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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Vamos num transporte público e à nossa frente vai uma mulher a falar ao telemóvel com a mãe e ficamos a saber tudo sobre a doença da bexiga da senhora e das suas restrições alimentares; atrás de nós vai outra mulher ao telefone com uma amiga e ficamos a saber tudo sobre as dúvidas que a amiga tem acerca do marido ter uma amante e das melhores estratégias para descobrir a coisa; ao nosso lado vai um homem ao telefone com um colega do trabalho a fazer intrigas e ficamos a saber tudo sobre quem no trabalho dele faz sacanices a quem... livra! Que grande massacre!
Um aluno contou-me que recebeu no telemóvel um pedido de um amigo de outra escola para lhe resolver o teste de Filosofia. Durante o próprio teste. Tirou uma fotografia ao teste, enviou-lhe e ficou à espera de uma fotografia com o teste resolvido... uma chatice, isto dos telemóveis... por um lado, à medida que os telemóveis evoluem e têm ligação à net, dão imenso jeito para fazer pesquisas na aula (alguns são pequenos tablets) e terem acesso a recursos em salas sem computadores. Por outro lado, os alunos estão tão (mal) habituados a usarem os dispositivos para estarem nas redes sociais e para copiar e que não se pode deixá-los usar os telefones nas aulas. São o maior foco e fonte de perturbação nas aulas.
É preciso educar nesse sentido e isso devia começar logo em casa, claro.
Então hoje ficámos a saber que há uma aplicação nos smartphones que liga e desliga os projectores... que era mesmo o que estávamos a precisar... querer trabalhar e estar um espertinho qualquer a interferir com o projector.
... ou não :)

imagem da net
É o meu telemóvel :) Agora disse-lhe, 'Hi Galaxy, look for a restaurant nearby' e ele foi à 'web' e sugeriu uma dúzia, com localização no mapa, avaliação e tudo :) Agora estou a ver como é que posso publicar um 'post' com o sistema de voz. Se não estivesse à pressa para ir ver uma cena e se não tivesse quatro turmas de testes para corrigir ficava a brincar com o G :)
Foi a primeira vez na história que a orquestra de Nova Iorque parou a meio de uma atuação. A culpa foi de um espetador que não desligou o telemóvel. O maestro chamou-lhe a atenção e agora o homem desculpa-se mas queixa-se de não conseguir dormir.
O incidente ocorreu na noite de terça-feira, quando a orquestra de Nova Iorque estava a tocar a Nona Sinfonia de Gustav Mahler. Mesmo ali, na primeira fila, o iPhone de um sexagenário começou a tocar.
O maestro Alan Gilbert ainda deu tempo que o proprietário do aparelho o desligasse mas como isso não aconteceu acabou por mandar os músicos pararem de tocar e interrompeu o concerto. Depois, pediu ao espetador que desligasse o telemóvel, mas a demora em reagir levou a que a restante audiência começasse a assobiar. O maestro desceu do palco e dirigiu-se ao homem, que, finalmente, agarrou no aparelho e o desligou.
Pois, porque interrompeu um concerto até aparece no NYT, agora imagine-se o que é isto acontecer várias vezes em cada aula: ou os telemóveis tocarem ou os alunos estarem a mandar mensagens.
É por isso que agora em certas turmas, nas minhas aulas, todos os alunos, assim que entram, põem o telemóvel desligado em cima da mesa e, quem não o quiser fizer não entra, sequer...
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