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Metamorfose

por beatriz j a, em 26.09.13

 

 

Gosto de, todos dias, ir à estante da poesia, tirar um livro e ler um ou dois poemas mais ou menos ao calhas. Ultimamente tenho lido muita poesia. Muita mesmo. É reconfortante como uma manta quente numa longa noite de Inverno.

 

 

Metamorfose

 

Para a minha alma eu queria uma torre como esta,

assim alta,

assim de névoa acompanhando o rio.

 

Estou tão longe da margem que as pessoas passam

e as luzes se reflectem na água.

 

E, contudo, a margem não pertence ao rio

nem o rio está em mim como a torre estaria

se eu a soubesse ter...

                                 uma luz desce o rio

                                 gente passa e não sabe

que eu quero uma torre tão alta que as aves não passem

                                                     as núvens não passem

                                                     tão alta tão alta

que a solidão possa tornar-se humana.

 

(Jorge de Sena)

 

publicado às 18:19


poesia - sinto que sou

por beatriz j a, em 13.03.10

 

 

Sinto Que Sou

 

"Sinto que sou, apenas sei que sou,

e que na terra no vazio eu vivo,

gelado o corpo de o saber cativo

de quanto altas ideias me apagou.

Fugi dos sonhos para a solidão,

lutas passei - apenas sei que sou.

Eu era um ser criado entre os humanos,

desdenhoso do tempo e do lugar,

alma capaz de penetrar arcanos

da terra e céu, como um sublime idear-

no rasto da criação, qual divindade -

e sem grilhetas, como a eternidade.

Altivo ante a miséria, ia desnudo,

E agora apenas sei que sou - e é tudo."

 

John Clare (poesia de 26 séculos, antologia de Jorge de Sena)

 

 

publicado às 23:47


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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