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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Como lá chegaremos... humm... deixa ver... com a prospecção de petróleo em Aljezur? O incentivo à agricultura de produção intensiva e de monocultura?
Palavras, palavras e as eleições à porta.
Há palavras em diversas línguas cujo fonética encanta ou impressiona, no verdadeiro sentido da palavra, fazem uma pressão, deixam marca, neste caso, psicológica e estética. Não sei porquê. Não é o significado da palavra nem a aparência escrita mas a fonética, umas vezes pela força, outras pela elegância ou pelos sons guturais. Não sei. Por exemplo, se vejo a palavra position num texto, ouço-a imediatamente e fico logo numa disposição interior favorável relativamente ao texto.
Talvez tenha a ver com a musicalidade e o ritmo próprios das palavras e o meu enamoramento perpétuo pela música.
Não é totalmente estranho porque vivo das palavras e no meio das palavras mas é estranho que certas palavras, só pelo modo como são ditas, se realcem imediatamente do contexto. E são palavras sem qualquer ligação aparente entre elas. Deve haver aqui qualquer coisa freudiana, uma associação entre os sons e outra coisa qualquer recalcada lá para os confins do Id. Não sei.
Lembrei-me disto a ouvir o Bruno Ganz, num excerto do filme, As Asas do Desejo, logo no início, dizer, floß, floß.
Estas são apenas algumas dessas imensas palavras:
Português - almofada
Português do Brasil - Capivara
Dinamarquês -undskyld
Francês - arrête
Inglês - position
Alemão - floß
Espanhol - vergüenza
Italiano - grazie tante
Russo - карандаш (karandash)
Grego - οκτώ(októ)
[falando de Sócrates] Não gosto de bater em quem está vencido e perseguido. (...) [por acaso lembro-me bem de quando o senhor se pôs ao lado da Rodrigues e de todos os seus abusos de poder a elogiá-la por finalmente alguém pôr 'esses professores na ordem', numa altura em que éramos indecente e injustamente perseguidos por essa fulana incompetente e intelectualmente pobre...]
Penso que ele tem legítimas razões de queixa contra o modo como a Justiça o tratou, abusando dos seus poderes e actuando ad hominem, (...) [como assim, razões de queixa da justiça?? Então, primeiro foi a licenciatura com indícios óbvios de fraude e ninguém lhe tocou; fez fechar uma Universidade prejudicando imensos alunos e ninguém lhe tocou; a seguir foi o processo Cova da Beira com graves indícios de corrupção e ninguém lhe tocou; logo depois o processo Freeport cheio de escutas de actos de corrupção e ninguém lhe tocou; as idas para os EUA e outros destinos de luxo esbanjar dinheiro que não tinha explicação e ninguém lhe tocou; a compra da casa Heron Castilho a dinheiro vivo para si e outra para a mãe e ninguém lhe tocou; a pensão de reforma da mãe que nunca trabalhou e ninguém lhe tocou; o desaparecimento das escrituras da casa Heron Castilho e ninguém lhe tocou; os favorecimentos aos amigos sucateiros, empreendedores ocupantes de malas de carro e de empreendimentos de luxo no Algarve e ninguém lhe tocou... pois eu acho que ele tem razões de muito agradecimento ao modo como a justiça o tem tratado, neste país. Acontece que o trataram sempre tão bem, tão bem, que ele acreditou que era intocável]
É isso que é tóxico em Sócrates, e o PS deveria estar a milhas do que já se sabe e é incontroverso, que viola, se se quiser utilizar o jargão, todos os aspectos da chamada “ética republicana”, que é suposto ser mais do que a lei. Ora, no PS não só permanece uma legião de aduladores de Sócrates, como se permitem manifestar essa adulação publicamente, mesmo quando ela é incómoda para a direcção e para muitos membros do partido em geral. [então, afinal, não está vencido, se tem os barões do partido do poder a bajularem-no...]
