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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Saraiva
A hipotética construção de um Museu das Descobertas em Lisboa suscitou uma carta, que o “Expresso” publicou, a contestar a designação.
Os signatários - figuras do meio académico - consideram a palavra “Descobertas” desadequada e “obsoleta”, preferindo-lhe a mais neutra “Expansão”.
(...) Na mesma carta, o conjunto de personalidades alude à ação “muitas vezes violenta” dos portugueses. Juntando a escravatura, a exploração dos nativos e os massacres perpetrados pelos nossos homens não faltará muito para transformá-los nos maus da fita. E daí até dizerem que nos devemos envergonhar da nossa História vai um passo. Muito pequenino.
Li há dias um artigo, já não sei onde nem de quem sobre este tema a defender que se chamasse antes Museu da História de Portugal e que abrangesse outros períodos para além deste da expansão, até porque não há assim tantos documentos e peças desse tempo que encham um museu. Pareceu-me uma boa ideia.
O que me parece sem sentido é o editorial deste indivíduo que acha que deve chamar-se Museu das Descobertas porque sim. Não apresenta um único argumento a favor do nome que propõe, apenas diz que quem é contra envergonha-se da História de Portugal, o que não é argumento, é uma adivinhação.
Se um museu não é propaganda, mostra, não glorifica nem deprecia. Se mostra, mostra todas as facetas e contextualiza. Se mostra todas as facetas, mostra o que é bom e o que é mau. Ora, na história da nossa expansão marítima, houve coisas boas e coisas más. Isto é um facto. Reduzir tudo o que foi o Império português a um descobrimento, um movimento do conhecimento e da religião é obliterar uma parte grande do que foi a expansão portuguesa no mundo.
Não é uma questão de orgulho ou vergonha da História, é uma questão de compreensão. Os conceitos e as ideias evoluem. Querer ficar parado nos termos de antanho é que me parece atitude de quem tem medo que a História possa envergonhar, o que é uma atitude pouco objectiva e pouco pedagógica, logo, pouco adequada à natureza de um museu que é mostrar, informar e fazer pensar.
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