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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau





Aqui há uns anos fui a Berlim. Uma coisa que não esperava era ver a história negra do nazismo espalhada propositadamente por todo o lado: museus ao ar livre, mostras, exposições, memoriais... por todo o lado, mesmo que não se queira, dá-se de caras com imagens, documentos da época com a contabilidade dos mortos, fotografias dos campos, filmes... uma clara intenção pedagógica de não deixar esquecer o passado e tentar aprender com ele para que não se repita. Achei admirável e lembro-me de pensar que se fossemos nós não seríamos capazes desse acto. Ainda hoje quase não falamos da guerra colonial e do que lá se passou e dizemos de nós mesmos que somos um povo de bons costumes, como se houvesse povos que nascem com a marca do anjo e outros com a marca do demónio.
Hoje em dia, depois de milhares de livros, filmes e documentários acerca do nazismo, das suas origens, dos seus protagonistas e dos seus crimes terem sido divuldados até à exaustão, ninguém, a não ser os negacionistas radicais, romantiza o nazismo ou considera que o Hitler foi um desvio de uma boa ideologia ou intenção que lhe esteve subjacente, como pensava Heidegger. Isso acontece em grande parte pelo facto dos alemães terem aberto à comunidade mundial os arquivos e toda a documentação dessa época e serem transparentes em relação a tudo.
Com o comunismo isso não é assim. Nunca os arquivos russos ou chineses foram completamente expostos à comunidade internacional, praticamente não existem publicadas fotografias, documentários e, poucos são os livros sobre essas dezenas de anos de terror e crimes soviéticos e maoístas, nem os seus protagonistas e apoiantes são passados a pente fino em todas as suas facetas como acontece com os nazis. Não há dezenas de filmes a mostrar o que são esses anos de regime comunista. Antes pelo contrário. Há um secretismo e uma tentativa de branqueamento e romantização dos crimes e da ideologia que lhe subjaz.
O Parlamento russo aprovou recentemente uma lei que afirma que qualquer pessoa que deprecie a história da Rússia na Segunda Guerra Mundial pode ter que pagar multas ou ser preso por até cinco anos.
Ainda há pouco tempo a Rússia considerou ofensivo o filme que satiriza a morte de Stalin dizendo que lhe retira dignidade (qual dignidade...?). Não me lembro de ver a Alemanha criticar os filmes que gozam com a figura do Hitler. Mas os russos, em resposta à série da HBO sobre Chernobyl, apressaram-se a fazer uma série em que responsabilizam a CIA pelo desastre. Não aceitam nenhum escrutínio, nenhuma crítica.
Há um apagão sobre o que foram os regimes comunistas. O Lenine, que juntamente com o Marx e o Engels era posto em andores (os seus gigantes retratos) e passeados em procissão, tal como a Senhora de Fátima, para os crentes adorarem, ainda hoje são glorificados. O Lenine, um criminoso frio e calculista está embalsamado e preservado como um santo na Praça Vermelha, para o povo venerar.
À conta de se esconder os crimes gigantes dos regimes comunistas ainda há quem defenda que o comunismo foi um desvio do Marxismo.
Eu separo o Marx filosófico e critico económico, do Marx-Engels ideólogos, pretensos solucionadores dos problemas da injustiça social com implementação de ditaduras.
A ideologia do Marx-Engels com receitas para resolver problemas sociais está assente num grande desprezo pelos seres humanos enquanto indivíduos, pessoas com uma dimensão psicológica, ética e ontológica. Toda a receita deles está projectada segundo o pressuposto do materialismo determinista social; da ideia de que os trabalhadores estão marcados pelo anjo e o capitalista pelo demónio; que o simples e ingénuo é puro e o outro, o complexo instruído é malévolo. A ideologia é tudo, a pessoa é nada. Ainda, como dizia Popper, apesar de se proclamarem uma ideologia científica são completamente fechados à crítica. E assim continuam.
