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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Não percebo a dificuldade em perceber o que se está a passar em França. Há mais de vinte anos que as pessoas empobrecem com a subida do custo de vida e dos impostos. Uma pessoa trabalha cada vez mais horas para chegar ao fim do mês a contar os tostões para sobreviver enquanto vê os filhos terem menos e piores possibilidades do que elas próprias tiveram. Isto, enquanto vê os políticos usarem os cargos para enriquecer e promover toda a família, fazerem negociatas com construtores para arranjar casas para si de borla enquanto expulsam as pessoas da cidade com rendas impossíveis de pagar, os banqueiros e os gestores públicos ganharem obscenidades, mesmo se endividaram o país, as grandes fortunas serem isentadas de pagar impostos, os serviços públicos degradarem-se para se dar prioridade à banca e, em geral, as condições de vida deteriorarem-se. Todos os dias saem regras, impedimentos, taxas e taxinhas para pagar a incompetência e irresponsabilidade dos políticos. Como se isto fosse pouco, estas pessoas ainda vêm para as TVs defender que o povo vive acima das possibilidades e que têm que contribuir mais. Ora, já não estamos no início do século XX onde esta exploração existia mas a maioria das pessoas não era educada e aceitava o fado das suas vidas. Hoje em dia já não é assim, não são analfabetas, de modo que percebem claramente a mediocridade das políticas e dos discursos dos políticos e, a certa altura, estouram. Sobretudo porque já não aguentam sentirem-se continuamente defraudadas nas expectativas que esses politicos, ardilosamente, criam. Macron foi para o poder com grandes discursos de devolver aos franceses a dignidade, a qualidade de vida... tudo vaidades da cabeça dele que pensava ser melhor do que é só porque trabalhou para os Rothschilds e foi ministro. Pensa que ter sucesso numa área da vida lhe dá sabedoria para as outras todas. O que isto mostra é que os políticos vivem alienados da realidade. Vivem numa bolha de privilégios e não fazem ideia do que é a vida das pessoas. Depois, enganam-se com os votos. Desvalorizam os altos níveis de abstenção, reveladores do cansaço das pessoas e vivem para sondagens de popularidade, nas quais acreditam. Por exemplo, aqui no rectângulo, o Costa acredita que foi eleito por ser popular e despreza o facto de não ter ganho as eleições, mesmo no quadro do horror que foi o governo do PPC. Ele não percebe que não é popular, apenas as pessoas estão fartas de terem tantas opções de escolha que parecem ser todas iguais e acabam por aceitar aqueles que dizem querer resolver os seus problemas porque precisam muito de acreditar que não estão nas mãos de vigaristas e incompetentes e que haverá alguém capaz de lhes resolver as coisas. Só que depois, a falta de respeito e o abuso são de tal ordem que a certa altura tudo estoura. Alguém dizia, a propósito dos coletes amarelos, que a raiva das pessoas é tanta que ninguém as consegue parar nem elas se conseguem parar a si mesmas.
Nós não estamos imunes a isso. A maneira como o Gaspar e o Centeno (o PPC e o Costa) destruiram a saúde e a educação para enriquecerem a banca e os gestores públicos e as vigarices e aproveitamentos dos políticos são uma obscenidade tão grande que qualquer dia têm uma supresa desagradável.
Depois falam em populismos mas isto não é populismo, é a reacção à medicocridade dos políticos que governam os países e destróem a vida e o futuro das pessoas às mãos dos abutres do dinheiro que os controlam como bonifrates.
Cá para mim, os radicais infiltrados nos coletes amarelos foram lá postos pelas autoridades para terem pretexto de dizer mal deles e pôr a polícia em cima deles.
A eleição em França é uma repetição da eleição dos EUA. Macron é um homem do sistema, da continuidade deste sistema que estrebucha. Só que a Le Pen é muito pior porque lhe falta o vector para a coisa pública. É um déjà vu do que se passou nos EUA onde a Hillary Clinton era péssima, só que o Trump ainda é pior. E desconfia-se que a votação em Macron é mais por medo dela que por fé nele. Mas se o sistema não for reformado, nas próximas eleições ela chega lá, como o Trump já chegou,
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