(artigo de JPP no Público- Um Activo Tóxico)
Ordem arbitrária:
1. Férias.
2. Descanso.
3. Praia.
4. Sesta.
5. Totomilhões.
Intelectual - pessoa de cultura e de gosto pelas coisas do espírito; relativo ao domínio do entendimento, do intelecto, pessoa que cultiva as coisas do espírito; pessoa que tem gosto, quase exclusivo pelo saber literário ou científico ou que a este se dedica. (Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Ed. e Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa, ed. Verbo)
Pensador - filósofo; pessoa que medita, que estuda, que faz considerações pessoais e profundas sobre assuntos de natureza filosófica, política, religiosa... (Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Ed. e Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa, ed. Verbo)
Todos os filósofos são pensadores, mas nem todos os pensadores são filósofos; todos os pensadores e todos os filósofos são intelectuais; nem todos os intelectuais são pensadores ou são filósofos; todos os pensadores e todos os filósofos tem um ponto de vista pessoal sobre os assuntos que estudam mas, nem todos fazem doutrina; os intelectuais podem, ou não, ter um ponto de vista pessoal sobre os assuntos que estudam: alguns são eruditos e falam com legitimidade sobre os assuntos mas sempre referindo autoridades externas, outros têm pontos de vista próprios sobre os assuntos mas não têm um pensamento original sobre um assunto, pois se o têm já são mais que intelectuais, são pensadores ou filósofos.
Acontece imenso, a ler, ir dar com palavras que não vêem no google, nem nos últimos dicionários e ir descobri-las num dicionário qualquer do século XIX ou do início do século XX ou algo assim. É por isto que não deito fora dicionários antigos. São livros de história.
Isto para dizer que agora, a ler poesia, fui dar com a palavra 'pactognómicas' e pus-me à procura do significado mas nada... não encontro em nenhum dos dicionários cá de casa. Até fui ao de grego. 'Gnómico' sei que quer dizer sentença e, também sei o que é um pacto. Mas as duas coisas juntas não fazem sentido. Devia ter tirado um curso de filologia que faz imensa falta [para além de ser lindo].
HELP!! Alguém sabe o significado da palavra? Isto é encanitante...
[entretanto, enquanto procurava, descobri a palavra 'Padumar', que significa, aguentar as consequências. Vou passar a usar: 'Ah, fizeste? Agora paduma...'; ou, 'os governos fazem as asneiras e nós é que padumamos'. Lindo!! 😄]

Se as palavras não são consequentes, se os actos as contrariam, como confiar nelas e nos que as proferem...?
di notte cerco,
quello, che di giorno
non ho visto, cerco,
le cose che non dormono,
e mi addormento,
cercando, le cose
che ho sognato.
Michele Cristiano Aulicino
Somos náufragos
da nossa infância
nesse lugar profundo
reservado para a ancora
dispersos salvados
esfarrapam-se
memórias persistentes
objectos da nossa ânsia.
Não há prazer em ser profeta
nem as lágrimas se encolhem
por terem sido previstas
com a devida antecedência.
Inseguros navegamos
com as sombras
do passado e do presente
não confies nas aparências
quem mais cala
é quem mais sente.
bja
Se fosse poeta
passava os dias
a escrever poesia
de cada vez
cinco ou dez
poemas
e depois, então, dormia.
Que interessa a vida
sem poesia?
Hoje mesmo vi um homem
seriam umas dez da manhã
ir à sua mercearia
debruçava-se sem afã
sobre o primeiro lixo do dia
mesmo em frente ao talho
onde outros se aviam.
Digam-me agora, se podem
como aguentar a miséria,
a pobreza e a indiferença
dos políticos a letargia
sem amor à poesia?
Se fosse poeta escrevia,
escrevia, escrevia, escrevia,
uns dez poemas por dia
e depois
só depois,
então, dormia.
bja
Meu deus! Se pudéssemos ver
nesse tempo de crianças
os demónios que hão-de nascer
o desmoronar das esperanças...
Quem nos fez mal nos pensou
deu-nos da felicidade a promessa
com sonhos nos amarrou
enquanto forjava demência
- traição que se faz à infância...
