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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau

In recent years, interest in climate change has rapidly increased in the social sciences and yet there is still relatively little published material in the field that seeks to understand the development of climate change as a perceived social problem. This book contributes to filling this gap by theoretically linking the study of the historical development of social perceptions about ‘nature’ and climate change with the figurational sociology of Norbert Elias and the study of moral panics.
By focusing sociological theory on climate change, this book situates the issue within the broader context of the development of ecological civilizing processes and comes to conceive of contemporary campaigns surrounding climate change as instances of moral panics/civilizing offensives with both civilizing and decivilizing effects. In the process, the author not only proposes a new approach to moral panics research, but makes a fundamental contribution to the development of figuration sociology and the understanding of how climate change has developed as a social problem, with significant implications regarding how to improve the efficacy of climate change campaigns.
This highly innovative study should be of interest to students and researchers working in the fields of sociology, environment and sustainability, media studies and political science.

Khaled al-Assaad tinha 82 anos
Conforme relatado pelo site da Direcção-Geral de Antiguidades e Museus, o Professor Assaad foi executado de forma bárbara ao ser decapitado no pátio do museu de Palmyra, em seguida, seu corpo foi movido e pendurados nas colunas antigas que ele supervisionou a sua restauração no centro da antigo e histórico da cidade de Palmyra.
Assaad é um dos notáveis da cidade de Palmyra e é conhecido por sua moderação intelectual e religiosa.
"Foi o chefe das antiguidades de Palmira por mais de 50 anos e estava reformado há 13. Tinha 82 anos", acrescentou.
O grupo Estado Islâmico acusa-o de ser leal ao regime sírio, ao representar o país em conferências no estrangeiro com "infiéis".
Há acontecimentos tão chocantes que uma pessoa não consegue processá-los. Esta execução faz-me lembrar a tortura e execução de March Bloch -cujo livro ando a ler- às mãos dos nazis, embora pior, porque o acto de decapitar tem uma intenção óbvia de degradar a pessoa e porque Assaad, ao contrário de Bloch, não pertencia a nenhuma resistência, a nenhum exército, a não ser o dos inocentes e, era uma pessoa de boa vontade dedicado ao conhecimento e ao serviço da História Humana no que esta tem de melhor. Talvez por isso mesmo o tenham destruído deste modo. Entretanto o EI fez explodir um templo em Palmira porque o seu objectivo é o mesmo de Lenine quando mandou matar toda a família do Czar: impedir qualquer réstea de esperança [e de memória] de restauração do que era. Como dizia Arendt:
“To them, violence, power, cruelty, were the supreme capacities of men who had definitely lost their place in the universe and were much too proud to long for a power theory that would safely bring them back and reintegrate them into the world. They were satisfied with blind partisanship in anything that respectable society had banned, regardless of theory or content, and they elevated cruelty to a major virtue because it contradicted society’s humanitarian and liberal hypocrisy.(...)
For legends attract the very best in our times, just as ideologies attract the average, and the whispered tales of gruesome secret powers behind the scenes attract the very worst.
The Origins of Totalitarianism

via AZspot
Tudo o que estimula o crescimento da civilização trabalha simultaneamente contra a guerra. (Freud)
How to welcome and nurture the poets and painters of the future
“To have great poets,” as Whitman said, “there must be great audiences too.” The matrix of culture will become impoverished if there are not enough gifted artists and thinkers produced: and since universities are the main nurseries for all the professions, they cannot neglect the professions of art and reflection.
... que não florescem em ambientes hostis. A importância do ensino das Humanidades e da disponibilidade para aceitar e apoiar estudantes que não correspondem ao actual perfil de sucesso: querer ser líder, ser extrovertido, dar nas vistas, seguir um curso científico, etc.
Quem é que, amanhã, apoiará e sustentará a cultura de um país senão os que hoje estudam? E, se são educados no desconhecimento ou, pior, no desprezo da cultura, das humanidades, como entenderão a importância de as preservar? (Não temos nós exemplos tão dramáticos entre os governantes do nosso passado recente de pessoas que não entendem e, por isso descuram, a cultura e as artes?) Como diz Whitam, para que haja grandes poetas é necessário haver também grandes audiências.
O que sobrevive às civilizações concretas é a sua cultura, os seus filósofos, os poetas, os artistas. Não as pedras, mas as ideias que as possibilitaram. Na Universidade de Harvard querem forjar os criadores duma grande escola de Filosofia, Poesia, Literatura, etc., que possa tornar os EUA transcendentes no tempo, muito depois do declínio da sua civilização, à maneira da Grécia e de Roma: através da perenidade das suas ideias e artes.
O que noto é que, enquanto uns países trabalham para forjar um contexto que permita o crescimento e enriquecimento da sua cultura, outros trabalham para a destruir, defendo explicitamente a inutlidade de todo o ensino não científico, a necessidade de reduzir todo o ensino a uma grelha matemática e todo o estudante a um caso de sucesso.
