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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Alunos e professores admitem que praxes violentas não acabaram e denunciam aumento de rituais de cariz sexual. Há caloiros a serem levados para salas escuras e obrigados a simular atos íntimos.
(...) “Eu ia a tremer, porque percebi que o que se passava era grave”, conta ao SOL. Lá dentro, os veteranos obrigavam raparigas e rapazes a simular atos de sexo oral, usando um pénis de louça onde colocavam iogurte. Cada caloiro era fotografado a cumprir a praxe pelos veteranos, que ficavam com uma prova da sua ‘entrada’ no curso.
“São cada vez mais intensas, com grande consumo de álcool, o que aumenta a agressividade das práticas e reduz a capacidade dos caloiros dizerem não”, defende Catarina Martins.
A investigadora do Centro de Estudos Sociais confirma que também em Coimbra há cada vez mais praxes de cariz sexual. “Muitos casos são de verdadeira agressão sexual”, diz a investigadora, recordando que há uma “regra de praxe não inscrita nos códigos” em que um caloiro não é verdadeiramente um estudante se não tiver relações sexuais com outro até à queima das fitas, que se celebra em maio. “Há relatos de uma violação em grupo de uma estudante num jardim e de outros abusos. Simplesmente não são denunciados por vergonha e medo”, diz.
Para combater esta situação, Catarina Martins defende que as praxes sejam totalmente proibidas e passem a ser um crime público. Ou seja, que os casos não dependam da queixa das vítimas para serem investigados, podendo a denúncia ser feita por qualquer pessoa.
Mas para o presidente do Conselho de Reitores, António Cunha, a solução está nas mãos dos estudantes. “As universidades não podem ter um polícia atrás de cada estudante, nem ser responsabilizados pelo que se passa fora do recinto” – frisa António Cunha, que proibiu as praxes no campus da Universidade do Minho.
Já para o tenente coronel da GNR Rogério Copeto, “seria muito útil poder alargar às instituições de ensino superior o programa Escola Segura, que é aplicado nas escolas desde 1992”.
As praxes estão dominadas por montes de gente estúpida, criminosa e sem consciência e as faculdades deviam declarar todos os organizadores de praxes como personas non gratas. Deviam ser proibidas.
Porque é que as faculdades não têm um gabinete de aconselhamento aos caloiros? Porque não organizam elas recepções aos caloiros, de modo a esvaziarem a função das praxes? Porque não vendem elas os trajes para acabar com essa chantagem do traje? Porque é que não têm um professor tutor que aconselhe os caloiros? Há imensos alunos sozinhos nas cidades, longe de casa e sem ninguém que os ajude a ultrapassar esses obstáculos que podem matar logo ali qualquer hipótese de fazerem o curso ou até de terem uma vida normal, nos casos de extrema violência. As faculdades são escolas, têm que ser pedagógicas.
Depois somos nós nas escolas básicas e secundárias que preparamos mal os alunos... nós fazemos uma recepção aos alunos novos, dizemos-lhes as regras da casa, mostramos-lhes os sítios, os serviços, etc. Eles têm um Director de Turma a quem recorrer sempre que necessitem de ajuda.
Há mil e uma coisas que as faculdades podem fazer. O que não podem é fazer nada.
Leio por aí que em Beja as praxes de cariz sexual foram de tal modo e no meio da rua que apareceu a polícia.
Como é que é possível uma pessoa entrar para a faculdade e ser sujeita a ser humilhada [fotografad@...? para quê? para os colegas depois de masturbarem a olhar para as fotos d@s caloir@s...?] e violada e tudo no silêncio cúmplice das faculdades que de tudo sabem e nada fazem?
Não são adultos -a não ser os 'dux' que têm 30 e mais anos e lideram as praxes-, têm 17, 18 anos e, não são livres: são pressionados, eles sozinhos, por grupos de colegas mais velhos que os ameaçam, mais ou menos abertamente, de serem excluídos se não aderirem às praxes. É assim em muitos sítios. Mesmo em faculdades onde as praxes não são violentas muitos alunos submetem-se, por receio de serem gozados ou posto de lado mas não gostam e sentem algumas das praxes como embaraçosas e até, humilhantes. Fazem-no com grande frete e sem nenhum ganho de integração, muito pelo contrário. Isto dizem-me eles.
E as faculdades, embora possam não conseguir controlá-las completamente, podem perfeitamente desincentivá-las.

o costume...

as meninas que se afirmam por mandar outros ajoelharem-se...

