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Uma dúvida que me surgiu ao ler esta notícia

por beatriz j a, em 09.07.19

 

Num país pequeno como Portugal, se um dador de esperma tiver, vamos supor, dois filhos seus e outros 25 resultantes da doação de esperma, anonimamente, a 25 mulheres, quais as propabilidades de alguns desses filhos todos virem a relacionar-se sexual e incestuosamente e a ter filhos uns com os outros sem saberem? Isto é um bocadinho perturbador, não?

 

Casal processa clínica de fertilidade por ter dado à luz as crianças erradas

Perante as suspeitas, o casal, de origem asiática, decidiu recorrer a testes de ADN que comprovaram que os bebés nem eram irmãos nem eram originários dos seus genes

 

publicado às 11:27

 

Unvaccinated boy nearly died from tetanus. The cost of his care was almost $1 million.

Um rapaz de seis anos apanhou tétano quando fez um corte na cabeça enquanto brincava na quinta dos pais que trataram do ferimento eles mesmos. Passados uns dias o rapaz começou com espasmos musculares e a ficar com a mandíbula presa. A seguir veio o arquear do pescoço e do corpo e dificuldade em respirar (teve que ser ligado a um ventilador) e outros sintomas. O rapaz não tinha sido vacinado. Esteve mais de 50 dias no hospital em risco de vida e num enorme sofrimento e depois ainda teve que ir para um centro de reabilitação. Enquanto esteve no hospital deram-lhe as primeiras doses da vacina do tétano e outras para o tratar. Quando saiu do hospital voltou para a quinta e os pais recusaram dar-lhe as doses seguintes da vacina bem como outras imunizações. Acho isto criminoso.
Em Itália as escolas deixam de receber alunos não vacinados. Nós aqui temos como obrigatória a vacina do tétano para a matrícula na escola mas não as outras. Acho que isso tem que ver com os custos do tratamento e as inúmeras possibilidades de os miúdos se ferirem na escola, na educação física e em outras actividades. No entanto, há outras doenças, muito contagiosas, que se evitam com a vacinação.
 
 
Em 1809 Sir Charles Bell, um médico, pintou este quadro de um homem com os espasmos musculares próprios do tétano que começam na mandíbula mas acabam a espalhar-se ao corpo ao ponto da pessoa ficar tão rígida e arqueada que parte a espinha. 

 

publicado às 05:51

 

Escola inimiga da família

A variável determinante são as características de cada um: o desempenho escolar é pré-escolar, nasce com eles. (...) A escola é um pormenor: estes miúdos [os bons alunos] são bons alunos em qualquer parte do mundo e apesar de qualquer escola, ministro ou professor.

(...) O nosso sistema não sabe transformar um mau aluno num aluno médio e um aluno médio num bom aluno. Não tem tempo, não tem pedagogia, está soterrada em burocracia, está refém dos maus professores - é irrelevante os professores serem bons ou maus -, vive no sobressalto com as alterações nos currículos, metas e manuais.

 

Segundo esta mãe de família os bons alunos são-no por questões genéticas e os professores não têm nenhuma influência na sua progressão. Já os maus alunos ou médios dependem dos professores para progredir só que os professores são péssimos e as escolas também. Portanto, os maus e médios alunos não têm genes? As suas fracas capacidades, para usar o ponto de vista desta mãe que atribui aos genes as boas capacidades dos bons alunos, não têm origem genética e não são, como os dos bons alunos, indiferentes à qualidade dos professores? Se não podemos influenciar um bom aluno porque são os genes que o fazem ser bom como podemos influenciar um mau aluno se os seus genes o fazem ser mau(?), para usar o argumento desta mãe. Quer dizer que há seres humanos cujos genes são independentes de influências exteriores e seres humanos cujos genes são dependentes de influências exteriores?

 

O resultado é que hoje a escola é um dos principais senão o principal fator desestabilizador das famílias: um miúdo considerado mau aluno pela escola corre o risco de ser considerado mau filho pelos pais.

A culpa também é nossa, dos pais? Seria, se não fosse obrigação da escola adaptar-se à realidade das famílias em vez de serem as famílias a terem a obrigação de se ajustar à esquizofrenia do nosso sistema educativo.

 

Esta mãe acha que os pais que consideram os filhos maus por terem maus resultados na escola não têm que mudar a sua perspectiva, acha que os professores é que devem dar boas notas a todos, mesmo aos que não trabalham e nada fazem, para que os pais não tenham esse esforço de gostar dos filhos e apreciá-los enquanto seres humanos, apesar de terem maus resultados escolares.

