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Pensamentos de dois melréis II

por beatriz j a, em 01.07.19

 

Esta palavra, 'melréis', vem da minha avó Beatriz, que me deu o nome. A avó Beatriz era de 1898, do tempo em que a moeda portuguesa eram os reais, antes dos escudos. Acho que nunca a ouvi falar em escudos. Traduzia tudo para reais. Falava em reis e em contos de reis. Dez escudos (agora 5 cêntimos) equivaliam a dez mil réis, que ela dizia pegando as duas palavras, dez 'melréis'. Quando éramos miúdas pedíamos-lhe dinheiro para comprar rebuçados e ela dava, toma lá  'dois melréis'. Dois melréis é pouca coisa... é por isso que lhes chamo pensamentos de dois melréis...

 

publicado às 16:39


Pensamentos de dois melréis

por beatriz j a, em 03.06.19

 

O ser humano é muito semelhante a um PC. É portátil, na maior parte dos casos (há excepções, como aqueles PCs que ocupam uma sala inteira), tem um hardware e um software. Muito da vida dele depende da qualidade do hardware, nomeadamente do motor, da ventilação...depois a sua performance depende da memória RAM, da velocidade e do sistema operativo. Há vários sistemas operativos chamados temperamentos. Cada um tem um conjunto de mecanismos e e respostas para lidar com a realidade.

Alguns vêm com placas gráficas extra e são óptimos na imaginação, outros não têm imaginação e só sabem fazer cálculos, mas todos funcionam tendo por base um sistema binário: é a lógica.

Depois, vamo-nos enchendo de programas para responder às necessidades: uns carregam sobretudo jogos, outros filmes, outros só trabalham. A princípio o sistema está limpo e funciona bem -embora precise de entrar em modo de repouso com frequência, pois se está permanentemente wired estoura.

Aos poucos vamos instalando programas, extensões, vamos criando arquivos e ficheiros e sub-pastas até entrar-se em processo de entropia. Aí fazemos limpezas ao sistema e desinstalamos programas - alguns são difíceis de desinstalar, outros nunca desaparecem completamente, deixando lá marcadores somáticos que se activam com facilidade. Por vezes formatamos e voltamos a instalar programas novos.

Um portátil bem tratado dura mais tempo, claro. A certa altura pode ser preciso mandá-lo a um especialista para mudar ou apenas arranjar peças que se vão gastando. Pode acontecer apanhar um vírus e ficar sem recuperação, perder a memória de todos os ficheiros e arquivos. Se for tratado ao pontapé desgasta-se rapidamente.

Eventualmente torna-se desactualizado, ultrapassado e é substituído. Fica estacionado algures durante um tempo mas já pouco trabalha. Um dia vai para a reciclagem.

 

(Andava à procura de uma frase minha que pudesse adaptar para escrever numa fita de finalista de um aluno e descobri isto escrito num post de 2011. Já não me lembrava de o ter escrito. Achei-lhe piada.)

 

publicado às 07:55


Pensamentos de dois melréis

por beatriz j a, em 11.10.18

 

 

Há os que vivem e os que deixam que a vida os viva. Os que vivem não deixam que a vida os transforme em mecanismos de defesa de aço duro, apesar das muitas tragédias que os feriram. (...)

 

publicado às 05:55


Pensamentos de dois melréis

por beatriz j a, em 17.09.18

 

 

São belas as coisas vistas à distância quando os pormenores se escondem.

Por outro lado, é pelos pormenores que as amamos o que só acontece encurtanto a distância.

