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Mais?

por beatriz j a, em 07.10.13

 

 

 

Diretores escolares esperam mais agregações

Novos mega-agrupamentos a caminho devido à necessidade de cortar no orçamento


Isto não contribui nada para a desertificação do interior do país. Já agora deslocam-se as populações que ocupam vilas e aldeias em números reduzidos para poupar no orçamento: juntas de freguesia, rede eléctrica, esgotos, rede de água, telefones, estradas, pontes etc. E porque não convidar os espanhóis a ocupar a metade vertical do país mais próxima deles? É que eles têm imensas terras, vilas e cidades até à nossa fronteira e já agora davam uso às nossas terras em vez de ficarem ao abandono e à mercê dos ventos, chuvas, secas e fogos.



publicado às 14:00


Quando os cretinos mandam...o povo é que paga

por beatriz j a, em 30.07.10

 

 

 

Público José Manuel Fernandes

Como se continuam a destruir as escolas portuguesas

Os alegados defensores da escola pública são os seus maiores inimigos. Porque não respeitam alunos e famíliasEstamos na última semana de Julho e há pais a receber em casa cartas a dizerem-lhes que os seus filhos vão mudar de escola. A darem-lhes – teoricamente – a oportunidade de se manifestarem contra essa mudança. E cartas que são assinadas por entidades cuja designação faz lembrar o gonçalvismo: “comissões administrativas” nomeadas para os novos mega-agrupamentos. Comissões que, formalmente, só entram em funções a 1 de Agosto – mas que já estão a assinar cartas.

Isto que se está a passar um pouco por todo o país – desde as aldeias remotas do interior a concelhos das duas grandes áreas metropolitanas – não é incompetência e, muito menos, voluntarismo para “fazer andar as coisas mais depressa”. Isto que se está a passar e está a desorganizar a vida de centenas, talvez milhares de escolas e de um número incalculável de famílias é apenas a mais recente manifestação de autoritarismo e centralismo do monstro da 5 de Outubro. Tudo porque no nosso sistema educativo os cidadãos valem pouco e os funcionários – sobretudo os funcionários mais papistas do que o papa – valem muito.

Tudo começou com duas ideias aparentemente boas: uma, a de que seria importante encerrar todas as escolas com menos de 21 alunos, pois, nestas, o grau de aprendizagem é pior e as crianças não socializam; outra, a de que se poderia gerir de forma integrada a rede de ensino, associando sob a mesma direcção os vários níveis de escolaridade.

É certo que qualquer destas ideias tem problemas. O principal óbice ao puro e simples encerramento de muitas microescolas é que estas são dos últimos sinais de vida em regiões do país totalmente desertificadas e envelhecidas. Perdendo a escola, não perdem apenas a companhia dos miúdos durante o dia, por vezes também perdem os seus pais. Por lá vive-se um definhamento que pagamos caro – que pagamos, por exemplo, nas vagas de incêndios florestais que enfrentamos todos os anos.

Já a teoria de que os mega-agrupamentos podem ser mais eficientes desafia experiências recentes em países como a Finlândia ou os Estados Unidos, que recomendam o regresso a escolas de “dimensão humana”. Ora, de acordo com os dados oficiais, a média do número de alunos por mega-agrupamento é de 1700. Pior: muitos desses alunos estão espalhados por escolas diferentes, que perderam as suas chefias próprias e que agora foram reunidas porque, tal como fizeram com África as potências coloniais, os personagens de Kafka que habitam as Direcções Regionais de Educação pegaram na regra e no esquadro e trataram de cumprir as metas de “racionalização” definidas pelo poder central. Resultado: nos distritos de Viana do Castelo e de Aveiro ficaram no mesmo agrupamento escolas que distam 40 km entre si; no de Braga há um caso em que essa distância sobre para 60 quilómetros. Em muitos concelhos os mega-agrupamentos agrupam 20, 30, 40, 50 escolas diferentes e, pelo menos num caso, a demência foi ao ponto de juntar 63 escolas sob a mesma “comissão administrativa”.

Vamos admitir, mesmo assim, que é bom eliminar todas as escolas com menos de 21 alunos e agrupar as escolas demasiado pequenas. Se existisse apenas esse objectivo, o processo teria de decorrer exactamente ao contrário. Nunca poderia ser uma direcção regional a convocar os directores das escolas e a ordenar-lhes o que deviam fazer. Nunca poderia comunicar-lhes que agora iam “fundir-se” e que, ou se entendiam sobre a nova “comissão administrativa”, ou ela decidiria por eles. Nunca poderia ignorar por completo os pais. Nunca poderia tratar as autarquias locais como parceiros menores. Nunca poderia deixar de prestar contas sobre, por exemplo, quanto dinheiro se poupa com a reestruturação e quanto se gasta, depois, em transportes escolares.

