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Ucrânia reloaded I

por beatriz j a, em 30.03.14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Este tweet do Ministro dos Negócios Estrangeiros francês resume o posicionamento europeu relativamente à questão da Ucrânia (os franceses têm uma encomenda de armamento dos russos -de que muito se tem falado nos jornais franceses- que vale mais de 1.5 biliões), isto é, somos contra a prepotência dos russos mas, como não temos meios para os deter, enquanto pensamos numa solução não vamos prejudicar o posto de trabalho dos franceses. Era a este tipo de coisas que o Putin se referia quando dizia, há uma semana e tal, que isso de vivermos num mundo global vale para os dois lados.

 

No 10º ano, quando damos o tema da acção e falamos da rede conceptual da acção humana, costumamos distinguir a intenção premeditada da intenção na própria acção. Acho que isso se aplica a esta situação. Putin premeditou a anexação da Crimeia, em parte por irritação com a ingratidão (do seu ponto de vista) da Ucrânia e a arrogância do Ocidente. Foi tudo tão rápido que apanhou de surpresa o Ocidente e a própria Ucrânia que se suponha independente.  Aquela conferência de imprensa na Rússia uma semana antes do referendo, onde ele aparece sozinho a falar de ir ajudar a Ucrânia, país amigo, a pedido do Presidente deposto por golpe de Estado, fez-me lembrar o Mourinho nas conferências de imprensa quando finge que não sabe de nada e vemos na cara dele que já tem a estratégia decidida... o Putin só quis que ficasse registado publicamente que falou a favor dos direitos humanos e tal...

 

Depois da anexação, parece-me que ele delineou um outro passo que não estava planeado: foi uma intenção decidida no decorrer da própria acção, em virtude dela ter decorrido ainda melhor do que o previsto. Ele pensa agora que pode decidir, como a Merkele e Bruxelas decidem para os países que mantêm cativos (não interessa que a Alemanha mantenha os países cativos da dívida e ele das tropas), que tipo de estrutura política a Ucrânia deve ter, que tipo de constituição devem ter, que línguas devem permitir que se falem e outras coisas da sua esfera de interesses. 

 

Ele tem a Rússia do seu lado -os nacionalistas adoram-no-, os meios de comunicação russos e não só (a China, o Irão, a Turquia e muitos outros países vêem o mundo pelos olhos dele e acham que os americanos não têm moralidade para falar) e a indisponibilidade dos países da Europa se meterem numa guerra com ele. Os EUA também. No que fazem muitíssimmo bem mas, isso requer uma grande inteligênca diplomática e, desde logo, a senhora Merkele não obrigar os ucranianos a uma austeridade estúpida e sem esperança como fez com a Grécia, Portugal e Irlanda (fiquem pobres, destruam a produção e comprem-nos os nossos produtos) e, como não lhe fizeram os aliados depois da guerra, pois nesse caso, em meia dúzia de meses serão os próprios ucranianos a quererem ser russos para fugirem do destino de pobres servos da senhora Merkele.

 

Hoje ouvi na CNN uma pequena mesa redonda com quatro convidados, Tina Brown, fundadora da Women in the World Summit, Arianna Huffington, editora chefe do Huffington Post, Steven Pinker, psicólogo cognitivo e autor do livro The Better Angels of Our Nature e Joseph Nye, professor e dean da Kennedy School of Government de Harvard, sobre o tema, 'E se as mulheres governassem o mundo?'

Todos eles, sem excepção concordam que os países em que as mulheres estão no comando são menos propensos a soluções bélicas (as excepções como a Teatcher, explicam-se pelo facto de terem sido mulheres que tiveram que subir a pulso num mundo que era, então, quase exclusivamente, masculino), que no Médio Oriente e em África começa a ser comum os governos recorrerem a mulheres sempre que são necessárias conversações de paz.

O modelo de relações internacionais, bélico, que tem governado o mundo até agora, não resulta: há milhares de anos de provas infelizes que o confirmam. Na realidade o problema da paz no mundo é demasiado sério para ser deixado nas mãos de pessoas que gostam de brincar às armas, à guerra biológica, à guerra nuclear, etc.

 

 

publicado às 22:20


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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