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São estas coisas que fazem os populismos

por beatriz j a, em 22.10.18

 

 

Os governos sacrificam os professores e a sua reputação para cumprir metas economicistas, degradam a profissão, promovem o desrespeito com os seus constantes ataques, enriquecem alguns à custa do desenvolvimento social e depois pensam que isso não tem consequências e ainda vêm para os jornais dizer que os populismos se devem a pessoas ignorantes. Não, devem-se a pessoas revoltadas.

 

 

publicado às 14:48

 

 

Maioria dos professores queixa-se da indisciplina

 

... e apontar soluções únicas como, 'basta ouvir os alunos' é pueril. 

Há muitas causas para a indisciplina e não são fáceis de resolver embora certas medidas pudessem ajudar a diminuí-la. 

 

A principal causa da indisciplina é o lastro que os alunos trazem de casa e do contexto social. A maioria dos alunos não separa o espaço familiar do escolar, entram nas aulas como quem entra em casa e reproduzem os comportamentos do meio familiar: a atenção ao telemóvel, o excesso de familiaridade no estar e no falar. Como os próprios pais, na sua maioria, também não vêem esta diferença e reforçam nos filhos a indiferenciação dos espaços e funções, é difícil mudar esses hábitos comportamentais. A escola também reforça isto pois muitas vezes os pais vão queixar-se que os professores não deixam os filhos estar com o telefone ligado ou outra coisa qualquer do género como se fosse um direito que estão a violar-lhes e a escola concorda e diz, 'bem, se os pais não se importam'... o que é um falso argumento pois por essa ordem, se os pais não se importarem que os filhos sejam ladrões a sociedade tem que permiti-lo, não?

 

Acontece que as escolas não são coerentes. O regulamento diz claramente o que é permitido e o que é proibido mas depois não há vontade para ser consequente com os alunos que fazem distúrbios ou porque têm medo dos pais ou porque querem aparecer no papel [para a tutela] como escolas fantásticas e então varrem os problemas para debaixo do tapete o que tem consequências desastrosas porque os alunos sabem tudo sobre tudo o que se passa na escola e o lema deles é, 'o que uns podem os outros também podem'.

A questão da justiça e da equidade são fundamentais para os alunos. A recompensa pelo mérito e a diferenciação do demérito. Quando um professor ou a escola os trata como iguais desmoralizam completamente porque eles bem vêem quem é que tem 1000 faltas [sim, isso existe e não se chumba] e é tratado como se tivesse ido às aulas, quem é que nunca estudou e passa com o mesmo 10 que quem se esmifrou a estudar, quem é que perturbou as aulas e fez coisas incríveis a professores e colegas e no fim foi tratado como quem sempre esteve ali com respeito por todos.

Uma turma é um grupo estruturado com valores e uma identidade própria e estas questões são fundamentais para a coesão e sucesso do grupo.

 

Em segundo lugar, devido a esta mentalidade, os alunos vêem-se como espectadores e não actores do processo de educação e vêm para as aulas para ser entretidos com 'coisas giras' e espectaculares como fazem lá em casa que ligam a TV ou o PC e vão ver coisas com efeitos especiais e divertidas. Só que as aulas não são a TV e o cinema e os professores não têm efeitos especiais e, por muito que nós diversifiquemos as metodologias, haverá sempre parte da aula que será de rotinas como em todos os trabalhos e, nunca conseguiremos competir com os filmes do Spielberg, os jogos de PC ou PSP ou a pornografia e a Deep Web em que tantos alunos do secundário são viciados.

E culpar os professores dizendo que os alunos não aprendem porque as aulas não são interessantes ou que não conhecem os últimos divertimentos dos miúdos é um erro e um engano porque, apesar de querermos aulas diversificadas e interessantes, claro, a raíz do problema está em os miúdos serem educados logo desde cedo pela família e pelos meios de comunicação social e pela escola para serem intelectualmente passivos e não activos.

 

Em terceiro lugar, vem a falta de respeito pelo conhecimento e a constatação de que a escola, hoje em dia, já não é um passaporte para um emprego. Imensos alunos vêm a escola como um sítio onde vão buscar um diploma e notas para entrar na faculdade. Isto é um problema que tem que ver com a decadência da educação a nível global, engendrada pelos poderes corporativos por questões de lucro. Estas coisas pagam-se... a decadência dos cursos de Humanidades com argumentos economicistas levou à decadência do ensino como formação da pessoa e instrumentalizou-o, mercantilizou-o e é assim que ele hoje é visto.

