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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau

Floyd Arthur - Winter Lake, Mount Rundle, Canada

Hiroshi Yoshida - Konoshima, Night Scene on the Inland Sea
da NASA

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.
A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.
Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.
Hoje só não durmo na açoteia porque está a pôr-se um bocadinho de humidade. Fui lá olhar as estrelas. Por sorte viémos na altura da lua nova e o céu está lindo. É certo que se estivesse lua cheia dava para ir até à praia e era toda uma outra beleza. Mas esta agrada-me. O meu telemóvel marca 29º a esta hora.
Deitada na espreguiçadeira com os olhos fixos no céu, à medida que os olhos se habituam à escuridão, cada vez se vê mais estrelas. Primeiro só se vê as mais brilhantes e as constelações, a certa altura vê-se toda a poalha da Via Láctea e os aglomerados de menos brilho.
Depois, à noite, há um acordar das espécies noctívagas. Por volta das sete e meia os filhotes de andorinha que estão nos dois ninhos do alpendre, saem e esvoaçam em círculos cada vez mais alargados a experimentar o voo. Fazem isto durante uns quinze minutos após o que regressam ao ninho para dormir. Às nove começa a ouvir-se o cri-cri dos grilos e o arrolhar dos pombos e rolas.
Na hora que estive deitada a olhar as estrelas vi uma estrela cadente, sobrevoou-me uma cegonha, dois morcegos e um bando de pássaros que não identifiquei.
Não admira que os antigos e, as pessoas do campo, também, a levar na cara, diariamente, com esta ostentação de vida e efusão de brilho nocturno -o céu parece mesmo um tecto abobadado cravejado de brilhantes- se perguntassem e perguntem, Porquê e, para quê, isto tudo?
Da minha açoteia, perante este cenário, todas as guerras e todas as lutas de poder parecem mesquinhas, vãs e inutilmente suicidas...
Quando for grande quero ir viver para o campo. Quero, todos os dias, embebedar-me de sonhos com este espectáculo cósmico.

imagem da net


O meu vizinho de baixo veio trazer-me uma taça com marmelada. Está óptima! O outro meu vizinho dois andares mais abaixo veio aqui trazer castanhas acabadas de assar! Veio mesmo a calhar porque tenho metade do trabalho ainda por fazer de modo que hoje vou ter noitada e preciso de 'dopamínicos'.
jack vettriano

Estamos a meio de julho e estão aqui 16 graus! Tenho saudades das noites quentes de Verão. Agora ia até à borda do rio sentar-me na esplanada e ficar assim à conversa, a sentir a brisa da noite. Brisa? Está aqui uma ventania fria que não apetece sair.
Estou a precisar de férias. Sair daqui e ir até um país qualquer com noites quentes.
A ver testes até agora depois dum dia de trabalho que começou lá para as cinco da manhã... dava tudo por um chocolate...

Ainda a noite não se anuncia
e já penso em fechar os olhos
que assim se passa a vida
com um encolher de ombros.
Cai a noite
há tanto anunciada
vem afoita
e não é desejada.
bja
De noite tudo se adensa.

Aqui da minha varanda está uma noite absolutamente romântica. Corre uma brisa fresca, as luzes da baía reflectidas nas águas do rio, os barcos na marina com os mastros iluminados em contraluz e a lua que parece um gomo de limão em tom de baunilha leitosa. Só vendo.
É claro que de dia o cenário é outro...a cidade pobre e decadente. Mas até ao amanhecer é uma espécie de gata borralheira.
Chamadas perdidas
vozes queridas
vozes distantes
mas não esquecidas.
Eras tu que ligavas
feiticeiro da noite?
Eras tu que chamavas
companheiro do dia?
bja
just like that
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