O Ângelo Correia do PSD e o Bernardino do PC na SIC notícias. Não é que digam coisas geniais, mas são um exemplo de debate civilizado, educado e que se centra nas ideias em vez de atacar pessoas. Estamos já tão habituados ao estilo do Sócrates e dos seus ministros falaram a todos e de todos com baixo nível, com falta de civilidade e ofensas vergonhosas que desprestigiam orgãos de soberania, que até se fica espantado com um debate onde se discutem ideias civilizadamente.
Pierre Barraya
Esta história dos mineiros do Chile que está a emocionar o planeta inteiro é extraordinária. Mostra que somos muito mais parecidos que diversos e mostra o verdadeiro espírito científico, sem o qual aqueles homens estariam já mortos.
Mas assim como os factos só ganham significado à luz duma teoria que os enquadre e interprete -uma narrativa, como se diz agora- também a ciência só ganha sentido enquadrada numa cultura que lhe dê um objectivo positivo. Ora, a cultura humanista e iluminista que possiblitou o florescimento e desenvolvimento da ciência não nasceu do nada, mas das pessoas com uma visão dos conhecimentos que ultrapassa a mera tecnicidade num enquadramento do tempo total do Homem. Isso, não existe sem a educação enquadrada num sistema filosófico, artístico, poético, cultural que lhe injecte vitalidade e significado - narrativa, como se diz agora.
O descurar das Humanidades é o descurar da civilização como projecto comum entre as pessoas, que como se vê nesta história dos mineiros que mobiliza conhecimentos, sentimentos e vontades de todo o mundo, é possível porque o que nos une é muito mais que o que nos separa. Somos essencialmente idênticos e não diversos. Não se constrói uma civilização ensinando apenas a matemática e as ciências naturais senão crescem no vazio, sem utilidade, e destinadas a repetir os erros do passado por ignorância e falta de reflexão filosófica.
"Há quase uma semana que os habitantes se alimentam da fome, do choque e do cheiro a morte. Pelas ruas, sucedem-se placards com a palavra "ajuda" escrita em várias línguas. São lidas por milhares via televisão, mas respondidas por poucos.
Há três milhões que continuam sem qualquer auxílio externo. Quando finalmente surge uma equipa de ajuda humanitária, traz com ela comida e distúrbios. Não há ordem possível que se sobreponha à impaciência da sede e da fome.
O terramoto devolveu às ruas os criminosos que a polícia tinha enclausurado. Três mil reclusos estão agora à solta ... com episódios de sangue, crime e cabecilhas de nome "Blade" a fazer tremer os já traumatizados sobreviventes. Desde terça-feira que fazem sentir a sua presença." (no i)
Os relatos que vêm do Haiti são assustadores. Mostram a linha frágil entre a civilização e a barbarie. O trabalho que dá instituir uma sociedade com a lei e a ordem. Séculos de esforços políticos que num dia ou dois de crise maior desaparecem completamente e devolvem as comunidades à lei do mais forte, invariavelmente com armas, violência e morte.
É assustador imaginar uma sociedade a ruir deste modo.
Toda a construção é difícil, toda a destruição é fácil. Se há alguma esperança de ganhar mais permanentemente as sociedades para a civilização isso só pode vir da educação para a autonomia democrática. Uma educação que torne alguns hábitos ou valores não só compreendidos como não hipotecáveis mas também os interiorize como uma segunda natureza. Infelizmente é o que tem vindo a ser destruído nas sociedades ocidentais.
Na verdade já se assiste nas sociedades ocidentais a uma situação de pilhagem, só que sem armas à vista e, portanto, mais subtil: quando os lucros são privados e arrecadados pelos poucos que detém o poder (económico e político) e a dívidas são públicas, obrigando-se os povos a arcar com as responsabilidades dos falhanços dos que têm o poder e privando-os de acederem a qualquer lucro, estamos a viver a situação do Haiti, só que de modo disfarçado - pilhagens de fato e gravata. E a causa é a mesma que agora aflige o Haiti: um planeta sobrepovoado, recursos escassos, pilhagem e armazenamento de recursos pelos mais fortes.
Isto parece ser a Roda dos Tempos da civilização humana. Talvez não haja linha a separar a civilização da barbárie. Talvez esta linha seja mera ilusão mantida a funcionar apenas enquanto houver lei, justiça e ordem. Ou talvez haja uma linha mantida firme pela educação - porque só a educação muda as mentalidades, as convicções e os horizontes civilizacionais de forma duradora.

Hoje comprei este livro. Não é um atlas geográfico. É uma cartografia da civilização. Tem mais de 200 mapas seleccionados da Biblioteca do Congresso americano, que tem a maior colecção cartográfica do mundo.
Tem mapas do mundo, de cidades, das estradas romanas do tempo do Império, mapas do Cosmos, de montanhas, mapas chineses de simbolos mágicos e de cenas da vida do quotidiano, mapas do colapso de regimes, mandalas, mapas agrícolas, de sedimentos sub-aquáticos, de guerra.
Tem vários mapas portugueses como o do plano do caminho marítimo para a Índia, e o que aparece na capa de protecção e se vê aí na fotografia. Tem mapas históricos, metafóricos, do genoma humano, das sensações humanas, de fortificações.
