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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
O actor Andy Serkis, que fez de Gollum no Senhor dos Anéis, está a dar a cara por uma campanha a favor de um segundo referendo sobre o Brexit.
Assim como penso que não deveria haver disciplina partidária na votação deste assunto, sendo que se trata de um assunto que implica uma posição valorativa de ética filosófica, por definição pessoal e intransmissível, também me parece que parte do povo, por muito grande que seja, não pode decidir, pela outra parte, o que é que essa outra parte deve ou não fazer pois isso implica obrigá-los a uma posição ética filosófica. Como as sociedades muçulmanas que querem obrigar toda a gente a ser crente, o que é uma impossibilidade ontológica. O que me parece é que deve ser assegurado, a uns e, a outros, respectivamente, o direito à eutanásia e o direito à objecção de consciência, nomeadamente do pessoal médico.
... é: o que lhe mete mais medo? A certeza de uma austeridade suicida e escravizante dentro da UE ou a incerteza da vida fora da UE? Os gregos vão votar no menor medo, porque a Europa dos incompetentes espertalhões os pôs numa situação de não-não ou repulsão-repulsão.
É certo que acho que estes dois gregos não são nada estúpidos e já tinham pensado na possibilidade deste cenário... mas isso é outra história...
[a situação em que a austeridade nos deixou é tão instável que a crise grega teve efeito imediato negativo e dramático na bolsa. É isto que os gregos vão votar: se querem ou não esta armadilha que prende os países à divída para sempre]
Os deputados do Aurora Dourada (partido neonazi) votaram a favor do referendo, ao lado do Além do Syriza e dos Gregos Independentes (que formam a coligação de Governo). A Nova Democracia (conservadores), o Pasok (socialistas), o To Potami (centristas) e o KKE (comunistas) votaram contra.
As qualificações dos partidos estão desactualizadas. Direita, esquerda... extremistas... o que os comentadores chamam extremista é o mero acto de defender a mudança, aproximar a UE do espírito com que foi criada, perceber que na lógica do senhor e do servo, o senhor não existe sem o servo de modo que o servo pode erguer-se e sair dessa posição por causa disso mesmo.
Hoje-em-dia, e não só na Grécia, já não faz sentido divididir em esquerda e direita partidos que defendem e praticam as mesmas acções. Veja-se que na Grécia, os partidos que estavam antes coligados no governo e que defendem a privatização, a aceitação de austeridade, etc. incluem socialistas, conservadores, comunistas, centristas...
Na realidade, face ao esvaziamento de conteúdo, significância e consequência das ideologias políticas [pense-se na dificuldade que o BE, em Portugal, tem tido em encontrar uma ideologia que lhe convenha], devíamos, se queremos ser mais precisos na sua qualificação, dividi-los em partidos conservadores e partidos de mudança: os primeiros querem manter sem alterações o satus quo, os segundos querem alterações.
Direita e esquerda nada significam já, a não ser palavras que se usam para manipular o eleitorado: o governo antes deste era do PS: privatizou, liberalizou o despedimento, começou a destruição da escola pública, enriqueceu banqueiros e amigos... tudo coisas que se atribuem à direita; o PS e o PC pelas câmaras do país agem do mesmo modo e, sem diferença, que o PSD e o CDS. O PC é aquele partido que fala muito nos trabalhadores mas depois só aprova greves se forem organizadas por eles nos seus termos e se o povo resolve manifestar-se por sua conta aparecem logo a dizer que isso é perigoso. Os militantes passam dos sindicatos para os governos... há 100 anos, quando as ideologias eram significantes e as diferenças entre direita e esquerda existiam, de facto, uma coisa destas seria vista como uma traição com direito a execução...
Em Portugal, só algumas [poucas] pessoas do partido que sobrou do BE querem mudanças mas não sabem como nem onde, nem com quem. Não sabem organizar e organizar-se. Nem me parece que sejam de acção mas apenas de palavras.
