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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Porque a Merkel está há uma dúzia de anos à frente dos destinos da União Europeia e o que mais tem feito é não-decidir e pôr a sua sobrevivência política à frente de tudo. E todos estes artigos que lhe fazem grandes elogios [aqui O fim de Merkel? e aqui, por ex. Trump 0, Merkel 20] e dizem que havemos de saudades dela porque os que a irão substituir são os extremistas que querem o fim da União, esquecem que é em grande parte a ela que devemos a situação de indefinição em que estamos: é que ela é especialista em não decidir, em dar uma no cravo e outra na ferradura, em ter publicamente discursos a favor da Europa e depois ir fazer acordos pragmáticos para fazer a Alemanha great again, à custa dessa mesma Europa. Durante doze anos foi a pessoa com mais poder na Europa para infleunciar os seus destinos e foram doze anos perdidos, a dar um passo em frente e dois atrás, o que é muito tempo. Neste momento tudo está parado à espera que os alemães resolvam o seu problema da exportação de carros para os EUA e para a Inglaterra... Não sei se havia alguém melhor que ela... mas que ela não cumpriu as promessas que trazia para a Europa, ah isso não: não soube rodear-se de pessoas que levassem à prática a sua visão, se é que tinha uma, e foi sendo sempre permeável aos tecnocratas e oligarcas do seu país.
Em vez de fortalecer a União Europeia, pois esse seria o melhor instrumento para enfraquecer o Trump ou outro qualquer oposicionista à questão do clima está a querer liderar uma operação de ostracizar o americano - pensará que fazer bullying ao Trump é tão fácil como fazer bullying ao Varoufakis ou a um dos pequenos pobres países da UE? Pois, pelos vistos, pensa. Mesmo na hipótese irrealista de o conseguir, isso não traria nenhum ganho à política do ambiente porque não poria o Trump e os EUA a respeitar os acordos, só aumentava o grau de desconfiança e inimizade entre ambos e, entre o seus [dele] apoiantes e os dela. Ao passo que, fortalecendo a UE em torno desse objectivo, ganha em dois campos: melhora o poder de influência da UE e acaba por pressionar os EUA, por força dos resultados, a mudar a sua posição. Só que o hábito de vencer por bullying está-lhe muito arreigado e é o que lhe sai por default, como se diz na informática. Bullying é o modus operandi dos que têm poder mas não têm razão. Nem ética de trabalho. Nem visão de futuro. Para além de que, vencer por mérito, quer dizer, por obter resultados, custa dinheiro e partilha de poder... há um ditado que diz que quem tudo quer, tudo perde.
.. por falta de visão, excesso de ganância, crença infundada na infinitude do crescimento das economias e na capacidade dos governos enganarem os povos para enriquecerem grupos já bilionários.
Este acordo serve para os EUA e UE e o Ocidente em geral não perderem importância face ao avanço esmagador da China e da Índia na economia e da Rússia na política global. Mas não só. Há o problema dos países que estão na fronteira com a China mas não querem ser absorvidos por ela, tal como os países que estão na fronteira com a Rússia não querem ser absorvidos por ela (para o que contam com a ajuda da UE e dos EUA) e estão agora em situação aflitiva - o Japão foi a correr à Towertrump falar com o homem. Pior porque a Rússia tem uma história comum com alguns desses países que estão cheio de russos mas a China tem uma história de beligerância com o Japão, a outra China (Taiwan) e outros pequenos países que sem a aliança dos EUA não têm nenhuma hipótese de escapar às imposições chinesas.
O acordo de comércio livre mantinha esses países independentes da sombra da China, permitia ao Ocidente ter um pé no Oriente e também pressionar a Rússia que está cada vez mais ousada e amiga desses países não democráticos que são a China, a Turquia, a Síria do Assad e outros do género.
No entanto, os que andam há anos e anos a negociar o acordo, com a sua falta de visão estratégica e egoísmo, fizeram questão de negociá-lo às escondidas dando grandes privilégios e prerrogativas aos grandes grupos económicos a expensas dos governos e dos povos de tal maneira que um Estado podia até ser processado por uma multinacional se esta não tivesse o lucro esperado, tal qual como aconteceu nas PPPs que os governos aqui do rectângulo negociaram às escondidas, à nossa custa, sem nenhum benefício (a não ser para as pessoas e grupos que o negociaram) e com os custos que todos sabemos porque andamos a pagá-los.
É evidente que este tipo de acordos têm que ser feitos a pensar no futuro global e a pensar que muita gente de muita natureza diferente pode ocupar os lugares do poder. Agora está lá o Supertrump que não quer saber de nada que não lhe traga lucro -é um comerciante, o Manelinho da Mafalda foi feito a pensar nele- mas antes esteve lá o Obama que não é um comerciante mas também não foi capaz de dar transparência e eficácia ao acordo e favoreceu estes grupos lobistas.
