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Boa exposição, 'bad timimg'

por beatriz j a, em 22.03.19

 

Esta semana fui ver a exposição do Cérebro Humano. Uma pena que não a tenham feito em Novembro/Dezembro porque o conteúdo é a matéria toda que andei a dar na aula de Psicologia e tinha sido fantástico levar lá a turma para poderem praticar, nas peças interactivas, o que aprenderam acerca da memória, da percepção, etc. e também ver alguns items de que falámos como por exemplo, o crânio do Phineas Gage do qual expuseram uma cópia com a barra e tudo, a revista onde o caso foi originalmente apresentado, ainda o Tratado das Paixões da Alma de Descartes, o primeiro desenho anatómico do cérebro, de um neurónio e outras coisas... enfim... bad timing. Se soubesse tinha guardado esse tema dos fundamentos biológicos do comportamento para o segundo ou terceiro período. Agora, com os feriados e as greves a calharem todas às sextas que é um dos dias em que tenho aulas com eles, já não há tempo para fazer visitas de estudo.

 

A peça central da exposição é uma Orquestra de Cérebros, que consiste numa instalação multimédia na qual quatro visitantes podem visualizar e ouvir, em simultâneo, a sua atividade cerebral. Os sinais, captados por um capacete, são projetados numa tela de grandes dimensões e as quatro ondas cerebrais em análise são representadas por cores, sendo a roxa, dizem-nos, a que representa o estado de relaxamento. Tenho que voltar lá para fazer isto outra vez porque não dá para ficar ali muito tempo, claro, que há outras pessoas que querem sentar-se ali mas eu quero acabar a experiência que estava a fazer. Depois conto.

 

publicado às 18:20


De Divina Proportione

por beatriz j a, em 01.03.19

 

Quem está ou vai agora à Suiça, pode dar um salto a Geneve à biblioteca da cidade e ver a exposição dos desenhos de Leonardo da Vinci que ilustraram o manuscrito sobre matemática e sua aplicação à geometria do seu amigo Luca Pacioli [1498], monge franciscano.

 

O título alude à 'proporção áurea' ou 'número de ouro', como é mais conhecido. O primeiro capítulo do livro estuda essa proporção do ponto de vista matemático e explora e a sua aplicação a várias artes e dá 5 razões para que o 'número de ouro' seja conhecido como, 'a divina proporção': 

 

* o seu valor representa a simplicidade divina;

* a sua definição invoca três comprimentos o que simboliza a Santíssima Trindade;

* a sua irracionalidade representa a incompreensabilidade divina;

* a sua autossimilaridade representa a omnipresença e invariabilidade divinas;

* e a sua relação com o dodecaedro representa a quintessência [a quintessência é um conceito da filosofia medieval que corresponde ao éter aristotélico, a substância não palpável que enche o espaço supra-lunar, os céus, onde habitam os seres perfeitos, diferente dos elementos materiais dos corpos sub-lunares]

 

Enfim, vale a pena, podendo, dar um salto a Geneve para ver a exposição. Quantas vezes temos acesso a desenhos ou obras de Leonardo da Vinci?

 

 

 

 

publicado às 06:06

 

 

Hoje fui ver a exposição Wentworth-Fitzwilliam, Uma Colecção Inglesa à Gulbenkian. Esta é a 1ª parte da exposição. Trata-se de peças da colecção da família Wentworth-Fitzwilliam reunidas durante mais de 400 anos. É uma das mais prestigiadas coleções particulares da Grã-Bretanha. Tem obras de Van Dyck e de George Stubbs, tem obras de mestres flamengos. Tem paisagens preciosas de mestres flamengos: gostei particularmente de uma paisagem fluvial de Ruysdael e de uma campestre de Hobbema, o pintor que dava o nome à rua onde morei em Bruxelas. É certo que amo particularmente as paisagens dos renascentistas, cheias de uma atmosfera entre o sombrio e o misterioso, densas de verdes fechados. Também gostei muito de um Van Dyck que retrata o 1º conde de Strafford e do retrato da Catarina de Bragança. Gostei de um pequeno medalhão com uma pintura de Cadmo matando o dragão. Tem obras muito boas. A 2ª parte da exposição chama-se O Gosto Inglês e tem peças, sobretudo gravuras mas, também, pintura, livros e cartas inglesas da colecção do Gulbenkian.

