Nicola Woolcock and Alice Fishburn
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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
... e eu agradeço que me façam chegar a parte que me cabe. 😄
Apesar de ter sido graças ao PSD que o seu orçamento retificativo foi viabilizado
... mas é indiferente porque qualquer uma das hipóteses vai ser a causa da sua queda. Só esperamos é que não nos arraste consigo... e não se percebe o Passos Coelho a fazer-lhe todos os fretes... aliás, porque é que o PSD não muda de líder? Acho que já toda a gente percebeu que Passos e Costa são exactamente a mesma moeda... Ou será que preferem medíocres à frente?
PÚBLICO
O Ministério da Educação vai ficar sozinho na reunião que estava prevista para amanhã sobre o estatuto da carreira docente. A Fenprof (Federação Nacional dos Professores) emitiu hoje um comunicado onde explica que considera desnecessário estar presente num encontro onde falta, à partida, “espaço e matéria para negociar”.
E o que iria lá fazer, para além de picar o ponto? Nada.
Esta ministra e ajudantes, e o primeiro ministro, em primeiro lugar, fazem lembrar aqueles carrinhos de brincar, a pilhas, que por vezes eram esquecidos, ligados, virados contra uma parede e que, até gastarem as pilhas ficavam a 'marrar' na parede, para a frente e para trás, para a frente e para trás... Porque, face às dificuldades o que fazem, o primeiro ministro e, acima de todos, a ministra da educação? Mais do mesmo, só que com mais força, leia-se autoritarismo.
É uma espécie de teimosia estúpida desprovida de sentido ou de utilidade...como os carrinhos a embater repetida e indefinidamente na parede.
Só espanta tanta gente tão 'inteligente e superior' ter levado tanto tempo a ver o que estava mesmo à vista.

(Richard Pohle)
Daniel was excluded from school for four days. His mother fears the social implications
A criança tem "excesso de energia"? "Não aceita a autoridade"? "Tem dificuldade em concentrar-se"?"Tem mudanças repentinas de humor"?
Um psicólogo tradicional pensaria "possibilidade de ter uma perturbação de hiperactividade". Mas não é disso que se trata…São crianças índigo e têm até auras azuladas (índigo)…Vieram para nos salvar e promover a nossa evolução…Não precisam de ser educadas, apenas amadas. Mais uma crença perigosa.
O termo "Criança Índigo" foi criado por Nancy Ann Tappe, uma psíquica (supostamente tem poderes paranormais) que classificou as pessoas segundo a sua aura, num livro de 1982.
As crianças índigo são reconhecidas pela sua aura e por outros traços. O "Índigo Clildren Website"(2) aponta:
1- Vêm ao mundo com um sentimento de realeza (e comportam-se como tal)
2- Têm um sentimento de "merecerem estar cá" e ficam surpreendidos quando os outros não partilham essa ideia
3- Têm dificuldade com a autoridade absoluta (autoridade sem explicação ou escolha)
4- Simplesmente não fazem certas coisas; por exemplo, esperar numa fila é difícil para elas
5- Parecem antisociais a menos que estejam com os seus iguais. Podem virar-se para dentro de si mesmas, sentindo que ninguém as compreende. A escola é muitas vezes difícil para elas do ponto de vista social
6- Não respondem à disciplina baseada na culpa ("espera até o teu pai chegar a casa e descobrir o que fizeste"
7- Não são tímidas em fazer saber o que precisam.
Quem lê aquelas características pensa em que tipo de crianças? Em todas dum modo geral!
Então a Ministra e este ministério querem introduzir nas escolas doutrina de crianças azuladas que vieram ao mundo para nos salvar? Será que nasceram em mangedouras?
Só falta a ministra obrigar os professores a tirarem cursos de detectar feiticeiros. De ler a sina, talvez? De deitar as cartas? Lançar búzios? Sangrar galinhas?
Quem sabe, qualquer dia vai sua excelência ao Parlamento de vestes roxas, vassoura na mão e, ao lado dela, o merceeiro vestido de Merlim, com o o outro a fazer de corvo...que avejão já ele é.
Ao que chegámos! Isto já passou o ponto de rir, já perdeu a graça. É grave demais que as pessoas responsáveis em vez de acreditarem na razão acreditem em mezinhas sopeirais.
As crianças não precisam de ser educadas????
Não há paciência para tanta estupidez!
timesonline.typepad.com/schoolgate/2009/03/should-teachers.html
Com este título, um artigo no TimesOnline discute o caso de um professor de Matemática e Ciências que foi despedido pelo novo director da escola por ir de sapatos de ténis para a escola. O director alega que aquilo que é proibido aos alunos em termos de vestuário, também o deve ser para os professores. O professor alega que por essa ordem de ideias os professores teriam de usar os uniformes dos alunos.