E naturalmente os pais não têm culpa porque a escola é que tem que adaptar-se às famílias. Deixa ver, se a família tem pais alcoólicos a escola deve promover a ingestão de álcool; se há violência física e verbal nas famílias a escola deve adaptar-se e treinar os alunos para a violência física e verbal; se os pais são preguiçosos, não vão à escola saber dos filhos, não os ajudam em nada, a escola deve promover a preguiça e a falta de responsabilidade nos alunos e por aí fora? 

 

O que parece é que esta mãe teve uma angústia qualquer com as notas de um filho e como pode vociferar a sua fúria nos jornais é o que faz. Os pais de hoje vêm os filhos como clientes de uma empresa -a escola- que deve fazê-los felizes e transformá-los, como que por magia, em Einsteins, mesmo que os pais se demitam da sua obrigação de pais e só façam asneiras que estragam os filhos para o estudo como vemos em centenas de casos.

 

publicado às 19:59

 

 

... não abdicam dos seus direitos. Igualdade também é isto.

 

publicado às 06:46

 

 

Um colega que fez, com outros, uma visita de estudo fora do país, de vários dias, com alunos de várias turmas do 11º e 12º anos contava-me há tempos que, tendo o grupo chegado, no regresso, às quatro da manhã ao aeroporto, os pais, à medida que iam chegando e recolhendo os filhos, comportaram-se como se os professores não estivessem presentes: nem boa noite, nem obrigada, nem uma pergunta qualquer de circunstância ou cortesia, do género, 'então correu tudo bem'... nada, népias, nicles, niente. Dizia-me ele, 'foi como se fôssemos invisíveis'. Chegavam, levavam os filhos sem se aproximar, sem nos olhar sequer... uma mãe que chegou muito atrasada de modo que já só lá estava o filho mais os professores, que a esperavam, não podendo ignorá-los, disse 'boa noite', agarrou no filho e andor.

Fiquei chocada a ouvir isto. Quer dizer, eu sei que as pessoas não fazem ideia do que é organizar uma visita de estudo de vários dias, fora do país, com actividades a preencher os dias, com intervenções pedagógicas preparadas para cada actividade e tudo pensado para prevenir que alguma coisa possa correr mal, sendo que se corre, mal, a responsabilidade é dos professores. Também não sabem que os professores em visita de estudo não têm direito a subsídio de almoço (o ministério deve achar que não é trabalho) e que muitas vezes têm que repôr as aulas como se não estivessem em trabalho. (É um sacrifício que eu, por exemplo, não faço. Faço visitas de estudo de um dia: ir de manhã, vir à tarde ou à noite. Mesmo assim fico sem o subsídio de refeição desse dia como se não precisasse de comer.) Eu sei que não sabem, nem pensam nisso mas, mesmo assim, acho uma falta de consideração e de educação tremendas. 

De modo que... às vezes os filhos são como são porque os pais são como são.

 

 

publicado às 17:12


Quando o filho é um querido :)

por beatriz j a, em 11.12.16

 

 

... e vai ouvir o Elton John e partilha comigo directamente umas músicas que sabe que gosto pelo FaceTimeVídeo :)) Nice.

 

 

 

publicado às 22:10


What a cool dad 😀

por beatriz j a, em 04.08.16

 

 

Um pai editou as brincadeiras do filho.

 

 

publicado às 09:12


Pandemia de filhos tiranos

por beatriz j a, em 02.02.16

 

 

Filhos tiranos que maltratam os pais são já uma "pandemia"

 

Pois... assim que nascem chamam-lhes princesas e princípes, dão-lhes tudo e mais alguma coisa todos os dias e em passo acelerado com rasgados elogios só por terem levantado o seu prato da mesa, por exemplo. Cedem as todas as chantagens emocionais. Em frente deles praticam a arte de não ter contenção na comida, nas compras, nos seriços públicos, etc., só vão à escola dos filhos quando há problemas ou para fazer queixas... acham que lhes prestam um grande serviço por fazerem de camaradas e advogados de defesa em vez de serem pais... epá... estas coisas têm custos...

Volta e meia estamos na secretaria da escola e entra uma mãe ou um pai exaltados a ameaçar toda a gente porque descobriram a meio do ano, depois de se ter enviado 10 cartas, depois de nunca terem ido à escola ou sequer pegado no cartão electrónico dos filhos onte têm acesso a todas as informações da vida escolar deles, que a filha ou o filho têm montes de faltas disciplinares... e em vez de ralharem com filhos ralham com... os professores, os funcionários da secretaria... epá... estas coisas têm custos...

