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Ora aqui está uma medida exemplar

por beatriz j a, em 04.04.15

 

 

França proíbe modelos excessivamente magras

 

O Governo francês decidiu banir as modelos excessivamente magras com uma lei aprovada esta sexta-feira, que prevê multas e mesmo a cadeia para os responsáveis das agências ou casas de moda.

A medida é parte de uma campanha do Governo de Hollande contra a anorexia, que inclui também a obrigatoriedade de que qualquer fotografia, que seja retocada para alterar a aparência da modelo por razões comerciais, tenha uma mensagem que explique que a imagem foi manipulada.

 

... que devia ser seguida por todos os outros. Toda uma indústria a proteger e incentivar práticas patológicas...Imagine-se que a indústria farmacêutica passava a incentivar e proteger todos os hábitos que levam ao desenvolvimento de cancros com publicidade aos seus produtos usando pessoas com esses hábitos patológicos de vida como exemplos positivos. O que aconteceria? Acontecia que caía-lhes tudo em cima... Mas muita gente ainda pensa que a anorexia é uma espécie de dieta radical, coisas da idade que depois passam. Só que não é.

A anorexia é uma doença terrível, física e psicologicamente e acontece ser muitas vezes mortal - mesmo em casos não mortais, afecta os orgãos e o seu funcionamento, afecta a capacidade de gerar filhos, faz surgir doenças de velhos em adolescentes, etc.

É criminoso as agências incentivarem as/os modelos a desenvolverem patologias. E a prática de modificarem as fotografias para pressionarem milhões e milhões de raparigas e rapazes a desenvolverem problemas ligados à auto-imagem que por sua vez interferem com a saúde, com o rendimento escolar com o desenvolvimento saudável já devia ter sido regulada há muito tempo.

Como nos maços de tabaco, também as fotografias alteradas com mulheres pseudo-perfeitas e mais magras que o que são, devia ser acompanhada de frases do género: 'imagem modificada; a imitação destes padrões não reais causa a morte'

 

.

 

 imagem alterada para as modelos parecerem excessivamente magras.

 

 

antes da alteração digital e depois

 

 modelos com doença de anorexia...

 

 

publicado às 10:39

 

 

 

Confesso que não sabia quem era a Jessica Athayde quando vi a notícia que inundou os jornais sobre críticas que lhe tinham feito por desfilar num evento de moda sem corresponder ao protótipo de modelo de moda, isto é, excessiva magreza.

Incomodou-me que a notícia das críticas que lhe fizeram tivesse ocupado as primeiras páginas dos jornais pelas razões erradas. A única pessoa que vi abordar o assunto com inteligência foi a própria que no seu blog, sem se ofender com as críticas chamou a atenção das raparigas/mulheres que ao criticá-la estão a alimentar a ditadura implacável de imagem que os media e a sociedade em geral impõem às mulheres. Todas as outras abordagens do assunto foram no sentido de fazer exactamente o mesmo que criticaram, ou seja, chamaram estúpidas, invejosas e outras coisas às mulheres que fizeram as críticas e li até blogs onde se aproveitou para dizer que todas as mulheres são horríveis umas para as outras, invejosas e incapazes de competição leal...

 

(sobre competição leal basta olhar para o mundo da política e dos negócios, dominados esmagadoramente por homens que fazem toda a espécie de sacanices uns aos outros... sobre maledicência e inveja, qualquer notícia ao acaso de qualquer jornal em qualquer dia tem, nos seus comentários, também dominados maioritariamente por homens, um nível de maledicência, inveja e ódio que fazem corar... no entanto, não me parece que possamos inferir destas realidades que está na natureza dos homens serem todos uns trolls uns para os outros.)

 

Eu trabalho com adolescentes. Todos os meios de comunicação, os filmes, os jogos, a publicidade, os manuais escolares, os placards na rua, as telenovelas, os programas de Tv e toda a sociedade em geral está estruturada para gritar constantemente às raparigas que têm que ter uma determinada imagem; a maior parte delas, está tão consciente de não corresponder a essa imagem que constantemente olham à volta para se certificarem que não são as únicas e assim como são implacáveis a julgar-se a si próprias, são-no também com os outras. São prisioneiras duma ditadura de imagem que lhes impõem. Não se trata o problema chamando-lhes invejosas ou estúpidas: não é isso que está em causa.

