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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
... presente do meu querido amigo, André. Um livro de ficção científica que é um género que adoro e não leio há muito tempo, de um autor que não conhecia. Se gostar [o que é o mais certo porque os bons livros de ficção científica são sempre de teor filosófico] ganho de uma assentada muitas horas de prazer de leitura porque o autor tem muita coisa escrita desta série. Nice 🙂
Agora que acabei de ler o livro da Ângela Campos estou a ler um livro muito bom sobre as origens dos conflitos recentes do médio oriente. A ler estes livros percebe-se a ressaca em que estão os britânicos pela perda do império [que ainda agora começou e tem muitos séculos pela frente...], pela perda de influência e de poder no mundo. Estavam habituados a isso. Este livro começa com o incidente de Denshawai que acabou com a presença dos britânicos no Egipto e o crescimento dos movimentos nacionalistas.
Comecei a lê-lo antes do que estava na calha para ler a seguir ao da Ângela, este aí em baixo que ando para ler há meses e que preciso mesmo de ler. Preciso de organizar as ideias acerca de um assunto. Enfim, muitos livros para ler e muito pouco tempo...
AUDEMARS PIGUET
TOURBILLON RÉPÉTITION MINUTES SQUELETTE (W054) © 2006
Philadelphia, 1947, um dia ventoso. Fotografia colorida por Marie-Lou Chatel.
Esta fotografia faz-me pensar no Tempo. Salta à vista o que está ausente: os estímulos publicitários, cartazes, sinais e dispositivos eléctricos que enchem as ruas das nossas cidades. Ausentes também outros recipientes de vida. Nem animais, nem árvores. Vêem-se as pessoas, idênticas como personagens numa narrativa coerente, apanhadas num certo instante da sua passagem pelo Tempo, esse fundo indefinido imóvel, do qual emergiram brevemente e ao qual já terão voltado. Pequenas narrativas auto-centradas, assustadas, cada uma tentando equilibrar-se no vento que as leva, a todas. Nós, o seu futuro, ainda não somos aqui, neste momento fixado do Tempo e, elas, o nosso passado, já não são; por um instante coexistimos todos no mesmo espaço de um eterno presente.
Susannah Mushatt Jones nasceu em 1899. Ainda vive. O seu nascimento está mais perto da publicação da Crítica da Razão Pura de Kant, da Dialéctica de Hegel, das obras de Stuart Mill e do império napoleónico que do dia de hoje. Ela é do tempo do Nietzsche, do William James e do Wundt.
imagem da abc
Jeff Goldblum
da net
Setúbal
“Men are haunted by the vastness of eternity, and so we ask ourselves: Will our actions echo across the centuries? Will strangers hear our names long after we're gone and wonder who we were, how bravely we fought, how fiercely we loved?''
(David Benioff)
Friso do Altar de Zeus de Pérgamo, detalhe (museu Pergamon em Berlim) - Alcione, Niké, Gaia e Atenas
As pessoas dizem que o tempo passa, o tempo diz que são as pessoas a passar. (provérbio indiano)
Eu não Quero o Presente, Quero a Realidade
Vive, dizes, no presente,
Vive só no presente.
Mas eu não quero o presente, quero a realidade;
Quero as cousas que existem, não o tempo que as mede.
O que é o presente?
É uma cousa relativa ao passado e ao futuro.
É uma cousa que existe em virtude de outras cousas existirem.
Eu quero só a realidade, as cousas sem presente.
Não quero incluir o tempo no meu esquema.
Não quero pensar nas cousas como presentes; quero pensar nelas
como cousas.
Não quero separá-las de si-próprias, tratando-as por presentes.
Eu nem por reais as devia tratar.
Eu não as devia tratar por nada.
Eu devia vê-las, apenas vê-las;
Vê-las até não poder pensar nelas,
Vê-las sem tempo, nem espaço,
Ver podendo dispensar tudo menos o que se vê.
É esta a ciência de ver, que não é nenhuma.
Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Bom para ir ao cinema. Acho que vou ver isto. Cheira-me que deve ter piada :)
... e saudade dos amigos que já não se vê há muito tempo...
Ontem, um aluno, numa aula, disse-me, a propósito de estarmos a falar do sentido de existir, 'A vida passa tão depressa. Às vezes parece que as coisas têm um sentido mas passado um mês ou dois parece que já o perderam ou que nunca tiveram e ficamos na dúvida se alguma coisa vem a ter sentido.' Os alunos nestas idades têm, a par de grandes patetices e infantilidades, momentos de antecipação de adultos. E pensam de uma forma filosófica, quer dizer, provocadora, o que os torna interessantes.
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gallery intel
Nas festinhas de família onde os filhos já têm filhos é que percebemos a urgência de não desperdiçar tempo. Tanta coisa ainda para fazer, para realizar...
Foi o tempo necessário para se pôr aqui um temporal medonho. Ventania, chuvada, e trovoada. Coitado de quem anda na rua a esta hora.
O temporal chagou antes da hora mas ainda cá está. Quando levantei as persianas descobri a minha varanda com um banco estranho, um grande pedaço de persiana estranha e folhas de um livro esfareladas.
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