Se existisse esse Deus alimento
que dizem pregado na cruz
tinha-nos poupado o sofrimento
horror que nos rouba a luz.
O ser humano na balança
onde pesa a ignorância e a luz
não sabe onde pôr a esperança
no meio de tanta demência
fome, castigo, sofrimento e pus.
bja
Trago o mundo no meu olho
as coisas não vejo em seu ser
o que são, eu mesma escolho
enformo-as com o meu olhar.
Se pudéssemos ver o mundo
antes de construir o olhar
não haveria primeiro ou segundo
e nada poderíamos amar.
Trago o mundo no meu sonho
pinto-lhe de azul o mar
aquilo que sou lhe ponho
espero nunca acordar...
bja
cuba gallery

Nocturnos
O destino veio cobrar a sua marca
dos sonhos de luz cedidos
com ironia perversa.
Sou dos outros o caminho
em mim encontram seus passos
de luz e fuga ao destino.
Quem sonha de dia caminha
quem pensa de noite desperta.
bja
Silêncio
The fact is that words are always prone to vandalism, to being pilfered from their secure semantic niches and made the possession of others, to serve their own particular purposes. ()
A moda, como sabemos, não é um fenómeno que se restringe à Alta Costura. Pelo contrário, a moda aproveita-se da necessidade psicológica de pertença que as pessoas todas têm: o querer fazer parte do grupo, sobretudo do grupo que parece 'dar as cartas'.
É assim que a moda atinge a ciência (há ciências que estão na moda e outras fora de moda), as Artes (estilos, como o abstracionismo, que foi dominante no século XX está agora fora de moda e, a pintura figurativa, então depreciada e 'demodé', está a voltar em força), há teorias que estão na moda (o evolucionismo aplicado a tudo, desde o comportamento à arquitectura e à economia), há culturas que estão na moda (o Oriente) e, há sempre um conjunto de palavras que conquistam a 'passerele' e entram e passam a fazer parte do discurso de todos os 'wanna be' que as usam como uma medalha ao peito de um modo abusivo e vandalizador.
O que irrita nisto é que essas palavras, ricas de significado, tornam-se vulgares e odiosas, muitas vezes imprestáveis durante anos. Quem pode agora dizer que tem paixão pela educação ou por outra coisa qualquer...? E que dizer da palavra excelência? Excelentes são uma minoria de coisas e pessoas que saem fora da norma mas a palavra anda vandalizada desde que fizeram dela uma meta a atingir por todos de modo que em vez de ser uma palavra excepcional, com uma conotação e perfume excepcionais, tornou-se um 'cliché'. Se eu disser a alguém que não estou à espera que os meus alunos sejam todos excelentes nem acredito que o possam todos ser ainda me matam...
Uma das palavras que mais me chateou ver vandalizada foi a palavra 'paradigma' que é um termo com um significado riquíssimo, muito fecundo de ideias e que se vulgarizou ao ponto de já nada significar. Um pouco como alguém usar as melhores frases do Pessoa ou do Shakespeare a torto e a direito na publicidade, vulgarizando-as ao ponto de perderem o seu sentido nobre, menorizando os próprios autores e tudo o que poderíamos aprender com eles por terem sido esvaziados de conteúdo.
Houve uma altura em que estava na moda a palavra 'situação' e um dia que entrei numa loja de móveis para comprar uma estante, a senhora da loja disse-me, 'tenho aqui uma situação com 5 prateleiras'... fiquei tão irritada que virei as costas e vim embora.
Este abuso das palavras, coitadas, que nada sabem das vaidades humanas, às vezes, estraga as melhores delas e, enquanto alguns pegam em palavras aparentemente vulgares e as tornam extraordinárias, a maioria pega em palavras extraordinárias e torna-as indecentemente vulgares.
... instala-se a confusão, a incerteza e a dúvida. Aquilo que poderia ser causa do maior entusiasmo gera ansiedade e reserva. E uma certa incapacidade de agir, ou até aderir, em virtude da incredulidade que essa contradição provoca.
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