Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



 

 

Tolstói, nascido em 1828 e morto em 1910, nasceu na nobreza russa, numa família que possuía uma enorme propriedade e centenas de servos. A sua vida como jovem conde foi espalhafatosa, debochada e violenta.

"Matei homens em guerras e desafiei outros para duelos com o propósito de os matar. Perdi dinheiro no jogo, consumi o trabalho dos camponeses, condenei-os a castigos, vivi sem freio e enganei pessoas...assim vivi por dez anos"

Mas Tolstói gradualmente afastou-se da sua decadência, do seu estilo dissoluto de vida e rejeitou as crenças da sua educação aristocrática, adoptando uma perspectiva de vida não convencional e radical que chocou os seus pares. 

 

7 conselhos sobre a arte de viver - cortesia de Tolstói

 

1. Mantenha uma mente aberta

Uma das virtudes de Tolstói era a capacidade e disponibilidade para mudar a sua mente a partir de novas experiências. A matança horrível que testemunhou na Guerra da Crimeia em 1850 fez dele um pacifista. Em 1857, depois de ver uma execução pública pela guilhotina, em Paris (nunca mais esqueceu o baque da cabeça cortada ao cair no cesto) tornou-se num convicto opositor do Estado e das suas Leis, acreditando que os governos, não só eram brutais mas, essencialmente, serviam os interesses dos ricos e dos poderosos. "O Estado é uma conspiração", escreveu a um amigo, "Por consequência, nunca servirei nenhum governo". Tolstói estava a caminho de tornar-se um anarquista e foi o primeiro a encorajar-nos a questionar as crenças fundamentais com que crescemos.

 

2. Pratique a empatia

Tolstói tinha uma invulgar capacidade de empatia, de pôr-se no lugar de pessoas com vidas muito diferentes da sua. Em 1860, não só adoptou o modo de vestir camponês mas começou a trabalhar ao lado dos camponenses recentemente emancipados da sua propriedade, trabalhando os campos e reparando as suas casas, com as suas próprias mãos. Gostava da companhia dos camponeses e conscientemente evitou as elites literárias e aristocráticas das cidades. Acreditava que não podemos compreender realmente a vida dos outros sem lhes provar o gosto.

 

3. Faça a diferença

Era activo no aliviar do sofrimento alheio, sobretudo no combate contra a fome. Em 1873 interrompeu Anna Karenina durante um ano para organizar ajuda para os famintos: "Não posso afastar-me dos vivos para me preocupar com os imaginários". A família e os amigos pensaram que estava maluco. Voltou a fazê-lo na grande fome de 1891, durante dois anos.

 

4. Domine a arte da vida simples

Depois de um esgotamento nervoso no final de 1870, Tolstói rejeitou toda a religião, incluindo a Igreja Ortodoxa onde tinha sido educado. Adoptou um ramo revolucionário do Cristianismo baseado nas espiritual e material austeridades. Deixou de beber, deixou de fumar e tornou-se vegetariano. Inspirou a criação de comunidades utópicas de vida simples, auto-suficiente onde a propriedade era comum. Estas comunidades 'Tolstoianas' espalharam-se pelo mundo e levaram Ghandi a fundar uma ashram em 1910 ao qual chamou A Quinta de Tolstói.

 

5. Esteja consciente das suas contradições

Esta sua nova maneira simples de viver não estava isenta de contradições. Apesar de pregar o amor universal estava constantemente em conflito com a sua mulher. Sendo um apóstolo da igualdade nunca abdicou da sua riqueza e privilégios. Viveu sempre numa grande casa com muitos empregados. No entanto, em 1890, contra a vontade da família, abdicou duma enorme parte dos seus direitos de autor, sacrificando uma fortuna. Tendo em conta a posição priviligiada com que Tolstói iniciou a vida, a sua transformação, mesmo que não tenha sido completa, é digna de admiração.

 

6. Torne-se um artesão

Para Tolstói, o equilíbrio entre a mente e o corpo era parte essencial da sua criatividade. Não apenas regularmente pousava a pena e ia puxar um cavalo de arado pelos campos como mantinha uma foice e uma serra perto da sua escrivaninha. Nos últimos anos, quando jornalistas e escritores o visitavam, ficavam surpreendidos de vê-lo com ferramentas de sapateiro a fazer um par de botas.

 

7. Expanda o seu círculo social

A melhor maneira de desafiar os nossos preconceitos e desenvolver novas maneiras de ver o mundo é rodearmo-nos de pessoas com visões e estilos de vida diferentes dos nossos. Na obra Ressurreição ele diz que a maioria das pessoas"instintivamente mantém-se no círculo daquelas que partilham os seus pontos de vista". Por isso, acham perfeitamente normal e justificável, por exemplo, ter duas casas, oporem-se ao casamento de pessoas do mesmo sexo ou bombardear países no Médio Oriente. Não vêem a injustiça dessas posições porque vivem fechados em círculos com os mesmos pontos de vista. O desafio está em passar tempo com aqueles cujos valores e experiências contrastam com os nossos: viajar para além dos perímetros do nosso círculo.

 

 Adaptado daqui: The secret to a happy life - courtesy of Tolstoy

 

publicado às 21:17

 

 

 

Podemos aprender muito sobre a arte de viver no Guerra e Paz: sobre a vaidade e a loucura, o ciúme sexual e as relações familiares. Mas também podemos aprender com a própria vida de Tolstói.