 

O tamanho das turmas não ajuda. Quem toma estas decisões não tem idea ou já não se lembra do que é gerir uma turma com trinta e tal alunos adolescentes tendo que, ao mesmo tempo, inspirar-lhes o gosto pelo trabalho académico, pelo saber, pelo brio, ensinar técnicas, construir conhecimentos, etc. O número de alunos indisciplinados não é grande mas faz grande mossa porque os alunos estão na idade em que o grupo impera e se um toma a iniciativa de perturbar os outros vão todos atrás e quanto maior é a turma mais dificil é controlar. 

Quando os professores vão em visita de estudo, o ratio professor-alunos é de 1 para cada 15 porque se percebe a dificuldade de controlar grupos grandes. Pois dentro das salas de aula espera-se que o professor controle 30 e tal e que o faça durante horas e horas de seguida em não sei quantas turmas. À medida que o dia avança cada vez a pessoa tem menos resistência emocional. E não se pense que as mulheres têm menos controlo ou que os mais novos têm mais resistência. Não é verdade.

Há uma grande desistência e desânimo de muitos professores pela maneira indigna como têm sido tratados nos últimos anos, desde aquela fulana Rodrigues que se gabou de ter sacrificado os professores e tomou medidas concretas para a destruição do grupo. As carreiras congeladas desde 2005 [já lá vão 11 anos!], os cortes nos salários, milhares de professores que todos os anos são provisórios, alguns há 25 anos, as ofensas nos jornais... e o ambiente nas escolas está muito, muito, mau, as coisas estão muito más, apesar das pessoas o calarem por medo e o estado de espírito dos professores afecta os alunos, afecta o seu entusiasmo, a sua resistência, como é evidente.

 

Depois, a questão da enormidade dos programas não ajuda. O excesso de turmas e de trabalho burocrático dos professores que os mantém no fio da navalha. A deslocação... imensos professores estão deslocados das famílias por centenas de quilómetros e só vão a casa aos fins de semana. Etc., etc., porque existem outras causas como a má alimentação, por exemplo, os alunos irem para as aulas cheios de açúcar, a falta de exercício físico, as más condições das escolas, a estrutura não democrática das escolas que é um exemplo negativo que passa para os alunos, o autoritarismo e a falta de autoridade que andam a par um do outro...

 

Enfim, o que quero dizer é que estes artigos de jornais que reduzem os problemas todos a uma solução qualquer milagrosa como, 'ouvir alunos' ou 'novas tecnologias' ou outra coisa qualquer do género ou não percebem a complexidade do que está em jogo nas questões da educação ou não são sérios porque a realidade é complexa e precisava de pessoas com conhecimentos e experiência para pensar no assunto sem os clichés do costume de modo sério. O que não tem acontecido. Daí o estado em que as coisas estão. E na minha modesta opinião, ainda vão piorar.

 

 

é por isto tudo que:

 

Exaustos, desiludidos ou baralhados. Um terço dos professores sente-se assim

 

publicado às 05:11

 

 

Professora com cancro agredida por alunas na aula

Segundo o JN apurou, a estudante mais velha acabou mesmo por arrancar cabelo da docente, tal a força da agressão, a empurrar-lhe a cabeça contra uma parede. 

O diretor do Agrupamento de Escolas Alberto Sampaio, João Andrade, confirmou ao JN "o incidente com a professora", mas não avançou as causas.

 

Quais causas? Aqui não há nenhuma relação de causalidade como na lei da gravidade. Não há uma relação de necessidade entre algo que a professora tenha dito ou feito e a aluna agredi-la com violência. E não é um incidente. Um incidente é tropeçar e cair não ser vítima de violência de outras pessoas.

A indisciplina e a violência vão aumentando nas escolas porque aumentando vão o número de alunos por turma, o número de turmas dos professores e o trabalho burocrático, sobretudo no básico. Depois há a gestão das escolas, um exemplo do que não deve ser fazer-se em democracia... um exemplo de falta de competência (porque não é esse o requisito para se estar à frente de uma escola) e de vontade em resolver os problemas reais em vez de trabalhar apenas para os papéis serem lindos e agradarem ao inglês que vê (ou finge ver) a superfície das coisas. Que as coisas estejam a piorar não é nenhum mistério, ainda hão-de piorar mais porque é já evidente que este ministro não veio para resolver os problemas fundamentais das escolas.

