoas, estou a falar de habitação, saúde, educação e emprego, gasta-se todo o dinheiro a embelezar(em-se) e a especular e quando o dinheiro se acaba voltamos à estaca zero como se não tivesse havido esse período de relativa abundância.

 

Fazemos sempre isto: aconteceu com a riqueza que veio das Índias, a seguir com o ouro do Brasil, depois com a entrada na UE e agora Lisboa está a fazer o mesmo com os milhões que entram do turismo. Eles servem a quem? Sim, é verdade que a cidade está mais bonita, mais vivaz e interessante. Come-se muito melhor, por exemplo. No entanto, as pessoas foram expulsas da cidade e agora viajam de carro duas horas para chegar ao emprego e outro tanto para chegar a casa. Está tudo mais caro e os ordenados não chegam. Não há, nem parece haver, vontade de regular e de pensar nos portugueses não políticos. É o descontrolo total e a cidade está nas mãos de especuladores e amigos do poder. 

 

publicado às 19:45

 

 

As-forcas-de-seguranca-podem-ou-nao-retirar-a-forca-as-pessoas-de-casas-ameacadas-pelo-fogo

 

Este indivíduo vem dizer que as forçs de segurança têm poder de entrar nas propriedades e levar as pessoas à força e que ao algemá-las ou outra coisa qualquer estão a salvá-las. E se as pessoas resistirem com violência? Dão-lhes um tiro para as salvar...?

A questão não é se podem entrar e levar as pessoas mas sim o modo como o fazem. Nós vemos os capacetes azuis da ONU em situações de guerra entrarem nas propriedades e levarem as pessoas sem as atirarem com violência para dentro de jipes, sem as algemarem ou exercerem outro tipo de violência. Isso requer um tipo de exercício de autoridade calma mas assertiva e é isso que fez falta à GNR e não deixá-los agir ao sabor do bom-senso de cada um e depois dizer que podem agir como lhes aprover, inclusivé aparecer em pânico aos gritos para as pessoas abandonarem tudo e não tentarem salvar nada de toda uma vida de trabalho [quem não se lembra que no ano passado a obediência à GNR acabou com as pessoas numa estrada donde não saíram vivas?].

Portanto, o problema não é se a GNR pode algemar e até bater nas pessoas para que abandonem tudo mas se o devem fazer ou se há outros modos de actuar. Ora, há outros modos de actuar e é preciso que se treinem para saber lidar com pessoas porque as pessoas que perderam os seus bens não são o inimigo, são as vítimas.

Mas quando se põem estagiários sem formação no terreno, putos a dar ordens a pessoas que toda a vida viveram no, e do campo, dá nisto...

A GNR recorreu a um contingente de estagiários para fazer face à falta de guardas durante as evacuações das aldeias em Monchique e nos concelhos vizinhos de Silves e Portimão, onde também chegaram as chamas. Estes elementos nem sequer acabaram os seus cursos de formação e avançaram para o terreno sem estar legitimados para intervir.

 

 

Marmelete. A aldeia que se levantou contra os guardas da GNR

(...)

Nem vinte minutos depois, as sirenes de três carros-patrulha da GNR já estavam na rua principal de Marmelete, a gritar aflitivamente. “Era um barulho completamente ensurdecedor”, descreve José Maria, que poucas horas antes tinha andado a ajudar os bombeiros, também na zona da Fóia, ao volante de uma máquina de rasto.

Chegados ao casario, os guardas entraram por várias artérias da aldeia, de sirenes continuadamente ligadas. Pelo meio, desataram a bater às portas. “Ao murro e ao pontapé”, garante José Maria. Houve quem se assustasse, no entanto, a maioria dos habitantes ficaram simplesmente incrédulos. “Não se via fumo nem fogo nem clarões, rigorosamente nada”, garante João Torrinho. Intrigados, muitos perguntaram aos GNR onde andava, afinal, o lume. “Respostas, zero. Só diziam, de forma rude e autoritária, que era para abandonar imediatamente” a aldeia, continua o morador. Desconfiado, meteu-se no carro com a filha e foi ver onde ardia.

 

Enquanto isso, na aldeia, a indignação crescia e mais de meia centena de pessoas - praticamente metade dos moradores da aldeia - começavam a juntar-se no adro, a conta-gotas. E foi no adro que os ânimos se exaltaram a sério. Montou-se a discussão e era meia dúzia de guardas contra 50 e tal populares. Houve gritos, desacatos, insultos e muito finca-pé. Os mais velhos insistiam que o povo não corria perigo e que não era possível que houvesse ordens para serem retirados. Outros acrescentavam que mesmo que houvesse risco, jamais deixariam as suas casas, para poderem protegê-las do incêndio. Outros ainda, poucos, quiseram saber para onde deveriam, então, fugir. 