Portanto, em Portugal, infelizmente, só temos partidos conservadores, incapazes de ideias de mudança, incapazes de um pensamento sem medos. Não são prudentes, no entanto, como se vê pelo estado de miséria das populações, o desemprego, o excesso de divída e a leveza com que enchem os bancos e banqueiros de dinheiro à custa do futuro do país. Não são prudentes, são só medrosos. Prudência era querer assegurar o pagamento da dívida em condições que não nos levassem à ruína, à destruição da economia, à fuga de jovens, ao empobrecimento dos mais pobre e enriquecimento dos mais ricos.
Na Grécia os conservadores estiveram durante estes anos todos no governo. Na Europa todos lhes emprestavam dinheiro desde que se mantivessem sossegadinhos nas suas baias. Agora que elegeram pessoas que querem a mudança, todos lhes chamam extremistas, mas isso é porque, a própria ideia de mudança, quando não sugerida pela Alemanha, a todos parece um perigoso extremismo radical.
No entanto, a Europa mudou muito, naquilo que parecia ser a sua vocação e espírito, após a Segunda Guerra.
Nada de duradouro se há-de alcançar na UE enquanto não se pensar no desvio que se fez, porque se fez e no que se quer para o futuro. Porque neste momento a UE é um grupo de comerciantes a comerciar para ver quem Conserva as coisas como estão para manter o monopólio do poder e dos lucros.
Personalidades das áreas da política, artes, cultura e académicos estão a recolher assinaturas para um referendo ao Acordo Ortográfico e querem questionar sobre a matéria os candidatos a cargos políticos nas próximas eleições.
De acordo com um comunicado dos promotores da iniciativa de referendo ao Acordo Ortográfico de 1990 pretende-se permitir que "finalmente os cidadãos se pronunciem sobre um assunto que sempre foi decidido e imposto sem a sua participação".
Aqui: Referendo ao acordo ortográfico de 1990
Apelamos a cada Português para que assine esta Iniciativa de Referendo; e, na medida do possível, pedimos que angarie assinaturas (dentro do seu meio, da sua família, do seu círculo social; ou até, mais latamente, de forma pública).
Faça a transferência do folheto de assinaturas aqui.
(Ou em formato horizontal aqui.)
Após o folheto ser impresso, preenchido e assinado, tais subscrições deverão ser digitalizadas (em frente e verso) e enviadas para o email:
referendoao90@gmail.com.
Em alternativa, o folheto — devidamente impresso, preenchido e assinado — poderá ser enviado por Correio, para um de dois endereços postais:
1) Centro de Estudos Clássicos
ao cuidado de Maria Cristina Pimentel
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Alameda da Universidade
This week, it appeared that the prospect that scared European leaders the most was the specter of democracy. When the Greek prime minister, George A. Papandreou, proposed a referendum on whether Greece would go along with the agreement reached at the European summit meeting last week — one that calls for more austerity and that polls say is unpopular with most Greeks — much of Europe reacted with shock and alarm. How dare he do that?
In the end, he could not persuade his own government, and there will be no vote. That should be a cause for sorrow in the rest of Europe, not joy. There is little reason to think that Greek citizens will be more cooperative now that it has been made clear their opinions are irrelevant to the people who run Europe.
It is not only the Greek people who should be consulted about the major changes now under way in how they are governed. So should the people of other countries.
Se houvesse um referendo sobre o casamento dos homossexuais eu votava a favor. Votaria a favor da adopção, inclusivé. Apesar disso, vejo que a questão não é apenas uma questão de direitos e liberdades como por aí se diz.
Acho mesmo que devia haver referendo. Esta não é uma questão política ou financeira mas de mentalidade e de costumes. Aliás, estou convencida de que no referendo o sim ganharia, como aconteceu na questão do aborto, mesmo com as campanhas a favor da penalização das mulheres que na época ferveram dos quadrantes mais conservadores.
A vitória do sim reforçaria a posição da causa.
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