 

Hoje, todos os jornais, o Facebook, o youtube, o twitter, os programas de Tv e as revistas trazem em grande letras de primeira página o caso da actriz americana, Renée Zellweger, por ter feito uma plástica que lhe descaracterizou a imagem. Estamos a falar de uma actriz com um óscar que supomos deve ter auto-confiança e boa auto-imagem... pois, ficámos a saber que também é insegura tal como as raparigas/mulheres que criticaram a Jessica Athayde. Estou com compaixão pela mulher porque calculo que uma pessoa cuja insegurança a leva a fazer uma cirurgia para se melhorar (ela que não precisava de melhorar nada...) ver-se atacada, criticada e ridicularizada em tudo quanto é meio de comunicação e rede social do mundo ocidental, seja uma tragédia de proporções catastróficas. Estou a exagerar? Pois, devo estar... no meio de tantas guerras e problemas de que é que todos os media falam com grande destaque? Da cara da Renée Zellweger...

 

E isto quer dizer que os jornais e as pessoas que a citicam -mulheres e homens- são maus e invejosos? Acho que não. É como diz a Jessica Athayde, as mulheres, porque estão presas nesta ditadura de terem que ser perfeitas, muitas vezes não se apercebem que colaboram, indirectamente, para a perpétuação deste problema. Não me parece é que ofendê-las e chamar-lhes estúpidas e invejosas esclareça o problema ou contribua para a mudança de mentalidades.

 

A maior parte das raparigas/mulheres, apesar de não ser uma estrela constantemente perscrutada pelos media, tem a sensação de estar sob os holofotes, de tal maneira se critica, vigia e pune por não ter uma figura à altura das expectativas da sociedade. E a medida que usam para si usam para os outros. Daí que critiquem outras com o mesmo rigor.

O que tem que mudar é esta ditadura, esta pressão que se faz sobre as raparigas e as mulheres em geral para corresponderem todas a um tipo de figura corporal.

A propósito deste assunto, o machista comentador habitual do Expresso, a querer criticar as críticas que fizeram à portuguesa, escrevia uma crónica dizendo que as mulheres, em seu entender, deviam corresponder a outro prótótipo e punha uma imagem duma actriz de um filme do Fellini... isto é, as mulheres são objectos que têm que corresponder sempre a um ideal masculino, seja ele de magreza ou de rabo e mamas grandes... não podem é ser como são, cada uma à sua maneira...

Aliás, esta ditadura, que há alguns anos começou a estender-se aos rapazes, está agora a dar os primeiros frutos negativos: os rapazes já andam obcecados com dietas malucas e criticam-se constamentemente a si mesmos e uns aos outros por não terem a figura ideal -  ou não têm os músculos ou não têm os troncos largos ou é a pele que não é boa ou é o excesso de pêlos ou o rabo que é liso ou outra coisa qualquer... fonte de constante ansiedade.  Isto é que é preciso mudar!

 

publicado às 20:16


educação. modelos

por beatriz j a, em 31.01.13

 

 

 

Abolish Social Studies

 

The contrast between the old and new approaches is nowhere more evident than in the use that each makes of language. The old learning used language both to initiate the child into his culture and to develop his mind. Language and culture are so intimately related that the Greeks, who invented Western primary education, used the same word to designate both: paideia signifies both culture and letters (literature). The child exposed to a particular language gains insight into the culture that the language evolved to describe—for far from being an artifact of speech only, language is the master light of a people’s thought, character, and manners. At the same time, language—particularly the classic and canonical utterances of a people, its primal poetry—has a unique ability to awaken a child’s powers, in part because such utterances, Plato says, sink “furthest into the depths of the soul.”


