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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
O parlamento do cantão de Ticino, na Suíça, aprovou uma lei que pune as mulheres que usem burqa ou niqab com multas que variam entre os 92 e os nove mil euros.
A burca é um símbolo de opressão, de submissão, de negação de direitos humanos e de liberdade; se a Europa não age para defender os seus valores desaparece ou regride, como aconteceu à cultura árabe. A tolerância sem limites leva à aceitação do intolerável.

Adolescentes presos em Marrocos por publicarem beijo no Facebook
A tolerância e o multiculturalismo não podem ser feitos à custa do sacrifício dos valores europeus. Fala-se muito de migração a propósito do que se passa na Grécia e em Itália, países de fronteira da Europa que lidam diariamente com vagas de imigrantes. Fala-se nos muçulmanos de França, nos turcos da Alemanha e no medo de deixar a Turquia entrar na UE.
Parece-me que a tolerância e o respeito por outras culturas e povos deve acautelar a preservação da nossa própria cultura, naquilo que pensamos ser a sua marca distintiva mais importante: a liberdade e o respeito pelos direitos humanos. Custou muito, à Europa, a luta por esses direitos e liberdades. Custou muito e ainda não está acabada. Muitos europeus se sacrificaram, muitas guerras aconteceram para que pudéssemos, hoje, não ser obrigados a obedecer a religiões, ter liberdade de movimentos, liberdade de decidir sobre o nosso próprio corpo, a nossa vida, a profissão que queremos ter e por aí fora.
Israel acha que os europeus não devem interferir na circuncisão obrigatória dos infantes judeus que aqui vivem. A Europa acha que essa obrigatoridade em idades em que não se pode contestar viola o direito da pessoa decidir por si acerca do seu futuro e do se corpo. Eu estou com a lei europeia.
Em Marrocos a polícia religiosa prende adolescentes por motivos que consideramos da vida privada de cada um. Queremos importar esses costumes para a Europa a pretexto de sermos tolerantes com a cultura dos muçulmanos que cá vivem? Não.
Devemos ajudar outros países nesta luta pela emancipação de líderes religiosos e ditaduras de costumes castradores dos direitos humanos? Sim. Devemos ser tolerantes com os usos dos outros? Sim. Devemos aceitá-los sem crítica e até tolerá-los entre nós, quando eles põem em causa tudo aquilo por que lutámos durante séculos? Não. Acho que as leis europeias devem reflectir e preservar os valores fundamentais europeus e não têm que agradar a religiões, nações e culturas que afirmam tudo aquilo que achamos repugnante e contra o qual tanta gente lutou e se sacrificou durante tantos séculos.
Eles só nos dão tolerância um dia, nós damos-lhes tolerância praticamente todos os dias.
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