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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Não há uma única pessoa inspiradora neste simulacro em que se tornou a política. Ninguém que ultrapasse o nível da mediocridade do ganho partidário, ninguém com quem nos possamos identificar. Só gente com instintos de pequeno tirano, de abusos, de negociatas com os opositores em tréguas utilitaristas para se manterem no poder... e infestaram toda a sociedade com estes hábitos como um cancro que espalha metasteses. E não só em Portugal. Quem olha para a Europa vê pequenos líderes, medíocres e de vistas curtas, fechados em esquemas de ganhos e perdas pessoais, de crenças religiosas em ideologias mumificadas, políticas e económicas. Um deserto de valores e de pessoas de valor. E se de vez em surge alguém acima da mediocridade tratam de o matar e comer, ou atirá-lo aos lobos, muito rapidamente, para poderem voltar à rotina da distribuição de dinheiros e cadeiras. Não querem saber de ninguém a não ser de si mesmos. Os outros são um instrumento do seu pequeno sucesso e só nessa medida, na medida em que contribuem para o seu pequeno sucesso, lhes dão alguma atenção, sempre instrumental.

é isto... o pequeno bisonte atirado aos lobos pelo grande bisonte é um dos gregos, não o político, esse é o grande bisonte que escapa desta maneira, mas o outro...
Num jantar de Natal do PS em Castelo de Paiva, o vice-presidente da bancada do PS referiu que Portugal devia ameaçar deixar de pagar a dívida nacional.
"Nós temos uma bomba atómica que podemos usar na cara dos alemães e franceses - ou os senhores se põem finos ou nós não pagamos. As pernas dos banqueiros alemães até tremem", disse na altura em declarações captadas pela Rádio Paivense FM e retransmitidas hoje pela Renascença.
"A primeira responsabilidade de um primeiro-ministro é tratar do seu povo. Na situação em que nós vivemos, estou-me marimbando para os credores e não tenho qualquer problema enquanto político e deputado de o dizer", acrescentou no jantar.
“Campanha foi a mais intelectualmente medíocre da democracia portuguesa” ![]()
Segundo o jornal Expresso, Luís Filipe Menezes em entrevista ao El País disse o que se lê aí em cima, que a campanha foi a mais medíocre. Por uma vez estou de acordo com ele. A campanha é medíocre, sim. Está de acordo com os seus protagonistas. Esse, aliás, é o problema do país: a mediocridade dos que estão em posição de governar e o têm feito.
Sabemos que não é só cá. Basta olhar o Gordon Brown, O Sarkosy e o espanhol também, para não falar do russo...e do Berlusconi... mas isso não consola; é que aqueles são países ricos e podem dar-se ao luxo de ter, de vez em quando, idiotas medíocres no poder.
Mas nós, porque somos um país pobre de recursos, não nos podemos dar ao luxo de ter incompetentes no poder. Não falo do resto porque é impensável que alguém vote em pessoas declaradamente ou com fortíssimos indícios de serem corruptas.
A vida depois de Domingo adivinha-se pior: mais pobre, mais cinzenta, menos livre, menos democrática.
É difícil ir votar tendo estas linhas por horizonte.
DN
por SUSETE FRANCISCO - Hoje
Ministério da Economia invoca cláusula de confidencialidade no contrato que cedeu ao grupo Pestana a exploração das Pousadas de Portugal e recusa entregá-lo aos deputados. Lei só prevê recusa em caso de segredo de Estado.
O Ministério da Economia recusou entregar à Assembleia da República o contrato celebrado entre o Estado e o grupo Pestana, que deu a esta empresa a exploração da rede das Pousadas de Portugal. O PCP acusa o Ministério de Manuel Pinho de travar o acesso do Parlamento "a informação a que legal e constitucionalmente tem direito" e avançou, junto do Tribunal de Contas, com um pedido de auditoria a este negócio.
Um ministro que se recusa a prestar contas dos bens públicos aos representantes dos proprietários desses mesmos bens. Alega que é confidencial: pois, essa é exactamente a questão! Manter confidencial o que é público.
Mas isto é o pão nosso de cada dia no país. Brinca-se com o que é dos outros como se fosse nosso.
Goya, Saturno devorando um filho
Conta-se que Saturno na sua sede de poder, para reinar no lugar de Titã, seu irmão mais velho, acordou com este em sacrificar todos os seus filhos e filhas para que não houvessem rivais pretendentes ao trono. E assim foi.
Saturno é muitas vezes comparado a Cronos, o deus grego do tempo, fazendo desta narrativa de Saturno uma metáfora para a condição humana, sujeita à inexorável voracidade do Tempo, que tudo como e consome.
Quem nos governa hoje pensa que ao fazer algo dramático, na educação, por exemplo, irá ficar para a História, ou algo do género. Até arranjaram uns corredores e penduraram lá uns quadros com as suas próprias facies. É um engano de ignorantes, claro. Antes de virarem cinza e pó já estarão completamente esquecidos e daqui a duas gerações ninguém saberá sequer quem são. Pessoas muito mais marcantes da nossa História, alguns ainda vivos, já foram engolidos por esse grande Devorador.
O que queria dizer é o seguinte: não valia a pena terem dado cabo do país e da educação do país, numa vã esperança de se engrandecerem - o que perdurará serão os grandes Devoradores, para os quais andaram a trabalhar: Pobreza, Ignorância, Injustiça, Miséria, Desespero, Mediocridade, etc..
Dos devorados não reza a História, a não ser por uns tempos, nos seus filhos de sangue, que viverão com a vergonha da memória do que fizeram seus pais aos outros.
Não os invejo.
jornal SOL
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