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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Outro dia estive a falar nas aulas do Cosmos e do Caos na acepção grega, antiga, dos termos, de Ordem e Desordem (isto a propósito dos mitos cosmogónicos) e depois fiz um paralelo com a produção de texto, quer dizer, como um texto bem estruturado e ordenado é belo como um pequeno Cosmos e o desastre que são os textos caóticos.
Como os miúdos gostaram do assunto, resolvi pôr no teste uma imagem de um Cosmos para eles se lembrarem de ter cuidado no modo como estruturam as respostas. Levei um tempão até achar um que me agradasse porque, já agora, quis aproveitar para ir educando o gosto! É este que se vê em baixo.
Descoberto na Alemanha há uns anos, é da Idade do Bronze. Um disco celestial que representa o céu e alguns corpos celestes. É lindo, com o ouro das estrelas e planetas aplicado sobre aquele azul esverdeado brilhante.
Enfim... cenas... às 11 e meia da noite a perder tempo com estas coisas...

Abril calha-me a mim o almoço alargado da família. E é este domingo. Montes de gente. Sábado vou estar presa na cozinha a cozinhar comidas que não posso comer... estou cheia de coisas proibidas cá em casa e ter não coisas proibidas é a 1ª regra das proibições... sobremesas com chocolate... tenho o congelador cheio de gelados... omg... se resistir a isto resisto a tudo...





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Hoje entreguei os testes à turma do 10º ano. Notas tão más, tão más, tão más...e no entanto é uma turma interessada e interessante. Participativos, curiosos...e nem sequer escrevem muito mal. Mas não estão habituados a escrever, a desenvolver uma ideia, a estudar...então põem-se a divagar nas respostas. Falam disto e daquilo sem objectividade nenhuma, alguns dão conselhos para a vida, do género, 'nunca devemos desistir de aprender e querer saber' e tal...ai, meu deus! Bem, fiz a correcção do teste, expliquei tudo o que tinham feito de errado e como deviam corrigir para melhorar, e disse-lhes que não era dramático, que têm o ano todo para melhorar, que os primeiros testes são sempre maus até se adaptarem. Mas estavam com uma carinha tão desiludida que fiquei com pena.
Depois à conversa com um colega sobre como é que os alunos chegam assim ao 10º ano ele dizia-me: opá, se desses aulas ao básico percebias que já não dá para puxar pelos miúdos ou dar-lhes notas reais. Acabávamos na lista negra dos que dão más notas ou dos que são impopulares e nunca mais progredíamos na carreira. Para além de que o castigo de fazer mil planos de recuperação cai em cima de nós.
As escolas precisam de um grande mudança de mentalidade sob pena de no futuro só termos incapazes no trabalho sem préstimo nenhum para o país.
Estou de castigo todo o dia a elaborar e corrigir testes e trabalhos, trabalhos, trabalhos...
Estive a corrigir testes: acabo de classificar com 20 valores um teste de Filosofia, 11º ano. É a segunda vez em todos estes anos que classifico um teste de Filosofia com a nota máxima (sem contar com os testes de lógica onde já várias vezes tive alunos a tirar 20 valores). Ademais, este teste não era fácil - não que as questões fossem difíceis em si mesmas, pois não acredito em testes difíceis, do género dos alunos perderem tempo 'à nora' sem perceberem o que é pedido. Acredito em questões claras (é certo que para quem nada estuda nada é claro, mas isso é outra história) e em fazer testes que deixem os alunos mostrar o que estudaram, o que sabem e o que são capazes de pensar a partir dos problemas expostos. Mas este teste abarcava imensa matéria e alguns dos temas não são muito fáceis - o Kant, as questões à volta da origem, natureza e possibilidade do conhecimento...
Enfim, tenho aqui um teste duma aluna que está excelente: ela escreve muito bem, o que é uma grande ajuda quando há necessidade de expôr ideias complexas com clareza e rigor.
Este teste fez hoje o meu dia! ![]()
Este fim de semana tinha aí uns 80 trabalhos para corrigir, um teste de recuperação para fazer (há alunos que chegam ao limite de faltas para fazerem um teste de recuperação com o intuito/esperança de verem todas as faltas relevadas e ficarem em melhor situação que todos os colegas cumpridores...é o novo estatuto do aluno que o permite), um trabalho para fazer no âmbito do Congresso da Universidade Nova para avaliação e creditação, uma semana de aulas para preparar em diversas disciplinas, umas cartolinas para ver e classificar. Disto tudo só fiz o teste de recuperação e a preparação das aulas. O resto, népias, nada, zero, niente, nadia.
Eu procastrino, tu procastrinas, ele procastrina, nós procastrinamos e o país fica procastrinado, protelado, adiado, lixado.
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