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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Num comunicado conjunto, o Clube da Arrábida, o Oceans Alive, a Associação Zero, o Pestana Troia, o Eco Resort e o SOS Sado defendem a necessidade de se dar prioridade à salvaguarda de duas zonas protegidas, num momento em que se “enfrenta novamente um perigo avassalador, as dragagens do Sado”.
“Não podemos deixar desaparecer as zonas que suportam a nossa sobrevivência e que são cruciais para a conservação da natureza em Portugal e na Europa”, refere a nota.
Este comunicado surge na véspera de se assinalarem 43 anos da constituição do Parque Natural da Arrábida.
“A costa da Arrábida e o estuário do Sado são duas zonas protegidas que têm um papel chave na manutenção da biodiversidade marinha através dos seus serviços de maternidade e zona de alimentação”, apontam, exemplificando com as pradarias marinhas, com os recifes rochosos e com as florestas de algas.
“São habitats que suportam espécies emblemáticas, como o boto, o cavalo marinho, s baleia anã, raias, tubarões e golfinhos”, enumeram.
Nesse sentido, os signatários do comunicado pedem que o Governo aprove o alargamento do Sítio de Interesse Comunitário (SIC) ao Estuário do Sado e crie o SIC Costa de Setúbal, integrando ambos na rede ecológica europeia.
As associações pedem, igualmente, ao Governo que desista de realizar as dragagens previstas para o alargamento do porto de Setúbal.
“As extensas dragagens previstas terão o potencial impacto de aumentar drasticamente a erosão costeira, de fazer desaparecer as pradarias marinhas que ainda subsistem no estuário do Sado e de contaminar a cadeia alimentar”, alertam.
O grupo de moradores na Serra da Arrábida entendeu avançar com esta medida pela manutenção das praias ameaçadas pela remoção de areias da foz do Rio Sado.
Pedro Vieira, presidente do Clube da Arrábida, critica a inexistência dum Estudo de Impacte Ambiental para estas dragagens que vão permitir a entrada de navios de contentores com maior porte no Porto de Setúbal. "Não se pode aprovar uma medida destas apenas pelo benefício económico sem olhar para os danos que vai causar no ecossistema", frisa Pedro Vieira, que teme pelo desaparecimento do areal das praias da Figueirinha, Galapos, Galapinhos, Coelhos e Portinho da Arrábida.
As areias das praias têm sido levadas pelo mar e vêem-se agora rectas de bancos de areia, lá longe, na linha que conduz à foz do rio Sado, por onde passam super-petroleiros, navios de contentores e outros navios. Nada tem sido feito para assorear as praias e agora vão dragar aquelas areias e a consequência provável é o mar vir buscar o que resta dos areais. Se ao menos dragassem aquelas areias e viessem pô-las nas praias... mas calculo que o objectivo seja vendê-las para ganhar mais dinheiro. Tudo à custa da destruição do meio ambiente... mas se o primeiro ministro dá o exemplo, o que se espera das autarquias...?
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