Eu responsabilizo a Rodrigues por isto que vemos hoje, pois foi ela que destruiu o ambiente de trabalho e a cooperação dos professores com a sua divisão agressiva (os titulares desapareceram mas, só da lei) e o Crato que nos aumentou os alunos nas turmas e o número de turmas e de horas de trabalho porque... deixa ver... é um ignorante? 

Entretanto os jornais dão as notícias deste modo em que desvalorizam as agressões, chamando 'incidente' com 'causas' a um caso de agressão em que uma aluna arranca os cabelos da professora a bater-lhe com a cabeça contra a parede.

 

(Ando a escrever três diários: um é o diário da minha prática lectiva. As medidas e estratégias, tanto as didácticas como as pedagógicas que sei que funcionam e resultam porque o constato todos os anos com alunos diferentes de turmas diferentes e, as que não resultam e porquê; outro chama-se, 'diário das imoralidades' com um longo preâmbulo contextualizante) 

 

publicado às 04:23


Estas coisas não podiam acontecer...

por beatriz j a, em 09.04.14

 

 

 

Professora suspensa depois de ser agredida por aluno

Escola de Gondomar pediu avaliação médica de docente alegando clima de conflitualidade

 

Eu culpo muito o MEC, por um lado, porque tem uma legislação e uma cultura de penalizar as escolas que têm problemas de indisciplina em vez de ter uma política de solucionar problemas, o que leva as escolas a esconder/camuflar os problemas para escaparem às suas penalizações e, também, as direcções das escolas, que só querem agradar à tutela, instalados que estão nos cargos há muitos anos, sem dar aulas ou com uma turma aqui e acolá, de modo que já não têm ideia do que é trabalhar com montes de turmas (sobretudo do básico, cheias de alunos que não querem trabalhar e têm a escola toda) e imitam o MEC nisso de culpar os professores pelos problemas de indisciplina dos alunos... mas, como praticamente tudo o que está em vigor nas escolas desde aquela esdruxulamente incompetente da Lurdes Rodrigues, tem como objectivo dividir e espezinhar professores, pondo uns a fazer de cangas dos outros (dividir para reinar), estas coisas de culpar professores pela violência dos alunos não surpreende... porque é que as pessoas aceitam o papel de fazer de cangas dos outros? Bem, o Platão explicou isso muito bem, há muito mais de 2000 mil anos, na Alegoria da Caverna...

 

 

publicado às 05:14


A professora que discute vernizes

por beatriz j a, em 24.03.14

 

 

 

A professora que discute vernizes

.

 

Até esta sexta-feira, o site do Expresso vai publicar excertos dos dois novos livros de Maria Filomena Mónica, que olham para o interior de uma sala de aula. No sábado, há entrevista na "Atual".

