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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Vale muito a pena ver este excerto final do documentário, sobretudo as palavras finais de James Cameron, que estuda o Titanic há 20 anos e que vê nele uma metáfora para a situação em que o planeta se encontra.
O Titanic, quando se afundou, foi como que uma enorme bofetada no cientismo, essa ideologia que parecia ter sido ultrapassada mas está a voltar em força e que prega a capacidade da ciência descobrir verdades e resolver, progressivamente, todos os problemas do homem, desde a cura do cancro até à descoberta da chave da felicidade... ... uma ideologia que confere à ciência o mesmo estatuto de interpretação totalitário que a religião, na Idade Média, conferia à Teologia. O que faz dos cientistas os novos padres...
DN
Hoje
Millvina Dean foi a mais jovem passageira a bordo do transatlântico afundado em 1912.
Morreu ontem a última sobrevivente do Titanic, que foi também a mais jovem passageira da primeira e fatídica viagem do transatlântico britânico, que se afundou na viagem inaugural a 15 de Abril de 1912.
O naufrágio do Titanic (irmão do Olimpc e do Gigantic, este último baptizado, depois da tragédia do outro, e por causa dela, com o nome, mais modesto, Britanic), devia ter sido o alerta final para as pretensões do 'cientismo', essa fé cega no progresso imparável e positivo da ciência e da tecnologia, como construtores da felicidade humana.
Um navio com o nome dos Titãs, a anunciar a sua superioridade 'divina' por conta do génio positivo da ciência, vai ao fundo na sua primeira viagem. Não podia a lição do destino ser mais esclarecedora do perigo de se pôr a vida e a esperança da Humanidade nas mãos de alguns especialistas que na sua imensa arrogância se excusam de esclarecer e exigem dos outros fé cega, medieval.
Mas não foi o que veio a acontecer. Muito antes pelo contrário.
O darwinismo social está em franca expansão e com ele a Sociologia como fábrica acéfala de manipulação social dos comportamentos. Não advogou o liberalismo que se deixasse a natureza institiva do Homem regular a economia? Pois deu nisto em que estamos.
Qualquer dia, em vez de o criminoso ser presente ao juíz, para que se decida da sua culpabilidade e pena, será levado perante o biólogo genético, para que averigue qual o gene 'avariado' e lhe ordene uma qualquer 'lobotomia genética'.
A liberdade, a responsabilidade, a autonomia, até a benignidade que advém do Homem se comparar e aspirar a ser como os seus melhores representantes será substituída pela cegueira dos instintos amorais.
Parece que não aprendemos nada com as lições da História.
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