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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Uma infografia elucidativa sobre os melhores e piores munícipios para se viver no que respeita a qualidade de vida, serviços e cultura. O mapa relativo à cultura e entretenimento é assustador... parece um crime de sangue...
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Adoecer tem o custo das distâncias no extenso Nordeste Transmontano onde uma ida ao médico pode levar metade da reforma e há já relatos de pessoas que não vão porque não têm dinheiro para o transporte.
“Corta o coração” a João Martins, comandante dos bombeiros de Alfândega da Fé, que se depara diariamente com estes casos, sobretudo de idosos, que são transportados sozinhos, para longe de casa, numa urgência e vivem a angústia do preço que têm de pagar para regressar à aldeia.
No ano passado, em quatro meses, Germano Morais, de 54 anos, foi transportado 10 vezes da aldeia, Vilares da Vilariça, em Alfândega da Fé, para Mirandela. São pouco mais de 30 quilómetros, mas no distrito de Bragança as distâncias medem-se em tempo, mais de meia hora de caminho, e em quanto custa não ter hospitais de referência perto de casa.
Germano, que recebe 300 euros de pensão, gastou 200 em viagens de táxi por ser obrigado a recorrer este meio de transporte, por falta de alternativa.
Para ir a consultas, levantava-se às seis da manhã e andava cinco quilómetros até à aldeia mais próxima onde passa um autocarro. Cansou-se e foi para um lar, onde vai tendo apoio.
Beatriz Coelho, de 65 anos, ficou doente e chamou o INEM duas vezes. Foi para Mirandela, “ao cabo de duas horas” teve alta e foi obrigada a regressar a casa de táxi. Pagou 30 euros de cada vez.
Até há bem pouco tempo não era assim. Fez muitas viagens para o IPO, mas fosse de ambulância ou de autocarro ou não pagava nada ou era reembolsada.
Maria Helena Martins, de 76 anos, já não aguenta, não tem mais dinheiro para pagar 30 euros de táxi. Tem meses de ir cinco vezes a Mirandela. Já desistiu de três consultas.
À corporação dos bombeiros de Alfândega da Fé chegam “situações dramáticas”, sobretudo da população idosa, que “vive daquelas reformas rurais de 200 e poucos euros e que chega a pagar para regressar às suas aldeias 60, 70 ou 80 euros de táxi”, como relatou o comandante João Martins.
Fecham-se centros de saúde, fecham-se os hospitais, acaba-se com as carreiras de autocarros, as linhas de comboio... para poupar? Não propriamente... aos políticos paga-se-lhes, BMWs e Audis, estadias no Ritz e outros luxos... para esses não há pressa em poupar... mas aos jovens mandam-nos emigrar e os velhos esperam que morram de modo rápido... e barato... este país é um exclusivo dos que vivem 'no conforto da Horta Seca' e seus amigos...
Depois hão-de ir buscar uns 50 mil para fazer o trabalho destes 213 mil, pagando-lhes o salário minímo. Ou, até, pagando em géneros, tipo, almoço, jantar, lanche e uns 'recuerdos'. (Tenho uma amiga que acabou o mestrado há pouco tempo e a quem fizeram uma proposta mais ou menos assim...)
Entretanto sobem-se os salários dos gestores e administradores de topo porque os coitados dos moços ganham pouco. Eles entram para os governos 'à la cristas mode' a ganhar uns 3 mil euros e passados cinco anos têm dois apartamentos, uma quinta e um barco de recreio e, uma reforma à vista dali a outros cinco anos. Percebe-se o terror destes moços políticos barra gestores barra coisos...
O país é o 'Orca' do filme 'Jaws'. Como se sabe afundou-se enquanto o grande tubarão os engolia. Não sei como se diz Jaws em língua alemã barra 'entróikada'.
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