Surreal Exaggerated Relief Map of South West Europe and North West Africa

Credits: Anton Balazh/ Shutter Stock

 

 

publicado às 06:37


Pensamentos de dois melréis

por beatriz j a, em 21.06.18

 

 

A arte é um grande consolo e tudo que é belo alivia imediatamente qualquer carga, por mais pesada que seja. De onde vem o belo é difícil de dizer mas algo nele é da característica convexa que a coisa tem e que a faz procurar um espelho onde projectar-se e outra parte é da nossa capacidade côncava de afectar-se emocionalmente com o que se projecta. É uma relação de amor, portanto. Quer dizer que tenho uma relação de amor com o Bach. Okay 🙂

 

 

publicado às 17:20

 

O espírito de Natal, para mim, já ultrapassou o domínio específico da fantasia da narrativa religiosa dessa instituição ofensiva para tudo quanto é mulher e situa-se no plano mais vasto e rico da poesia, essa força transformadora inexplicável, no extremo do dizível, capaz de dispôr-nos a ultrapassar as condições da subjectividade concreta e de nos atirar para um outro nível de vivência e de relação com os seres, mais profunda e plena. Entrar no espírito de Natal é entrar num estado poético integrador de contradições, capaz, até, de superar o espírito maligno próprio das guerras. ❤️ 🎄

 

 

publicado às 08:03


Pensamentos de dois melréis

por beatriz j a, em 24.11.17

 

 

Nada na vida importa a não ser as pessoas que importam. Sim, há mil e uma coisas que importam, mas sem as pessoas que importam, nada importa.

 

publicado às 21:10


Pensamentos de dois melréis

por beatriz j a, em 23.11.17

 

 

Com a idade deixamos de procurar pessoas no mundo, antes procuramos o mundo nas pessoas.

 

publicado às 22:30


Pensamentos de dois melréis

por beatriz j a, em 23.11.17

 

 

A realidade arruinou-me para a ficção. Todo o possível é o real, todo o real é o possível.

 

publicado às 22:23


Pensamentos de dois melréis

por beatriz j a, em 23.11.17

 

 

Devíamos pensar como se fossemos eternos e agir como se fossemos morrer daqui a um mês ou dois.

 

 

publicado às 22:09


Pensamentos de dois melréis

por beatriz j a, em 19.11.17

 

 

A meditação não é a capacidade de se abstrair momentaneamente do mundo, é a arte de permanecer em paz imerso no mundo.

 

imagem da net 

 

publicado às 21:02


Pensamentos de dois melréis

por beatriz j a, em 27.07.16

 

 

Um filósofo deve ler-se como quem vai à modista (ou ao alfaiate): 1º experimenta-se o fato para ver como assenta, se serve e está em coerência connosco - com o nosso corpo e a vida que queremos ter; 2º, se o fato não assenta podemos usar ideias para construir um estilo próprio ou rejeitá-lo completamente. Convém experimentar vários estilos de fatos antes de escolher um ou mandar fazer um à medida porque a inteligência e a experiência dos outros poupam-nos muito trabalho e ajudam imenso. Seja como for, não se lê um filósofo como quem vê fatos em montras ao longe. O que distingue um fato razoável dum fato de superior categoria são, a qualidade do tecido e os pormenores de acabamento que lhe conferem excelência e, esses, têm que ver-se de muito perto.

 

 

publicado às 14:19


Pensamentos de dois melréis

por beatriz j a, em 12.07.15

 

 

 

Assim que acedem à riqueza, por qualquer razão, os povos comportam-se como as pessoas particulares que sobem na vida e acedem à riqueza: tornam-se arrogantes, convencem-se que o sucesso se deve a características endémicas que possuem enquanto povo e passam a desconsiderar e desprezar os países mais pobres convencidos que o são por características endémicas de falta de inteligência, de valor, de trabalho, etc., dos respectivos povos. Daí até se convencerem que a sua 'superioridade natural' lhes dá direito a privilégios de poder e que a 'inferioridade natural' dos outros deve ser comandada vai um passo. Perdem toda a perspectiva, tão cheios que estão da sua 'superioridade natural' ou 'supranatural', em alguns casos. 

Os primeiros a mostrarem esta arrogância são os políticos e os chamados 'homens de negócios'... os empreendedores, uns e outros, como se diz agora.

 

 

publicado às 13:14


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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