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A escola é um local social e é um local de aprendizagem. As notas dos alunos não classificam a pessoa do aluno mas o seu trabalho, ou a falta dele. Esconder os nomes dos alunos para não se saber quem teve qual nota, parece-me ter consequências negativas, sendo que não vejo nenhuma positiva:

 

1. os alunos, em vez de aprenderem a conviver com os seus sucessos e fracassos, os seus pontos fortes e fracos, aprendem que as notas os catalogam enquanto pessoas, são motivo de vergonha ou orgulho e por isso devem esconder-se: porque provocam o escárnio ou a inveja. Isto é muito anti-pedagógico. Em vez de educar-se para a sociabilidade educa-se para o isolamento. A pessoa isolada e sem termo de comparação não tem noção das suas qualidades, se precisa melhorar um pouco ou se está muito longe do melhor. Nós vamos aferindo de nós mesmos, também pelos outros.

 

2. as turmas são grupos sociais e são avaliadas. Onde há avaliação existe a questão da justiça. A justiça relativa da turma. Se as notas, em vez de públicas são privadas como é que um aluno pode aferir dos critérios de justeza do professor? Isso é dar um poder enorme e isento de crítica ao professor, o que não me parece bem. As notas dos alunos também reflectem a qualidade do trabalho e a honestidade do professor e a sua oclusão afecta o trabalho e a relação com os alunos e até entre professores.

 

3. nos níveis mais baixos de ensino, uma má nota na pauta é um grande incentivo para estudar e uma boa nota é uma prova merecida de um esforço feito. Ambas têm valor pedagógico. Esconder as notas é nivelar por baixo, é ensinar a uns que devem disfarçar o seu esforço e sucesso para não incomodar os que não se esforçam e ensinar os que não trabalham que o seu não trabalho não tem consequências nenhumas.

 

Entretanto dão-se prémios de quadro de honra aos alunos que tiveram boas notas, o que não me parece bem, porque isso é que é dar a entender que a escola aprecia mais uns que outros. O que me parecia bem era haver uma cerimónia de graduação que incluísse todos e não cerimónias exclusivas. Também acho interessante o quadro de mérito independente das notas: mérito por ajudar os colegas, por ser uma pessoa dialogante que resolve conflitos, enfim, por questões de comportamento e não de notas. A escola é também um local de formação do espírito.

 

As notas devem ver-se com naturalidade. Uns estudam mais que outros, uns são mais organizados, outros mais criativos, uns são muito bons no cálculos mas menos bons nas línguas, por exemplo. Isso é normal, assim como é normal que tenham classificações a condizer com esses esforços e talentos. O que não é normal é incentivar-se a vergonha de não serem Leonardos da Vinci.

 

Parece-me que hoje em dia se educa para a inveja. Criou-se a ideia de que o direito à educação é um direito ao certificado. Por essa ordem de ideias, acabe-se com a escola ou com os programas. Se os alunos querem aprender a fazer gomas, pois é isso que aprendem...  que diabo, a educação não existe sem constrangimentos, sem experiências positivas e negativas, sem sucessos mas também fracassos. Fala-se muito em ensinar o espírito crítico mas furtam-se os alunos a todas as situações passíveis de auto-crítica para eles não se sentirem mal. Que tipo de pessoas se está a educar?

 

Compreendo que este governo, querendo poupar dinheiro de modo obsceno com os serviços públicos para engordar a banca e os amigos, tenha, a certa altura, entendido que o melhor seria mandar passar todos os alunos de qualquer maneira para garantir números de sucesso, porque passar todos justamente, isto é, fazendo com que a passagem e as notas correspondam a saberes e conhecimentos construídos (coisa que os mais desfavorecidos precisam muito se querem não estar cinco gerações na pobreza), custa muito dinheiro em investimento. Ora, a escola tem sido sujeita a desinvestimento. Não há milagres: para se ter níveis de sucesso é preciso investir e não é possível desinvestir e, simultaneamente, ver tudo a melhorar. Logo, manda-se passar todos e manda-se esconder a realidade...

 

 Na saúde, como são casos de vida e de morte imediata e não a longo prazo e por isso, não dá para disfarçar, o desinvestimento levou ao caos que se está a ver por todos os lados. Na educação as coisas não se vêm logo porque as pessoas levam tempo a crescer e a chegar ao mercado de trabalho mas, hão-de ver-se. 

 

Isto é uma traição que se faz a estes alunos disfarçada de boas intenções. E os pais acreditam, claro está, pois o que querem é que os filhos passem sem chatices.

 

O que é mais difícil de compreender são os directores das escolas, em vez de lutarem contra este miserabilismo de dar peixes podres em vez de ensinar a pescar como diz o ditado, só para poupar dinheiro para enfiar em bancos e Salgados e Berardos e boys, embarquem alegremente nestes logros, com o argumento de que lá fora também se faz. Mas não lêem os jornais, não se dão conta que a decadência da educação é geral, que lá fora as coisas estão também a rebentar? 

 

Só um pequeno exemplo: em França os professores fizeram greve às correções de exames e o ministério recorre a cortes no salário e outras ameaças. Por cá o silêncio da comunicação social acerca do assunto é tumular... pois... queremos é folhas de excel a dizer que vai tudo bem.

