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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Jornalista lamenta não ter sido avisada por Carlos Magno, de quem é amiga há mais de 30 anos, da abertura de processo.
Sabemos que as TVs até se babam com as audiências das catástrofes e todas querem ser as primeiras a mostrar as piores coisas que causem mais escândalo e façam subir as audiências.
A imagem da Judite de Sousa com um cadáver tapado a decorar o cenário para acrescentar tensão e drama à imagem não seria novidade não fosse o caso do corpo que ali está ser filho, filha, irmã, irmão, pai, mãe de alguém que, muito provavelmente não teve voz e não autorizou aquela exposição pública do corpo, mesmo que tapado.
Lembramos que a Judite de Sousa teve a infelicidade de perder o filho há pouco tempo e lembramos como nessa altura pediu privacidade - que não a filmassem, nem falassem ou passassem imagens do filho para respeitar o seu luto e a sua dor. A dor dos outros é sempre mais fácil que a nossa, não é verdade?
E a Judite não se queixa da queixa mas da amizade com o regulador não ter funcionado. Pois, os cargos e os amigos nos cargos. Portugal é isto.
O conselho regulador defende ainda que "a atuação do ministro nos telefonemas trocados com responsáveis editoriais do Público, usando de um tom exaltado e ameaçando deixar de falar pessoalmente com o jornal, poderá ser objeto de um juízo negativo no plano ético e institucional", mas sustenta que "não cabe à ERC pronunciar-se sobre esse juízo."

Tenho andado a ler a revista e os relatórios da ERC. Andei também a ver a lista dos projectos financiados - há lá coisas muito interessantes, algumas inesperadas, se não soubesse da política deste mega-projecto de investigação europeia.
Fui dar com uma comunicação feita no lançamento do Instituto, em Berlim, no ano de 2007, sobre criatividade: "O que torna um cientista criativo?"
É impossível, ao ler a comunicação, não estabelecer ligação ao que se passa no nosso país (que tem lá poucos investigadores, diga-se de passagem) e à questão dos rankings e do tão falado sucesso no ensino. Não que a comunicação diga coisas novas que não saibamos, mas nestas coisas parece que as pessoas só ouvem quando alguém em certas posições as diz.
Lê-se na comunicação: que a geração de ideias novas ou de ligaçoes novas entre conceitos já existentes é a chave do progresso; que a marca do espírito científico é a curiosidade, a paixão pelo conhecimento; que a analogia de Garfield (fundador da biometria) segundo a qual se pode comparar a curiosidade ao cultivo da fruta desde a semente (ambas necessitando de condições certas para germirar, desenvolver, florescer, amadurecer e dar fruto) os guia na defesa de que o ambiente em que a investigação/estudo é conduzida tem um papel vital na alimentação da criatividade; que dois factores parecem ser fundamentais: primeiro, a flexibilidade, para deixar as pessoas seguirem novas e inexperadas ideias e a redução ao mínimo dos deveres administrativos, de modo a deixar espaço para o trabalho do estudo, exploração que alimentam a criatividade; segundo, a independência - muitas inovações em campos teóricos são fruto de labor individual ou de grupos pequenos, de modo que é essencial deixá-los com espaço, independência e liberdade.
Éverdade que as escolas não são centros de investigação, mas também é verdade que são centros de mentes novas, curiosas e com grande potencial: SE lhes for facultado o ambiente necessário è germinação, desenvolvimento e amadurecimento; SE for dada aos professores margem de liberdade e tempo para o estudo e a exploração de técnicas de abordagem às disciplinas e aos problemas dos alunos.
É evidente que nesta história dos rankings o ambiente rico em nutrientes culturais e educacionais faz toda a diferença. Não é acaso o facto das escolas frequentadas por alunos de ambientes ricos estarem no topo da tabela,assim como não é acaso que Portugal esteja fora das 100 universidades melhores do ranking mundial, tendo em conta o ambiente culturalmente pobre do nosso país relativamente aos outros que estão no topo dessa tabela.
Certas coisas faltam àsescolas: contexto com nutrientes enriquecidos (espaços de qualidade, alimentação adequada, materiais em número e qualidade suficiente, flexibilidade no tempo, tempo para o lazer (fora das aulas), o jogo e a descoberta), liberdade pedagógica, diminuição das tarefas administrativas.
A qualidade do ensino e da educação em geral tem de estar no trabalho entre professor/aluno, o que só é possível num ambiente de cooperação, liberdade e responsabilização. Mas responsabilização não pode ser psicose de avaliações que mais não fazem que minar, exactamente, a relação professor/aluno, sem nenhuma contrapartida positiva que compense essa falta.
O que mais motiva os alunos são os professores - destruir os professores é destruir toda o sistema.
ERC link erc.europa.eu/index.cfm
A suspensão do bloco informativo apresentado pela jornalista fez cair a direcção de Informação daquela televisão e transformou-se num facto político, com a Oposição a insinuar a intervenção do Governo e o primeiro-ministro a desmentir.
"O relatório confirma a intromissão abusiva do conselho de administração da TVI na direcção de Informação, o que na prática se traduz numa pressão sobre os jornalistas o que é susceptível de pôr em causa a liberdade de informação plural, isenta e livre de quaisquer interesses", adiantou Aguiar-Branco.
"Também registamos que o relatório faz notar que este comportamento é susceptível de influenciar e perturbar a campanha eleitoral que então estava em curso", concluiu.
Lamentamos todos, excepto os amigos do Sócrates. Pois se a ERC acredita que a suspensão do jornal de sexta perturbou a campanha eleitoraj - obviamente a favor de Sócrates- deviam ter divulgado o relatório antes das eleições para que o infractor, por assim dizer, não lucrasse com a infracção. Mas não senhor. Fizeram mais esse favor ao indivíduo que nos (des)governa, cujo nome anda metido em mais casos de corrupção que sei lá quem.
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