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E como é que decidem? Tiram à sorte quais os insuficientes do ano? Ou recorrem ao princípio do FCT/ñFCT (Fomentaram Cunhas a Tempo/ não Fomentaram Cunhas a Tempo)?

 

A FCT deu instruções para haver até 80 centros excepcionais e excelentes

 

 

publicado às 11:05

 

 

 

O que faz uma unidade de investigação com 7500 euros por ano? “Nada”, diz a directora do Centro de Estudos Clássicos da Universidade de Lisboa, Cristina Pimentel. Este foi um dos centros que, na última avaliação da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), viu o financiamento descer. Também o Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra, com 15 mil euros anuais, só vai poder comprar livros e manter as revistas. “É toda uma área de investigação que desaparece. Havendo dois centros nestas circunstâncias, é acabar com a investigação em estudos clássicos em Portugal. Acabou. Ponto final”, diz Cristina Pimentel.

 

Os dois centros tiveram Bom na última avaliação, uma nota que lhes reduziu os orçamentos. Na unidade de Lisboa, que tem 27 doutorados integrados, isto é, com vínculo ao Estado, se o Bom que tiveram na avaliação de 2007/2008 lhes permitia 61 mil anuais – montante que, com os cortes dos últimos anos, já ia em 40 mil –, agora têm 7500 para organizar e participar em congressos, editar uma revista, comprar bibliografia, actualizar bases de dados, ir ao estrangeiro, traduzir, pagar a uma funcionária, entre outras despesas. Em Coimbra, o centro passou de Excelente, com direito a 160 mil euros anuais, para Bom e 15 mil euros. “Só dá para comprar livros e manter as revistas”, diz o coordenador científico, Delfim Leão. Este centro apoia, por exemplo, 40 jovens investigadores, que, caso não haja uma reviravolta na decisão da FCT, ficarão de mãos a abanar. Também Cristina Pimentel se mostra preocupada com os jovens investigadores. “O que vai acontecer? Vão emigrar?” Os dois centros apresentaram recursos, pedindo para passar à segunda fase da avaliação e ter direito a uma visita presencial do painel de avaliadores.

Com os montantes agora atribuídos, fica em causa a maioria dos projectos destes centros, dos quais fazem parte académicos como Frederico Lourenço (passou de Lisboa para Coimbra), que traduziu, entre outras obras, a “Ilíada” e a “Odisseia”, ou Maria Helena da Rocha Pereira (Coimbra). Não só são as traduções do grego e do latim a ficar pelo caminho e comprometer outras áreas de investigação, como a filosofia ou a história da ciência, em que é preciso ter acesso a textos antigos escritos por matemáticos e físicos. Em Lisboa, alguns projectos que poderão sucumbir consistem em publicar textos de mulheres que escreveram em latim em Portugal no século XVI ou, por exemplo, identificar, transcrever, traduzir e publicar manuscritos inéditos de missionários portugueses na China e em Goa. “Como é que se vai a Goa? À boleia?”, questiona Cristina Pimentel.

 

 

publicado às 18:37

 

 

José Vítor Malheiros, no Público:

a-ma-avaliacao-da-mau-nome-a-avaliacao

 

 

A propósito da avaliação das unidades de investigação portuguesas, levada a cabo pela European Science Foundation sob contrato da FCT, tenho recebido uma grande maioria de mensagens e comentários extremamente críticos dessa avaliação, onde abundam exemplos particulares de erros dos avaliadores ou incoerências na avaliação (infelizmente muitas vezes de remetente anónimo, o que diz algo sobre o ambiente de escassa liberdade e de medo que grassa na academia portuguesa).

 

(...)

 

2. Conheço igualmente a cultura nepotista, amiguista, bairrista, endogâmica e corporativista que existe em muitas organizações portuguesas e, nomeadamente, em organizações da universidade e da investigação portuguesas. A cultura da troca de favores; da mão que lava a outra e as duas a cara; do tu dás uma boa nota ao meu aluno que eu dou uma boa nota ao teu; dos concursos com um vencedor escolhido à partida; das embaixadas discretas ao ministro, aos secretários de Estado e aos presidentes da FCT em vez das discussões públicas, etc.. Como conheço a cultura dos mandarins da investigação, sempre próximos do poder e do dinheiro, eminências pardas por vocação, calados em público e sussurantes in camera, que têm à partida as avaliações garantidas e o financiamento assegurado por condições de trabalho privilegiadas.

 

(...)

 

A avaliação não pode ser uma expedição punitiva - e esta avaliação parece ter sido conduzida pela FCT exactamente com esse espírito. A avaliação da FCT é um instrumento de exclusão, à boa maneira da gestão empresarial neoliberal, e é, por isso, um instrumento de infusão de medo e de submissão.

 

 

publicado às 22:37


Um vento maligno levantou-se na Cidade

por beatriz j a, em 04.02.14

 

 

 

Um vento maligno levantou-se na Cidade e percorre-a em devastação. Enquanto durar, serão anos de calamidade.

(Director do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade do Minho e Presidente da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (Sopcom) e da Confederação Ibero-americana das Associações Científicas e Académicas de Comunicação (Confibercom).

 

A FCT e a polí­tica de extermí­nio das Ciências Sociais e Humanas - PÚBLICO

 

publicado às 05:13


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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