“Perguntei a uma militar, já que era para sair, para onde é que era então para ir, e ela respondeu-me que era para seguir na direção de Monchique, enquanto apontava com o dedo na direção de Aljezur. Eles claramente não eram de cá e nem sequer sabiam onde estavam”, conta a dona de uma pequena mercearia.

 

Como o levantamento popular subia de tom e a população insistia que o fogo andava demasiado longe - e também com alguma exaltação, fruto da lembrança de há 15 anos, em que a povoação só se salvou porque se autoprotegeu -, os guardas decidiram a contactar o comando, para perceber o que haveriam de fazer.

Pegaram nos rádios, a perguntarem se teríamos razão. Depois conferenciaram e lá acabaram por se ir embora.

 

quando os governos só se preocupam com a banca, os votos das próximas eleições e os tachos aos amigos, tudo o resto fica governado à sorte da incompetência que é a regra e a excepção não é o fogo de Monchique mas o político competente com que sonhamos em vão...

 

publicado às 05:26


Totally missing the point

por beatriz j a, em 25.05.18

 

 

Uma pessoa de esquerda pode ser rica? Pode. E pode mostrá-lo? Talvez não… (MARTA PEREIRA GONÇALVES)

Para comprar a casa, os dois pediram um crédito para habitação de 540 mil euros, a ser pago em 30 anos. Ou seja, vão ter de suportar, segundo refere a imprensa espanhola, uma prestação mensal de mais de €1600. Os restantes milhares em falta não previstos no crédito vêm de poupanças do casal e dinheiro de heranças.

“Sabemos que muitas famílias espanholas, tendo em conta os seus salários, não podem ter uma hipoteca como esta. E também por isso entendemos a importância de defender salários dignos para todos e todas. A verdade é que os nossos ordenados, que são de conhecimento público e decididos pela Assembleia Cidadã do Podemos, nos permitiram iniciar este projeto”, escreveu Iglesias no Facebook.

 

É evidente que uma pessoa não precisa nascer pobre para defender os pobres, não precisa de ser africano para defender os direitos dos africanos e o fim do racismo. Aliás, a maioria dos grandes teóricos de esquerda eram da burguesia ou de classes altas, com acesso a estudos, dinheiro e tempo livre para estudar, investigar, escrever, etc. Portanto, a questão não é essa de sabermos se as pessoas de esquerda podem ser ricas.

A questão é que as pessoas da chamada 'direita', se bem que preferissem que não houvesse pobres, entendem que nesta vida cada um deve lutar por si e que o dinheiro que ganham não tem que ir para impostos para pagar a vida dos que não lutam por si. Acham que os pobre o são, na maioria dos casos, por preguiça e malandragem e não lhes choca nada que meia dúzia de pessoas tenham 90% da riqueza de um país. As desigualdades sociais são o reflexo da inteligência e do esforço dos melhores. É assim que pensam.

Já as pessoas da chamada, 'esquerda', reclamam para si uma posição de superioridade política e moral por defenderem que a sociedade deve ser mais justa, que os que ganham mais devem pagar mais para ajudar os que menos têm e que só com pobreza generalizada se consegue pagar o luxo das classes altas, de modo que, para que todos vivam bem e com dignidade, é necessário que uns abdiquem de vidas de luxo e excesso, pois são construidas à custa da miséria dos outros.

Aliás, há coisa de dois anos, o 'Podemos' limitou os salários dos seus deputados [Podemos limita salários e subsídios dos seus próprios deputados] com esse mesmo argumento de não ser possível todos terem salários dignos quando uns vivem com excessos e ainda de os deputados terem que dar o ecxemplo. Portanto, um indivíduo arvorar-se em defensor da equidade social e declarar-se contra a exploração que o luxo de uns implica e depois não ser capaz de praticar o que defende indo comprar uma casa de 600 mil euros, com casa de hóspedes no jardim, piscina, um riacho, etc. é de uma falsidade e duma falta de coerência política que não augura nada de bom.

Não sei onde é que esta articulista foi buscar a cena das heranças (plural) quando o próprio Iglesias diz no Facebook que pagaram a entrada e as obras na casa com poupanças (devem ser muito poupadinhos pois ele trabalha há meia dúzia de anos, ela ainda menos) e com dinheiro que pediram emprestado aos pais dela. 

Cá por mim podem comprar uma casa de 3 milhões que não me choca nada. O que me choca é irem para a política como defensores da justiça distributiva, como defensores da ética entre os políticos assumindo uma posição moral de superioridade relativamente às pessoas ditas de 'direita' e depois serem os primeiros a não ser capaz de dar o exemplo de contenção nos luxos.

