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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
O secretário de Estado da Educação disse hoje à agência Lusa que as novas unidades de gestão criadas com o reordenamento da rede escolar terão em média cerca de 1700 alunos e rejeitou o uso da expressão "mega agrupamentos".
Quando as escolas já são chamadas pelos mais altos responsáveis de 'unidades de gestão' nada mais a fazer. O termo é tão prejurativo que pensaríamos só poder ser utilizado por inimigos da escola pública. Mas não. É a própria ministra e os secretários de estado que se referem às escolas nestes termos, assumindo sem pudor a sua ideia de escola como unidade fabril indiferenciada de onde se conclui serem os professores os operários da unidade fabril e os alunos os parafusos produzidos.
Nas unidades fabris produz-se o máximo de 'produtos' ao menor custo. Se as escolas vão passar a ser encaradas como unidades de gestão isso significa que a lógica da gestão é a fabril. Só que as pessoas, os alunos, não são componentes de automóvel, não são correntes de ventoínha ou parafusos que devem ser produzidos todos iguais e ao menor custo. Chamar a uma escola ou agrupamento de escolas 'unidade de gestão' é descaracterizá-la, despersonalizá-la. Quem é o aluno que quer dizer: 'ando na unidade de gestão vertical agrupada nº 2' ou algo do género? Qual é o colégio particular que aceitaria mudar o nome para 'unidade de gestão particular nº 4', ou algo semelhante? Ninguém lá poria os filhos. Faz lembrar as fábricas da antiga União Soviética, com os projectos educativos à laia de 'planos quinquenais' de produção...
Como é possível que nem o governo nem a oposição em peso compreendam que estão a enterrar a educação e com ela o futuro do país?
Isto já está para lá de qualquer esperança porque são os próprios responsáveis da pasta que fazem uma campanha para denegrir a educação, para transformar as escolas públicas em sítios para onde ninguém quer ir. Uns não querem ir para lá estudar, outros não querem lá trabalhar...não percebo.
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