 

Escolas apagam nomes dos alunos nas pautas com medo de multas

 

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publicado às 20:56

 

O nível de absurdo a que se chegou com certas regras... as faltas que os alunos dão não podem estar nas pautas para não se traumatizarem os que têm 500 faltas ou mais, os nomes não podem estar nas pautas para não se traumatizarem os que não estudam e têm más notas... 

 

Escolas apagam nomes dos alunos nas pautas com medo de multas

Diretores queixam-se de falta de orientações e formação para lidar com os dados pessoais de alunos, professores e encarregados de educação.

 

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publicado às 11:34


É isto

por beatriz j a, em 03.05.19

 

 

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publicado às 20:43


A chatice dos factos

por beatriz j a, em 02.05.19

 

Terça-feira vinha à conversa com o meu filho que me foi buscar ao tratamento, acerca da carga de impostos que pagamos. Ele queixava-se, com alguma revolta, que paga uma brutalidade de impostos e depois o dinheiro em vez de ser usado para melhorar os serviços públicos, ser usado para enfiar em ladrões que roubam milhões e centenas de milhões, para desresponsabilizar os seus cúmplices e para desperdícios em benefício de interesses particulares, como por ex., sendo a maioria dos deputados advogados, porque precisam de recorrer a firmas exteriores? Se fossem engenheiros ou outra coisa qualquer e não soubessem de leis... 

 

Estamos de acordo em pagar impostos e ter uma sociedade o mais equitativa possível mas não estamos de acordo em pagar impostos para servir interesses particulares, queimar dinheiro em serviços por gestão incompetente e ruinosa e/ou ideologia ou desinvestir continuamente nos serviços básicos de saúde, educação e justiça.

 

Estávamos nesta conversa e pusémo-nos a comparar salários. OMG! Ele ganha quase o dobro do que eu ganho... quer dizer, fico muito contente que valorizem o trabalho dele e lhe paguem como deve ser; no entanto, não pude deixar de sentir que ganho mesmo mal e não valorizam o meu trabalho, tendo em conta que ele trabalha há meia dúzia de anos e que eu já levo mais de trinta anos de trabalho.

 

Depois, ter que ouvir o Centeno e o Costa dizerem que pagar o que devem aos professores é contrário aos interesses do país, sendo que pagar a tudo o que é ladrão e incompetente é a favor dos interesses do país, revolta...

 

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publicado às 07:59


Mudar a cultura de escola

por beatriz j a, em 02.05.19

 

Teachers are miserable because they’re being held at gunpoint for meaningless data

Almost a third of teachers quit in the first five years, and those who stay are burning out in record numbers.

Let me clear up this edu-mess for you. It’s not Sats. It’s not workload. The elephant in the room is high-stakes accountability. And I’m calling bullshit. Our education system actively promotes holding schools, leaders and teachers at gunpoint for a very narrow set of test outcomes. This has long been proven to be one of the worst ways to bring about sustainable change. It is time to change this educational paradigm before we have no one left in the classroom except the children.

 

Accountability. Surely that’s a good thing? I don’t think there is an educator in the country who would disagree with the idea that schools have a responsibility to be their very best. But we have options about how we make it happen.

Gunpoint is one option. We tell schools, leaders and teachers to make something happen or they will be miserable, jobless or a combination of both. This can lead to some pretty quick change, but it’s not long-lasting and will bring only compliance to the minimum standards because being held at gunpoint is stifling. It creates a “take-no-risks” attitude that becomes enshrined in the culture of leadership within a school. School improvement is seen as school inspection. Gains are made by the act of weighing. When gains are not made, the problem lies within the school, leader or teacher, rather than the culture, climate or conditions.

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publicado às 07:39

 

Isto é em Inglaterra mas não há-de ser diferente do que acontece aqui, ainda para mais porque este [anglo-saxónico] é o sistema que mais copiámos no passado recente e vemos os problemas serem os mesmos: cortes na educação, crianças e jovens em pobreza crescente, falta de interesse e desvalorização no trabalho dos professores, falta de professores, violência contra professores, políticas de adesivo que não sabendo conter hemorragias mandam pôr adesivo para tapar a ferida e ninguém ver.

 

Ainda há duas semanas um rapaz de 12 anos bateu num professor e exclamou triunfante, 'já lhe parti  o focinho'. Não recordo o ministro da educação ter dito algo a propósito deste assunto. Talvez no entender dele não seja muito grave... ... quem sabe se o professor não mereceu, não é verdade...?

 

Entretanto anda a dar entrevistas ao modo do grande masturbador [“No hay que ser impositivos: cuando confías en las escuelas, responden”Portugal se ha convertido en un referente mundial en mejora educativa y pedagogías innovadoras. Es la nueva Finlandia] em que arrecada o mérito, com um descaramento desavergonhado, de termos melhorado no PISA, numa entrevista que é um rol de mentiras e traições (desde, la intensa formación del profesorado até confiarem nos professores sem nada imporem) que até mete nojo, sabendo nós o estado a que votam as escolas e os professores.