 

publicado às 22:20


Totally missing the point II

por beatriz j a, em 10.03.18

 

Pelo direito à vida pós política

Se um ex governante vai para uma empresa privada, é um escândalo por conflitos de interesses pressupondo-se, imediatamente, que estamos perante um ato de corrupção nem que seja moral. Se vai para um cargo internacional ou uma empresa pública, é um “tacho”. Se passa a receber uma reforma, é um escândalo porque é demasiado novo e vive à custa dos contribuintes. Se continua na política, é um carreirista profissional desligado da realidade das empresas e pessoas (e vive à custa dos contribuintes). Se vai estudar é porque foi um calão e nunca estudou. Se vai dar aulas para a universidade sem ter um percurso académico, é uma ofensa para todos os académicos que passaram vários anos nas bibliotecas universitárias a construir, com suor e lágrimas, o seu percurso.

Será que os ofendidos do costume nos podem explicar qual é a solução prática para um político de meia-idade e sem fortuna familiar resolver esta encruzilhada de vida?

 

Há imensos políticos, a maioria, talvez, que saem da política e voltam às firmas onde trabalhavam ou vão trabalhar para outras e isso não é escândalo nenhum nem motivo de notícia. 

'Tacho' é quando vemos que a pessoa vai trabalhar para uma firma que favoreceu enquanto foi político (aquilo que hoje em dia se chama a 'shroedificação' dos políticos) ou é nomeado para gestor de uma empresa pública (ou cargo público, como embaixador, por exemplo) e vemos claramente que não têm mérito nem currículo para os ditos cargos.

É preciso ser muito dogmático e cego para não ver que os 'gestores' das nossas empresas e banca, de todos os quadrantes políticos são, no geral, de uma total incompetência. Pegam em empresas rentáveis e destroem-nas. Depauperam tudo. Se calhar está ligado ao facto de serem escolhidos e nomeados, não por terem mérito ou currículo para os trabalhos mas por serem políticos ou amigos de políticos em busca de soluções rentáveis para a vida particular.

"Qual é a solução para um político de meia-idade que deixa um trabalho?" Bem, esse é um problema que todos os cidadãos/cidadãs de meia-idade que deixam um trabalho e não possuem fortuna têm e não é por isso que temos obrigação de lhes arranjar tachos. Essa é boa!

 

publicado às 09:15


Totally missing the point

por beatriz j a, em 10.03.18

 

O ódio ao professor Passos Coelho

Não há qualquer espanto nisto. As faculdades de ciências sociais viraram muito à esquerda.

 

O problema não é PPC ir falar da sua experiência enquanto primeiro-ministro a umas aulas de mestrado ou doutoramento, como convidado, o problema é ir como 'professor'. Ele não é professor, não tem conhecimentos académicos sobre o tema -o que ele tem é uma vivência e conhecimentos práticos para partilhar-, nem tem conhecimentos acerca de como se orienta e treina alunos academicamente. Ele não é um professor e o problema, neste país, é pensar-se que isso de ser professor, qualquer um é.

O outro problema é vermos como os políticos, mesmos os mais incompetentes, se usam da política para arranjar tachos.

O Barroso também deu umas aulas, como convidado, na Católica. Contou episódios e falou do modo de funcionamento da Comissão. Independentemente de ser mais um incompetente na prática, pelo menos não esteve lá como 'professor'. Ele não é um professor daquela universidade. Um professor não dá umas aulas, um orienta os alunos consoante critérios de rigor, de exigência académica, de fundamentação de conhecimentos, etc. Não é ir para lá contar histórias e dar palpites, que é o que PPC vai fazer porque não é um professor nem sabe nada acerca de ser professor, não tem nenhum treino como professor. É um tacho que um amigo do partido lhe arranjou como acontece aqui neste país, corrupto e sem transparência onde a política deixou de ser uma carreira de serviço púbico para ser uma carreira de tachos e amiguismos. E é isso que as pessoas criticam. Não tem nada a ver com ódio nem com esquerda. 

 

publicado às 08:39


Totally missing the point

por beatriz j a, em 29.12.17

 

Salário mínimo está a encostar-se ao médio

 

O salário médio é que já deixou de o ser e a dita, classe média, está tão empobrecida que está ao nível do salário mínimo. 

Hoje, a propósito do nojo do auto-enriquecimento livre de impostos dos partidos, li um uma crónica de uma devota rastejante do partido que começava dizendo, 'os partidos são vitais à democracia'. Esta frase, não-pensada, dá o mote para todo o imprestável artigo: é que vital é o que dá vida e os partidos mais os seus governos giratórios deles emanados têm sido e, continuam a ser, a morte, lenta mas inexorável, da democracia.

 

publicado às 14:17


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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