 

 

publicado às 16:29


Há esperança neste mundo

por beatriz j a, em 18.01.16

 

 

Un bebé en el consejo de ministros de la UE

El ministro sueco Tobias Billstrom se ha llevado a su hija de nueve meses a la reunión en un intento por «pasar más tiempo juntos».

 

 

 

publicado às 20:32


Pais: a escola pública não é um internato

por beatriz j a, em 13.06.15

 

 

 

 

publicado às 10:58

 

 

 

As associações de pais criticam a proposta do Conselho das Escolas, que recomenda mais uma pausa para "férias de outono", e defendem uma mudança radical - um mês de férias de verão.

 

O Conselho das Escolas (CE) aprovou, na quinta-feira, uma recomendação que, entre outras propostas, defende que os alunos devem ter uma pausa a meio do primeiro período, à semelhança do que acontece noutros países europeus, para que as escolas possam avaliar o trabalho realizado e planear atividades de apoio aos alunos com mais dificuldades.

Confrontado com esta recomendação, o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Jorge Ascensão, criticou as pausas avulso e defendeu que as aulas deveriam "começar no início de setembro e terminar apenas no final de julho", ou seja, os alunos teriam apenas um mês de férias no verão.

 

... isso e não fazem ideia de como funciona a escola... com as aulas a acabar em meados de Junho, nós ficamos a ver exames até Agosto, os colegas do Agrupamento de Exames passam lá o mês de Agosto quase todo... e quando acabam as aulas há notas para dar, matrículas para fazer, há turmas para fazer, duas fases de exames mais uma segunda época para o básico, reapreciações de provas, termos para fazer, fichas de candidatura dos alunos à universidade, o balanço do ano anterior, carradas de relatórios... e há colegas que passam metade do Agosto na escola a fazer os horários do ano seguinte. Com as aulas a acabar em fim de Julho ninguém ia de férias e mesmo assim, em Setembro essas coisas não estavam prontas. Mas os pais pensam que isto é: acabam-se as aulas no fim de Julho, ponto final. Vamos todos de férias e voltamos em Setembro e tudo foi feito pelo espírito santo? Pensam, pois pensam, é o que se vê por estas alarvidades que dizem.

 

É assim que nós nos apercebemos que estão completamente a leste do que se faz nas escolas e do que lá se passa para o ano poder funcionar. 

Os outros países todos têm mais férias escolares que nós. O primeiro período actualmente é violentíssimo, para nós e para os alunos. Mas é evidente que os pais e, quem está por fora e nunca deu aulas numa escola, não entende.

 

Na terça fui ao hospital apanhar uma vacina por causa das alergias. A médica assim que me viu assustou-se e disse-me, 'Beatriz, vou já passar-lhe uma baixa. Não pode estar a trabalhar nesse estado de stress que não há vacina que lhe valha. O que se passa?'  _ O que se passa é que na escola chegamos quase todos assim ao fim do ano. O que se passa é que começo a falar com uma pessoa no PC e adormeço duas vezes durante a conversa.

Hoje dei a minha última aula do ano. Terça feira começam as reuniões e vou levantar exames para classificar. Se for como o ano passado, são 60 provas só na 1ª fase... mas os pais pensam que andamos a fazer o quê? 

Os pais não querem é aturar os filhos! É triste que se demitam de os educar durante o ano e os deixem andar na borga e a deitar às três da manhã, no PC e no FB até de madrugada, etc. e depois queiram que se enfornem na escola no Verão... à nossa custa.

Que os indivíduos sem a colaboração dos quais os alunos não têm sucesso digam estas coisas mostrando um total desconhecimento da realidade das escolas e um desrespeito pelos tempos de descanso dos filhos -porque muitos trabalham muito durante o ano e merecem o descanso- é deprimente.

publicado às 19:36


Como se fabrica um assassino

por beatriz j a, em 12.08.14

 

 

 

 

 

Esta imagem foi publicada, em primeira mão, na internet, pelo alegado pai e com a legenda “That’s my boy!”