 

Sir Anthony Van Dyck (1599-1641), 'Thomas, Visconde Wentworth, 1º Conde de Strafford, com Sir Philip Mainwaring', Inglaterra, c. 1639-1640. Óleo sobre tela.  

 

Hobbema 

 

  

 

 

publicado às 17:43


O virtuoso criador

por beatriz j a, em 28.08.12

 

 

 

 

 

 

 

... é o nome da exposição temporária com peças de Machado de Castro no MNAA. Fui vê-la. Tem uma sala dedicada à estátua de D. José da Praça do Comércio. Ficamos a saber que a cena de se aproveitar o sucesso de uma obra para ganhar dinheiro em réplicas, estatuetas, desenhos, relógios, leques e outros objectos alusivos à obra não é de agora...

Tem peças muito bonitas de arte sacra, umas dele próprio, outras de escultores da sua oficina.

Gostei particularmente: duma figura feminina em terracota cheia de graça e delicadeza a contrastar com o material da peça; duma imagem de São João Evangelista em madeira com a esperança estampada no rosto e um manto duma cor vermelha opulenta sobre um traje verde todo bordado com folhinhas douradas, duma riqueza e beleza que a fotografia do catálogo (esse que está aí em cima) só palidamente consegue dar imagem; duma figura da Santa Teresa de Ávila com uma expressão de extase e devoção, em madeira trabalhada de modo a que a pele do rosto e das mãos aparecem marmorizadas. O manto de pregas douradas lindíssimo!; duma Pietá a que a fotografia do catálogo não faz justiça; duma imagem da Nossa Senhora da Encarnação linda, em madeira, com um traje duma côr pastel cheia de florões de rosas sob um manto verde e ouro e, finalmente, gostei imenso duma Châtelaine com Relógio, em ouro e esmalte, com pinturas miniatura da estátua de D. José, da Torre de Belém, de Camões a salvar os Lusíadas...

Vou entreter-me a ler o livro da exposição.

 

Aproveitei e fui ver os desenhos do Novo Mundo que estão lá, temporariamente, numa salinha à parte. O desenho da tartaruga, o da árvore do Mamão e o da flor do Jasmim Caiena são bonitíssimos. Olhá-los é imaginar logo aqueles botanistas, naturalistas aventureiros dos séculos XVIII e XIX, de caderno e lápis de carvão nas mãos, sentados numa rocha duma ilha longuínqua a desenhar os favos rugosos das carapaças das tartarugas ou as patas de dedos grossos de algum jacaré com o entusiasmo próprio de quem está a registar espécies desconhecidas do mundo civilizado.

 

03.Desenhar o Novo Mundo. Cartografia e Naturalia da Casa da Ínsua

 

publicado às 18:21


Plural como o Universo

por beatriz j a, em 27.02.12

 

 

 

 

Exposição sobre Pessoa na Fundação Calouste Gulbenkian

 

Plural como o Universo. Assim se chama a exposição do Fernando Pessoa que está na Gulbenkian. A exposição é excelente para estudantes. É interativa, é variada, muito cativante. Para os miúdos que estão habituados a ter que dissecar a Chuva Oblíqua e outros poemas sem antes se terem deixado cativar por eles a exposição é particularmente adequada. Vamos descobrindo o Pessoa plural, lendo poemas ou excertos de textos muito bem escolhidos. De início têm uma espécie de cúbiculos onde se projetam na parede digital alguns poemas dele que se accionam com o nosso movimento. De cada vez que queremos passar para outro poema passamos a mão em fente da parede. O poema que lá está começa a desconstruir-se, as letras a misturarem-se e reorganizarem-se até aparecer o novo poema. Achei isto deliciosamente pessoano, esta desconstrução e construção permanentes.

fui lá dar com umas frases que já não lia há muito tempo e que gosto muito...