 

Vai lá para fora gabar os professores mas aqui dentro é só ofensas, controlo, desprezo, perseguição e degradação. Já aprendeu com o Costacenteno a arte de ter duas caras.

 

Subimos no relatório PISA, não devido ao trabalho dos milhares de professores que trabalham apesar das políticas anti-pedagógicas e reformas atrás de reformas de ministros incompetentes, mas devido a este indivíduo, quem sabe, um iluminado, que sem perceber nada de ecucação tem revelações da divindade...

 

Agora até já dizem que somos a nova Finlândia lol  

Cá dentro tratam-nos como bestas, como se viu no ano passado e acham que devíamos ser proibidos de fazer greves. Mas depois vão lá para fora gabar do trabalho que fizémos nestas condições incríveis como se o trabalho fosse deles. Isto é só rir...

 

Passa-se aqui o mesmo que em Inglaterra. Para terem pretexto de cortarem dinheiro na educação destruiram os professores, o que teve como efeito, como se gabou a outra incompetente, que o Costacenteno tem como ídolo, de terem ganho os pais contra os professores. Nisso foi ela competente.

Daí segue-se que o mau comportamento dos filhos é aceite como normal pelos pais, pois os professores, como se sabe, são todos uns incompetentes e, hoje em dia, espera-se que um professor tolere o mau comportamento dos alunos. Como se fizesse parte da natureza de ser aluno, comportar-se mal e/ou violentamente e da profissão de professor tolerar esse comportamento.

 

A inclusão é entendida como tolerância total, até dos comportamentos mais intolerantes. Os alunos podem falhar em todos os seus deveres: faltar a quase todas as aulas, faltar aos apoios, não estudar como se estudar fosse um dever do professor e não deles, ser mal educados, violentos, auto-indulgentes e, mesmo assim, o ministro quer que passem de ano e que se esconda informações na pauta para ninguém perceber que as pobres crianças passaram com 9 negativas, por exemplo e processos disciplinares por mau comportamento, tudo em nome de uma inclusão perspectivada como uma anulação de tudo o que deve ser uma escola na formação da pessoa. Ahh mas têm aulas de cidadania, como se umas aulas teóricas tivessem algum valor face à prática do quotidiano que as contraria. Não sabendo conter hemorragias mandar tapar as feridas com pensos rápidos para não se verem. E é disto que ele se gaba lá fora...

 

Many say poor behaviour is making them want to leave the profession, NASUWT finds.

Nearly nine in 10 teachers said they had received some sort of verbal or physical abuse from pupils in the past year. Eighty-six per cent said they had been sworn at and 46% said they had been verbally threatened.

Many teachers said the abuse and attacks made them less enthusiastic about their job. Several said they did not report poor behaviour because they feared school leaders would take no action, while others said they had been warned that doing so would harm their careers.

...

Kitchen said “incredible” levels of poverty and homelessness were having a major impact within British classrooms.

He also said: “Resources for the classroom are being diverted away from teaching to be spent on law firms, accountancy and private companies, to name but a few. 

Kitchen said “a climate of fear” was being used in some schools as a tool to control teachers.

 

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publicado às 09:56


Uma iniciativa interessante

por beatriz j a, em 09.04.19

 

... melhor que aulas de cidadania para cumprir calendários de secretários de Estado que não percebem nada de educar alunos.

Juízes vão a 200 escolas de norte a sul do país falar de justiça e cidadania

 

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publicado às 18:16


Educação e nepotismo

por beatriz j a, em 08.04.19

 

A manutenção de padrões elevados de exigência na certificação é necessária para que o público não desvalorize o título e venha a optar por um leigo bem-falante. Um grande estudo estatístico recente concluiu que, em Inglaterra, certos cursos e certas universidades tinham um impacto salarial negativo aos 29 anos. O escândalo ainda não abateu, mas temos de compreender o que se está a passar para evitar que os diplomas se desvalorizem ao ponto de os jovens abandonarem ou deixarem de sentir que o esforço vale a pena.

 

Este argumento é muito simples e transparente, mas não parece bem assimilado quando vemos a ligeireza com que se tomam algumas decisões com forte impacto no nosso sistema educativo. Depois da extinção de exames ao longo do ensino básico e secundário, passamos à bem orquestrada campanha contra os exames finais do secundário. E foi agora anunciado (PÚBLICO, 25 de março) que teremos um novo canal de acesso ao superior para que os diplomados pela via profissional possam fugir àqueles exames.

 

E que tem isto a ver com o nepotismo? Uma organização bem gerida e focada nos resultados seleciona o seu pessoal com base nas competências demonstradas e tendo em vista as tarefas propostas. Isso exige um bom sistema de certificação de competências. Falhando este, voltamos à velha prática de escolher os colaboradores entre os mais próximos de modo a satisfazer expectativas que são legítimas se não for público e notório que outros fariam melhor. Baixando a exigência e a seriedade do sistema de certificação do sistema educativo, estamos a destruir a sua função de ascensor social e a alimentar o nepotismo. Os mais bem relacionados ganharão. Os mais frágeis e socialmente marginais estarão condenados à marginalidade definitiva. É esta a opção que vemos crescer nos dias de hoje. Será este o resultado desejado?

