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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Esta interpretação da ROH da música de Prokofiev é genial: aqui estão duas famílias, literalmente falando, como a direita e a esquerda políticas portuguesas. A vaidade de ambas, a self-importance e a pomposidade a raiar o ridículo com que se desafiam uma à outra, ambas pensando-se superiores à outra, atribuindo-se, na política, condecorações e ordens em gabinetes faustosos dos quais saem para os seus carros de cem mil euros que nos obrigam a pagar-lhes, como se fossem diferentes na sua vontade de poder total. É difícil ver a dança e não ver os os Soares, os Cavacos, os Sócrates, os Freitas, os Costas...
Hoje, por acaso, vi um pedaço do final de uma conversa no canal Q. Apanhei o capitão Haddock a criticar o que ele chama a direita neoliberal, que em sua opinião são extremistas. O seu argumento era o de que essa direita radical não se apresenta às eleições com o seu programa verdadeiro de cortes e autoritarismo porque sabe que a população não votaria neles. LLOOLL Ele não se deu conta que estava a descrever, na perfeição, o governo de esquerda do Costacenteno... autoritário e defensor de cortes a que chama cativações... mas por acaso quando se apresentaram às eleições disseram que iam continuar os cortes e o autoritarismo do PPC? Acaso o BE e o PCP avisaram que iam apoiar isso tudo? É o dizes...
Uma cenário simples, sóbrio mas inteligente porque a Gulbenkian não tem palco de ópera e não dá para ter ali cenários complexos. A orquestra tocou excelentemente com um maestro que não conhecia, um tipo novo, muito bom. O coro excepcional. Gostei muito do Tebaldo, um tenor português e do Mercúcio, um barítono americano muito bom. A Julieta veio a melhorar ao longo da ópera porque começou mal, quanto a mim. Parecia que não tinha aquecido a voz. Agora o Romeu... primeiro parecia um merceeiro de quarenta anos com a camisa aberta até quase ao umbigo (houve uma altura em que andou a cantar uma cena romântica à Julieta com a braguilha das calças aberta o que não ajudou nada...), depois a voz dele não tem o tom romântico, quente e cheio, suave em registo alto, que o papel requer. Pelo contrário, tinha uma voz áspera em registo alto e sem nenhum romantismo. Uma chatice... mas as pessoas parece que gostaram porque baterm-lhe muitas palmas e gritavam e isso. Para mim estragou um bocado aquilo tudo. Achei-o mesmo descativante.
Não gostei da maneira como puseram a Julieta a entrar no palco na primeira cena. Foi ridículo, para não falar no Romeu que parecia um merceeiro vestido de cabedal preto com uma camisa encarnada... quer dizer, o Romeu é irreverente mas tem 14 anos, é romântico e lírico, não um gangster. No geral foi bom e valeu. Pena o Romeu...
Uma voz de Romeu é assim:
Uma Aubade (alvorada), é uma canção de amor matinal, muitas vezes uma canção acerca dos amantes que se separam de madrugada, sendo oposta, portanto, à Serenade (serenata) que é uma canção de amor cantada à noite. Ambas são cantadas à janela de uma mulher que dorme, sendo uma cantada ao nascer do dia e outra ao morrer do dia. Vários compositores escreveram Aubades.
Este dueto de Gounod não é uma Aubade, mas é, porque é a canção que Romeu e Julieta cantam de madrugada ao separar-se, quando a cotovia anuncia o raiar do dia:
JULIETTE
Non! non, ce n'est pas le jour,
ce n'est pas l'alouette
Dont le chant a frappé ton oreille inquiete,
C'est le doux Rossignol,
Confidant d'amour!
ROMÉO
C'est l'alouette, hélas! messagère du jour!
Vois ces rayons jaloux
Dont l'horizon se dore;
De la nuit les flambeaux pâlissent
Et l'aurore
Dans les vapeurs de l'Orient
Se lèvent en souriant!
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