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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Enquanto uns trabalham para exterminar animais outros tentam salvá-los.
Acho que no próximo ano o meu grupo disciplinar vai perder um colega. Um colega que é do QZP.
Nós somos 5, neste momento. Os 4 de nós mais antigos, vamos ter, cada, mais uma turma, devido ao horário ser agora de 24 tempos: aqui vão 4 turmas que seriam do 5º horário. Ainda, se contarmos mais 4 alunos por cada turma (agora que vão ficar com 30 alunos), isso dá quase uma turma a mais por professor, ou seja, mais outras 3 turmas a juntar às outras 4. Sete turmas, o que corresponde ao horário do colega do QZP.
Portanto, nós que lá estamos vamos ter mais uma turma e meia cada (o que é muito!) com 30 alunos cada (uma enormidade!) e, muito pior que isto, um colega vai ficar sem horário...
«Tudo o que aconteceu nos últimos cinco anos foi também uma oportunidade para as empresas», que estão agora a investir em diversas áreas e «promover internacionalmente os produtos portugueses».
Do consórcio, apresentado hoje de manhã no final de uma conferência organizada pelo Diário Económico dedicada ao tema «A Escola do Futuro na Era da Economia Digital», fazem parte empresas como a Brandia Central, Critical Links, Edigma, JP Sá Couto, Leadership, Novabase, Porto Editora e Y-Dreams, entre outras
«Não é só a tecnologia, é uma nova forma de relação entre o professor e o estudante» que nasce com estes modelos concluiu.
É preciso dizer mais? Um consórcio de empresas de construção civil, informática, etc., têm beneficiado com as mudanças na educação, que tem sido sacrificada para dar dinheiro a ganhar a empresas amigas. E assim continuará, pois como dizia o sucateiro, 'o país é nosso e já só temos mais dois anos para aproveitar, de modo que não há tempo a perder, é preciso sacar tudo o que se pode'. Agora até são essas empresas que irão definir o que é o ensino e como se deve ensinar.
Eu gostava de saber que empresa ou empresas vão beneficiar dos mega-agrupamentos. Toda esta pressa em criar mega-agrupamentos é muito estranha e sabendo nós que certa pessoa só se move quando há negociatas onde possa capitalizar isso ainda torna tudo mais suspeito. Porque é óbvio,até para o mais idiota dos construtores de qualquer consórcio que transforma as escolas em fábricas é a machadada final no sistema de ensino.
E ninguém na oposição pára isto. É como se estivéssem a assistir a um assalto com reféns e deixássem o bandido matar todos os reféns sem nada tentar por não se aperceberem da gravidade da situação.
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