os sádicos...
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Isto tem imenso a ver com integração...
Isto é insuportável. Uma pessoa vai para a faculade para levar sovas, ir parar ao hospital e ter medo de andar na rua...
As festas e praxes de recepção aos caloiros deviam ser proibidas. Quem tem que receber os caloiros são os professores porque os outros são só colegas, não são seus superiores e, as actividades de recepção têm que ser pedagógicas. A energia violenta que estas praxes alimentam ou convocam com o álcool, as drogas e os sádicos a darem vazão às suas frustrações, só pode dar maus resultados. As universidades têm responsabilidades nisto porque viram a cara para ensacar dinheiro.
Parece-me necessário distinguir duas coisas: uma é a decisão de considerar acidente o que lá se passou e isso cabe às autoridades competentes independentemente do desejo das famílias das vítimas; outra é o dever de apurar e informar a sociedade sobre o que se passou naquela noite no Meco. Isso que não foi feito é que me parece grave. Dizer, 'foi acidente' e ponto final, aqui encerra-se o assunto sem que se saiba ao certo quem lá esteve, que praxes estavam a fazer, como a fizeram... em suma, sem esclarecer as circunstâncias e causas do 'acidente'.
As circunstâncias e causas do 'acidente' interessam às famílias das vítimas, em primeiro lugar, interessam à sociedade e deviam interessar à Universidade em questão para se poder pensar em formas de estes 'acidentes' nunca mais se repetirem.
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A representante dos alunos da Universidade do Minho confirma à Renascença que foi durante uma "actividade de praxe" que teve lugar o acidente de ontem, que provocou a morte de três estudantes e deixou ainda outros quatro feridos.
A veterana refere ainda que as praxes não são feitas para colocar em perigo a vida dos caloiros. "Os praxantes cuidam dos miúdos, são para nós como irmãos mais novos". "Foi uma infelicidade", acrescenta.
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Não pode ser possível haver mortes que decorram de convívios entre estudantes. Nem uma única morte é admissível. As praxes podem, na maioria dos casos, não ter como objectivo diminuir os praxados ou colocá-los em risco de vida mas, a verdade é que o fazem. Todos os anos alguém morre ou fica gravemente ferido e incapacitado fisíca e psicologicamente na sequência de praxes. E, isto são os casos mais graves que vêm a lume.
Se não é este ano, em que já morreram nove estudantes que se acaba de uma vez por todas com esta prática nociva que por vezes raia, ou é mesmo, criminosa, nunca mais se tem mão nisto.
Não é possível, hoje em dia, as famílias não ficarem em sobressalto com a ida dos filhos para as universidades sabendo que os espera comissões de praxe que tanto podem ser constituídas por gente decente como por gente desprezível e que, não tão raramente como seria de supor, põe a sua vida em sério risco.
No artigo sobre as praxes que saiu no NYT (notícia) um tal João Gouveia diz várias vezes que a maioria das Universidades portuguesas não prestam e que se usam das praxes para fingirem que têm pergaminhos. Em primeiro lugar é mentira que a maioria das Universidades portuguesas não prestem, em segundo lugar acho mesmo estúpido fazer-se esse tipo de declarações que nos deixam mal enquanto país, num jornal de projecção mundial.

Dux de Coimbra -João Luís Jesus- defende que se fizeram cópias mal feitas daquilo que é a praxe
Em Coimbra, todo o estudante com cinco matrículas e que esteja a frequentar o mestrado é considerado veterano e pode participar no Conselho de Veteranos, sendo esse órgão o regulador da praxe e aquele que elege o Dux que, uma vez eleito, apenas abandona o cargo quando deixa de ser estudante, ou se demite ou é demitido pelo Conselho de Veteranos, explicou João Luís Jesus, estudante com 24 matrículas na UC.
Cada matrícula corresponde a um semestre (sim, porque um ano seria demais, quer dizer, seria mais velho que eu, mais coisa menos coisa...)? Será que o indivíduo -o Dux Veteranorum- anda lá há mais de dez anos a fazer o curso...? Isso explica muita coisa...
Entretanto o secretário de estado Emídio Guerreiro, também antigo presidente da Associação Académica de Coimbra, diz que , A praxe "não é aquilo, nem nunca o foi", sublinhando que aquilo que levou à morte dos seis estudantes da Universidade Lusófona são "actos ilícitos que devem ser punidos".
Em relação a esta notícia tenho umas questões: o secretário de estado também também foi 'dux whatever' que praxou caloiros? Será que pertence ao clube das 24 matrículas para fazer o curso? Finalmente, ao dizer que o que se passou no Meco não foram praxes e que os actos ilícitos têm que ser punidos, fala com conhecimento de causa sobre o que lá se passou? Já finalizaram o inquérito e ele sabe alguma coisa que não saibamos ou está só a espingardar do alto das suas eventuais 24 matrículas?
Os seis mortos da praia do Meco (e o único sobrevivente dessa excursão nocturna) frequentavam a Universidade Lusófona. Todo o mal vem daí.
O Conselho de Veteranos da Universidade de Coimbra actualizou o código de praxe, que passa a proibir expressamente a praxe dos caloiros durante o seu horário de aulas, a pintura dos novatos e qualquer forma de violência sobre eles.
A ideia das pessoas chegarem à Universidade e serem recebidos com violência e humilhações e serem impedidos de estudar era uma coisa de atrasado mentais e pervertidos sexuais.
O reitor da Universidade de Coimbra considerou o uso de violência na praxe académica algo "completamente inaceitável". Depois de se terem registado algumas queixas de estudantes, os docentes defendem a criação de um gabinete de apoio aos alunos visados.
E castigar os culpados, não? Tipo, expulsá-los da faculdade? Mandá-los para a agricultura cavar que parece que há lá falta de gente?
"O Código da Praxe, ele próprio, é violento, defende uma série de sanções violentas, não para os que exercem a praxe, mas para os que violam a hierarquia da praxe, como alguém que não vestiu a capa corretamente, que não se comportou como caloiro, etc", revelou à Lusa, esta segunda-feira, Catarina Martins, uma das promotoras do documento.
Entãu uma pessoa é punida com violência por não levar o traje vestido à maneira duns idiotas quaisquer?
Estes casos deviam ser investigados mas pela Justiça", afirmou a docente. Para Catarina Martins, não tem havido mais queixas formais "porque há um clima de violência psicológica, de atemorização". "No contacto com os alunos, no dia a dia, constatamos que essa violência psicológica existe", sustentou.
Medo e violência psicológica? Então ir tirar um curso é como ir para a guerra? Andam as pessoas a pagar os estudos com dificuldades para depois chegar à universidade e serem atacados por gajos vestidos de corvos? Isto é um atraso de vida...

