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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Um chefe caledónio que lutou contra os romanos, Calgacus, dirigindo-se um dia às suas tropas, antes de uma batalha, disse, segundo Tácito, referindo-se a Roma e ao hábito de cunharem as moedas com o lema, 'levar a paz ao mundo' enquanto matavam e roubavam tudo e todos por onde passavam, solitudinem faciunt, pacem appellant - 'eles criam a desolação e chamam-lhe paz.'
Também os governos que criam a desigualdade, dando dezenas de milhares de milhões à banca ao mesmo tempo que recusam pagar o que é devido aos trabalhadores com o argumento de que isso prejudica a economia, criam a desolação e chamam-lhe paz.
Se há coisa que a entronização de Mário Centeno na presidência do Eurogrupo nos ensinou...
Mário Centeno é o "cisne resplandecente"...
Outro exemplo das vantagens da estabilidade legislativa para a paz social...
Entronizar é aquele acto sagrado de pôr alguém no trono... o que o eurogrupo quer mesmo que Centeno conte é como conseguiram aqui em Portugal provocar tanta miséria [a caminho de 3 milhões de pobres num país com menos de 10 milhões de pessoas é uma barbaridade] e ainda assim chamar-lhe, convictamente, 'paz social'... qualquer dia estamos a falar no nosso 'excepcionalismo' como os americanos falam no seu... todos os povos se acham excepcionais... não aprendemos nada com a História...
No inquérito apresenta-se ainda que uma em cada 10 pessoas (10,3 por cento) tem falta de espaço para viver, uma condição que afeta sobretudo as famílias com crianças dependentes (17,0%) e as que estão na pobreza (19,9%).
Os números estão no Inquérito às Condições de Vida e Rendimento feito pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que contou 2,595 milhões de pessoas, entre as quais 487 mil com menos de 18 anos e 468 mil com mais de 65, em risco de pobreza e com outros problemas daí decorrentes.
Tróia
DN
por ROBERTO DORES, Setúbal - hoje Pai com três filhos paga 16 euros por uma viagem de ida e volta até às praias de Tróia. Este sadino vai desistir desta rotina de anos antigos e vai passar a ir para os areais da Arrábida. Tal como este utente, outros contestam o tarifário em vigor na travessia do Sado. Os autarcas prometem lutar. Uma das coisas que amenizava os efeitos das crises e das dificuldades, ao longo do tempo, neste país 'à beira mar plantado' era o sol e as praias - onde não há dinheiro, aquele prazer de ir desanuviar e revigorar à praia tinha virtudes terapêuticas. Em Setúbal, cidade que nos últimos 20 anos cresceu de um modo tão vergonhoso que a maior parte dos bairros acima da linha do comboio parecem guetos, devido ao amontoado caótico de prédios cúbicos, sem uma árvore, sem um sinal qualquer de personalidade, sem uma greta de onde se possa ver o mar e o rio (por incrível que pareça!), esse prazer terapêutico de ir até à Tróia, descansar nas praias, era por demais necessário à sanidade mental dos habitantes desta cidade tão maltratada pelo poder local e pelo poder central. Pois até isso os nossos governantes roubaram, desde que venderam os serviços de transporte a quem por eles cobra um preço que poucas famílias na cidade podem pagar. O lema parece ser: 'tudo para mim que não quero saber dos outros'. E é assim que se arranja uma praia quase privativa sem o ser, à custa do sacrifício dos mesmos de sempre, e para benefício dalguns dos piores de entre nós. Num filme alemão que vi há dias e que é passado no período imediatamente antes da queda do muro de Berlim, quase no fim do filme, um escritor encontra, no teatro, o antigo ministro do interior, um bronco idiota cheio de poder, e diz, com um misto de desolação e incredulidade, pensar que este país esteve tanto tempo governado por pessoas como você!. Essa cena ficou impressa na minha mente, e cada vez que vejo notícias destas ela aparece-me à frente. De facto, 'Pensar que somos governados por esta gente, e já há tanto tempo!' Setúbal
Preços dos 'ferries' para Tróia afastam "povo" da Península
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