 

José Ferreria Gomes, Educação e Nepotismo

 

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publicado às 07:39

 

Um trabalho de uma professora e seus alunos na minha escola. O que pode esconder-se por detrás das flores que dão às mulheres no dia da mulher. É assim que o interpreto e acho-o bem conseguido.

 

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pormenor

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pormenor

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publicado às 08:59

 

Tim Oates acerca do 'conto de fadas finlandês'

 

Tim Oates diz várias vezes que é preciso cuidado com aquilo a que damos crédito sem reflexão. Isso aplica-se a ele próprio. Ele é professor em Cambridge, "num departamento onde não se ensina: o Cambridge Assessment é a maior agência dedicada à pesquisa sobre avaliação na Europa."

 

Durante os anos Thatcher houve grandes cortes nas Universidades e os administradores resolveram cortar nos cursos e matérias e surgiu a ideia de fazerem 'centros de excelência'. Estes centros, que estavam na moda, eram grandes escolas que cobriam tão excelentemente o estudo de certas matérias que dispensavam que outras universidades tivessem esses departamentos. A Física toda era estudada em Manchester, a economia na LSE, etc. Ora, as escolas/universidades têm culturas próprias e ao concentrar-se assim todo o estudo numa só escola perdeu-se a diversidade de culturas que enriquece as discussões e fomenta a qualidade. Por conseguinte, é preciso ter alguma prudência com as palavras deste especialista.

 

Dito isto, estou de acordo com muito do que ele diz, a começar pelo cuidado com a autonomia nos currículos para não acontecer o que está a acontecer aqui que é o Director sózinho decidir e dizer mesmo, 'este ano tirei 50% do tempo curricular da História, para o ano vou tirar na disciplina x e dá-lo à y', ou seja os alunos e os professores estão à mercê das experimentações dos directores e seus galambas.

 

Também concordo com a questão da avaliação ser muito importante para os alunos saberem se estão a progredir e como; ainda concordo com a coerência que tem de haver entre os conteúdos, os métodos e as pedagogias: temos sempre de ser claros acerca do objectivo que queremos que seja atingido e não o perder de vista; ajudar imediatamente os alunos que ficam para trás; ter currículos adequados aos tempos senão os professores escolhem o que dar e cada um escolhe o que quer, sendo que os alunos depois vão fazer os mesmos exames, ter boas condições e bons materiais. E, claro, ter bons professores, ficando por esclarecer, ao certo, que qualidades tem um bom professor que o torna tal.

 

Não estou de acordo com o projecto de passar toda a gente de qualquer maneira, mesmo que tenham 500 faltas e processos diciplinares. Penso que isso é uma ofensa aos alunos, é uma visão miserabilista das possibilidades das pessoas. Nem todos os alunos serão bons em algumas matérias e a maioria nem gosta de estudar mas todos têm margem de progresso e não precisam de ser tratados como estúpidos. Estou de acordo em que se trabalhe para se evitar os chumbos.

 

Agora, isto é tudo muito bonito em condições ideais e não nas condições que temos aqui no país: excesso de alunos por turma, excesso de turmas, excesso de burocracia, gestão anti-democrática e outros problemas que impedem um trabalho sério. Professores desmotivados, desvalorizados e caluniados... enquanto não levarem a educação a sério todas as palavras acerca de melhorá-la são 'contos de fadas'.

 

Esta equipa cometeu erros grosseiros nos currículos que são agora pedaços de matérias, por vezes contraditórios com os programas em vigor e demasiado extensos; desprezo pelos conhecimentos e excessiva valorização dos aspectos formais (como se uns viessem sem outros, descontextualizados),  com possibilidade de o director retirar grande parte do tempo de aula semanal de uma disciplina, passagens em qualquer condição; desvalorização da avaliação; desconfiança visceral dos professores; complicação das regras de apoio a alunos; tempos infindáveis desperdiçados a fazer coisas que não têm rendimento...erros mesmo grosseiros mas, são tão arrogantes que não arredam pé. As coisas estão contraditórias, desgarradas e incoerentes.

 

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publicado às 11:40

 

Savater acerca da educação

O senhor tem escrito livros de filosofia para os jovens. Entende que a filosofia tem sido negligenciada para as novas gerações? O que espera alcançar com essas obras?Fernando Savater: Eu não me considero um filósofo, com maiúscula, como Spinoza ou Kant, e sim um simples professor de filosofia. Acho que se os jovens aprenderem a prática da filosofia (e não apenas de dados, datas e nomes dos movimentos intelectuais, é claro), poderão dar mais profundidade humana para suas vidas e talvez pensar melhor sobre as questões que os cercam. Meus livros são destinados a ajudar os recém-chegados a conhecer essa tradição emancipadora, com base em dúvidas estimulantes e não em certezas rotineiras.

 

No Brasil, a escola funciona como um mecanismo de reprodução da desigualdade social. Crianças pobres vão para escolas públicas de qualidade deficiente, enquanto crianças de posses estudam em colégios privados em que a qualidade, muitas vezes, corresponde àquilo que a família pode pagar. Que mensagem um sistema assim passa à sociedade?
Fernando Savater: Envia a mensagem de um país mal governado, onde as pessoas não se importam o suficiente com a educação ao votar ou ao exigir dos eleitos que cumpram suas obrigações neste campo (e esse não é um problema exclusivo do Brasil, é claro, na Espanha acontece o mesmo). 