 

Claro que também interessa a outras pessoas mas o que quero dizer é que é uma boa exposição para se 'descobrir' o Pessoa, porque fica-se com vontade de explorar e ler mais.

Depois, tem outros interesses, como objetos pessoais. Está lá o primeiro apontamento por ele escrito e o último poema que escreveu, pela sua mão.

Tem uma 'timeline' na parede onde ficamos a saber que em 1932, quando o Pessoa é já um vulto importante no panorama literário e cultural nacional, candidatou-se a curador da Biblioteca de Cascais para ter alguma segurança monetária e... foi recusado!! Não o quiseram. Dispensaram-no. LOL Não lhe reconheceram valor para estar na Biblioteca? Opá... socazinhos em lugares de mando não são de agora...

De tudo, a única coisa que não gostei foi o facto de terem a arca com a tampa fechada. Gostava de ver o interior da arca e até podiam ter lá posto uns papéis, sei lá...

 

Tirei uma fotografia com o telemóvel a um arranjo com a mesa, o chapéu, o Orfeu e a chávena do quadro do Almada, que também lá está.

 

 

publicado às 19:00


Obrigatório indisciplinar-se :))

por beatriz j a, em 10.02.12

 

 

 

 

Exposição na Gulbenkian

Deixar-se indisciplinar por Fernando Pessoa

Fernando Pessoa é "um poeta português sem sotaque". Esta frase é dita a brincar por Carlos Felipe Moisés, o curador brasileiro da exposição Fernando Pessoa - Plural como o universo, que já pode ser visitada na Fundação Gulbenkian e assinala o Ano do Brasil em Portugal.


publicado às 16:23


dentro da exposição da joana vasconcelos

por beatriz j a, em 13.09.10

 

 

 

 

publicado às 16:19


star wars

por beatriz j a, em 29.07.10

 

 

 

 

Ontem fui jantar ao restaurante do Corte Inglés. Tem lá nesse andar uma exposição da saga Star Wars que nenhum fã da série deve perder. Algumas peças são fabulosas como uma maquete da Millennium Falcon na cena do primeiro filme em que eles estão a fugir da Estrela da Morte. A maquete tem todo o set - o Hangar onde está a nave (cortada ao meio para se ver o interior) com a rampa descida, as tropas do Imperador a disparar contra a princesa Leia, o Luke Skywalker, o Han Solo e o Chubaka, a porta aberta com o Darth Vader e o Obi-Won no duelo que mata este último. É linda. Tem outras peças, algumas assinadas pelos actores. Tem miniaturas e outras réplicas bestiais. Um R2 em tamanho natural anda de um lado para o outro no meio de nós. Um Darth Vader com a espada de luz para agradar aos miúdos.

 

publicado às 17:14


exposição joana vasconcelos

por beatriz j a, em 31.03.10

 

 

Fui ver a exposição da Joana Vasconcelos ao museu Berardo (só um aparte - não me interessa as razões que levaram este homem a coleccionar arte. O que sei é que a partilha com o povo,o que é mais que todos os outros que também a compram, às vezes com o nosso dinheiro, como no caso do BPN, mas que a guardam egoisticamente a sete chaves).

A exposição é extraordinária.

Todas as peças têm uma raíz portuguesa e partem do quotidiano mas universalizam-se, tanto na forma como no conteúdo. As peças são fortemente provocaticas e inequívocas, o que não é muito comum em de peças em instalação que às vezes requerem conhecimentos prévios e um estado de espírito muito próprio para se entrar dentro da mente do artista. Mas não aqui: o efeito e a compreensão são imediatos e fortes. As peças convocam o pensamento, o sentido de humor e os sentimentos. Todas as peças são excepcionais. Cheias de verdade. E ela tem um estilo muito original.

