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a greve

por beatriz j a, em 18.11.10

 

 

 

Aquilo que dantes acontecia apenas nas reuniões de Conselho de Turma -colegas a esconderem os casos de indisciplina nas suas turmas para não passarem uma imagem de falta de 'mão' nas turmas- estendeu-se agora às escolas como um todo com medo de serem identificadas como escolas problemáticas com direcções fracas. As escolas cada vez são mais uma 'coisa' que serve interesses e finalidades que nada têm a ver com  educação de pessoas, com evolução de povos...

Eu não vou fazer esta greve. Talvez não volte a fazer nenhuma greve enquanto os que jogam se usam das cartas que têm na mão, não para cortar vazas malignas mas para encartar com o poder desperdiçando os trunfos em causa própria. É que, sinceramente, o que eu vejo é que de cada vez que os sindicatos se chegam à frente para representar os professores ficamos pior do que estávamos. Se é incompetência ou falta de verdade, não sei. O que sei é que não os vejo representar os professores ou fazer seja o que for em benefício da educação, só os vejo ser porta-vozes do poder na destruição das coisas e vejo que foram eles, sobretudo, quem quebrou a espinha, o ânimo e a vontade aos professores com as tácticas de desmobilização e compactuação com o poder. Porque, o que nos destrói não é a contrariedade ou má-fé dos inimigos (embora, seja um anacronismo que o ministério que nos tutela pense em nós, professores, como inimigos...), que é esperada e encaixada como fazendo parte da luta, mas a dos que deviam ser representantes e líderes da nossa luta. O governo prejudicou-nos mas quem nos retirou a força foi quem disse representar-nos.

Como a greve não vai ter benefício nennhum para nós, quem é que vai beneficiar...? Não sei, mas tenho grandes desconfianças...

publicado às 10:00


"quem não serve a humanidade, serve quem?"

por beatriz j a, em 04.07.10

 

 


Esta gente toda - a Mª Lurdes Rodrigues, esta Isabel Alçada (que é igual à outra, pois se não estivesse de acordo com o que é decidido no conselho de ministros já se tinha demitido, que é o que fazem as pessoas se não se deixam corromper), o primeiro ministro, o clone, o Santos Silva, o Pacheco Pereira (ainda me lembro de o ouvir fazer elogios à Rodrigues por 'finalmente alguém estar a pôr os professores na ordem', o Lino e todos os outros que desprezam a educação ou se usam do facto de terem mais educação para esmagarem os outros (acham-se... não sei o quê...superiores?) ou se usam do poder de forma imprópria e venal, se não tivessem prejudicado tanta gente eram apenas dignos de pena.

"Pessoas que não servem a Humanidade", servem quem? Se não servem a Humanidade em si, servem o quê, em si? Pessoas que vivem afastadas da Humanidade em si, do que é que se aproximaram?

 

É díficil não sentir desprezo por todas as pessoas que entendem os cargos como modos de porem outros ao seu serviço. Pessoas habituadas a excesso de poder e de importância tornam-se inadequadas à convivência civilizada. Tratam todos ou como servidores ou como coitados, ou como ídolos, o que diz muito acerca deles próprios.

 

A necessidade que as pessoas têm de protagonismo, de bajulação, de símbolos  de poder, de estarem sempre em pose e de estarem constantemente em felicidade doa a quem doer é uma das maiores causas do egoísmo social e da crueldade individual.

 

publicado às 21:53


conselheiros? Para quê?

por beatriz j a, em 16.05.10

 

 

Discurso Directo com Vítor Bento

"O modelo social em que vivemos não é sustentável" DN

por JOÃO MARCELINO (DN) e PAULO BALDAIA (TSF)

Defensor de uma maior concertação de políticas a nível da União Europeia, Vítor Bento centra o seu discurso no crescimento e alerta para a eficácia do investimento. Fala em reduções nos salários e diz que é necessário renegociar o contrato social.

 

Leio estas entrevistas e fico mesmo desanimada. Este indivíduo é Conselheiro de Estado, tem ocupado cargos de importância no Tesouro, na SEDES e a sua conversa resume-se a dizer que 'estamos mal' (obrigada mas já sabemos); 'os políticos e o povo não sabiam porque com a entrada no euro desligámos o alarme da taxa cambial, mas nós, especialistas, sabíamos que isto estava a descambar' (!!!!??? então porque não disseram? Para quê então ocuparem lugares chave da economia do país ou serem conselheiros de ministros e presidentes?); 'temos que cortar os salários e subrir os impostos' (porque não defender que os trabalhadores trabalhem recebendo apenas o suficiente para comprar pão e água?); 'temos que cortar despesas' e os exemplos dados são a educação e a justiça (a justiça? Porque não defender logo o fim da democracia? A educação? Porque não defender logo a escravização do povo?)

É desanimador constatar que as figuras que tomam decisões neste país não têm uma única solução para os problemas a não ser defender mais do mesmo: empobrecer as pessoas.

O título da entrevista sugere que o entrevistado tem algum modelo alternativo, mas não. Na prática, o que ele chama 'este modelo' é o modelo em que as pessoas têm ordenado, direitos associados ao trabalho, acesso à educação e à justiça. É isso que ele diz que tem que mudar.

É desanimador.

 


publicado às 14:18


baralhar e voltar a dar

por beatriz j a, em 31.12.09

 

 

Não houve acordo entre o Ministério da Educação e os sindicatos de professores.  P

Aquele que supostamente seria o último dia de negociações sobre o estatuto da carreira docente e o novo modelo de avaliação dos professores acabou em clima de desorientação. Face ao desacordo das mais representativas federações sindicais, a ministra da Educação decidiu reformular a proposta, marcando nova reunião para a próxima quinta-feira. Mas ainda mal os sindicalistas tinham tido tempo de comentar a decisão já Isabel Alçada anunciava, em conferência, que não irá ceder num aspecto de que as duas federações dizem não abdicar.