Os governos não se preocupam muito com a educação, porque os seus efeitos só são sentidos no longo prazo, e os políticos só planejam o futuro a algumas semanas de distância; de modo que são os cidadãos que devem insistir na importância desta questão. Uma boa educação pública é um elemento mais revolucionário de equiparação social do que qualquer sublevação violenta.

 

O Brasil também tem enfrentado outro problema: a carreira de professor não parece atraente para muitos jovens, e a procura por faculdades na área vem diminuindo. O ex-ministro da Educação do Brasil, Renato Janine Ribeiro, recentemente se referiu ao risco de um “apagão" de professores no sistema de educação. Que riscos uma situação dessas pode trazer para um país em desenvolvimento?
Fernando Savater: Riscos gravíssimos. Os professores são o fundamento da democracia, e eu diria que também da civilização. Sem eles, há apenas a barbárie da elite tecnológica e a arrogância brutal dos plutocratas latifundiários ou financeiros. É uma obrigação racional de todos tornar a carreira de professor atraente, dotá-la de uma boa preparação e de uma remuneração adequada. 

Acima de tudo, é importante que a cidadania escute os problemas e as advertências dos professores, converta-os em protagonistas sociais, limpe as suas fileiras de sindicalistas corruptos. Só então poderá exigir deles as responsabilidades de sua alta função, que não consiste em orientar meninos e adolescentes para que sejam revolucionários ou conservadores, e sim para que conheçam os requisitos da cidadania democrática e a exerçam como acharem melhor.

 

A promoção da leitura na escola tem sido muito discutida em termos duais: para alguns, as aulas de literatura devem apresentar ao aluno os clássicos que formam um cânone; para outros, deve ser encorajada a leitura com livros contemporâneos que os adolescentes e as crianças podem desfrutar com prazer. Qual sua opinião neste debate?
Fernando Savater: Em minha opinião, o importante é contagiar os jovens com o amor pela leitura, e não com a veneração aos clássicos. Esta última virá depois, se vier, e se não vier, o mundo não vai afundar por isso. Assim, os jovens devem ler o que eles gostam, não o que a maioria de seus professores de literatura aprecia. Que leiam Harry Potter e mais tarde, como tema acadêmico, conheçam Machado de Assis.

 

A educação do cidadão no século XXI - um quarto de hora que vale a pena ouvir

 

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publicado às 14:32


Pois... e vê lá no que isso deu...

por beatriz j a, em 15.02.19

 

A minha geração, que é considerada a mais bem preparada de sempre, não pôs os olhos num exame nacional até ao 12.o ano. Os meus amigos um pouco mais velhos, nem isso.

Os exames são o único obstáculo a esta escola inclusiva? Dificilmente. Não são deus nem o diabo do sistema educativo, são apenas um instrumento desadequado nas atuais circunstâncias. Provocam estreitamento curricular, uniformizam o ensino, são um retrato pobre de uma educação que serve para mais do que aprender a ler e a contar.

 

De facto, neste ensino, não servem para nada:

A caricatura não é tão exagerada quanto parece. Por exemplo, aqui há duas semanas ou isso apareceu uma notícia alfaiate com título enganador, segundo o qual Nunca o abandono escolar foi tão baixo e  de 12,6% em 2017, Portugal conseguiu reduzir para 11,8% a taxa de abandono precoce da educação e formação, um valor nunca antes alcançado. No entanto, quem está nas escolas sabe que no 7º ano houve um projecto de ninguém chumbar mesmo com negativa a todas as disciplinas, 50% de faltas e até permissividade para ter 3 faltas disciplinares... ou o outro caso da directora de uma escola aqui perto da cidade que a todos os professores, pelo menos de Matemática, não sei se outras disciplinas também, que dêm mais de 10% de negativas têm logo as aulas assistidas para pressionar a passar toda a gente. E muitos outros casos do género. Isto não é um ensino inclusivo, isto é um logro que pagaremos caro, enquanto país.

 

O diretor da OCDE para a Educação, Andreas Schleicher, já identificou o sistema de exames nacionais ligado ao acesso ao ensino superior como um dos “principais problemas” do sistema educativo português. E alertou para a dificuldade de conciliar “dois mundos”, o do ensino para os exames e o outro, que privilegia a aprendizagem em torno de projetos e o trabalho colaborativo.

 

Ahh, pronto... se o director da OCDE disse isto temos que ir já fazer o que ele diz porque ele tem a Verdade sobre a educação... 

Começa logo por falar no ensino que inclui exames e no do trabalho colaborativo como se fossem dois mundos diferentes e difíceis de conciliar quando sempre fizeram parte do mesmo mundo e todos os dias o conciliamos, enquando atravessamos as reformas mais ou menos imbecis das equipas ministeriais que se sucedem umas às outras bem como os directores da OCDE que se sucedem uns aos outros e até as comentadoras que não percebem nada de educação mas não se privam de dar palpites como se fossem especialistas.

