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Qualquer dia proíbem o Otelo

por beatriz j a, em 13.02.18

 

 

Afinal, o homem matou a mulher depois de a tratar muito mal à conta de ciúmes loucos. Se calhar ainda não proibiram porque o Otelo é negro e ficam na dúvida se será pior ser acusado de racismo ou de contribuir para a violência doméstica. Se calhar mudam-lhe o fim, o que seria uma pena porque o tenor canta uma das árias mais bonitas depois de a matar.

Aqui nesta versão que eu adoro (isto tem que ouvir-se altíssimo), só mesmo para fanáticos de ópera, Plácido Domingo, Piero Cappuccilli e o maestro Carlos Kleiber, no Teatro alla Scala, em 1976. Otelo jura sangue e morte à coitada da Desdémona (mas jura-lhe morte com uma voz linda!) que era a Mirella Freni.

 

 

publicado às 15:56


Intervalo

por beatriz j a, em 24.04.14

 

 

Fiz agora um intervalo no trabalho e resolvi dar uma vista de olhos pelas notícias. Gostei desta :)

 

 

Otelo Saraiva de Carvalho e a filha de Marcello Caetano cruzaram-se num debate sobre o 25 de Abril. E pela primeira vez cumprimentaram-se. Um beijo simbólico.

 

 

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Os três ex-Presidentes da República voltaram convergir na condenação da austeridade, no dia em que Ana Maria Caetano, filha de Marcello Caetano, e Otelo...
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É bonito porque há uma justiça neste trazer para o presente, positivamente, a figura de Marcello Caetano que, apesar de ter sido o continuador do regime da ditadura não era um ditador. Não era nada como o Salazar. Era uma pessoa de seu tempo...; não conseguiu ou, não teve coragem, de libertar-se e corrigir os erros do passado...ou não teve tempo... seja como for, tenho boa impressão dele.

publicado às 17:44

 

 

 

25 Abril. Otelo assume que se excedeu "largamente" na ocupação de terras

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Nessa corrente, confessa o agora coronel, ter-se-á excedido: “Eu excedi largamente as minhas funções. Fiz coisas…”

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Quatro décadas depois, reconhece excessos embora não se arrependa: “Era necessário tomar decisões, mesmo que elas fossem más. Tinham de ser tomadas. Depois logo se via.”

 

“Foi o que aconteceu inúmeras vezes, uma delas com a reforma agrária, quando mandei ocupar as terras”, contou. Nas duas semanas seguintes, “1,2 milhões de hectares de terras foram ocupadas no Alentejo”.

 

Para o capitão de Abril, o fundamental do Processo Revolucionário em Curso (PREC) foi “essa demonstração de capacidade, de criatividade por parte do povo, do povo anónimo”.

 

“O povo aí sentiu poder. Sentiu que ele, povo anónimo, tinha a possibilidade de participação. O povo entrava nas decisões. Não era ‘dá cá o voto e vai-te embora, daqui a quatro anos a gente fala’. O povo participava diariamente e a vida política ativa durante este período do PREC foi notável”, frisou.

 

Pois fez 'coisas' sim e eu sei de algumas delas em primeira mão. 'Era preciso tomar decisões e depois logo se via', quer ele dizer que as decisões eram tomadas para ostentar o seu poder e não para o exercer, que é o costume dos autoritários: não usam o poder para servir mas meramente para mostrar quem manda e se servirem. No caso dele havia uma grande vaidade pessoal evidente...

 

Em duas semanas ocupou 1,2 milhões hectares de terras... que violência não foi necessária para conseguir uma tal empresa...?

 

E, com que fim? 'O povo sentia poder e entrava nas decisões'? Grande mentira! Quem tinha o poder e o usava com abuso e arbitrariedade era o PC e o seu braço armado, o COPCON, cujo chefe se comportava como um Kadafi à portuguesa.

O povo andava duma banda à outra, a ver se sobrevivia aos novos senhores e foi tão enganado por eles, esses proto-soviéticos estalinistas à portuguesa como tinha sido pelos do regime anterior.

 

O Otelo deve querer enganar-se a si próprio porque não engana ninguém que por lá tenha andado nessa época e tenha presenciado e sofrido as 'decisões' e o 'logo se via' do Otelo. E, se o período do PREC foi notável foi por ter tentado destruir a possibilidade duma vida em democracia que o 25 de Abril tinha iniciado. Mas tudo se vem a saber mais tarde ou mais cedo...