 

Daqui a pouco nem a face sorridente da ministra permitirá distingui-la da outra senhora. Senão vejamos: disse que ia fazer uma proposta para pacificar as escolas e resolver as injustiças do modelo impróprio imposto pela outra senhora; de seguida tentou engonhar fazendo uma não-proposta; depois disse que tudo se podia discutir, mas avisou que não cede e que a sua proposta tem pontos indiscutíveis - que, por acaso, são justamente aqueles que têm vindo a ser contestados desde o tempo da outra. Os tais injustos que esta senhora prometeu e garantiu que iria rapidamente resolver...

Baralha-se e volta-se a dar...

 

publicado às 09:08

 

 

Que o nível de educação de um país está directamente ligado ao seu nível de democracia e que nenhum país que tenha descurado a educação conseguiu manter durante muito tempo o seu regime democrático. É evidente.

A educação é o que permite a mobilidade social, a distribuição da riqueza, a renovação das forças sociais, o espírito competitivo, etc. Mas cá em Portugal vários ministros da educação gabaram-se de terem diminuído a quantidade de alunos com formação superior e de terem desviado para pseudo-cursos com nomes de novas oportunidades milhares de alunos a quem privaram, mais aos seus descendentes, de uma qualidade de vida própria das democracias.

Temos hoje um país mais próximo da ditadura do cowboy Chavez, ídolo do nosso ignorante primeiro ministro e uma educação próxima dos países da américa latina, grandes paradigmas da outra ignorante que ocupou até há pouco a pasta da educação e que foi agora de férias descansar da porcaria de serviço que fez.

O gráfico interactivo mostra o lugar miserável em que nos encontramos no indície educação/democracia relativamente aos outros países europeus.

E,sabendo destas coisas o que vão fazer estes que estão lá agora? Ao que tudo indica, mais do mesmo durante mais quatro anos.

Isto é um desânimo. Temos uma dramática falta de liderança qualitativa à altura dos problemas do país. E vamos continuar a ter, pois que os que nos enfiaram no buraco continuam lá todos, de pedra e cal. E a oposição é o que se vê.

 

Want a Stronger Democracy? Invest in Education

Today's Economist

 Edward L. Glaeser is an economics professor at Harvard.

Argentina’s poor economic performance during the 20th century reflects, in part, political instability and the mistaken policies of dictatorial regimes. Before 1930, Argentina had seemed a stable republic, but for 53 years from 1930 to 1983, Argentina was whipsawed by frequent military coups and uprisings.

Why was Argentina unable to remain a stable democracy? Education, education, education.

 

 

Para ler o resto economix.blogs.nytimes.com/2009/11/03/want-a-stronger-democracy-invest-in-education/

 

 

 

publicado às 22:01


Desabafos...

por beatriz j a, em 20.03.09

 

 

 

Gosto da palavra 'desabafo' - tirar o abafo, ficar mais exposto, mas também mais leve.

 

No fim de semana passado encontrei um colega que já não via há muito tempo, embora tivesse notícias dele de vez em quando, por conhecimentos comuns. Não só fomos colegas de escola como mais tarde ele foi meu orientador de estágio, no 2º ano da 'Profissionalização em Exercício' como se chamava então.

Assim que nos vimos, a primeira pergunta foi: então, és titular? Lol, hoje em dia é preciso saber com o que se conta e com quem se conta...  Adiante. Nem ele, nem eu, somos titulares. Ambos a leccionar há muitos anos - ele mais do que eu, porque é mais velho e porque eu estive três anos com uma licença sem vencimento fora do País - e a dar o litro nas respectivas escolas sem nunca esperar ou pedir louvores ou benefícios, muito antes pelo contrário.

Ele não é titular porque foi operado nos últimos dois anos e a penalização roubou-lhe os pontos necessários, eu porque o congelamento das carreiras me deixaram, com pontos, mas a faltar dois dias...lol.

Achei-o muito desmotivado e isso fez-me impressão porque ele era sempre uma pessoa muito positiva e sempre alegre e cheio de vitalidade. Disse-me que passou quase para o último lugar do grupo e que aqueles que antes lutavam pelos cargos para não ter que se chatear com as aulas e poder faltar sem faltas etc., agora eram os titulares e, como tal, já nem sequer precisavam dos cargos para fazer pouco, de modo que atiravam para cima de outros o trabalho todo.

Disse-me que estava à espera que passassem os anos que lhe faltam para poder pedir a reforma antecipada e assim que pudesse ia-se embora mesmo com uma penalização de 40%, acho.

Sendo uma pessoa muito activa e dinâmica e sempre com iniciativas fez o mesmo que eu, para não se deprimir com a visão de certas injustiças e aldrabices descaradas, que foi incrementar a sua vida extra-escola, «abrindo canais nas margens», como diz muito bem o meu amigo Luís Contumélias, pois é a única maneira de uma pessoa não ficar doente com o que vê e o que se passa.

É uma pena que este sistema que promove as Moreiras, os Pedrosas e as Rodrigues e as põe a avaliar as outras, deite outro tipo de pessoas para o lixo, por assim dizer.

Enquanto este ECD se mantiver nada nas escolas e na educação funcionará: dum cancro não se extrai a saúde.

 

Desabafos...

 

 

 

 

publicado às 13:25


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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