 

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publicado às 13:45


Isto é verdade

por beatriz j a, em 20.01.19

 

No que respeita à educação, digo mais: eu sou contra esta mania de cada governo fazer uma reforma e dar cabo de tudo o que havia mas quando esta equipa se for e vier outra de outro governo com outra ideologia espero que rasguem esta reforma de alto abaixo que istto não se conserta com acertos. É como a reforma da Lurdes Rodrigues com as duas carreiras de professores. Aquilo não tinha acerto e mesmo tendo sido rasgada, a coisa era tão cancerígena que ainda agora a estamos a pagar. Esta equipa foi ao ponto de mudar a formação dos professores considerando que um professor que faça formação em inclusão ou cidadania, sobretudo se for coordenador ou da direcção (os que têm cheques em branco da tutela) é igual a fazer formação na sua área de especialidade.

 

O setor da habitação oferece um outro exemplo eloquente de como a resolução dos desequilíbrios causados pelo abandono de vários domínios da política social não se consegue fazer com políticas de pequenos acertos. Sobre este tema crucial, o Observatório sobre Crises e Alternativas promove, no próximo dia 22, em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian, um oportuno debate 1 .

O hiato entre os rendimentos das pessoas e os preços de aquisição, ou de rendas das casas, é um obstáculo que se agudiza a cada dia que passa. Ele agrava os problemas da mobilidade nas áreas metropolitanas, expulsa os pobres que ainda restavam no centro das grandes cidades e as classes médias para as periferias, limita as aspirações dos jovens em vários planos. Tornaram-se insuportáveis, para milhares de famílias, os custos da habitação de um estudante nas principais cidades do país, quando é imperioso muitos mais jovens acederem ao Ensino Superior.

As políticas de incentivos e isenções fiscais para os proprietários, recentemente anunciadas para estimular o mercado de arrendamento, não resolvem o problema. A manutenção de todos os outros incentivos de atração do capital financeiro estrangeiro para o imobiliário através de programas como o Regime de Autorização de Residência para Atividade de Investimento (vistos dourados), só acentua a crise habitacional. Na habitação o Governo tem uma escolha crucial a fazer: promover um mercado imobiliário internacional especulativo ou optar por uma política de provisão de habitação para os habitantes das grandes cidades, ao mesmo tempo que trata de outros problemas do setor, associados ao reordenamento do território.

Manuel Carvalho da Silva

 

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publicado às 12:32


Educação - disparates e mais disparates

por beatriz j a, em 14.01.19

 

Alunos madeirenses vão ter tablets em vez de livros

 

Os tablets, nem saem mais baratos que os livros porque são materiais muito mais frágeis (e caros) que os livros nem dão para fazer anotações que são uma prática indispensável não apenas do ponto de vista da memorização e organização do estudo mas do trabalho cognitivo sobre os conteúdos. Os instrumentos digitais são ferramententas complementares e não substitutas dos livros mas as pessoas acham que a tecnologia digital, só por ser mais recente que os livros, é um valor em si mesma, em qualquer circunstância. Como dizia alguém, 'estamos bloqueados pelo progresso da tecnologia'.

 

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publicado às 17:07


José Gil - palavras de aviso

por beatriz j a, em 05.01.19

 

José Gil: "O passado está a ser engavetado, digitalizado e virtualizado" (DN)

 

Até que ponto estaremos imunes?
A resposta generalizada será que sim, mas não se sabe exatamente apesar de os extremos do xadrez político estarem ocupados pelo Bloco de Esquerda, pelo PCP, pelo CDS, pelos sindicatos, ou seja, as reivindicações estão todas cobertas pelas estruturas institucionalizadas. Ora, o populismo nasce e floresce fora das instituições e contra elas, portanto terão de ser reivindicações que saem fora do discurso habitual dos sindicatos, dos partidos e do governo, para que qualquer coisa nasça, até porque se caracterizam por serem fenómenos que aparecem sem que saibamos como. O populismo atual vem rapidamente de uma cada vez maior sensibilização das classes médias baixas e não instruídas devido ao aumento do escrutínio dos media sobre as desigualdades ou a corrupção. Há um sentimento de injustiça que atravessa a sociedade e que faz que os políticos sejam cada vez menos reconhecidos e representativos, podendo observar-se uma onda latente de populismo possível na abstenção que é cada vez maior. Também pode acontecer, por exemplo, a propósito de uma exigência que não tem expressão política.

Pode dar um exemplo?
É fácil, basta pensar numa que seja intolerável no novo espaço público, o das redes sociais, como é o caso das mortes que estão a acontecer no país porque não houve cirurgias. Ou mortes psíquicas, que cada vez mais acontecem no corpo docente do ensino primário e secundário, em que os professores têm uma vida cada vez mais difícil. É intolerável que um português em cinco tenha perturbações psíquicas. Que povo é este? Suponhamos que tudo o que está nesse fundo da abstenção política emerge e ultrapassa os partidos políticos que não tiveram capacidade de fazer de certas situações uma reivindicação política que poderá provocar um movimento social do tipo coletes amarelos. Foi isso que aconteceu lá e poderá surgir aqui.

