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Testemunhos: o nefasto vício de fumar

por beatriz j a, em 20.02.15

 

 

 

Deixo aqui o testemunho de uma fumadora inveterada (agradecendo desde já a partilha) que o deixou como comentário a um post que escrevi há tempos sobre a minha experiência de fumar e a dificuldade de deixar de fumar. Pode ser -espero- que dissuada alguém de fumar ou convença outros a deixar esse vício tão nefasto.

 


A minha saúde e o tabaco Hoje resolvi falar publicamente acerca de um dos meus problemas: O vício de Fumar! Espero fracamente que este meu texto ajude pessoas, que tal como eu, se desleixaram com a saúde, ignorando todos os riscos inerentes a este maléfico vicio. Falo então, dos malfadados cigarros, da qualidade e esperança média de vida dos fumadores. Eu, que ainda sou, fumadora compulsiva, posso falar deste assunto porque fui e sou vítima da minha própria irresponsabilidade e falta de amor à vida, num desrespeito total pela minha saúde, especialmente no que concerne aos pulmões. Fumo há mais de 20 anos, qualquer coisa como 2 maços de cigarros por dia. Não me orgulho disso - é certo, mas na verdade sou responsável pelas minhas próprias escolhas, até porque os cigarros nunca trouxeram benefício algum à vida humana, muito pelo contrário - como é sabido por todos nós. Nunca me preocupei com a minha resistência e sempre achei que só adoecemos gravemente se a mente estiver muito fragilizada e a falta de vontade de viver imperar. Talvez seja isso que aconteceu, porque apesar de fumar há tantos anos, a determinada altura da minha vida (dois anos atrás), decidi não ter o mínimo de cuidado e desatei a fumar como se o meu corpo fosse capaz de suportar as atrocidades a que o submeti. E, apesar de fumar muito, também me descuidei com a alimentação e limitei-me o comer o mínimo. Ora, muitos cigarros, pouca comida (o que conduz à debilidade em termos de regeneração e defesas do corpo - julgo eu e salvo melhor opinião) e um desgosto que tornou tudo há minha volta tão negro quanto a fumaça do cigarro, levou a que os pulmões se ressentissem de uma forma que era de prever, mas que não me assustou - durante este último período da minha vida. Hoje olho para trás e penso que deveria ter colocado a hipótese de que um dia poderia querer voltar a viver e recuperar do choque que abriu um ferida que jamais sarará. Mas não pensei, e esta foi mais uma incoerência da minha parte. Agora perguntam-me, então mas “que raio” te fizeram os cigarros para estares com esta lenga-lenga toda? E eu respondo diretamente e sem rodeios: Tenho dois tipos de enfisema pulmonar e ainda umas simpáticas obstruções! Para quem não sabe o que é, aqui fica uma explicação sucinta acerca da doença e suas causas: É um tipo de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) caracterizada por danos aos alvéolos pulmonares, causando oxigenação insuficiente e acúmulo de gás carbónico no sangue (hipercapnia). É geralmente causada pela inalação de produtos químicos tóxicos, como por exemplo o fumo de tabaco. É uma das doenças que mais mata no mundo. Mas como se não bastasse, ainda tenho vários problemas nos seios perinasais, que só podem ser resolvidos/atenuados recorrendo à via cirúrgica. Agora alguns de vós vão pensar, como eu pensei, e questionariam: Mas antes isso do que um cancro no pulmão, não é? E responde o médico: Dora, um cancro no pulmão pode ter cura, ou seja submete-se o paciente aos tratamentos e poderá ficar curado, ou então morre em pouco tempo, nos casos em avançado grau. O problema que tens, poderá ser considerado pior, porque não há cura para o enfisema pulmonar, a função pulmonar vai reduzindo-se gradualmente, pode até ser lenta, ninguém pode prever com grandes certezas, porque cada ser humano reage de forma diferente às doenças que lhe surgem, mas garanto-te que a qualidade e esperança média de vida diminui significativamente. O mais grave é que mesmo viva incorres no risco de precisares de oxigénio e ventiladores para te manteres aqui. (Depreendi eu: o médico está a falar-me de uma morte lenta frown emoticon ) E com a voz num tom mais elevado disse: - Dora, se não reduzes substancialmente o número de cigarros que fumas por dia, estás condenada a viver dependente de fármacos, oxigénio, ventiladores e afins, já para não dizer que os teus pulmões vão “colapsar” brevemente, o que conduz a uma morte prematura tendo em conta que tens (diz ele) apenas 41 anos. Por enquanto dependo de bombas broncodilatadoras, daqui a dois meses logo se vê o que mais preciso e se os pulmões respondem ao medicamento. Curar é impossível, mas é possível melhorar um pouco a qualidade de vida, é isso que os médicos estão a tentar fazer. Deixo-vos uma certeza: Fumar, MATA mesmo!

Dora Ferreira

 

publicado às 17:28


sonhar é partilhar

por beatriz j a, em 07.03.11

 

 

 

 

 

Só faz sentido perseguir sonhos se os pudermos partilhar. Que sentido tem perseguirem-se sonhos sozinho? Quem lutaria pela Democracia se não fosse um sonho partilhado? Quem, no Egipto, ou na Líbia, estaria sozinho a lutar por...nada? E nos sonhos pessoais é igual. Muito a propósito, o final do filme, 'A Rede Social' mostra o indivíduo rico mas sem alegria, sem ninguém com quem partilhar o seu triunfo pois tratou de descartar e hostilizar os que mais dele gostavam. Sozinho a acrescentar amigos no facebook.

 

publicado às 08:41


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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