O primeiro gulag surge logo em 1919. Durante a guerra civil mais de 100 mil pessoas foram executadas por motivos políticos. Houve execuções com escalpelamentos, empalamentos e fogueiras humanas, como acontece quando se dá ordem de soltura aos piores instintos dos homens. Cinco milhões de pessoas perderam a vida na 'deskulakização'. Lenine confiscava alimentos em nome da revolução. A limpeza étnica de 12 milhões de ucranianos no Holodomor. E os gulags, claro, para onde eram enviadas as pessoas nas grandes purgas, muitas vezes porque queriam trabalhadores-escravos e não queriam ter que lhes pagar salários. Os assassinatos por paranóia do Estaline. O massacre de "Grischino", o de ´Teodósia', o de 'Katyn', as violações massivas de dezenas de milhares de alemãs na tomada de Berlim, o encarceramento compulsivo de opositores políticos em antros psiquiátricos, a repressão nos países da esfera soviética, as perseguições da NKVD aos religiosos, a tortura como método corrente de domesticar o povo...
Para quem leu o arquivo Mitrokine e, muito antes disso, O Arquipélago do Gulag, ouvir os comunistas defenderem o regime soviético ou os regimes comunistas como sociedades admiráveis é o total absurdo.
Uma pessoa ficava aqui até às calendas se fosse a falar destes crimes soviéticos que duraram até à queda do regime (ainda nos dias de hoje as Pussy Riot foram enfiadas em hospitais psiquiátricos...) e ainda os do camarada Mao e outros regimes comunistas onde os líderes se instituíram como divindades infalíveis e refasteladas no luxo que criticavam aos capitalistas e czares enquanto aniquilavam populações inteiras. Tudo em nome de Marx e de Engels. Sim, Marx e Engels não mandaram nunca ninguém matar pessoas, mas tinham uma ideologia construída sobre o desprezo ou indiferença pela vida humana individual.
Aqui no rectângulo, Cunhal e outros comunistas sabiam muito bem disto tudo, embora pudessem não conhecer todos os números na sua totalidade e entendiam, como alguns ainda entendem, que esta ideologia era a melhor maneira para organizar a nossa sociedade. Não por acaso, se ensaiaram, à escala pequena do país, julgamentos populares ao modo soviético. Cunhal, como bom comunista que era, tinha a sua lealdade afinada à ideologia e à pátria-mãe, a URSS. Foi assim que subtraiu os arquivos da PIDE e os levou para lá e era ao grande líder soviético que ia pedir instruções de como sovietizar o nosso país.
O Cunhal ainda é admirado, até idolatrado por muito portugueses. Criou um partido comunista: secretista, onde a obediência é lei, dogmático, rígido e cheio de amnésias relativamente à ideologia que lhe deu origem, de tal modo que ainda veneram o camarada Lenine e o camarada Estaline. Recusam criticar o regime cubano castrista e outros regimes comunistas, porque lá está... a ideologia está acima dos direitos individuais das pessoas ontológicas. As pessoas são categorias lógicas que servem a ideologia.
No entanto, os livros fundamentais que falam no comunismo e nos regimes soviéticos e maoístas estão aí desde os anos 70. Eu, que sou uma pessoa qualquer, não estou nos altos cargos da nação, não fui teórica de nenhum partido nem tive responsabilidades na condução do país, li-os aos 15 e 16 anos.
Uma pessoa se quer ser um cidadão consciente tem que informar-se. Ainda hoje li que o cartoonista, António, que a seguir ao 25 de Abril teve simpatias com o MRPP, como muitos na euforia desses tempos, afastou-se no dia em que lhe disseram que tinha feito um desenho desrespeitoso para com o camarada Marx. Pois, é isto, quem se preocupa, se informa e pensa, age consequentemente.
O que a mim me espanta é a quantidade de figuras de relevo do país que, ou nunca leram nada destas coisas o que me parece inacreditável ou leram mas fingem que não percebem e agem como se tudo fosse indiferente e igual ao litro. Não é. O século XX mostrou-o à saciedade.
Dizem-me que entre os muitos escritos de Marx que estão por publicar há aqueles em que ele, no fim da sua vida, elogia o regime parlamentar inglês e faz uma inversão na sua receita de ditaduras ferozes do proletariado. Não sei, nunca li esses escritos. O que sei é que os regimes comunistas adoptaram essas 'ditaduras' como o futuro radioso da humanidade e com elas destruíram 100 milhões de pessoas e, se hoje em dia se conhecessem os nomes dos protagonistas soviéticos (Yezhov, Serov, Béria e outros), chineses, cambodjanos, etc. como se conhecem os dos nazis, mais as suas acções, quer dizer, se houvesse 500 filmes baseados nesses regimes e épocas, haveria mais cautela neste revivalismo do comunismo como solução para os problemas sociais.
