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Para os professores de Português, novo programa vai potenciar chumbos

 

... o programa agora proposto "é absolutamente prescritivo, não deixando qualquer espaço de liberdade aos professores e chegando ao ponto de eliminar a maior parte das obras literárias, de indicar apenas textos e excertos de outros, e de apontar como obrigatórias metas muito específicas, que são claramente feitas para corresponderem à avaliação externa”.

Aponta, como “um exemplo muito claro disso, o objectivo obrigatório de que no fim do 2.º ano uma criança consiga ler um texto com articulação e entoação razoavelmente correctas e uma velocidade de leitura de, no mínimo, 90 palavras por minuto”.

 

Os alunos medidos enquanto correm as palavras, tratados como cavalos a correr à volta da pista, o professor de cronómetro na mão, não já um educador mas um treinador de animais passivos e receptivos ao tratamento industrial. A educação como coreografia exterior, acessória, mecânica...  não é o primeiro ministro que gaba nos portugueses a previsibilidade, a capacidade de serem usados e abusados e continuarem a votar nos mesmos representantes políticos... ora, como se formam essas bestas de carga? Na escola, pois está claro... de cronómetro na mão [e talvez chicote aos professores?]

 

 

publicado às 10:25

 

 

 

Hoje um aluno, à minha frente na fila do bar, contava os tostões para ver se podia comprar uma sandes mista ou só um pão com manteiga (margarina...) Quando leio que as salas de cinema perderam 148 mil espectadores em Fevereiro... pois se calhar as pessoas que mais vão ao cinema, que são os adolescentes, já não têm dinheiro para isso.

 

Este ano, apesar do programa do 11º ano da disciplina não ter sofrido mudanças, noto que estou mais apertada de tempo para o dar. Isto apesar de praticamente nunca faltar às aulas e não ter estado doente nem nada do género. Estive ontem a discutir com uma colega que sente o mesmo, para ver se percebíamos que variável tinha mudado. Ela também não esteve doente nem falta. Chegámos à conclusão que tem a ver com o número de alunos nas turmas.

 

Quando dantes tínhamos as turmas do 11º ano com 22 ou 24 alunos, o que dava tempo para dar o programa, explorar temas, discutir, fazer trabalhos interessantes e, chegando ao fim do ano, ainda fazer um par de aulas de revisão para exames, agora, com 30 alunos em cada turma, não dá para fazer essas coisas ou, se as fazemos, damos por nós com as aulas contadas até ao fim do ano à justa e sem margem para o azar de ficar doente um dia ou dois... isto porque, nas turmas fracas levamos o dobro do tempo a trabalhar o programa, se não queremos pôr logo de lado os que têm muitas dificuldades, à conta de estarem cheias a abarrotar; nas turmas razoáveis ou boas os miúdos querem participar, há sempre assuntos relacionados que surgem, têm ideias para trabalhos, etc., que gastam um rôr de tempo porque são muitos...

 

Ou seja, os programas, com este número de alunos em cada turma, estão feitos para o professor ir para as aulas despejar matéria a mata-cavalos ou, escolher um manual que dê para os alunos estudarem sozinhos -tipo sebenta- e que dispense o investimento do professor de modo que as aulas sejam um percorrer e memorizar o manual de uma ponta à outra e zás... já está o programa dado...

 

Só que isso é o absoluto oposto do que devem ser as aulas de Filosofia, que não têm como objectivo preparar alunos para papaguearem argumentos memorizados a favor ou contra qualquer coisa e nós recusamo-nos a fazer isso.

 

As aulas de Filosofia têm que ser, também, uma experiência positiva  e participada, uma espécie de percurso intelectual que lhes dê ferramentas para amadurecer, para pensar o mundo em que vivem (o que não é o mesmo que ter as regras da lógica todas decoradas e saber jogá-las pois isso não traz sabedoria...), uma experiência que os marque no sentido de abrir-lhes horizontes e possibilitar-lhes uma vida com mais significado. 

 

Quem faz estas leis está-se marimbando para os miúdos... não há outra conclusão possível. Marimbando! Há disciplinas onde reduziram o tempo de aulas e o programa continuou do mesmo tamanho... o Comité Central da Educação é mesmo mau. Mau, mesmo.

 

 

publicado às 20:28


Dos alunos...

por beatriz j a, em 28.11.12

 

 

 

 

 

Tenho um aluno ucraniano. Outro dia, numa pausa num trabalho, pedi-lhe que me ensinasse umas palavras em ucraniano e aproveitei para fazer-lhe umas perguntas sobre o ensino na Ucrânia. Disse-me que quando veio para cá ficou espantado por não ter obras obrigatórias para ler na íntegra. Só excertos. Na Ucrânia, no sétimo ano, a obra obrigatória é Guerra e Paz (!). Pois... é por isso que esses alunos têm outro andamento... ele é culto. É capaz de falar de música, de cinema, de dança, de literatura...

 

publicado às 15:47


o que é isto?

por beatriz j a, em 03.07.11

 

 

 

Está o Pacheco Pereira na SIC Notícias a mostrar os 'designs' do google e a falar duma maneira... não sabia que ele tinha um programa para crianças e jovens (com bocas machistas do género, 'aqui está o google do dia da mãe, todo cor-de-rosa, que as senhoras chamariam fofinho')

Nostalgia de quando era professor do secundário? O programa é um bocadinho... vou levar a cultura aos portugueses coitadinhos...

 

publicado às 21:35


eixo do mal tem o nome bem posto

por beatriz j a, em 21.06.11

 

 

 

É só isso que fazem. Dizer mal. Não fazem crítica, que é outra coisa bem diferente que implica ter conhecimentos sobre o que se fala ou ter um bom espírito analítico. Também não é um programa de humor um pouco à maneira dauqele antigo com o MEC, o Zink, etc., que não se levavam muito a sério e gozavam divertidamente com tudo. Não. É só mesmo dizer mal de pessoas sem grande graça.

 

publicado às 05:42


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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