.
Tenho lido os excertos deste livro que vão aparecendo no jornal e logo desde o primeiro que isto me chamou a atenção por várias razões.
Em primeiro lugar, o texto que é reproduzido no jornal, ou foi editado por um adulto ou é estranho... não pela linguagem ser correcta mas porque assume o ponto de vista sintético e abrangente que é típico de adultos/professores e não de alunos. Logo por aí o relato me parece muito atípico e, portanto, não representativo da visão de um/a aluno/a.
Em segundo lugar e, de modo muito mais importante, não acredito que estes relatos sejam o comum do que se passa nas escolas. É que dá ideia que os alunos são todos uns índios e os professores uns incapazes! Isso não pode ser verdade. Okay... é verdade que não posso dizer que conheço a realidade das escolas todas do país, mas também é verdade que falo com muitos colegas de outras escolas nos cursos e nos encontros e leio muito. Se é certo que em todas as escolas haverá turmas onde a indisciplina é muito grande e habitual, também sei que em geral, esse tipo de indisciplina se circunscreve a uma ou outra turma específica ou, às vezes, a um professor em particular e não é alastrada a toda a escola.
Sabemos, por exemplo, que a indisciplina é pior nas turmas do básico, que o número excessivo de alunos por turma potencia os conflitos, que onde os pais não exercem vigilância os filhos aproveitam para se 'alargarem', etc. Sabe-se bastante sobre a indisciplina escolar, não há é vontade, da parte do ME, de atacar o problema, porque é complexo, mete os pais ao barulho, pseudo-pedagogias educacionais, a pobreza social em que muitos estão, etc...
Pessoalmente, nunca, em toda a minha vida profissional vi indisciplina como a que é relatada nestes excertos, nem mesmo quando começei a dar aulas e era muito inexperiente; no entanto, como todos nós, já tive turmas e alunos muito difíceis: agressivos, mal formados, dissimulados, até delinquentes. Agora, já soube de casos pontuais de grande indisciplina e violência, verbal e física.
O livro dá a ideia que nas escolas se vive uma espécie de filme de terror porque generaliza a todo o sistema os casos particulares que escolheu para realçar. Se eu fosse uma recém-licenciada a pensar dar aulas, depois de ler estes excertos, fugia da escola a sete pés!
Penso que a indisciplina nas escolas tem que ser atacada e, tenho para mim, que a legislação em vigor não ajuda a resolver o problema e que o ME faz tudo ao contrário do que devia fazer mas daí a pintar um cenário aterrador... parece-me que falta à verdade da situação por excessivo reducionismo e generalização apressada.

publicado às 13:49


Ai sim...?

por beatriz j a, em 27.09.13

 

 

 

Ah! Agora já percebem o problema? E afinal, quem é que anda desactualizado nas pedagogias? São os professores do básico e secundário ou são os professores universitários?

 

 

 

 

Exp27Set13

 

 

Exp27Set13b

publicado às 14:28


Indisciplina escolar

por beatriz j a, em 27.02.13

 

 

 

 

A carta da semana no Expresso (recebida por email)

 

 

 

publicado às 22:55


Acho que a escola fez bem

por beatriz j a, em 17.11.11

 

 

 

Pais indignados

Escola de Benavente proíbe crianças de almoçar na cantina por mau comportamento

A direcção do Agrupamento de Escolas do Porto Alto (Benavente) proibiu seis crianças entre os seis e os nove anos de almoçar na cantina da escola, durante dois dias, como castigo por mau comportamento, o que deixou os pais indignados.
“Informo que o aluno se portou mal no trajecto da cantina para a escola, não obedecendo à auxiliar e correndo no meio da estrada, por este facto fica sem poder comer na cantina na próxima segunda e terça-feira, segundo ordens do conselho directivo”, lê-se na caderneta das crianças, assinada pelas respectivas professoras, a que a agência Lusa teve acesso.

“Aceito que castiguem o meu filho, mas não desta forma. Podem proibi-lo de ir ao intervalo, obrigá-lo a fazer trabalhos extras, mas retirar o almoço a uma criança de sete anos não é pedagógico nem castigo que se dê”, disse à Lusa, revoltado, um dos pais de uma das crianças envolvidas.
Não faz sentido nenhum aplicar um castigo destes. Nesses dois dias, tive de ir à escola buscar o meu filho para almoçar em casa”, disse outro encarregado de educação que também preferiu manter o anonimato.
Não é verdade que as crianças, quase adolescentes tenham ficado sem comer. A maqneira como falam dáideia que os obrigaram a passar fome. Os pais podiam, e foram, buscá-los á escola e deram-lhes de comer. Se as crianças têm que atravessar a estrada e fogem dos professores e vão correr para a estrada, é natural que a escola não queira responsabilizar-se pelo mau comportamento das crianças. Os pais, sendo pais, que se responsabilizem pelo comportamento dos filhos. O que não é pedagógico é os pais, em vez de disciplinarem os filhos queixarem-se da escola reforçando a indisciplina dos filhos.

publicado às 21:24


Disciplina/indisciplina

por beatriz j a, em 08.11.11

 

 

 

 

Uma turma tem que ser conquistada. Nenhum trabalho de qualidade se faz sem a colaboração dos alunos num ambiente ordeiro. Não significa que não possa haver barulho. Às vezes é obrigatório: aulas em que se discutem questões ou situações de trabalhos de grupo com argumentação inter-pares, etc. Mas até no barulho existe ordem ou existe o caos.

