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Resposta ao Pacheco Pereira

por beatriz j a, em 18.05.19

 

Ao contrário do que pensa, sem dúvida por desconhecimento, há professores muito bons nas escolas que lêem, informam-se, formam-se e constantemente se actualizam. Não conheço nenhum professor embasbacado com as novas tecnologias. Os professores usam-nas onde são úteis e pedagógicas. 

É certo que há maus professores e alguns muito ignorantes. Somos 120 mil, há de tudo... como em outras profissões... ou em todas as outras profissões as pessoas são muito cultas? 

 

Pense um bocadinho. Entre os professores, uns são licenciados, outros são mestres e alguns têm doutoramento. Fazemos constantemente formações e pós-graduações. Somos uma classe profissional com mais formação académica que os políticos e muitas outras profissões. Onde foi buscar a ideia que os professores, em geral, são ignorantes e não lêem?

 

Há professores escritores, poetas, artistas que expõem regularmente, músicos, cenografistas, historiadores, construtores de robótica, etc. Não são conhecidos a nível nacional por que não escrevem em jornais, não têm blogs, nem se interessam em projectar-se em plataformas. São conhecidos a nível local, distrital e produzem trabalho de qualidade.

 

Não sei que raio de ideia é que faz de nós professores para dizer essas coisas mas sei onde a foi buscar: à incompetente maldosa da Lurdes Rodrigues, ao incompetente falso do Crato e às campanhas nojentas do obtuso do Costacenteno (nem falo neste ministro da educação porque é inexistente).

E dizer que temos a culpa de sermos o alvo das campanhas dos políticos para ganhar votos, não é o mesmo que dizer que as mulheres têm a culpa de ser violadas porque se põem a jeito? 

Até mesmo quando escrevem um artigo a defender os professores mostram os seus preconceitos... as campanhas têm mesmo resultado o que mostra a falta de visão no futuro dos nossos políticos. Talvez esses é que necessitem de uma avaliação rigorosa e de ler mais do que as folhas das sondagens, não?

 

A hostilidade aos professores

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publicado às 21:44


Pacheco Pereira e o 'seu' partido

por beatriz j a, em 09.12.15

 

 

 

PSD. Pacheco Pereira desafiado a sair pelo próprio pé

 

A exagerada agressividade do Pacheco Pereira para com o seu partido percebe-se num contexto emocional de percepção de traição. Depois de andar muitos anos a trabalhar para o partido como crítico construtivo, em seu entender, para assegurar que o partido não atraiçoe o espírito que esteve presente na sua fundação e que tinha um rumo de justiça social e de esperança, vê a sua deriva tecnocrata e anti-social como uma traição e, estando quase sozinho nessa visão e, portanto, não tendo força para mudar toda a hipocrisia, ganância e abuso de poder anti-democrático que tomou o pessoal do partido nos últimos anos, reage com a fúria da indignação de quem foi traído e usado. Ele continua a ver-se como social democrata e entende que a sua posição é pura, os outros é que entraram num caminho de desvio de princípios de modo que está indigando como ficamos quando percebemos que as pessoas que julgávamos terem certo valor e por quem tínhamos algum respeito e em certos casos amizade afinal não têm moral nem escrúpulos e sabotam tudo o tempo todo com esquemas para manterem ganhos pessoais em cargos de poder, o que é, de facto, uma grande traição. Daí esta fúria exagerada. Os falsos e manipuladores nunca se zangam, nunca se enfurecem porque não têm razões de se ressentir já que não têm lealdade a nada nem ninguém a não ser eles próprios. Ele tem razão na sua fúria, embora não, em meu modesto entender (entre muitas outras coisas), em transferir para outros, como o Costa, a esperança duma lealdade a princípios... vai ser mais uma grande desilusão...

 

 

publicado às 06:05


O Pacheco Pereira passou-se...?

por beatriz j a, em 22.11.15

 

 

 

"Ou que esperam da avantesma que é do domínio do enxofre? Sim, daquele enxofre que vem na Bíblia." PP in Público

 

Compara a coligação do PSD/CDS, à qual chama aventesma, ao demónio...? O demónio mesmo, o Lúcifer do enxofre do inferno da Bíblia... O homem ensandeceu? Mas está tudo doido neste país? Isto é dum nível de dogmatismo chocante...

 

 

publicado às 21:04


Os factos

por beatriz j a, em 26.07.14

 

 

 

.
Como ninguém gosta do desprezo, a não ser que seja masoquista, percebe-se muito bem por que razão o PSD, o CDS e o Presidente não querem ouvir falar de eleições antecipadas.
publico.pt

 

 

publicado às 13:18


É exactamente isto

por beatriz j a, em 19.07.14

 

 

 

Humilhar e tratar as pessoas como cães, só para mostrar poder e regozijar-se com os seus iguais. Portugal é isto, por todo o lado: abuso e falta de ética profissional, política. Má liderança. Evidentemente, estes procedimentos não são inconsequentes no que respeita à qualidade dos serviços...