 

A foto de uma criança – que se presume ser australiana – a segurar a cabeça decepada de um alegado soldado sírio surgiu no final da semana passada na internet e chocou o Mundo. O rapaz será filho de Khaled Sharrouf, um cidadão australiano muçulmano que se no ano passado se juntou à “jihad” ao lado do então denominado Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL, na sigla inglesa), hoje em dia rebaptizado simplesmente como Estado Islâmico

 

 

publicado às 20:22


🐸 Imaginário de infância

por beatriz j a, em 19.01.14

 

 

 

Elena Shumilova

 

 

publicado às 19:58


Coerências...

por beatriz j a, em 19.03.13

 

 

 

Peso dos pareceres favoráveis a despedir grávidas e lactantes duplica

Há menos bebés a nascer de tal modo que já se tornou um problema nacional grave. Fazem-se feiras e encontros, como o deste fim de semana no Norte para promover a maternidade mas depois... adopta-se uma política de despedir grávidas e lactantes, como se ter filhos fosse uma incompetência profissional.

É de admirar que as raparigas com alguma educação e ambições na vida adoptem uma política de não ter filhos ou ter um filho lá para os quarenta anos?



publicado às 08:47


verdade

por beatriz j a, em 01.05.11

 

 

 

Quem tem filhos tem cadilhos, diz o ditado popular. É verdade. Uma pessoa nunca deixa de se preocupar com os filhos. Quando são mais novos preocupamo-nos com o crescimento e com a escola e depois, mesmo se já são adultos e se achamos que são pessoas de valor e têm em si instrumentos para ultrapassar os obstáculos que a vida traz, preocupamo-no na mesma. Acho que a vida é isso: estarmos presentes, cuidarmos e preocuparmo-nos com as pessoas de quem gostamos e de resto, fazer algo de útil para a sociedade em que estamos. Acrescentar qualquer coisa positiva. Mas leva tempo a perceber que estas são as coisas importantes e que tudo o resto é superficial assim como leva tempo a saber como construir esse algo positivo.

Uma pessoa vê os filhos nessa procura e descoberta e às vezes gostava de lhes encurtar o caminho. Mas é claro que não é possível, porque a vida é isso mesmo: percorrer o caminho. O seu caminho.

 

publicado às 22:33


respostas

por beatriz j a, em 10.02.11

 

 

 

Sobre a curiosidade de "Durante este ano, qualquer pessoa que some a sua idade aos dois últimos dígitos do ano de seu nascimento obterá como resultado o número 111", resposta do filho:

 

Onde é que inventam essas coisas?

Não funciona sempre, só de 1900 até 1999.

Estás a somar aos últimos dois dígitos do ano de nascimento a tua idade em 2011, que é o mesmo que dizer a tua idade em 2000 + 11 anos. Se somares a tua idade em 2000 ao ano do teu nascimento (últimos dois dígitos só) obviamente que vai dar o resto que falta do século, se nasceste em 60 somas 40 anos e tens 100, se nasceste em 86 somas 14 e tens 100. Para 2011 é a mesma coisa só que somas mais 11 anos à tua idade e tens os 111, o que ajuda a disfarçar o óbvio...

 

publicado às 14:17


danos colaterais

por beatriz j a, em 11.12.10

 

 

 

Filho de Madoff encontrado morto

Um filho do ex-financeiro Bernard Madoff foi encontrado morto hoje, sábado, em Nova Iorque, aparentemente vítima de suicídio.

 

Valeu a pena a vida de luxo durante vinte anos de roubo? Carros, casas, vassalagens...valem o suicídio de um filho? Valem a miséria de milhares de famílias, a fome dos outros, as doenças que não se tratam, os futuros que não se cumprem, os países que desaparecem sob os anos de corrupção, roubo e decadência? As acções não teriam consequências? O que se faz hoje não influencia o devir dos acontecimentos?Os tornados que atingem as costas não começam por pequenos rodopios lá no meio do oceano?

É triste esta notícia.É a face visível de uma miséria moral que se esconde por detrás de muitos portões dourados.

 

 

publicado às 19:40


putos abebezados com 15 e 16 anos...

por beatriz j a, em 19.10.10

 

 

Há pais que a quererem...não sei o quê...proteger os filhos ou apenas são preguiçosos e não estão para os educar...não sei. O que sei é que estragam os filhos. Chegam ao 10º ano completamente auto-centrados e abebezados...cada contratempo que têm desatam a chorar...não há pachorra! Francamente! Não têm um pingo de auto-disciplina. Qualquer dia levo chupetas para as aulas para dois ou três...

