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Na política prestam-se a tudo

por beatriz j a, em 05.06.16

 

 

Pacheco Pereira no congresso do PS com:

 

"A entidade chamada socialismo democrático não existe, neste momento, em Portugal", disse, num debate, que abriu os trabalhos do segundo dia do congresso do PS, com Pedro Silva Pereira e Ana Drago.

 

Tudo! O PP deve pensar que é o oráculo do que se pensa filósofo-rei do regime. Sabemos o que aconteceu a todos os que acharam que podiam ser o oráculo do poder: foram engolidos por ele. A promiscuidade não é diálogo, não é luz, não é construção, é caos sem cosmos... O PSP, vulgo, 'o clone' sabemos muito bem o que pensa e faz e de quem é amigo e onde estão os seus interesses, prioridades e lealdades. A Ana Drago metida nisto é que me deixa de queixo caído...

 

 

publicado às 10:25


uma semana diferente

por beatriz j a, em 09.11.09

 

 

 

Para a semana vou a um congresso internacional na FCSH da minha universidade, a Nova de Lisboa. O congresso dura quatro dias. Não chega a uma semana, portanto. Tem creditação para vários grupos incluindo o meu que é o 410. Para tal faz-se um trabalho que é avaliado.

Esta formação paga-se - 75 euros. Mas quanto a mim vale bem a pena.

A alternativa é uma acção de formação aqui em Setúbal, que dura 3 meses, em regime pós-laboral, com trabalhos em quase todas as sessões mais o trabalho final. É um horror.

A última que fiz desse género também era à noite. Dar 6 aulas e ir depois para uma coisa daquelas mais 3 horas é de morrer. No outro dia aulas às 8.30 da manhã! É inaguentável.

Na maior parte das vezes são temas, ou que já ouvimos 500 vezes, ou dados por gente que arranjou ali um tacho e nem sequer sabe citar citar uma bibliografia.

Ao menos neste congresso, os congressistas sabem do que falam. Alguns são muitíssimo bons. No ano passado também escolhi esta modalidadede formação e fui ao congresso do padre António Vieira também no mesmo sítio. Teve comunicações interessantíssimas. A do professor Esteves Pereira, à qual chamou Futurações, por exemplo, foi excelente. E outras.

No último dia há passeio cultural. No ano passado, como o tema era o Vieira, andámos com um guia pelo Bairro Alto pelas zonas do Barroco e fomos acabar, claro, na Igreja de s. Roque, onde tantas vezes ele pregou. Assistimos a uma dramatização dum sermão do Vieira por uma actor, no púlpito da igreja. Já não ia aquela igreja há séculos. Bonitíssima.

Este ano, como tema é o Rafael Bordalo Pinheiro ( político, estético, histórico, etc) temos visita às Caldas, à fábrica das louças. Também já não vou às Caldas há mais de dois anos. Vai ser uma semana diferente, gira, relaxante.

 

 

 

 

publicado às 17:27


erros de percepção

por beatriz j a, em 17.10.09

 

 

A propósito de um congresso que decorre hoje o DN trás um artigo enorme sobre bullying. Diz que existe violência nas escolas, que os professores não se apercebem e que não estão preparados para lidar com isso.

 

O que eu vejo é outra coisa:

1. o bullying sempre existiu. Dava-se menos por ele porque decorria longe dos olhares dos adultos em ambiente sem controlo. No tempo em que os adolescentes só estavam na escola de manhã e passavam as tardes na rua, já existiam grupos, indivíduos que nos grupos assumiam a posição de líder, que massacravam os mais vulneráveis (os 'caixas de óculos', os 'bolinhas', os 'meninos da mamã', etc), que exigiam provas para poderem ser aceites nos grupo, etc. Só que essas vivências se passavam nas ruas, nos campos, em suma, longe da presença dos adultos. Acontece que agora, porque os miúdos vivem presos nas escolas, num ambiente controlado, expõem-se mais ao fazer essas coisas. Tal como acontecia e sempre aconteceu nos colégios internos, com toda a gente a saber que essas coisas se passavam. Apenas se era mais tolerante com a violência, nesses tempos, e não se lhe chamava bullying. Em alguns colégios até achavam que essas coisas formavam o carácter das pessoas...

2. Não é verdade que os professores não dêem por nada. Apesar de os miúdos fazerem, sempre que possível, essas coisas, longe dos olhares dos adultos (nas casas de banho,por exemplo) sabemos que do 5º ao 9º ano as coisas são muito complicadas. Agora acontece que as escolas têm falta de funcionários. Na minha escola, os funcionários que foram saíndo, por reforma, não foram substituídos na mesma proporção. Num bloco de salas de aulas com 3 andares, com 25 salas com aulas a decorrer, em vez de estarem 2 funcionários por piso, está um ou dois para todo o bloco. Às vezes,enquanto esperam à porta das salas pelos professores, os miúdos agridem-se com violência. Os rapazes, sobretudo, na idade em que a testosterona se manifesta em brincadeiras que metem sempre brigas e lutas e empurrões, etc. Por vezes o funcionário até vê. Mas está sózinho de modo que não se mete. Da mesma maneira, a sala dos alunos tem um funcionário. Eles estão aos molhos, em grupos. Se a sala está cheia, o que no inverno, com a chuva é sempre certo, estão ali, por exemplo 250 alunos. Há situações de violência, umas que eles vêem outras que adivinham, pelo burburinho dentro dum grupo, mas, mais uma vez, não se metem porque estão sózinhos (muitoas são pessoas de 50 e tal anos) e os adolescentes nessas situações de tensão e violência são capazes de se virarem a eles no meio da confusão.

O jardim da escola é enorme, tem uma parte campestre, tem recantos atrás dos blocos. É impossível um funcionário controlar o que aí se passa.

O que quero dizer é o seguinte: se a escola tivesse funcionários em número suficiente, estes casos reduziam-se a números talvez pouco significativos, porque eram detectados antes das coisas escalarem. É preciso ver que as escolas já não são como antigamente em que os alunos entravam, iam ter as suas aulas de manhã, ou de tarde, e depois iam embora. Agora passam lá o dia, de modo que os funcionários que dantes chegavam muito bem para apoiar os professores e os alunos, agora não chegam nem para arranjar os materiais de apoio às aulas, quanto mais para o resto.

3. Os professores, nos intervalos, andam à corrida. O tempo de intervalo só chega para beber um café e ás vezes nem isso, porque há 2 funcionários para atender centenas de alunos e dezenas de professores de cada vez. Há professores que têm 7 turmas, cada uma com 28 alunos. Estão permanentemente exaustos. Sem reservas de energias para lidar com problemas dentro das aulas quanto mais fora delas.

O desinvestimento na educação, que nestes últimos 4 anos com esta ministra horrível atingiu o cúmulo, teve custos muito graves em todos os sentidos.

Irrita-me que os jornais e os congressos reduzam o caso a coisas como: 'os professores não estão atentos e não sabem lidar com o assunto'. Quando falam de bullying só falam do fim do problema - as vítimas dele.

É uma falta de seriedade de quem fala de cor sem conhecer o contexto dos problemas e os seus padrões de manifestação, as políticas que o fizeram piorar, etc. E, no fim de tudo, para variar, pôr a culpa nos professores.

 

 

publicado às 14:07


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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