A maioria dos mapas são em pergaminho ou papel, mas há mapas em relevo, em tapetes, em porcelana e em pedra, também.
O editor, Vincent Virga, dedicou o livro a duas mulheres, Susan Sontag (a escritora) e Victoria de los Angeles ( a soprano de belcanto).
O livro, que é lindíssimo, como objecto físico, é-o também como ideia de rastrear a humanidade pelos mapas que nos transportam numa autêntica viagem espiritual através da civilização humana.
Estava a reler, mais ou menos ao acaso, páginas das Meditações de Marco Aurélio, na edição da Folio (www.foliosociety.com/) - essa mesma que se vê na imagem - quando deparei com esta ( nº 45 ):
What follows is ever closely linked to what precedes; it is not a procession of isolated events, merely obeying the laws of sequence, but a rational continuity. Moreover, just as the things already in existence are all harmoniously co-ordinated, things in the act of coming into existence exhibit the same marvel of concatenation, rather than simply the bare fact of sucession.
Que a realidade seja mais que uma sequência mecânica de eventos isolados, antes apresente uma continuidade racional, lógica, é algo que faz pensar no problema da civilização, da cultura e da educação, em Portugal e no mundo.
Na Europa, os ideais da Revolução Francesa e da filosofia das Luzes de liberdade, igualdade, fraternidade, emancipação pela razão e, mais tarde, de democratização pela educação, estão por um fio. Depois do Socialismo ter deixado exangues sociedades inteiras, mostrando não conseguir atingir esses ideais, é a vez do Capitalismo, regressado aos tempos descontrolados do século XIX, mas já sem o optimismo ignorante e ingénuo de então, se preparar para destruir aquilo que fez da civilização europeia, nestes últimos cinquenta anos, uma espécie de eldorado para o resto do mundo.
Os ideais de justiça social pela distribuição da riqueza, co-responsabilização do povo na res pública através do pagamento de impostos e da generalização da educação com vista ao melhoramento do Homem, que estivémos perto de conseguir, na Europa, já não são mais que palavras que se activam em momentos eleitorais, tal como os chavões de 'políticas de direita', 'forças de esquerda', etc, que não têm nenhum reflexo na realidade e que, suspeito, os próprios que as utilizam nem sequer sabem bem o seu significado, porque são já duma cultura que enaltece e pratica a opinião ignorante.
Juntam-se aqui três factores na história da Europa, ou do mundo ocidental, que se concatenaram, logicamente, no tempo, e forjaram o momento em que estamos.
Como fica implícito pelas palavras de Marco Aurélio, na história não há acasos, há consequências de acções e tramas do passado. Algumas acções são como germes que viajam nas camadas mais ocultas dos acontecimentos, de modo que, quando emergem e se tornam evidentes, já fizeram os seus estragos.
A fé cega nos resultados da ciência juntamente com a massificação urbana alteraram as premissas do que se considerava ser a natureza e fins da educação e, esse facto, levou à perversão do ideal de democratização pela educação, situação em que nos encontramos, e que está a perigar toda a lógica da civilização ocidental, que se proclama farol do mundo dos direitos do Homem, da liberdade, da tolerância, da busca de saber, etc.
Em Portugal ainda vamos a tempo de impedir que se atravesse o Rubicão, porque as políticas que se querem impor, ainda estão em fase de não aceitação. Estas mesmas políticas, impostas noutros países, como Inglaterra, EUA, Bélgica, Holanda, Suécia, etc, já há muitos anos, estão a destruir por completo o tecido social e civilizacional tradicional do tipo europeu e são agora extremamente difíceis de corrigir.
Seria de esperar que este país, onde tudo chega atrasado, beneficiasse, ao menos, desse atraso, para travar políticas que noutros países tiveram resultados opostos aos desejados. Mas não. Ou as pessoas, neste caso, as do Ministério da Educação, não querem saber de se inteirar desses assuntos ou, o que é pior, estão por dentro desses relatórios mas estão de acordo com a destruição do tecido social. Penso que será mais a primeira hipótese: trata-se de gente ignorante que só existe no absoluto presente por desconhecimento de que as coisas se passam, exactamente como diz Marco Aurélio. Falta-lhes a perspectiva do todo, embora se achem muito 'à frente' e inteligentes por terem ascendido a cargos de poder, o que por si revela que pertencem à tal nova cultura construída numa certa mentalidade de fé cega nos resultados da ciência e nos méritos intrínsecos dos montanhistas sociais.
O início, ponho-o lá para trás, na História, nas palavras de Descartes, nos Princípios da Filosofia, (de 1644) a propósito da capacidade do seu método matemático ( o que deu origem ao método experimental das ciências ) produzir verdades: «Também sei que poderão passar-se vários séculos antes que se tenham deduzido desses Princípios todas as verdades, porque a maior parte das que faltam encontrar dependem de algumas experiências particulares, que se não descobrirão por acaso, mas que devem ser procuradas com cuidado e esforço por homens extremamente inteligentes.»
(a continuar)
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