 

 

 

Sim, porque o que é inaceitável neste acto é que o Governo apresente face aos cidadãos um Estado cuja face é o logro e a habilidade grosseira, sem se preocupar um átomo em humilhar as pessoas, poucas que sejam, que precisam de um emprego, numa altura em que ele escasseia. É isto que é a maldade social. Não é que seja obrigatório fazer um exame, que é uma medida de política que pode ser contestada legalmente, inclusive pela greve.

O objectivo principal, sabemos nós, é impedir a greve, o que já é em si mesmo grave. Mas, para isso, usa-se discricionariamente as pessoas, atirando-as a seu bel-prazer de um lado para o outro, sem qualquer vantagem social, profissional, pedagógica. O Governo, mais do que testar os conhecimentos dos professores, o que já abandonou pelo caminho, quer discipliná-los, obrigando-os a obedecer, para poder mostrar autoridade. E, como podiam ter a vontade de fazer greve, tira-lhes essa possibilidade legal com um truque.

Não é para melhorar as escolas, é para mostrar quem manda. O resultado é que, se houver sarilhos, é porque andaram a pedi-los. Ao tratar-se as pessoas como cães, não admira que elas possam vir a morder.

 

Pacheco Pereira

 

 

publicado às 14:10


O país que vivia "vida de rico"

por beatriz j a, em 29.03.14

 

 

 

O paí­s que vivia "vida de rico" - PÚBLICO

 

 

Por isso, esperem por mais, porque se "o país empobreceu menos do que parece", é porque ele ainda não empobreceu tudo o que podia e devia. E a receita que vem aí é óbvia, é tornar permanente os cortes de salários e pensões, para que o tempo actue todos os dias tornando as pessoas e as famílias insolventes, endividadas perante credores muito mais hostis, incapazes de gerir a sua situação e a sua vida, e os que não podem emigrar ficarem por aí aos caídos ou à porta de qualquer banco alimentar. Sem estes portugueses poderem viver aquilo a que Bento chama com desprezo "vida de ricos" ou aceder a ela, sem esses portugueses restaurarem uma escada social que permita a pobreza não se tornar num gueto, e haver uma classe média que puxe para cima, não há saída para Portugal.

 

 

publicado às 17:56


A Greve

por beatriz j a, em 18.06.13

 

 

 

 

A GREVE


Está em causa um conflito de poder, que nada tem a ver com a preocupação pelos alunos ou as suas famílias.
O que está em causa para o Governo na greve dos professores é mostrar ao conjunto dos funcionários públicos, e por extensão a todos os portugueses que ainda têm trabalho, que não vale a pena resistir às medidas de corte de salários, aumentos de horários e despedimentos colectivos, sem direitos nem justificações, a aplicar a esses trabalhadores. É um conflito de poder, que nada tem a ver com a preocupação pelos alunos ou as suas famílias.

Há mesmo em curso uma tentação de cópia do thatcherismo, à portuguesa, numa altura em que uma parte do Governo pende para uma espécie de gotterdammerung revanchista e vingativo, de que as medidas ilegais como a recusa do pagamento do subsídio de férias pela lei em vigor são um exemplo. Não é porque não tenha dinheiro, é porque quer mostrar que é o Governo que decide as regras do jogo e não os tribunais e as leis. Qualquer consideração pelas pessoas envolvidas, não conta.

O Governo sabe que a sua legitimidade é contestada sem hesitações por muita gente, e pretende ultrapassar com um exercício de autoridade essa enorme fragilidade. Por isso, a greve dos professores é muito mais relevante do que o seu significado como conflito profissional, e é também por isso que o Governo, aproveitando o deslaçamento que tem acentuado na sociedade com o seu discurso de divisão, usa pais e alunos para a combater. Não é líquido que não possa ter resultados, até porque os sindicatos não têm conseguido ter um discurso límpido e claro, e os professores que se mobilizaram quase a 100% contra Maria de Lurdes Rodrigues, por causa da avaliação, estão hoje muito mais encostados à parede e enfraquecidos.

O medo dos despedimentos é muito perturbador no actual contexto de crise social, em que quem perde o trabalho nunca mais o vai recuperar. Por isso, a greve dos professores, como a greve dos funcionários públicos, é pelo emprego, em primeiro lugar, em segundo lugar e em último lugar. É também contra a imposição unilateral de condições de trabalho e horários no limite do aceitável. Mas o emprego é hoje o bem mais precioso e mais ameaçado. Aliás, o aumento do horário de trabalho é também uma medida para facilitar o desemprego.

Os sindicatos são um instrumento vital de resistência social em tempos como os de hoje, e é ridículo e masoquista ver alguns professores a "esnobarem" dos sindicatos quando mais precisam deles. No entanto, isto não pode fazer esconder que os sindicatos estão longe de estarem à altura do momento que o mundo laboral está a atravessar. É aliás aqui que os efeitos mais perniciosos da dependência partidária do movimento sindical português mais se manifesta, quer para a CGTP, quer para a UGT.