Gostei da peça 'strangers in the night', - o táxi que anda à noite no meio de outros carros, representados pelos faróis iluminados, pequenas luzes solitárias; gostei do sapato gigante que ao longe tem um brilho e um glamour que evoca o mundo da Marilyn Monroe e que alinal é todo feito de tachos e panelas - o outro lado do glamour feminino. Está genial. Gostei da cadeira, toda feita de aspirinas, perto da cama, toda feita de comprimidos para dormir - o dia e a noite do mundo contemporâneo. Gostei daquela espécie de câmara/cubo/montra com todos os objectos duma casa que mostram uma vida tipicamente portuguesa condensada nas coisas. É demonstrativa.

A matrafona gigante que faz lembrar os contos e os brinquedos da infância, toda feita de retalhos de tecidos, crochet, rendas e panos de cores e padrões portugueses que evocam a infância, de cores alegre e felizes, em contraste com a viúva negra logo à entrada.

Duas peças são muito impressionantes. A primeira é 'A Burka' - uma camada de tecidos (tecidos de feminilidade escondida, proibida) tapados com uma burka sobe lentamente numa grua e quando chega lá acima é largada e cai de borco, estatelada no chão, numa espécie de palco redondo. A primeira vez que se vê é chocante, porque é evidente que é atirada, como se fosse uma boneca de trapos sem valor nenhum, para a morte, depois duma vida de  negação. É dramática, como uma pequena peça teatral trágica que se desenrola em um minuto diante de nós. É tão verdadeira que se vê nela, mais do que em mil livros, o que é ser uma dessas mulheres. Muito impressionante.

A outra chama-se 'perfeito coração', uma frase do poema do O'Neil cantado pela Amália. Entramos numa pequena sala redonda, toda negra (como o vestido e o xaile das fadistas e a cor do destino/fado) e lá dentro estão três corações gigantes, que rodam sobre si, daqueles que as minhotas usam em filigrana ao pescoço - um negro, outro vermelho e outro dourado. São feitos, incrivelmente, de garfos retorcidos. Ouvimos a Amália cantar a Gaivota do O'Neil. Fica-se imediatamente esmagado por aquele ambiente de fado assim que se entra. Convoca os sentimentos e é muito profundo e comovente.

Esta artista, que tem uma peça cheia de humor - uma lambreta com atrelado que na parte de trás está carregada de Nossas Senhoras de Fátimas luminosas daquelas mesmo pirosas- a mostrar o lado provinciano e kitsch de certa cultura portuguesa, depois agarra noutros objectos da cultura popular e com eles mostra a profundidade e a seriedade duma certa alma portuguesa na maneira como confere nobreza e sentimento aos corações.

A saída faz-se por uma instalação que é um jardim nocturno, em labirinto. Uma coisa mágica mesmo, com as flores luminosas a bordear o caminho da noite escura. Lindo.

A mulher tem uma imaginação, uma criatividade, uma capacidade de atirar com a verdade para cima de nós, umas vezes com humor, outras com o drama, mas sempre com inteligência, e beleza.

Tenho que ir ver a exposição outra vez.

Tirei umas fotografias com o telemóvel.

 

 

 

 

 

 

 

publicado às 09:42


o devir

por beatriz j a, em 22.11.09

 

 

 

Umberto Eco (que tem uma biblioteca com 30.000 volumes), em entrevista ao ao Der Spiegel a propósito duma exposição com eventos associados que organizou como curador para o Louvre e a que chamou O Vertígio da Lista por girar à volta da importância das listas na história da humanidade finaliza a conversa com estas palavras:

 

Aos 13 anos estava fascinado com Stendhal, aos 15 com Thomas Mann e aos 16 amava o Chopin. Depois  passei o resto da minha vida a tentar conhecer o resto. Neste momento o Chopin voltou outra vez ao topo. Na vida, quando se interage com as coisas, tudo está em constante mudança. E se nada muda, é porque se é um idiota.

 

 

 

publicado às 18:11


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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