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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Quando os ladrões do BPN são os que têm a confiança do ministro para mover centenas de milhões de euros... não admira que ele ache que professores não valem nada...
O Ministério das Finanças defende que a Parvalorem pode deter e gerir activos de 800 milhões de euros, contabilizados nas contas como créditos vivos/performing, apesar de o Banco de Portugal não autorizar (como se pode ler na imagem relacionada) e de o objecto social não o prever.
A empresa pública Parvalorem (criada exclusivamente para gerir activos tóxicos do BPN) nomeou como perito num despedimento colectivo um membro da direcção de contencioso e recuperação de crédito, António José Duarte, que no BPN/SLN, era o braço direito de José Oliveira Costa. E que se tornou uma peça chave na mega investigação do Ministério Público ao Banco Insular, entidade virtual desconhecida do Banco de Portugal e do Fisco, para onde o BPN desviou quase mil milhões de euros.
Actualmente, António José Duarte integra a direcção de contencioso e recuperação de crédito da Parvalorem, a área que recebe os pagamentos e coloca os clientes em contencioso, tendo-lhe sido atribuídas funções na gestão da carteira de créditos incobráveis da ex-SLN (agora Galilei) de 1,1 mil milhões de euros.
A sua importância junto da administração de Francisco Nogueira Leite releva da sua remuneração, em termos brutos, que ascende a 6.614 euros, dos quais 4.175 euros são remuneração complementar. Recebe 773 euros de isenção de horário e 80 euros de diuturnidade (grau de antiguidade de 18,62 anos). O vencimento base (escala 12) é de 1.584 euros.
Foi a 23 de Agosto de 1999 que o antigo assessor de José Oliveira Costa entrou no BPN, onde se tornou conhecido como sendo o “homem” de confiança do presidente.
Durante as investigações que se abriram, depois de o BPN ter colapsado, em 2008, alvo de uma mega burla perpetuada ao longo de anos pelos seus dirigentes, António José Duarte passou a cooperar com o Ministério Público e o Banco de Portugal, que não o acusaram. E percebe-se porquê. O curriculum e o grau de entendimento dos detalhes dos movimentos financeiros ajudaram as autoridades a seguir o rasto do dinheiro desaparecido. É que, entre 2002 e 2007 (quando Oliveira Costa se afastou), foram desviados do BPN 9,7 mil milhões de euros: cerca de 5% do PIB português.
O bancário¸ que entre 1999 e 2006 exerceu funções como administrativo na direcção de operações do BPN, antes de assumir o cargo de assessor de Oliveira Costa, explicou aos deputados que, ele próprio, registara “operações para o BPN, BPN Cayman, BPN IFI, em Cabo Verde e Banco Insular" por ordem dos seus superiores. Relatou ainda, entre outras coisas, que “entre 2002 e 2009” houve “várias centenas de movimentos entre o BPN e o Banco Insular”, a instituição fantasma usada para encobrir movimentos financeiros em larga escala, pois não era conhecida do BdP e do Fisco.
... porque o 'pai, sou ministro!' já está safo por essa via. Isto são factos que remontam ao ano 2000! Estamos em 2017 e só agora o caso vai ser julgado. Quantos 'Parvalorems' é que entretanto se safaram, com o dinheiro que nos roubaram, a prestar contas na Justiça? Com tanto roubo da banca e dos políticos e amigos que fica impune e incobrável não há país que aguente.
A acusação sustenta que Arlindo de Carvalho e José Neto terão recebido indevidamente cerca de 80 milhões de euros do BPN e do Banco Insular de Cabo Verde na qualidade de homens de confiança em negócios dirigidos por Oliveira Costa e outros altos dirigentes do grupo Banco Português de Negócios/Sociedade Lusa de Negócios (BPN/SLN).
O mesmo que dizer que até agora o custo potencial do BPN - que era um banco de pequena dimensão, mas com ligações profundas ao poder político, sobretudo a pessoas do PSD - pode ascender a 6,3 mil milhões de euros se somarmos o que já custou efetivamente ao que ainda está de fora.
O grosso dos avales do Estado (2,6 mil milhões de euros) está empatado na Parvalorem, que gere os créditos do BPN a muitos negócios obscuros e malparados.
Apesar da importância deste dossiê nas contas públicas, o relatório do OE 2017 é pobre em informação. Imita os anteriores.
Não sei porquê lembrei-me disto:
Bene, Don Corleone. I need a man who has powerful friends. I need a million dollars in cash. I need, Don Corleone, all of those politicians that you carry around in your pocket, like so many nickels and dimes.
(in O Padrinho)
E são sempre os mesmos nomes... e nós a pagar...
Gestão nomeada pelo Governo de Sócrates, em 2008, para gerir o banco concedeu empréstimo à SLN Valor sem garantias suficientes.
O Banco Português de Negócios (BPN) concedeu, em 2010, quando estava ainda nas mãos do Estado, um financiamento de 135 milhões de euros à sociedade SLN Valor, tendo como única contrapartida acções de duas sociedades com uma situação financeira frágil. Este empréstimo - que, com os juros entretanto vencidos, soma agora um total de 159 milhões devidos - é a principal fatia de um pacote de 471,1 milhões de créditos reestruturados recentemente pela Parvalorem.
O Caso BPN - Alguém investiga a PARVALOREM? - Quatro mil e ...
Tínhamos evidenciado na penúltima nota um certo desconforto, por verificarmos que a PARVALOREM era uma das entidades que teria que dar o seu consentimento ao financiamento do Projecto Alqueva de José Roquete. Que faria a PARVALOREM embrulhada no assunto? O BPN teria concedido crédito a José Roquete no âmbito do Projecto Alqueva? Ou a PARVALOREM era parceiro de um projecto com uma componente estrutural do QREN?
Sabemos agora que o BIC partilha com a PARVALOREM os bens executados a Oliveira e Costa. Isto não é espantoso?
(muito antes do Alqueva estar acabado, anos antes, quando a legislação obrigava a que os terrenos à volta do Alqueva fossem exclusivamente para exploração agrícola, já se faziam apresentações -em outro país- com maquetas e plantas pormenorizadas de 'resorts' e condomínios com venda de propriedades. Isto, sei eu de fonte segura, de alguém que, então, assistiu a algumas dessas apresentações)
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