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como os pequenos imitam os grandes

por beatriz j a, em 06.12.09

 

 

Ontem quando fui à baixa entrei numa sapataria porque ao passar olhei e vi lá dentro uma senhora que conheço há muitos anos como vendedora de outra loja ali perto, que costumava ser uma loja com roupas de marcas caras e está em pré-falência.

Disse-me que esteve 6 meses no desemprego depois de sair da loja com 3 ordenados em atraso. Que foi a última das empregadas a sair porque estava lá há 15 anos e foi resistindo.

Contou-me que os 2 filhos da dona eram rapazes com a mania das grandezas que levavam uma vida de luxo, embora não trabalhassem; que andavam sempre em discotecas e jantaradas entre Lisboa e o Algarve com carros a condizer; que a certa altura começaram a ir ao dinheiro da loja para pagar dívidas; já com dívidas construiram uma vivenda com materiais importados muito caros; iam para a loja gabar-se das viagens a Nova Iorque e de todas estas despesas; a dona meteu-se em grandes despesas também; é claro, a certa altura não havia dinheiro para pagar aos fornecedores, nem aos empregados; a dona da loja, que tinha boa reputação, perdeu-a e, com isso, o crédito da banca também se foi; as marcas tiraram de lá as mercadorias: os empregados ficaram sem salário.

Disse-me que recebeu o último ordenado há pouco tempo porque soube que a dona da loja ia fazer um cruzeiro com amigos e arranjou maneira dela saber que ia aparecer no dia da partida, mais a filha, para se despedir dela e lhe dizer que ia em cruzeiro com o seu dinheiro.

 

Este caso é o espelho do país. Portugal é a loja dos nossos governantes. Também eles e os seus amigos levam uma vida de luxo, embora sejam uns incompetentes e muitos vivam de aldrabices e artimanhas. Parasitas deslumbrados, fogem ao fisco e vivem para ostentar. Mesmo já cheios de dívidas continuam a gastar consigo e com os amigos, para dar uma de ricos, como se a realidade fosse uma telenovela. Entretanto, os empregados, que são o povo, que se lixe no desemprego.

E como podem, porque mandam, de vez em quando sobem os impostos, como fazia o xerife na história do Robin dos Bosques. E quandos lhes apetece ainda vêm a público dizer que a culpa é dos trabalhadores que não prestam, ou dos professores que são verbo de encher neste país.

Se as pessoas são sempre as mesmas como há-de o país mudar?

 

 

 

publicado às 08:33


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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