Até hoje, ninguém dos que negoceia o acordo teve a delicadeza de nos informar, a nós todos que o vamos -ou iríamos- pagar, os termos efectivos do acordo. Só no ano passado mandaram uma resenha para o PE depois de muita insistência e protesto. Quiseram que os governos o assinassem de cruz e à pressa, depois de o arrastarem dez anos, como se viu pela pressão que fizeram sobre a Bélgica há umas semanas.
Ora, como as coisas se têm desenvolvido nos últimos anos, não há um único país que me lembre que confie no seu governo para fazer frente a grandes grupos e defender os interesses dos que os elegeram pois anda à vista de todos, no mundo inteiro, o crescimento exponencial dos bilionários e o empobrecimento também exponencial das populações (com excepção de dois ou três países). A Merkel agora põe as mãos à cabeça com o recuo dos EUA da mesma maneira que os americanos põem as mãos à cabeça por terem eleito o Supertrump mas a verdade é que, tal como eles, também ela foi conivente com estes secretismos e subserviência a grandes cooporações porque lhe convinha. É o tal egoísmo autofágico que anda a atacar tudo quanto é país e a deixar-nos neste embróglio planetário.
US President-elect Donald Trump says the US will pull out of the deal on his first day in office
Many people do not understand what these trade agreements mean so let me spell it out. They promote trade liberalisation. This essentially means opening up public services to corporate takeover and limiting our ability to control banks.
Até pode ser verdade que seja essa a intenção dela mas não é normal que numa democracia de 80 milhões de pessoas não haja mais ninguém para renovar a vida política e tenha que ser a mesma pessoa. É um mau princípio esse de se manter a si e à sua corte continuamente no poder porque isso significa que todas as ideias e energias de renovação se adiam por contracção. Ora, enquanto se adiam as forças de renovação positiva, os extremistas, evidentemente, crescem.
E ao fim de 12 anos sem saber que rumo é 'o' rumo e andar a gerir o dia-a-dia, agora é que vai descobrir a pólvora...? Vai ser mais do mesmo e a UE precisa de outro tipo de pessoas com outro quadro mental que saibam com clareza como liderar de modo inclusivo, coisa que ela não sabe fazer. Calculo que o Obama a tenha pressionado por saber que ela faz frente ao Putin -o que revela o medo com que ele está da Rússia dar a volta ao Trump- mas mostra também a falência da palavra União na sigla UE.
Acho mal e acho que todos devemos ter uma opinião activa sobre o assunto uma vez que a pessoa que for eleita chanceler na Alemanha é a pessoa que vai mandar em nós todos e, não apenas politica e economicamente porque agora que o Trump foi eleito e não parece muito interessado em financiar a NATO o assunto de um exército europeu vai começar a ser levado a sério e evidentemente a Alemanha vai ter um papel fundamental nisso de modo que a eleição do/a chanceler alemão interessa a nós todos.
Merkel tem um plano para a Alemanha, para a Europa... e para o mundo (jornal i)
Angela Merkel deverá estar em Lisboa menos de seis horas, na próxima segunda-feira. De manhã encontra-se com o Presidente da República Cavaco Silva e o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho.
À tarde participa no encerramento de um fórum empresarial em que participam mais de 200 empresários portugueses e alemães e depois regressa a Berlim.
Vêm comprar engenheiros, médicos, enfermeiros, terrenos de construção no Alqueva, no Algarve, jogar golfe, etc.
Sobretudo quando a pobrexza dos outros resulta em lucros para nós.
... sobre se temos férias a mais ou a menos e se devemos ser 'alemãezinhos do sul'.
Há bocado li um artigo no 'jornal i' dum indivíduo (Nogueira) que diz que é coisa pouca aturarmos a atitude da Merkel porque a culpa é nossa que nos pusemos a jeito com o nosso endividamento e mania de vivermos acima das possibilidades (eu não estou endividada, não vivo acima das minhas possibilidades nem votei nestes corsários). Depois chama 'ralé' às pessoas que escrevem blogues por terem chamado nomes à mulher. Todo o artigo parece um post de um blogue. Não informa nem reflecte nem esclarece...apenas desabafa...como se faz nos blogues. Depois chama ralé aos blogues. É sempre bom aprendermos estes exemplos de charme e de boa educação da parte da 'elite intelectual' que escreve uns artigos em jornais...
Aquilo de 'nos termos posto a jeito' faz-me lembrar os machistas quando dizem que as mulheres, ao andarem de saia curta estão a pôr-se ao jeito dos violadores.
...a Merkel a mardar recados para o nosso Parlamento como se fossemos servos dela...mas o que irrita muito mais são os indivíduos -Sócrates e clones- que nos puseram nesta situação humilhante por incompetência e falsidades.
Merkel quer, Merkel não quer....a Europa é o playground desta indivídua? Sou só eu que já estou farta desta proto-nazi? Agora Decretou que o projecto de uma sociedade multicultural falhou! Decretou! Ah! E que os alemães são cristãos e que quem quiser viver na Alemanha também tem que ser!. Qualquer dia também opina sobre o tamanho das chulipas nos carris. Que diabo! Isto parece um dejá vu de há 100 anos atrás.
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