 

Tolstói, nascido em 1828 e morto em 1910, nasceu na nobreza russa, numa família que possuía uma enorme propriedade e centenas de servos. A sua vida como jovem conde foi espalhafatosa, debochada e violenta.

 

"Matei homens em guerras e desafiei outros para duelos com o propósito de os matar. Perdi dinheiro no jogo, consumi o trabalho dos camponeses, condenei-os a castigos, vivi sem freio e enganei pessoas...assim vivi por dez anos"

 

Mas Tolstói gradualmente afastou-se da sua decadência, do seu estilo dissoluto de vida e rejeitou as crenças da sua educação aristocrática, adoptando uma perspectiva de vida não convencional e radical que chocou os seus pares. 

 

Sete conselhos sobre a arte de viver - cortesia de Tolstói: 

 

1. Mantenha uma mente aberta

Uma das virtudes de Tolstói era a capacidade e disponibilidade para mudar a sua mente a partir de novas experiências. A matança horrível que testemunhou na Guerra da Crimeia em 1850 fez dele um pacifista. Em 1857, depois de ver uma execução pública pela guilhotina, em Paris (nunca mais esqueceu o baque da cabeça cortada ao cair no cesto) tornou-se num convicto opositor do Estado e das suas Leis, acreditando que os governos, não só eram brutais mas, essencialmente, serviam os interesses dos ricos e dos poderosos. "O Estado é uma conspiração", escreveu a um amigo, "Por consequência, nunca servirei nenhum governo". Tolstói estava a caminho de tornar-se um anarquista e foi o primeiro a encorajar-nos a questionar as crenças fundamentais com que crescemos.

 

2. Pratique a empatia

Tolstói tinha uma invulgar capacidade de empatia, de pôr-se no lugar de pessoas com vidas muito diferentes da sua. Em 1860, não só adoptou o modo de vestir camponês mas começou a trabalhar ao lado dos camponenses recentemente emancipados da sua propriedade, trabalhando os campos e reparando as suas casas, com as suas próprias mãos. Gostava da companhia dos camponeses e conscientemente evitou as elites literárias e aristocráticas das cidades. Acreditava que não podemos compreender realmente a vida dos outros sem lhes provar o gosto.

 

3. Faça a diferença

Era activo no aliviar do sofrimento alheio, sobretudo no combate contra a fome. Em 1873 interrompeu Anna Karenina durante um ano para organizar ajuda para os famintos: "Não posso afastar-me dos vivos para me preocupar com os imaginários". A família e os amigos pensaram que estava maluco. Voltou a fazê-lo na grande fome de 1891, durante dois anos.

 

4. Domine a arte da vida simples

Depois de um esgotamento nervoso no final de 1870, Tolstói rejeitou toda a religião, incluindo a Igreja Ortodoxa onde tinha sido educado. Adoptou um ramo revolucionário do Cristianismo baseado nas espiritual e material austeridades. Deixou de beber, deixou de fumar e tornou-se vegetariano. Inspirou a criação de comunidades utópicas de vida simples, auto-suficiente onde a propriedade era comum. Estas comunidades 'Tolstoianas' espalharam-se pelo mundo e levaram Ghandi a fundar uma ashram em 1910 ao qual chamou A Quinta de Tolstói.

 

5. Esteja consciente das suas contradições

Esta sua nova maneira simples de viver não estava isenta de contradições. Apesar de pregar o amor universal estava constantemente em conflito com a sua mulher. Sendo um apóstolo da igualdade nunca abdicou da sua riqueza e privilégios. Viveu sempre numa grande casa com muitos empregados. No entanto, em 1890, contra a vontade da família, abdicou duma enorme parte dos seus direitos de autor, sacrificando uma fortuna. Tendo em conta a posição priviligiada com que Tolstói iniciou a vida, a sua transformação, mesmo que não tenha sido completa, é digna de admiração.

 

6. Torne-se um artesão

Para Tolstói, o equilíbrio entre a mente e o corpo era parte essencial da sua criatividade. Não apenas regularmente pousava a pena e ia puxar um cavalo de arado pelos campos como mantinha uma foice e uma serra perto da sua escrivaninha. Nos últimos anos, quando jornalistas e escritores o visitavam, ficavam surpreendidos de vê-lo com ferramentas de sapateiro a fazer um par de botas.

 

7. Expanda o seu círculo social

A melhor maneira de desafiar os nossos preconceitos e desenvolver novas maneiras de ver o mundo é rodearmo-nos de pessoas com visões e estilos de vida diferentes dos nossos. Na obra Ressurreição ele diz que a maioria das pessoas"instintivamente mantém-se no círculo daquelas que partilham os seus pontos de vista". Por isso, acham perfeitamente normal e justificável, por exemplo, ter duas casas, oporem-se ao casamento de pessoas do mesmo sexo ou bombardear países no Médio Oriente. Não vêem a injustiça dessas posições porque vivem fechados em círculos com os mesmos pontos de vista. O desafio está em passar tempo com aqueles cujos valores e experiências contrastam com os nossos: viajar para além dos perímetros do nosso círculo.

 

 Adaptado daqui: The secret to a happy life - courtesy of Tolstoy

 

 

publicado às 10:31


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D



Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Edicoespqp.blogs.sapo.pt statistics