Outra solução passava pelos regimes comunistas, ou partidos comunistas fazerem uma revisão e alteração dos seus princípios doutrinários e expurgá-los do que se sabe, agora, ser errado e ter consequências muito nefastas.
A revolução socialista também deu origem, no seu tempo e contexto, ao sistema político e económico que mais poder e liberdade concedeu ao seu povo [isto é uma enorme mentira. Nem concedeu nem nunca Lenine ou, mais tarde, Estaline, tiveram essa intenção].
Em 1917, a Revolução foi capaz de retirar a Rússia do feudalismo e lançá-la para a modernidade com um projeto que inspirou direta ou indiretamente todos os movimentos progressistas e grande parte das conquistas populares do século XX. [os movimentos progressistas são do século XIX, como resposta às condições criadas pela revolução industrial. O próprio Marx, como esta Mortágua deve saber, nos escritos dos últimos anos que têm estado a ser descobertos e editados, reviu parte da sua teoria política, admitiu ser a democracia parlamentar à maneira inglesa um regime melhor que o socialismo. E depois, muitos países tiraram as pessoas do feudalismo sem assassinar 40 milhões do seu próprio povo...mas enfim... isto devem ser pormenores].
...só um movimento capaz de mobilizar povos para além delas poderia ter suscitado o nazismo e o fascismo como reação das classes dominantes. [what?? mas quem é que argumenta o valor de um regime pelo poder de ter invocado o nazismo...?]
Este artigo mostra o problema do BE: não têm teóricos e não sabem onde enquadrar-se políticamente em termos de raízes conceptuais, porque... deixa ver... não as têm...?
Recomendamos a esta senhora a leitura deste artigo, embora sem grande esperança pois é sabido serem os devotos, cegos psicológicos, por assim dizer mas, quem sabe...?
Liberty Under the Soviets, published in 1928, is a remarkable book. How rare to witness the mind of a man doing his best to ignore that his faith is a lie... more »
O André fez uma correção ao que eu disse,
"...o Marx não disse que a democracia inglesa era um regime melhor do que o socialismo. Disse foi que em países como o Reino Unido, com aquele modelo de democracia parlamentar, o socialismo podia ser alcançado sem revolução violenta, mas por via parlamentar e pacífica. É o melhor caminho para o socialismo, não melhor que o socialismo".
Eleições - quem pode concorrer? Quem o partido aprova. É assim em todos os países onde os comunistas foram, e são, poder. O comunismo tem um problema com a liberdade e os direitos dos outros.
To maintain the precise condition of Lenin's body, the staff must perform regular maintenance on the corpse and sometimes even replace parts with an excruciating attention to detail. Artificial eyelashes have taken the place of Lenin's original eyelashes, which were damaged during the initial embalming procedures. The lab had to deal with mold and wrinkles on certain parts of Lenin's body, especially in the early years. Researchers developed artificial skin patches when a piece of skin on Lenin's foot went missing in 1945. They resculpted Lenin's nose, face and other parts of the body to restore them to their original feel and appearance. A moldable material made of paraffin, glycerin and carotene has replaced much of the skin fat to maintain the original “landscape” of the skin.
Gastam uma fortuna por ano, desde há 92 anos, a embelezar o cadáver que preservam religiosamente tal como os cristãos preservam as relíquias dos seus santos e salvadores... um tal fervor religioso mostra o espírito profundamente dogmático do comunismo, ideologia que endeusa os seus líderes com cultos obscurantistas. Não é por acaso que por esse mundo fora os partidos comunistas têm o culto do líder ao ponto de prejudicarem os seus próprios países, como era cá com o Cunhal, na China com o Mao e como se vê na Venezuela, etc. Vão buscar esse comportamento eticamente heterónomo ao grande líder russo.
Vilar deixou de comer poucos dias depois do julgamento em que foi considerado culpado de "desobediência", "resistência" e "crimes contra o Estado". Pertencia a um grupo de oposição de Santiago de Cuba chamado União dos Patriotas Cubanos. De acordo com Elizardo Sanchez, Vilar foi posto na solitária o que, em conjunto com a greve de fome, debilitaram a sua saúde.
O blogue pró-governamental Yohandry anunciou a morte de Vilar considerando que "o delinquente Wilmar Villar Mendoza morreu".
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