Mas voltando ao princípio, uma turma tem que ser conquistada. É preciso conquistar a colaboração dos alunos. Voluntária, de preferência. É claro que isso não vem logo: é preciso mostrar seriedade, disponibilidade, competência, profissionalismo e firmeza. A autoridade do professor advém-lhe do exemplo que dá aos alunos que lhes conquista o respeito. Os alunos estando na idade em que estão, desafiam e testam limites e é preciso saber lidar com isso.

 

Dito isto, direi também que há fatores que potenciam a indisciplina apesar dos professores trabalharem com seriedade. Desde logo o clima de escola. Se a escola não leva a sério a indisciplina e os alunos sabem que ela fica sempre impune incentiva à prevaricação.O caso dos telemóveis, Ipods e PSPs portáteis são dos que causam mais disturbios. E aí os pais não ajudam. Ligam aos miúdos a qualquer hora, mesmo quando sabem que estão em hora de aula...

Se os pais dão o exemplo de desrespeito e desautorização dos professores, os filhos imitam-nos.

O mesmo se passa com o exemplo que o ME dá no modo como trata/destrata os professores.

Se os professores têm muitas turmas -nomeadamente do básico- cheias de alunos tendem a perder a resistência por cansaço.

Se a escola tem poucos funcionários os alunos dão vazão, nos intervalos e tempos mortos, à agressividade e ao distúrbio.

Se o nível de ruído nos corredores e espaços fechados é grande potencia um clima caótico contrário ao estudo.

Se a escola permite graffittis passa uma imagem de desleixo e desinteresse pela ordem.

Se as participações dos professores não são apoiadas eles deixam de participar e passam a esconder a indisciplina.

Se os conselhos de turma não se unem, os alunos põem os professores uns contra outros e beneficiam do caso.

Se as direções estão há muitos anos nos cargos sem dar aulas esquecem a importância da disciplina.

Se um professor está com problemas nas cordas vocais, esgotamento ou depressão -as doenças típicas dos professores- não têm resistência para o stress inerente a uma aula.

 

Uma turma tem que conquistar-se. Uma vez conquistada o trabalho corre às mil maravilhas. Mas nunca se pode tomá-la, à conquista, como garantida. São relações humanas, com miúdos a quem mandamos trabalhar quando a vontade deles, muitas vezes, é ir para a praia ou namorar ou algo assim. Há sempre possibilidade de atritos. E estão naquela idade me que não têm a mínima noção da sua ignorância e acham que sabem tudo e que já têm opinião formada sobre tudo...

 

Há coisas que ajudam. Estar na mesma escola uns anos. Os alunos passam palavra, ganhamos uma certa fama de ser professor sério e isso tem grandes ganhos.

 

Mas, volto a dizer, as turmas temos que conquistá-las. Uma a uma. Dia a dia. Todos os anos somos postos à prova e da avaliação que os alunos fazem de nós depende a disciplina dentro da sala de aula.

 

publicado às 21:03


Ai não? Então, o que pensa fazer?

por beatriz j a, em 08.11.11

 

 

 

 

Nuno Crato

"O Ministério não tolera indisciplina nas aulas"

Apoiar os professores, pôr mais funcionários nas escolas, turmas mais pequenas, professores com menos turmas? Acabar com PITs e outras farsas? Responsabilizar os pais? Proibir mais do que dois mandatos na gestão das escolas? Vou esperar para ver se estas palavras são, ou não, insignificantes.

 


 


publicado às 07:38


títulos capciosos e opiniões machistas

por beatriz j a, em 19.12.09

 

 

Educação   JORNAL i

Professores são os responsáveis pela indisciplina dos alunos

Estes títulos e estas notícias irritam, porque são falsos e enganadores.

1º Os professores não são responsáveis pela indisciplina, mas pela disciplina, o que é muito diferente. Se um aluno é mal educado ou agressivo, a responsabilidade não é do professor. Era o que faltava, qualquer dia a responsabilidade de um aluno ser ladrão também é do professor ! Não, o professor não é responsável pela indisciplina. O professor é responsável, sim, pela disciplina. Quer dizer, cabe-lhe a ele assegurar que a sala de aula seja um lugar ordeiro e disciplinado.