The test of an educational practice is its power to enable a human being to realize his own promise in a constructive way.


Michael Knox Beran



publicado às 05:02

 

 

 

 

... e a destinam, ignorantemente, ao fracasso.

 

Why Scotland's approach works

 

Unlike the 'three initiatives before breakfast' hyperactivity of the Engish regime, Scotland's modest, consensus-seeking approach celebrates education as a public good, says Melissa Benn


Michael Russell, cabinet secretary for education in the SNP government, who declared himself 'stunned' at recently announced English plans to allow unqualified teachers into classrooms.


Not perfect but improving: that seemed to be the general, modest consensus up in Edinburgh. Indeed, it may be that modesty and consensus-seeking are the hallmarks of Scotland's approach, in marked contrast to the "quick fix", grandstanding approach of Germ guerillas everywhere who deliberately seek to undermine public trust and confidence in the role of the state.


Scotland offers another model, celebrating both the possibilities of good government and education as a public good. As a result, it could well nudge ahead of busy old England in the years to come.



publicado às 06:29


moda de passar fome

por beatriz j a, em 16.06.09

 

 

PÚBLICO

Vogue ataca criadores de roupas "minúsculas"

15.06.2009, Joana Amaral Cardoso

 

.

Nesta história, só a culpa não tem tamanho. A polémica do "tamanho zero" e da magreza excessiva foi reacendida pela directora da Vogue UK

Ela é um dos pesos-pesados da moda. E decidiu enviar uma carta a dezenas de criadores e designers de moda europeus e americanos a queixar-se de uma questão de leveza: eles enviam-lhe roupas "minúsculas" para as produções da sua revista - a Vogue - e isso obriga-a a contratar modelos irrealmente magras. A carta de Alexandra Shulman, directora da Vogue britânica, já fez o seu papel: relançou o debate sobre o chamado "tamanho zero".

 

Alexandra Shulman pesou bem as suas palavras na carta enviada no final de Maio e que não se destinava ao conhecimento dos media, mas que foi revelada sábado pelo Times. "Chegámos ao ponto em que muitos dos tamanhos das peças de mostruário não servem às modelos-estrela, já estabelecidas [no mercado], de forma confortável", lê-se na carta enviada às casas - Prada, Versace, Yves Saint Laurent, Balenciaga - e aos criadores - Karl Lagerfeld, John Galliano, Stella McCartney, Alexander McQueen - mais conceituados do mundo.

 

Mais de dois anos depois de ter eclodido a discussão sobre o peso dos manequins e modelos nas passerelles, na sequência da morte de duas modelos sul-americanas por subnutrição e da proibição de modelos demasiado magras (o tal "tamanho zero" na tabela americana, que corresponderia a um tamanho 30 na tabela europeia) nas passerelles de Madrid, Nova Iorque e Milão, agora o dedo é apontado aos criadores de moda. Até aqui, o peso da questão estava sobre os manequins.

 

 Paulo Gomes, produtor de moda, explicou ao P2 que a questão da diminuição dos tamanhos - "nos últimos anos, mesmo em Portugal, já há alguns criadores que usam o tamanho 34" para as suas peças de amostra.

 

Até que enfim que alguém com peso no mundo da moda diz qualquer coisa positiva sobre este assunto. Numa época em que a pressão da imagem é esmagadora e em que as modelos são contra-exemplos de crescimento e vida saudável, o exemplo que dão e que é seguido por milhões de pessoas, sobretudo adolescentes é vergonhoso.

Mas, como se diz no artigo, as modelos vestem a roupa dos 'designers', não são elas que impõem o 34 como medida standard.

Para quem lida com adolescentes diariamente é aflitivo ver a angústia e o sofrimento que acompanham o esforço destas miúdas para se esqueletizarem até tamanhos de roupa próprios para crianças.

Passar fome impede o crescimento, perturba a concentração, o estudo e o bem estar geral.

Algumas miúdas parecem saídas de um campo de concentração, mas têm uma percepção tão enviezada da realidade que não se vêem como são.

 

 

publicado às 13:36


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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