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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Estudo envolveu 2003 professores do pré-escolar ao superior. As direcções das escolas são apontadas como as principais responsáveis. Dirigentes não se revêem no que é relatado.
Heinz Leymann, pioneiro no estudo do mobbing, para descrever aquele que será muitas vezes o objectivo do agressor: “Exerce violência psicológica extrema, sistemática e recorrente, durante um tempo prolongado, para destruir as redes de comunicação da vítima, a sua reputação e perturbar o seu trabalho.” [é isto mesmo)
Situações como as descritas repetem-se várias vezes ao ano, segundo a maioria dos 1504 professores que dizem já ter sido assediados. E para cerca de 30%, repetem-se há mais de cinco anos. O impacto pode ser “devastador”, pode reduzir a auto-estima e ter implicações no sentido de compromisso com o trabalho, exemplifica Portelada.
Cerca de 83% dos professores relatam consequências na saúde. Ansiedade e insónias são as mais comuns (71% e 67%, respectivamente). Mas também frustração, sentimento de fracasso e de impotência, de insegurança e de irritabilidade. Um quarto deles já recorreu ao atestado médico.
O que motivou o comportamento daqueles que são vistos como agressores? Para quase 60% das vítimas, as situações de assédio devem-se ao facto de eles “não cederem a pressões”. Cerca de 42% denunciam uma “gestão autoritária” e quase 40% dizem-se “reprimidos” por proporem “novas formas e perspectivas de trabalho”.
Já Filinto Lima, presidente da Associação Nacional Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (Andaep), não vê “as direcções deste país como agentes agressores”. As direcções das escolas “funcionam como um órgão colegial”, diz: “Ouvimos as pessoas, consultamos o conselho pedagógico e somos controlados por um conselho geral.”
Que este Flinto Lima, um atraso de vida, seja o presidente da Associação Nacional de Directores diz muito sobre o que são as direcções...
Quanto a esta situação de bullying, é por demais conhecida das equipas que se vão sucedendo no ME que, no entanto, nada fazem porque lhes dá jeito quando querem, elas mesmas, fazer bullying aos professores, desconsiderando-os sistematicamente com objectivos economicistas medíocres.
A educação neste país não existe fora das salas de aula. O que existe é a politização do ensino ao serviço de políticas pessoais (e/ou partidárias) e há uma espécie de acordo não escrito entre tutela e direcções onde estes últimos têm rédea livre para tudo o que quiserem [enfim, tirando assassínios, roubos e isso] desde que, em cantrapartida, suportem a tutela em todas as suas medidas e intenções. Dado este estado de coisas, haver ou não haver abusos de poder por parte daqueles (seja por motivos pessoais, por falta de bom senso ou por ignorância), é apenas uma questão de tempo.
As únicas pessoas que se preocupam com a educação são os professores (os pais preocupam-se com os seus filhos). Não todos, pois muitos preocupam-se com os seus cargos e privilégios mesquinhos e outros, de tão maltratados, já não querem saber de nada e andam lá por inércia, mas a maioria, estou convencida, ainda se preocupa. São eles que estão com os alunos nas salas de aula, que os acompanham, vêem as suas dificuldades e problemas, os seus comportamentos positivos e negativos, sabem das suas expectativas, anseios ou desesperanças. São eles quem aposta nos alunos e são eles quem se apercebe dos problemas das péssimas políticas que impõem às escolas. Mas como são uma variável considerada desprezável [e desprezível...] para a tutela...
Parece que já toda a gente é avaliada.
Uma coisa a que vi referência e não sei o que é, é uma tal 'extensão do projecto docente...?' Não sei que é isto.
Era bom que mexessem nos Coordenadores serem nomeados em vez de eleitos. Isso e um limite de mandatos das pessoas da Direcção. É uma vergonha o que se passa. Estão as escolas pejadas de Albertos Joões Jardins e Nogueiras nas Direcções e Coordenações... uma vergonha que muito prejudica o trabalho e a autonomia dos professores.
Acabo de ler no blog do Umbigo relatos da situação em 2 escolas, uma de Sintra onde se suicidou o professor de música e outra na Baixa da Banheira. Numa e noutra, segundo o que é descrito, acumulam-se ilegalidades, favorecimentos, branqueamento de situações, perseguições e ameaças a colegas e outras situações gravíssimas, algumas com a cumplicidade do Director Regional!
Uma pessoa lê e fica literalmente doente. Não há nada pior num emprego que isso de uma pessoa ter que estar sempre a guardar as próprias costas e a engolir injustiças, abusos de poder e ilegalidades óbvias e evidentes.
O que eu não percebo é onde estão os sindicatos...as pessoas pagam quotas a esses indivíduos para quê senão para ter apoio, pessoal e jurídico nestas situações limite? Então ninguém vai à escola na sua capacidade legal de representantes dos professores, no mínimo fazer pressão sobre essas pessoas para que refreiem, ao menos, o despotismo?
Fica-se literalmente mal e doente a ler estas coisas! Ir para o emprego como quem vai para a guerra! Que é isto? Mas em que condições trabalham estas pessoas? Como é possível trabalhar assim? Isto não pode ser!
Mas já sabíamos que este cancro de terem acabado com as eleições nas escolas iria dar nisto, porque a maior parte das pessoas que gostam de cargos são o que são...
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