Por lá há quem defenda que os professores que melhor se vestem são os que têm melhores resultados! Pelo que se lê no artigo, muitas escolas entendem que os professores têm de ir melhor vestidos que os alunos para as aulas.
Estamos a entrar no reino da fantasia? Isto é o triunfo da aparência? Quando uma pessoa pensa que a estupidez socretina é exclusivo nacional...
A ideia de que as pessoas, por terem os mesmo direitos perante a lei, são iguais umas às outras e têm os mesmos deveres é uma coisa sem pés nem cabeça. Será que um juíz deve tratar o arguido por 'meretíssimo réu' e levantar-se quando ele entra na sala?
Ser aluno e ser professor são coisas diferentes. Uma coisa é defendermos o bom senso e a medida do que é próprio a um local de trabalho - por exemplo, ter uma atitude profissional, não ir com um ar completamente desleixado ou de modo a não conseguir fazer o trabalho; outra coisa diferente é regulamentar a maneira de vestir das pessoas confundindo o dever de respeito com o dever de ser carneiro em rebanho.
As salas de aula são ambientes não muito formais onde a roupa se estraga imenso, sobretudo por causa do pó de giz, mas também porque são espaços degradados. Os professores passam horas e horas de pé...
Qualquer dia isto parece a Arábia Saudita e temos de andar de lençol da cabeça aos pés, não? Ou passarão os professores a ser avaliados também quanto ao estilo de vestir? Os alunos e os pais votarão no professor mais 'giro'?
Este pessoal que só se preocupa com o acessório têm todos uma mentalidadezinha de pequenos burocratas ditadorzinhos! Não há paciência...
O editorial do NYT, sobre a educação, faz um apanhado dos pontos mais relevantes do discurso do presidente Obama sobre a educação. É desesperante! É tudo, mais do mesmo!
→ www.nytimes.com/2009/03/12/opinion/12thu1.html
1. Vai fazer uma super reforma;
2. Não apresenta uma única ideia sobre a educação propriamente dita: fala, sim, de excelência de resultados (sempre os mesmos chavões ocos), de dinheiro, de avaliar professores (já se sabe que de x em x anos os professores são avaliados por critérios diferentes, ao sabor das reformas dos 'especialistas da educação' e dos governantes reformisto-economistas) e de despedir professores.
3. A reforma não vai mudar nada; quer dizer, não se modifica a lógica da estrutura curricular, do funcionamento das escolas, do apoio às famílias, das aprovações/reprovações: a reforma é, sobretudo, questão de dinheiro para cativar alguns do sistema.
Os professores cujos alunos tenham melhores notas recebem mais dinheiro; os professores de matemática e de ciências terão estatuto (superior) à parte e receberão mais dinheiro. O artigo diz também que o presidente vai pôr a reforma à votação: serão os eleitores a decidir as reformas - como os 'especialistas da educação' não souberam fazer as reformas ele considera, talvez, que não há ninguém mais abalizado para se pronunciar sobre o assunto.
É claro, não é preciso ser muito esperto para perceber que a 'super reforma' está condenada ao fracasso, antes mesmo de começar.
Estas notícias são uma desilusão desencorajante (porque isto há-de servir para os nossos paradigmas da educação caseiros reforçarem a sua cegueira e incompetência, agora que têm um exemplo fresquinho vindo do admirável Mundo Novo).
A culpa do estado da educação é desta gente tornada estúpida pela ignorância, mas a culpa da desilusão é toda minha. Lembro-me das palavras de Sócrates, no Fédon de Platão, quando explica a Símias e Cebes que o problema da misantropia e da misologia reside nas próprias pessoas que delas sofrem: têm grandes expectativas e ilusões ácerca dos outros e depois, quando os vêem como aquilo que são e sempre foram, homens que erram, que mostram ignorância, etc., etc., desiludem-se com as pessoas e os argumentos.
A ideia de aplicar critérios de economia de gestão às escolas e à educação em geral é tão errada! Pôr a competição por dinheiro como fundamento e meta da educação e da sua prática desvirtua completamente o essencial da educação, bem como a profissão de professor! Desvirtua-os no verdadeiro sentido da palavra: despoja-os de toda(s) a(s) virtude(s). Ora, quando se despojam as coisas e os processos das suas virtudes, é inevitável que surjam e se instalem...os vícios.
Mas hoje não vou aí que depois de ler aquilo fiquei desanimada.
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