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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Governo recua na mudança de vínculo dos docentes
...mas será que isto foi a troco de qualquer outra coisa...?
Eu já decidi o meu voto: se o PSD se comprometer, publicamente, a acabar com este nojo de ADD e a mudar o ECD e a gestão das escolas, voto neles, senão voto noutro qualquer, ou voto nulo.
Foi finalmente publicado o ECD - a única alteração importante é o fim da divisão de professores em titulares e outros. O resto está como a outra queria, ou até pior, no que respeita à progressão na carreira. A montanha custou a parir e pariu um rato. O resto está igual: estatuto do aluno, confusão dos currículos.
As pessoas com quem falei estão divididas: são contra os mega-agrupamentos mas gostavam muito de ver certos directores e adjuntos que reinam há décadas voltarem a ser professores, sem mais cenas.
Era o que se adivinhava. Esta ministra e a continuação da outra, só que em versão 'pão-de-lózinho'. Aliás, os ajudantes são os da escola da outra.
Com esta proposta somos transformados em putos da primária a fazer dossiers da treta e somos avaliados pelos pares que concorrem connosco às mesmas vagas. Ah! Já esquecia: temos 10 escalões para sairmos disto aos 80 anos, ou morrermos antes de passar lá para o oitavo.
Isto é a gozar connosco e a mostrar que a discussão da educação é assessória para o país.
O que interessa é o tipo que faz de primeiro ministro não perder cara e vinte milhões (ainda há obras por ajuste directo, talvez, ou amigos a precisar, quem sabe?)
Isto já cansa.
por Lusa Ontem
A ministra da Educação considerou hoje "um tempo curto" o prazo de 30 dias recomendado sexta-feira pelo Parlamento para o Governo apresentar um novo modelo de avaliação dos professores, esclarecendo que o processo poderá não ficar fechado nesse período.
"Não quer dizer que esteja fechado o processo nesses 30 dias, mas de qualquer forma vamos trabalhar para concluir esse trabalho", declarou Isabel Alçada.
Quarta-feira, haverá nova reunião no Ministério da Educação com os sindicatos, que pretendem também o fim da divisão da carreira em duas categorias (professor e professor titular), para "tentar encontrar pontos de encontro", disse Isabel Alçada, reiterando tratar-se de uma questão complexa e escusando-se por isso a avançar um ponto em particular das discussões em curso.
O fim da divisão da carreira é uma questão complexa? A mim parece-me simplissíssima! Se existe a intenção e a vontade.
Espera-se que os sindicatos não confundam as coisas porque, se poderá haver razões para que no fim do prazo de trinta dias o modelo da nova avaliação seja apresentado ainda com lacunas, não há razão nenhuma para que a divisão da carreira não esteja feita, acabada e enterrada!
Não há reservas de paciência para assistir ao protelar da questão fazendo de nós tolos.
Espero que também o PSD se aperceba, se for esse o caso, do logro em que foi metido, e arrepie caminho, porque não era esta a sua intenção, julgo, ao apresentar as propostas no parlamento.

Depois da ministra ontem ter mostrado, mais uma vez, que gosta de ir sempre adiando para a semana a seguir qualquer coisa e depois de ter deixado a questão do ECD na maior obscuridade a minha esperança está toda nos partidos da oposição. A questão da gestão da escolas pelos 'herr direktorrs' já nem sequer é abordada - parece esquecida...
Infelizmente consigo imaginar muito bem os sindicatos com a conversa dos diálogos de entendimento.
O esforço de milhares de professores e o sacríficio de alguns foi demasiado grande para que agora se deixe ir tudo pelo ralo abaixo só porque temos uma ministra capaz de cortesia, como se isso fosse, não um princípio básico de civilidade, mas um grande favor que se faz a esses horríveis professores.
É preciso não esquecer que já passaram dois meses desde as eleições e está tudo igual. Estamos quase no Natal. Vamos chegar até lá na mesma? Eu, pessoalmente, já não tenho espaço para esperas. Com certeza a ministra sabe que a nossa espera não tem dois meses mas mais de 4 anos, não?
Espero que o saiba e que isto não seja tudo uma manobra de bom polícia (ela) e mau polícia (o sócrates) para confundir, protelar, desmobilizar e destruir.
por SUSETE FRANCISCO

Governo vai enfrentar já na próxima semana o que designou como "coligações negativas": partidos da oposição preparam-se para unir esforços para suspender o actual regime de avaliação. Uma notícia que acaba por surgir precisamente depois de uma ronda negocial em que ministra e sindicatos abriram uma janela de entendimento nesta matéria.
"Eu não sou a favor de nenhuma suspensão e sugiro que isso não seja feito, seria absolutamente irresponsável." As palavras são de José Sócrates, durante o debate do programa do Governo, mas a oposição prepara-se para ignorar olimpicamente a "sugestão" do primeiro-ministro. PSD, CDS, BE e PCP vão levar a debate e votação vários diplomas que visam a suspensão do actual modelo de avaliação dos docentes, bem como o fim da divisão entre professores titulares e não titulares. E preparam-se para votar favoravelmente todos os projectos em cima da mesa.
O debate foi agendado ontem, em conferência de líderes parlamentares, e ficou marcado já para o final da próxima semana (a discussão começará quinta-feira, as votações serão na sexta).
A mensagem da oposição é clara: ou o Governo resolve as duas questões, ou a AR resolverá pelo Governo.
( aparte - Alexandre Ventura, agora secretário de estado da Educação, foi um dos autores de um estudo internacional em que as mudanças no ensino português eram elogiadas, que o primeiro-ministro, José Sócrates, chegou a apresentar como um documento oficial da OCDE. Algo que seria desmentido alguns dias depois, criando algum embaraço no Governo).
Grandes títulos nos jornais sobre as intenções do governo de suspender a avaliação dos professores!
O cancro do sistema foi a divisão da carriera em duas categorias. É nisso que importa mexer. É isso que está a implodir toda a estrutura. Enquanto não mexerem nisso (e nas quotas para a progressão) tudo não passa de cosmética.
Ontem estive a ver no blog do MUP o vídeo da intervenção da nova ministra no congresso do PS. Não fiquei bem impressionada: grandes elogios à política da outra; a conversa recheada de elogios ao Magalhães, ao apoio que o ministério deu às famílias (?!) e o resto é aquela conversa reecheada de... 'as crianças, as crianças, as crianças...'.Não me pareceu um discurso à altura da gravidade dasituação.
Espero francamente que tudo isto não venha a ser mais do mesmo. Acho que as pessoas explodiam de vez.
Estou expectante do discurso inaugural da ministra para tomar o pulso ao que aí vem.
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