Disciplinar uma ou mais turmas não depende só do professor. Se a direcção da escola se recusa a castigar os alunos que são alvo de queixa disciplinar, por exemplo, retira autoridade ao professor e transfere-a para os alunos em questão; se o estatuto do aluno lhe permite ter atitudes e comportamentos irresponsáveis sem que nada se possa fazer, a autoridade do professor desce a do aluno cresce; se um professor tem trinta alunos dentro da sala, a atenção e controle tornam-se mais difícies; se o ministério da educação, o primeiro ministro, os jornais e a tv, os pais e toda a sociedade diariamente dizem de cem maneiras diferentes que os professores são gente que não presta e que não faz nada isso retira instrumentos de actuação ao professor e faz crescer a autoridade do aluno. Etc., etc., etc., porque esta questão não é simples como o título deixa indicar.

2º, que o facto de ser mulher dificulta a mediação entre alunos é uma afirmação machista, que dá a entender que se a profissão fosse exercida por homens não havia indisciplina e, que, portanto, a culpa é de ter tantas mulheres, e é completamente falsa também. Eu, que sou mulher e dou aulas há vinte e tal anos, raramente tenho problemas de indisciplina que durem mais que o primeiro mês de aulas. Dos colegas com quem tenho lidado em todos estes anos, vejo que os que melhor disciplinam as turmas são os que têm mais anos de experiência, independentemente de serem homens ou mulheres. Já vi, muitas vezes, colegas homens não terem mão nas turmas e serem massacrados. Nunca me passou pela cabeça que isso acontecesse por serem homens. Liderança, carisma ou lá o que seja que as pessoas desenvolvem com a experiência não vejo que os homens o tenham a mais que as mulheres.

No ano passado, um colega, HOMEM, que esteve dois anos lá na escola, dizia aos alunos que tinha sido das forças especiais para ver se os alunos lhe tinham respeito!!! Nunca vi uma mulher dizer esse tipo de idiotices...

A experiência é uma grande mestra. Uma pessoa que dê aulas há muitos anos e que tenha aprendido com a experiência, apercebe-se dos potenciais problemas antes deles surgirem: antecipa-os, seja na atitude e comportamento de alunos, seja no tipo de situações padrão que geralmente estão associadas a focos de indisciplina. Aprende a evitar o conflito desnecessário e a enfrentar as situações de teste à autoridade.

 

É de grande desonestidade vir simplificar os problemas e dizer que a culpa é dos professores, sobretudo das mulheres. É por essas e por outras que os alunos, antes de entrar numa sala de aula, já têm uma percepção de si próprios como uns coitados que não têm nem culpa, nem responsabilidade dos seus próprios coimportamentos. É sempre dos outros.

 

 

publicado às 13:47

 

 

Enviado pela Cecília:

 

 

A indisciplina nas escolas (vista por F. Savater)

Especialistas reunidos em Espanha


Aumento da violência nas escolas reflecte crise de autoridade familiar

Especialistas em educação reunidos na cidade espanhola de Valência defenderam hoje que o aumento da violência escolar deve-se, em parte, a uma crise de autoridade familiar, pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os professores.

Os participantes no encontro 'Família e Escola: um espaço de convivência', dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas.

'As crianças não encontram em casa a figura de autoridade', que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater.

'As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa', sublinhou.

Para Savater, os pais continuam 'a não querer assumir qualquer autoridade', preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos 'seja alegre' e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinador quase exclusivamente para os professores.

No entanto, e quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador, 'são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os', acusa..

'O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de protestar e exigir depois. Quem não começa por tentar defender a harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar', sublinha.

Há professores que são 'vítimas nas mãos dos alunos'.

Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que 'ao pagar uma escola' deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação de muitos professores que estão 'psicologicamente esgotados' e que se transformam 'em autênticas vítimas nas mãos dos alunos'.

A liberdade, afirma, 'exige uma componente de disciplina' que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade.

'A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara', afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, 'uma oportunidade e um privilégio'.

'Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina', frisa Fernando Savater.

Em conversa com jornalistas, o filósofo explicou que é essencial perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais indisciplinadas do que antes; o problema é que 'têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos'.

'Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo. Isso leva-os à rebeldia', afirmou.

Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade, admitindo Savater que 'mais vale dar uma palmada, no momento certo' do que permitir as situações que depois se criam.

Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão de privilégios e o alargamento dos deveres.

 

 

 

publicado às 19:44


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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