Não é só grave o atabalhoamento legal, que poderá levar pais e autarquias a desencadearem providências cautelares que tornarão ainda mais caótico o regresso às aulas. Não é só grave terem-se dissolvido arbitrariamente órgãos de gestão eleitos há poucos meses, e após um processo de envolvimento das comunidades que nem sempre foi fácil. Não é só grave reinar a opacidade, recusando-se o ministério a entregar a lista das escolas que vão fechar apesar de proclamar que serão (reparem na exactidão) 701. O que se passou e vai passar assusta porque revela, mais uma vez, um ministério que funciona de forma tão “iluminada” como autista. Um ministério para quem a realidade não passa de um empecilho à célere concretização das suas medidas esclarecidas.

Mas tudo isto podia ser bem diferente. Imaginem, por exemplo, que o ministério não tinha poder sobre as escolas, que apenas as podia fiscalizar e assegurar padrões mínimos de aquisição de conhecimentos realizando exames nacionais. Imaginem que as escolas eram responsáveis perante os seus utilizadores: os alunos, os pais, as comunidades locais, os educadores. Imaginem que tinham real autonomia e, face a um orçamento, procuravam fazer o melhor e, naturalmente, ter o maior número de alunos. Imaginem que as autarquias eram verdadeiras parceiras, mais próximas e mais responsabilizáveis do que os burocratas do ministério. Imaginem que as escolas públicas tinham liberdade para encontrarem, nas comunidades mais pequenas, a melhor forma de atender as necessidades locais e, nas comunidades grandes, para concorrerem entre si pela excelência. Imaginem que o sistema não discriminava as escolas privadas e que, se uma criança de uma família pobre quisesse ir para uma escola privada, poderia levar consigo o dinheiro que custaria ao Estado a sua educação se continuasse numa escola pública.

Estranho Portugal seria esse onde os cidadãos seriam mais senhores dos seus destinos do que os burocratas iluminados. Estranho Portugal esse onde o império da cunha e da pequena aldrabice daria lugar a relações transparentes e fiscalizáveis. Estranho Portugal esse que se pareceria com a Suécia, com a Dinamarca, com a Holanda. Estranho Portugal esse onde não oscilaríamos entre o dirigismo salazarista, o dirigismo leninista e o dirigismo socratista. E que belo Portugal…

O que se está a passar este ano com o fecho das pequenas escolas e com os mega-agrupamentos é Portugal deste regime no seu pior. Desta vez, ao contrário do que sucedeu com a avaliação de professores, nem sequer existe uma boa causa, há só burocracia, centralismo e autoritarismo em nome de uns centavos. Desta vez, por causa da época do ano, quase não há reacções. Mas desta vez está-se, ao mesmo tempo, a dar uma terrível machadada na única reforma recente do sistema educativo que ia na boa direcção: a que dava mais autonomia e mais responsabilidade às escolas. Só que essa reforma era uma contradição nos seus próprios termos: Portugal é o país em que o “chefe” quer, pode e manda.

Felizmente nem todos amocham.

 

publicado às 14:32


escolas que fecham

por beatriz j a, em 25.07.10

 

 

 

Mega-agrupamentos

Municípios às cegas sobre escolas que serão reagrupadas

por PEDRO SOUSA TAVARES<input ... >

Ministério garante que as partes interessadas foram informadas.

"A esmagadora maioria dos municípios não sabe quais as unidades [escolas]" que vão ser reagrupadas, na criação dos novos mega- -agrupamentos, defendeu ao DN o vice-presidente da Associação Nacional de Municípios (ANMP), Fernando Campos. Já o Ministério da Educação (ME) diz que "todas as partes envolvidas foram informadas", nomeadamente "câmaras e escolas".

 

O Ministério diz que as escolas foram informadas. Céus! Que deferência! Que favor fizeram em informar as pessoas, uns que não têm escola para pôr os filhos, outros, que estão no desemprego! Que simpática esta ministra! E diz que foi acordado com as autarquias! Opá, se as autarquias estão de acordo, pois quem somo nós para criticar essas entidades que, como se sabe, se preocupam imenso, não com negociatas e futebol e obras e tal, mas com a educação do País!