 

publicado às 17:39


os filhos e os pais

por beatriz j a, em 23.08.10

 

 

 

Hoje fomos no barco até uma praia mais longe. Perto do sítio onde ficámos estava uma família grande - vários casais com as respectivas descendências. Os filhos, adolescentes, puseram-se a jogar às cartas com um palavreado de f....... para aqui e c........ para ali em cada frase que diziam. Como aquela hora já não estava ali muita gente e falavam altíssimo ouvia-se ao longe. Nem uma única vez os adultos, que fingiam não estar a ouvir nada mas que se via pelo ar apertadinho que estavam incomodados, chamaram a atenção dos rapazes apesar de andarem ali perto miúdos de outras famílias visivelmente incomodadas. Quando estes adolescentes andarem pelas escolas a falar daquela maneira, como vão responder aos professores que ralharem com eles, se os próprios pais agem como se fosse muito natural aquela maneira de falar em público.

Já outro dia num restaurante uma família que se sentou perto de nós com um puto com cerca de 4 anos que fazia um barulhão com um carro de brincar que usava como se fosse um martelo enquanto berrava de modo irritante, não disseram nem uma palavra ao miúdo no sentido de educar os seus instintos naturais e deixaram-no incomodar toda a gente. Quando este miúdo for para o primeiro ano incomodar toda a classe e a professora, como compreenderá que o seu comportamento não é aceitável se ele é plenamente aceite sem críticas pela sua família?

Com tanta conversa parva de pseudo-pedagogias que vomitam na televisão os pais demitem-se de educar os filhos. Acima de tudo querem parecer muito porreiraços e modernaços e não entendem que não há educação sem intervenção.

publicado às 21:57


pais e filhos

por beatriz j a, em 17.04.10

 

 

Amor doentio leva pais a perder guarda dos filhos   DN

Aos sete anos, a criança mal sabia andar, porque a mãe e os avós maternos a levavam ao colo para todo o lado com medo que ela caísse. Hoje, com 13 anos, o rapaz não sabe correr e até subir escadas é uma tarefa que faz a custo. Apesar de ser o melhor aluno da turma, na escola não se relaciona com os colegas, não come nada que não seja cozinhado pela mãe ou pela avó e nem consegue fazer chichi sozinho.

 

Não conheço nenhum caso tão dramático, mas já conheci vários casos de pais que prejudicam os filhos por um zelo doentio e um ciúme deslocado. Estou a falar de alunos/as de secundário, com 16, 17, 18, 19, 20 ou até mais, anos de idade. Alguns pais vigiam constantemente os filhos. Se os deixam ir ao café com os amigos, arranjam maneira de ir espiá-los pensando que eles não dão por isso. Devassam-lhes os cadernos, os livros, os telemóveis, tudo... Não os deixam ir a uma festa, a uma visita de estudo ou a uma passagem de ano com os amigos. Mesmo ir à praia com os amigos no verão é actividade impedida ou, em casos esporádicos em que os deixam ir, mandam-lhes mensagens e ligam a toda a hora. Assim que chegam a casa têm de fazer o relatório do dia e responder a extensos interrogatórios. Metem-lhes constantemente ideias na cabeça sobre perigos imaginários vindos dos colegas, dos professores, de todas as pessoas em geral. Têm ciúmes das colegas (se são rapazes) e dos colegas (se são raparigas) de formas tão doentias que acabam por estragar todas as amizades aos filhos. Não os deixam ir estudar para fora da cidade em que vivem. Às vezes arranjam obstáculos ao estudo porque preferem que os filhos chubem e continuem dependentes deles que passem e se libertem da sua tutela.

Já vi coisas destas mais vezes do que gostaria. Fazem dos filhos pessoas medrosas, desconfiadas, sem autonomia, sem iniciativa e incapazes de se governarem sózinhas. Os filhos sofrem imenso. Por vezes é melhor não dizermos nada aos pais porque se tentamos dizer alguma coisa, prevenir sobre os problemas que estão a arranjar aos filhos para o futuro viram-se contra nós e, se puderem , também viram os miúdos contra nós. Dizem que quem assim pensa é porque não ama e não cuida dos seus filhos.

Há casos em que me parece ser apenas provincianismo tosco e ignorante mas outras vezes é claríssimo que há ali problemas freudianos dos pais em relação aos filhos.

É uma coisa muito complicada e pouco há a fazer a não ser tentar incutir nos miúdos confiança para que se auto-libertem progressivamente. Mas é aflitivo de se ver porque por vezes apercebemo-nos claramente do egoísmo com que destroem a vida aos filhos a coberto de falsos pretextos de amor.

 


publicado às 18:16


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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