Correio da Manhã
28 Junho 2009 - 00h30
O Instituto Piaget de Macedo de Cavaleiros vai ter de pagar 38 mil euros a Ana Sofia Damião, a aluna sujeita às violências da praxe no ano lectivo de 2002/2003, revelou ontem o Movimento Anti-Tradição Académica (MATA)
"Foi a primeira vez que um tribunal reconheceu as responsabilidades objectivas da direcção de uma universidade" relativamente às praxes violentas, referem os responsáveis do MATA.
Para os estudantes antipraxe, esta decisão "obriga a uma reflexão na escola, na comunidade estudantil e na sociedade", pois "a impunidade já não é uma realidade".
Ana Sofia Damião foi forçada a simular orgasmos e relações sexuais com colegas e a insultar os pais.
Até que enfim que a justiça responsabiliza e pune alguém pelas praxes académicas violentas que se tornaram um hábito patológico em muitas universidades, institutos, e politécnicos.
Não se percebia que as direcções das instituições não assumissem nenhuma posição para além de dizerem que lamentam e tal...e que todo o assunto fosse encarado com uma leveza como se fossem apenas brincadeiras.
É incompreensível que um aluno, ou aluna, depois de muito batalhar para entrar para a universidade, chegue lá e corra o risco de ser violentada, humilhada, ferida, incapacitada ou até morta, em praxes violentas e humilhantes conduzidas por delinquentes, violentos e tarados sexuais que se aproveitam duma situação temporária de poder para dar vazão às suas frustraçõeszinhas sexuais e outras?
É incompreensível que um aluno tenha medo de entrar na universidade ou que passe uma experiência tão humilhante ou traumatizante que lhe estrague toda a vida e experiência universitárias.
É incompreensível a bonomia com que estas praxes são encaradas pelos responsáveis.
Afinal, que tipo de pessoas batem nos colegas, obrigam os colegas a humilharem-se, a despirem-se, a simular actos sexuais e insultar os pais como divertimento?
Assusta até pensar que essa gente tira cursos e depois vai trabalhar, quem sabe, até podem ir parar a cargos de poder público! Pessoas com tendências para abusar dos outros, humilhá-los etc.! Sim, porque os alunos que conduzem essas praxes não são adolescentes, não têm dezasseis ou dezoito anos. Têm vinte e tal anos, são adultos; jovens, é certo, mas adultos, com a personalidade já formada.
E, pior ainda, quem são os adultos responsáveis por essas instituições que entendem tudo como uma brincadeira?
A atitude das pessoas face a estas coisas diz muito sobre elas...
Um amigo dizia-me há tempos que na faculdade muitos professores, quando não estavam raparigas alunas presentes conversavam com os alunos rapazes sobre as raparigas de um modo que ele achava chocante. Por exemplo, eram capazes de voltar-se para um deles e dizer, acerca duma aluna colega num grupo de trabalho: 'se estivesse no teu lugar já tinha montado a gaja que é muito boa'.
Calculo que sejam estas as pessoas que depois acham piada a que alunos ordinários humilhem as colegas nas praxes. Quem sabe se não o fizeram também.....
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