Sim senhora ministra! Estão as escolas nas mãos de Felgueiras, Valentins, Isaltinos e outros milhares idênticos! Ah, é verdade! E a Parque Escolar e os empreiteiros de obras e etc.! Já esquecia esses. Ah, mas foram informados. Que deferência!
Faz-me lembrar as pessoas que têm a deferência de informar os amigos que vão deixar de lhes falar. Mas devo ser eu que sou estúpida e não percebo estas coisas.
Acho, muito francamente, que é completamente indiferente o que se faça daqui para a frente porque o que foi estragado não tem remédio nas próximas gerações. Isto tudo porque há gente que está tão cheia de si própria que não tem espaço para mais ninguém!
Estive a ver o Estatuto do Aluno: não percebo dizerem que passa a haver faltas injustificadas, porque já as havia; não percebo o rejubílo com não se fazer a prova de recuperação, quando é substituído por algo pior: um plano de recuperação (ideia muito interessante em escolas pequenas onde os professores têm poucos alunos, mas em escolas grandes? Com milhares de alunos? Planos de recuperação para cada um que tem faltas a mais? È infernal!
Mas lá está, devo ser eu que sou estúpida ou imbecil e não percebo bem estas coisas.

publicado às 12:33


tudo o que dizem é verdade

por beatriz j a, em 05.07.10

 

 

 

Mega-Agrupamentos

 

 

Publicado em (Des)governo,APEDE,Educação,Posições por APEDE em 04/07/2010

Esta medida surpreendeu todos pois nada a fazia antever. Não se sabe de estudos prévios, planificação, calendarização, sequer justificação plausível e menos ainda a discussão pública que lhe emprestasse um mínimo de credibilidade. O monstro está em roda livre pelo país e já conta com a total adesão de muitos municípios que aí viram um filão onde esperam ganhar protagonismo, sem se preocuparem minimamente com a verdadeira questão que devia nortear iniciativas como esta:

A eficácia do sistema melhorará em que aspectos??? Claro que não existe nenhuma resposta credível para esta interrogação fundamental. Como em quase todas as medidas em que o governo do Sr. Sousa se vem especializando, o simples equacionar desta questão nem sequer aflora às mentes iluminadas da clique. E a razão é simples. A sua única preocupação é DESTRUIR. Veja-se o que acontece com o fecho das 900 escolas do 1º Ciclo que é outro exemplo paradigmático. No entanto, aqui o poder decidiu avançar com algumas “piedosas” justificações. Uma é a de que é preciso por fim àquele ensino ministrado a meia-dúzia de crianças escrevinhando nas suas velhas lousas perdidas na serrania. É obvio que esse quadro já não existe, mas colhe dividendos a nível da comunicação social e da opinião pública, sempre muito desinformada. A desertificação do interior é para a clique uma noção inexistente. Ao contrário, a realidade é bem diferente. Muitas dessas escolas condenadas foram equipadas nos últimos anos com toda a mais recente tecnologia, bom número de computadores, quadros interactivos, material didáctico do mais actual e muitas até com refeitório completo. O facto de os seus Projectos Educativos terem sido aprovados pela tutela e estarem em vigor não tem qualquer peso na decisão, mostrando assim o profundo desprezo do poder central pelas iniciativas locais e até pelos normativos legais que ele próprio engendra. Urge perguntar. Será que somos um país assim tão rico e perdulário que nos podemos dar ao luxo de deitar ao abandono tantos e tão valiosos meios???

O mesmo se diga do cabedal de experiência e know-how que as dezenas de milhar de professores entretanto aposentados levam consigo, perdas essas que o sistema não tem como repor, sabendo como sabemos o modo como funciona a formação docente. Tanto a loucura dos Mega-Agrupamentos, como o fecho das escolas do 1º Ciclo, como outras iniciativas, inscrevem-se numa ofensiva permanente que visa objectivos da mais baixa política. Eis alguns:

- Rebaixar mais ainda e paralisar a classe docente.

- Precarizar, amedrontar e desautorizar os professores e suas estruturas.

- Avançar no sentido da municipalização forçada do ensino de modo a diluir a perspectiva global que tem de informar todas as lutas docentes.

- Dificultar e impedir a coesão dos docentes com vista a acabar com um sentido de unidade.

- Tornar a classe docente completamente refém da pequena politica partidária em que se move o poder local.

O facto insofismável de estas e muitas outras medidas terem como óbvia consequência uma queda na qualidade da performance do sistema é algo que nem preocupa os (ir)responsáveis, confiantes que estão na grosseira manipulação das estatísticas. Aliás, a melhoria dos resultados está garantida a priori porque um grande número de estabelecimentos de ensino já a inscreveu no seu Projecto Educativo. Milagrosamente, os números já lá estão antes ainda de se saber como. Mas isso também já nem interessa.

José Manuel Faria

(Professor, recentemente aposentado, Membro da Direcção da APEDE)

 


publicado às 12:26


mega-agrupamentos

por beatriz j a, em 29.05.10

 

 

Ainda não percebi bem o que é isto dos mega-agrupamentos mas parece-me uma maneira do ministério controlar completamente os professores e as escolas e poder despedir mais pessoas.

Não vejo ninguém dos sindicatos a lutar contra isto ou sequer a esclarecer a situação. As coisas verdadeiramente importantes deixam-nas passar até ser tarde demais.

 

publicado às 19:24


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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