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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
... neste caso, sentir para crer. Não precisa de legendas :))
Duas horas depois, imploraram para que desligassem o aparelho: não aguentavam mais
Por: Vanessa Fernandes
O programa de televisão holandês ‘Proefkonijnen (Guinea Pigs)’ teve a ideia de fazer um sketch com um simulador de contracções. Dennis Storm e Valerio Zena voluntariaram-se para experienciar o sofrimento de um parto, para perceber o porquê afinal de tanto alarido. Elas dizem que são as piores dores do mundo. Mas serão mesmo?
A experiência começa por colocar os eléctrodos nos músculos da barriga, o que possibilita a replica da sensação de contracções. A electricidade que vinha do aparelho electrónico ia sendo aumentada gradualmente.
Apesar da corajosa tentativa de rir e brincar durante o “falso parto”, os seus rostos revelam a realidade: logo nas primeiras contracções os gritos foram inevitáveis. Zana e Storm não aguentam mais de duas horas e imploram para que desliguem o aparelho. Foram os primeiros homens a voluntariarem-se, mas não querem repetir a experiência: para eles, foi uma “tortura”.
Hoje dei as aulas com uma terrível dor de dentes (faz lembrar unhas a arranhar o quadro e já apanha o lado esquerdo da cara e o respectivo olho) e carregada de medicamentos que encontrei em casa. À última aula já nem fui. Seis aulas de enfiada a ter de falar com dores de dentes é demais e já não aguentei. Deve ser por isso que põem bancos nos museus: é que o mal estar físico impede a concentração do intelecto e até das emoções.
Isso fez-me pensar que o Umberto Eco tem razão quando fala das listas, ou pelo menos de hierarquias. Na ordem natural hierárquica das dores, a de dentes está muito acima das outras dores físicas, mentais, psicológicas e emocionais (cá está a listagem...). No espaço de um segundo parece que as anula a todas. Nesse sentido, às vezes até tem as suas vantagens...
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