As novas tecnologias tornam possível o espaço público diferente, propício para dar expressão a injustiças

A falência económica da comunicação social e a forte emergência das redes sociais é uma combinação fatal?
Não é uma combinação, haverá um efeito que resulta de causas comuns, mas os efeitos são divergentes. Há um facto muito simples, é que até agora em países muitos pequenos e específicos, como o nosso, o espaço público era dominado pelos media e pela televisão, mas as novas tecnologias tornaram possível a criação de um outro espaço público muito particular, diferente e que se torna o terreno propício para dar expressão a uma injustiça: «Eu, cidadão anónimo, desprezado pelo sistema e pela injustiça das políticas, posso manifestar-me aqui.» Mesmo que isto signifique que o ignaro mais incongruente possa manifestar a ignorância com agressividade nesse espaço público. E este é um fenómeno novo para as elites.

(...)

O passado mostrado pela arte e pela cultura tem vindo a ser suplantado pela preocupação com a situação financeira e económica. Os pilares da educação mudaram?
Não é só a questão económica, o que se passa é, repito, uma erosão de tudo o que é a tradição. O passado está a ser engavetado, digitalizado e virtualizado, e cada vez menos lhe atribuímos uma realidade com peso. O passado é cada vez mais uma imagem que se transforma numa coleção de imagens enquanto objetos de consumo, apesar de não informarem nem sedimentarem a nossa pessoa e cada vez menos os comportamentos sociais. Um aluno sabe cada vez menos sobre o passado, nem lhe interessa saber, e isso é terrível, pois há uma erosão que vem da transformação do valor da realidade do passado e da transmissão pela tecnologia que traduz tudo em imagem. Tudo isso é metabolizado e instrumentalizado pelo capitalismo, que só conta cada vez mais com o que gera uma mais-valia.

É um tempo em que Botticelli vale tanto como Madonna?
Acaba-se a nossa relação com o passado e a maneira de «fruir» e «consumir» a própria arte. A introdução maciça no mercado da arte do valor de troca como parte do juízo estético é recente e transformou completamente a valoração do objeto de arte.

Como é que se confronta pessoalmente com esta mudança de paradigmas?
Não acho que haja mudança de paradigma, porque tal não existe para o nosso presente. Estamos a mudar de paradigma sem que tenhamos aquele para o qual queremos mudar. Isto em tudo, como é o caso da educação para a cidadania. Havia antes uma educação para a transmissão e acumulação na área das humanidades, agora é o da cidadania. O que é que os professores vão ensinar? E como vão formar turmas tumultuosas. Isto é uma coisa ridícula, porque quando não se dão meios nem se preparam os professores para a cidadania não há formação possível: ou seja, não há paradigma, tanto mais que a questão da cidadania leva a ponderar questões totais na sociedade.

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publicado às 08:04


2019 - sinais de esperança

por beatriz j a, em 30.12.18

 

For example, in 2016, for the first time, the share of global energy that came from renewables passed 10%. According to the International Energy Agency, the world got nearly 25% of its electricity from renewables in 2017, and that number should jump to 30% within the next few years. (Note: Many of the figures cited in this story are from 2017 or 2016, but most were published in 2018 because it usually takes a year or two to gather and analyze global data.)

New data also show that, between 2016 and 2017, some 6.7 million additional sq km (2.6 million sq miles) of the world’s oceans were put under environmental protection. The majority of that is in national waters, meaning more countries are actively assisting in the global ocean conservation project. (About 260,000 sq km of land were also added.)

It’s a bit hard to contextualize how many endangered or threatened species we’ve been able to save, since their ranks grow as as humans explore more of the world and find new species we must assess. But the fact that we’ve been able to take an increasing number off these lists is encouraging. In 2018, the lesser long-nosed bat was delisted thanks largely to the efforts of tequila producers, whose agave plants the bats feed on.

Poverty/Income

It can be hard to assess global poverty rates, since context can vary dramatically. One way to look at it is by comparing the difference between what the average person makes a day, and the global poverty line of $1.90 a day (as determined by the World Bank). Based on that measure, global poverty is falling.

Another thing to consider is quality of life. Electricity is essential to health, education, and general satisfaction. According to new data released this year, 87% of people around the world had access to electricity in 2017.

Education

Literacy rates have been steadily climbing for decades now, and though it seems incremental, even a fraction of a percentage point can make a huge difference. Considering there are some 5.5 billion adults alive today, the 0.23 percentage-point increase from 2015 to 2016 (the last year for which data are available) means about 11.5 million more people can read.

Public health

Probably the biggest invisible improvements the world sees year to year are essential indicators of overall global public health, like rates of infant mortality, maternal mortality, childhood stunting, and teen pregnancy. These are important, because they represent access the average person alive has to health care professionals, facilities, medicine, and more. All of these rates have been falling in the past few decades, in some cases dramatically.

Another good indicator of improving global health is rates of treatable infectious diseases, like tuberculosis and malaria. These have typically been much bigger problems in poorer parts of the world, but those care gaps continue to close.