Num momento em que existe uma ofensiva em primeiro lugar contra os funcionários públicos e, depois, contra qualquer forma de resistência organizada dos trabalhadores, ou seja, também contra os sindicatos e os direitos laborais, substituir uma acção próxima dos mais atingidos por uma tentativa de lhe dar cobertura com slogans políticos é um erro que se paga caro.

Não adianta virem usar slogans, como seja a "defesa da escola pública", apresentando-os como a principal razão de luta dos professores. Em casa em que não há pão, ninguém se mobiliza por abstracções, mobiliza-se pelo pão. É verdade que o Governo é contra a "escola pública", mas o seu objectivo fundamental nestes dias é despedir funcionários públicos, incluindo os professores, para garantir os cortes permanentes da despesa pública a que se comprometeu, em grande parte porque, ao ter deprimido a economia no limite do aceitável, não tem outro modo de controlar o défice. Se o escolhe fazer nos mais fracos e dependentes da sua vontade, como sejam os funcionários públicos, é relevante, mas até por isso é a balança de poder que está em causa nas próximas greves.

A utilização de uma linguagem estereotipada pode ser muito confortável do ponto de vista ideológico, mas funciona como entrave quer à mobilização profissional, quer à mais que necessária mobilização da sociedade. Não é pela "defesa da escola pública", nem por qualquer objectivo assim definido programaticamente, que a greve pode ter sucesso, em particular face à ofensiva governamental que conta com muito mais apoio na comunicação social do que se pensa. É pela condição do trabalho, pelo emprego, que, no actual contexto, são muito menos egoístas do que podem parecer. É, aliás, também nesse terreno que os funcionários públicos e os professores podem e devem "falar" com todos os outros trabalhadores do sector privado, porque aí os seus objectivos são comuns.

O que parece que os sindicatos têm vergonha de enunciar é o seu papel de defesa de um grupo profissional, como se os objectivos laborais não fossem objectivos nobres de per si, ainda mais na actual tentativa de criar uma sociedade "empreendedora", assente na força de poucos contra o valor e a dignidade do trabalho de muitos. A incapacidade que tem a esquerda de enunciar objectivos firmes no âmbito destes valores, substituindo-os por uma retórica abstracta, acaba por resultar numa falsa politização que se torna num instrumento espelhar do mesmo discurso de divisão que o Governo faz. Ainda estou à espera que alguém me explique por que razão não se diz preto no branco, sem bullshit, que a greve é justificada pela simples motivo que nenhum grupo profissional numa sociedade democrática, seja empregado de uma empresa, ou do Estado, pode aceitar que se lhe torne o despedimento trivial, por decisões que são de proximidade (os chefes imediatos), e que não têm que ser justificadas a não ser por uma retórica vaga de "reestruturação", um outro nome para cortes cegos e pela linha da fraqueza dos "cortados".

E também não se diz, sem bullshit, que não é fácil manter a calma e a civilidade quando se tem que defrontar do lado das negociações pessoas que mentem quanto for preciso, e que estão apenas a ver se meia dúzia de mentiras ou ambiguidades servem para passar a tempestade e voltar à acalmia que precisam para fazerem tudo aquilo que hoje dizem que não vão fazer. Os mesmos que, nos últimos dois anos, tudo prometeram e nada cumpriram e que ainda há poucos meses juravam em público que nada disto iria acontecer. Ou seja, gente não fiável, de quem se pode esperar tudo e cujo discurso nas suas ambiguidades deliberadas está a ser feito para que tudo seja possível. Em Agosto ou em Setembro, passada a vaga de conflitualidade social, vão ver como milhares de pessoas vão para a "requalificação", como o aumento dos horários de trabalho vai servir para tornar excedentária muita gente e como, sejam professores ou contínuos, todos vão estar no mesmo barco do olho da rua.

Eu continuo a achar que a decência mobiliza muito mais do que a "escola pública" e que tem a enorme vantagem de toda a gente perceber quase de imediato o que é. E tem ainda a vantagem de ser fácil explicar, e de ser fácil de compreender por toda a gente, que é indecente o que se está a fazer aos funcionários públicos e aos professores. E assim socializar o mesmo tipo de revolta que muitos dos actuais alvos do Governo sentem, porque ela não é diferente da que tem muitos milhões de portugueses. Digo bem, milhões. Não é coisa de somenos.
NOTA: à data em que escrevo, não sei ainda quais vão ser os resultados dos encontros entre o ministério e os professores, mas, sejam quais forem, o contexto é este. No actual momento da sociedade portuguesa, ou se ganha ou se perde. Não há meio termo. 

JOSÉ PACHECO PEREIRA

publicado às 04:46


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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