 

E ninguém lhe tem ódios como ele pensa, eu pelo menos não tenho -o ódio é como nós bebermos veneno e esperarmos que isso mate o outro...-, só um certo desprezo como se tem por todos que demonstram a sua fraqueza sendo autoritários, abusando do poder e desrespeitando os outros e a sua diversidade. E acima de tudo pena... que numa época tão importante o poder tenha sido ocupado por alguém que não esteve à altura da situação e desperdiçou uma grande oportunidade daquelas que raramente acontece na História.

 

É irónico que aquilo que o Salazar fez de errado, isto é, não ter-se ido embora após a Segunda Guerra Mundial, pois ao permanecer estragou tudo o que tinha feito de bem anteriormente, é o mesmo erro que cometeu o Otelo, seu opositor: fez a revolução e depois, logo a seguir, em vez de desaparecer paara qualquer lado, dedicou-se a estragar o que de bem tinha ajudado a fazer.

 

 

publicado às 19:13


Hoje (enfim...ontem)

por beatriz j a, em 03.06.13

 

 

 

 

... foi dia de ir à ópera: 'Otelo', em versão concerto, na Gulbenkian. Como foi o concerto de encerramento da temporada da Orquestra e, porque fazem 50 anos de inestimáveis serviços à cidade de Lisboa, houve uma pequena cerimónia no início em que o presidente da Câmara lhes entregou a medalha de ouro de mérito da cidade.

O Otelo é uma ópera muito exigente em termos de vozes -como são, por costume, as óperas do Verdi. Foi muito bem tocada e muito bem cantada, excepto o Otelo... de quem gostei mais foi da soprano russa que fazia de Desdémona. Uma voz verdiana vibrante, muito expressiva, com um enorme alcance e cheia de lirismo. Uma coisa linda. O Iago, um americano enorme, foi sempre em crescendo e achei-o muito bom. O Cassio com uma voz perfeita para... Cassio. O Otelo é que desiludiu (embora à minha frente umas pessoas estivessem em delírio com ele, o que mostra que nunca ouviram um Otelo a sério): uma voz sem nuances que só cumpria quando cantava a plenos pulmões; sempre que cantou em dueto com a Desdémona não foi capaz de pôr, nem doçura, nem ironia, na voz, só agressividade. No dueto com o Iago, ouvia-se o Iago por cima dele... sem presença em palco... quer dizer, no final, quando entra no quarto dela para matá-la, a música com aquele tom de ameaça e ele muito pequenino onde tinha de ser intimidante e ameaçador... só gritava; depois de matá-la naquela cena de ciúmes, quando a música retoma o 'leitmotiv' do romance deles, aquela coisa linda e ondulada que acompanha as palavras dele, 'um beijo, só mais um beijo' e o homem a dizer aquilo como se estivesse com soluços.

Mas tudo o resto fio muito bom. Adorei a Desdémona e a orquestra tocou com grande nível. A música é uma coisa que sendo deste mundo, não é deste mundo... (suspiros...) Bem, como fiquei naquele estado de euforia em que se fica depois de uma grande ópera/concerto, bem tocada e cantada, amanhã devo estar linda para ir trabalhar...

 

 

 

publicado às 00:48


hoje não acerto com isto...

por beatriz j a, em 20.01.13

 

 

 

 

Queria pôr aqui um dueto de ópera porque hoje passei o dia a armazenar óperas completas para a minha colecção. Descobri coisas lindas, antigas, extraordinárias que andam aí na 'net' - algumas só para fãs, mesmo. Mas não este dueto que é para qualquer bom apreciador do Otelo de Verdi. Aqui numa produção famosa do Scala de Milão, sob a direcção do Carlos Kleiber uma interpretação histórica do Plácido Domingo e do Pietro Capuccilli no final do segundo acto depois da cena em que Iago instila todo o seu veneno nos ouvidos ciumentos do Otelo. Brutal! (para ouvir alto, claro)

 

 

 

publicado às 23:08


Otelo no banho...

por beatriz j a, em 21.04.12

 

 

 

 

(do Duarte)

 

publicado às 07:46


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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