Gender equality & LGBT rights

Another positive trend that can fly under the radar, especially in wealthier countries, is how the global gender gap in education continues to close. New data published this year show that, in 2016, there were 99.7 girls enrolled in primary and secondary school for every 100 boys. For comparison, in 1986 that number was 85.1. As with some of these other indicators, each year sees only what appears to be incremental improvement, but given the size of the global population, those tiny increases have outsized impact.

The 2018 US elections resulted in a historic new class of congressional representatives: at least 121 women will serve in Congress starting next year, accounting for just under 23% of Congress members. That, though, just brings the US in line with the global trend, in which women’s share of government seats passed 23% in 2016, and rose to nearly 24% in 2017.

There’s still much to do for women’s equality. There’s also much more to do for LGBTQ rights. But one encouraging trend is that countries continue to legalize same-sex marriage. In 2018, Costa Rica’s highest court ruled that laws banning same-sex marriage are unconstitutional, bringing the country in line with about 30 others that have done the same.

 

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publicado às 09:09


O futuro adivinha-se negro na educação

por beatriz j a, em 15.12.18

 

Os professores e a nuvem negra

É urgente parar esta rampa deslizante de degradação, é urgente pararmos e pensarmos em conjunto a pegada negra (ou os buracos) que estamos a deixar para as futuras gerações numa componente que é crucial, a sua educação.

 

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publicado às 05:10


OE 2019 - a chatice dos factos

por beatriz j a, em 31.10.18

 

 

As chamadas despesas excepcionais representam mais de 10 mil milhões de euros, de que não resultam quaisquer benefícios para o cidadão comum. Outrossim, vão directos para os grandes grupos financeiros e económicos. Aí estão inscritos 1750 milhões para os bancos, 4000 milhões para as participações de capital, 1200 milhões para a Parpública e 1518 milhões relativos a rendas de parcerias público-privadas rodoviárias, quando a UE (Eurostat) estimou que o seu valor actualizado não devia ser superior a 337 milhões.

Com a realidade a definir mais tarde, as aparências do OE 2019 são suficientes para perceber o papel da Educação nas prioridades de Costa e Centeno, que o Governo conta pouco e o ministro da Educação vale zero. Como referi antes, um orçamento é sempre um exercício previsional, cujo rigor só é sindicável quando, mais tarde, for cruzado com a respectiva execução. Assim, se a verba prevista para o ensino não superior cresce 248 milhões de euros quando comparada com a inicialmente prevista no orçamento anterior, já quando a comparamos com o que efectivamente se prevê gastar em 2018, o crescimento reduz-se a 82 milhões, isto é, três vezes menos. Se passarmos de valores absolutos para indicadores relativos, salta à vista que o OE 2019 coloca o peso da Educação a evoluir abaixo do que o crescimento económico permitiria. Com efeito, em percentagem do PIB, esse peso vai valer 3,10% em 2019, quando valia 3,14% em 2015, 3,72% em 2011 ou 5,1% em 2002.

 

(Santana Castilho)

 

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publicado às 08:27


A chatice dos factos

por beatriz j a, em 27.10.18

 

 

Educação com menos 194 milhões para pagar salários de professores.

Sindicatos estupefactos com descida da verba para recursos humanos, Redução acontece apesar do descongelamento e da vinculação de milhares de docentes.

 

Gasta-se muito dinheiro com os salários, são eles que comem a riqueza do país, os descongelamentos dos professores vão levar-nos à falência... pois, pois, menos 194 milhões... mas a verba para os amigos/pessoais dos gabinetes e viagens dos governantes sobe imparavelmente... 

 

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publicado às 08:56

 

As propinas e o mito dos almoços grátis

Mas se nesse mundo idílico de serviços gratuitos há sem dúvida generosidade, igualitarismo e preocupação social, há também um vício que tenta iludir uma questão essencial: quem paga tudo, seja sob a forma de propinas ou não, são em última instância os impostos dos cidadãos.

 

Pois, é essa mesma a questão:

- Se os que têm mais dinheiro pagassem os impostos devidos em vez de fugir ao fisco, este problema não se punha.

- Se os que têm mais dinheiro não desviassem 10 mil milhões para offshores, este problema não se punha.

- Se o regulador, o Governador do BP regulasse em vez de querer recusar-se a dizer quem desvia dinheiro para offshores à má fila, este problema não se punha.

- Se não desaparecessem todos os anos os dados das pessoas e empresas que desviam dinheiro para offshores sem pagar impostos, este problema não se punha.

- Se os governantes investissem na educação em vez de investires milhares de milhões de euros nos amigos banqueiros, este problema não se punha.

- Este problema põe-se porque são os que menos têm que pagam impostos brutais sobre o pouco que ganham e, também, pagam as propinas. E também pagam as subvenções, os carros de alta cilindrada, as segundas casas, as viagens, os tachos dos governantes, família e amigos, os bilhetes da bola, os almoços e jantares e tudo e mais alguma coisa das suas vidas privadas. Nesse meio é só almoços grátis... ah, mas se calhar isso é melhor investimento que apostar na educação das pessoas...

Há países nórdicos onde as propinas são praticamente gratuitas mas nesses países as pessoas todas pagam os impostos.

 

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publicado às 08:23


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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